Gavetas

Quanto trabalhei na Temas e Debates (que hoje só edita livros de não-ficção, mais de acordo, aliás, com o seu nome), publiquei os dois primeiros romances de Jonathan Safran Foer – na altura um dos mais promissores romancistas norte-americanos, segundo a revista Granta; da lista de talentos fazia também parte uma menina bonita de Nova Iorque que soube mais tarde ser a mulher do escritor: Nicole Krauss, cuja primeira obra publicada em Portugal se intitula A História do Amor, romance que venceu dois prémios importantes e foi finalista de quase todos os outros que valiam a pena, quer nos EUA, quer nos países em que foi traduzido (como o Médicis e o Fémina). Saiu recentemente desta autora o romance A Grande Casa – e não é por acaso que, na sua belíssima capa, não existe nenhuma casa, mas, afinal, apenas três gavetas. É que a história gira em torno de uma secretária enorme, que pertenceu a um poeta desaparecido no Chile de Pinochet e acolheu depois – e ao longo de vinte e cinco anos – os escritos de uma romancista americana, a quem a filha do poeta aparece um belo dia para reclamar o móvel de que é herdeira. Mas a secretária tem o poder de mudar a vida a quem a possui ou se desfaz dela e, por isso, a desta mulher solitária nunca mais será igual. O mesmo acontece, de resto, a todas as outras personagens que, ao longo do século xx, estiveram na posse da dita secretária. Misterioso e belo, o romance visita lugares distintos em alguns dos mais importantes acontecimentos dos últimos cem anos e, de acordo com a crítica, irá granjear ainda mais leitores para a jovem Krauss.

Comentários

  1. Fica a sugestão.
    Já , por diversas vezes, estive com ele na mão e acabei sempre por não o trazer. Mas agora com o seu "aval" decidi-me:)

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  2. A História do Amor é simplesmente fantástica, uma obra que gostei muito!

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  3. Essa "secretária tem o poder de mudar a vida a quem a possui" lembra o início deste livro do José Rodrigues Miguéis:
    http://novaziodaonda.wordpress.com/2010/03/24/onde-a-noite-se-acaba/

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  4. Os americanos parecem sempre dispostos em renascer as churumelas do Chile. Parece que são figurinhas carimbadas os romances em torno de sociedades que tentam firmar-se como depositários da uma educação de qualidade através do empenho do próprio povo e que por sinal ao enlevo as adversidades que não são poucas, em digerir dificuldades que ordem natural e geográfica são as dos chilenos... Pois bem, ainda que repetem-se vozes que rotulem desta maneira, através do que ao meu modesto entender, pouco positivas enquanto social, espero que surtam outros temas, frente a criatividades americana e que possam despertar pela sensibilidade dos que traçam um cotidiano versado no suor de valores que realmente tem por superar aquele povo, posto quanto significativo seria que tantas culturas distribuídas pela américa não sofressem o que possa ser o désdem intelectual, assim por dizer. Apenas pela compreensão é que o esforço do autor tem este compromisso de valor pela justiça solidária.

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    Respostas
    1. Um "não" para a hierarquização de culturas.

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  5. Li o livro ha pouco tempo e fiquei coma necessidade de reler. Pra compreender as ligações entre todas as personagens.

    E fiquei confusa, num dos "pequenos livros" não há qualquer referência à secretaria :(

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