Escritor-pessoa

Praticamente até ao advento das novas tecnologias, os escritores eram seres distantes que ninguém via, a não ser o editor que lhes publicava os livros. Não iam à televisão, não se faziam sessões em bibliotecas à volta dos seus livros, nem sempre se punham fotografias suas na badana das obras que deles se publicavam. A Internet, entre outras coisas, facilitou uma espécie de humanização do escritor e aproximou-o do público, que hoje pode ver e ouvir o seu autor favorito em qualquer lado aonde vá – e até corresponder-se com ele ou pedir-lhe facilmente um autógrafo ao vivo. Quando eu era adolescente, imaginava os escritores pessoas formais, fechadas em casa a escrever, muito sérias e contidas (excepto quando se tratava de sabidos noctívagos com pendor alcoólico, que também havia estereótipos desses). Foi, pois, com grande alívio que, numa noite de lançamento de um livro há mesmo muito tempo, vi o historiador José Mattoso (que até tinha sido frade) dançar o tango como ninguém e arrecadar o primeiro prémio nos Alunos d’Apolo. Pode parecer uma infantilidade – e não deixa de o ser – mas, alguns anos depois, quando visitei uma escola por causa de uns livros juvenis que então escrevia, ouvi uma menina dizer a outra em surdina: «Viste? Toquei-lhe no cabelo!» Depois, vieram os computadores, veio o futuro, e os escritores perderam a sua aura de pequenos deuses.

Comentários


  1. A menina queria... apenas realçar que tinha conseguido tocar-lhe... apenas uma vantagem vaidosa sobre os outros!

    Não se leve tanto a sério..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É precisamente porque MRP não se leva tão a sério como a Pink julga que partilha connosco episódios e pensamentos “infantis”e “engraçados” como este. É precisamente porque MRP não se leva tão a sério que resolve exteriorizar reflexões pessoais e íntimas (mesmo as menos “nobres”) e até sem grande importância. Em boa verdade, MRP não precisará de quem a defenda e cada vez mais admiro quem se expõe assim através de um blog sujeito às farpazinhas atiradas por quem se leva ou não muito a sério .

      Cristina Rodrigues

      Eliminar
  2. Percebo o que diz mas não concordo totalmente consigo. Reconheço que a maior proximidade que existe hoje em dia e a maior exposição do escritor, possa nalguns casos, roubar-lhe a tal aura de pequenos deuses, de que fala. Basta referir, que alguns deles têm blogues o que faz com que se desnudem um pouco. E nem sempre o que se vê é muito agradável. Há cerca de um ano conheci um escritor, pelo qual tinha alguma admiração como pessoa, e que, ao ler regularmente o seu blog fiquei desapontada com algumas das posições defendidas por ele. Achei-o até muito arrogante e muito pouco tolerante com as opiniões alheias. Foi uma enorme desilusão. Se eu me tivesse deixado ficar pelos livros, estou certa que, ainda hoje, manteria a tal aura, embora o seu género literário não seja o meu preferido.
    Mas penso que essa foi a exceção . De uma maneira geral fico sempre agradada quando conheço um escritor que admiro muito. Que mais não seja pela possibilidade de lhe dizer da minha admiração por ele, e de como os seus livros me agradaram. E sinto-me sempre pequenina perante o talento. Intimidada, até. Ainda há poucas semanas saiu no suplemento de domingo do The New York Times Book Review " um excelente e engraçadíssimo artigo assinado por Geoff Dyer , também ele escritor, a propósito da necessidade que sente de dizer aos seus ídolos literários da enorme admiração que tem por eles. Mas também da atrapalhação e embaraço que sente na sua presença. O artigo foca especificamente o seu encontro com o Martin Amis , que me fez rir imenso porque reconheci-me na mesma atrapalhação, quando ainda recentemente, tive oportunidade de trocar meia dúzia de palavras com um dos escritores portugueses que mais admiro. o Valter Hugo Mãe. Para mim ele continua com a aura de pequeno deus. Aliás esse artigo foi-me enviado por um queridíssimo amigo, também escritor, e que de imediato se lembrou de mim quando o leu.
    Por isso, eu estou convicta que, por mais internet, blogues, festas literárias ou Feiras do Livro, quando a admiração é grande e genuína , o escritor jamais perderá a aura . Pelo menos para mim, seguramente que não perde. Acho até que aumenta:)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. mas nós temos de estar de acordo com eventuais posições, princípios, posturas assumidas por um escritor para gostar dos livros dele? já leu Céline?

      Eliminar
    2. Há muito que não tenho a ilusão que a arte cursa invariavelmente com bons sentimentos. Celine é apenas um exemplo entre muitos. Embora possa reconhecer a genialidade do escritor, não deixo de lamentar as suas posições pouco edificantes como ser humano. Na minha perspectiva e segundo os meus valores, claro. E isso faz com que ele perca a sua aura de pequeno deus. Apesar do seu talento literário.
      De qualquer maneira não foi isso que eu disse. Fiquei muito desapontada com o escritor que eu referi, por ter idealizado uma pessoa que vim depois a constatar, não corresponder à imagem que eu tinha feito. O que , bem vistas as coisas, me foi indiferente. Mas, se ele não tivesse aquele blogue e eu não tivesse tido oportunidade de conhecer o que me pareceu ser a sua arrogância e intolerância, ainda hoje tinha uma imagem muito idealizada dele. Se referi esse episódio foi porque me pareceu pertinente no contexto do post da MRP . E um bom exemplo do referido. A aura faz-se da imagem que criamos sobre aquele autor, seja ele escritor, cineasta ou pintor. O que for. Ora, como dizia a MRP , a proximidade e maior acessibilidade ao escritor faz com que se esboroe um pouco a imagem idealizada do escritor. E eu concordei parcialmente porque na realidade tenho um exemplo concreto de um escritor que eu muito admirava, que me fez ir a um evento com a intensão de o cumprimentar. Quis o destino que ficássemos amigos . E quanto mais o conheço maior fica a sua aura. É que, para além do seu enorme talento literário, facto que me fez aproximar dele, é uma pessoa com imensas qualidades humanas e de uma grande generosidade e integridade. E essas qualidades são imprescindíveis aos meus pequenos deuses. Não abdico delas, pode crer. Mas claro que outros pensaram de maneira diferente. Os critérios serão outros. Os meus são estes.

      Eliminar
  3. Se, por um lado, a aproximação escritor-leitor é uma coisa muito boa, presumivelmente para ambos os lados, já a encenação escritor/"performer"-público tem vindo a tornar-se numa distorção daquilo que, na minha opinião, deve ser essa relação e tudo, apenas e exclusivamente, a bem do sucesso comercial.

    Cristina

    ResponderEliminar
  4. felizmente, as coisas não se passavam bem assim, mesmo antes de Abril.

    era comum os escritores portugueses, pelo menos os mais progressistas (com participação política oposicionista), visitarem as bibliotecas populares das colectividades, da cintura industrial lisboeta.

    sei do que falo, hoje por exemplo vai haver um colóquio na Incrível Almadense sobre o centenário de Alves Redol (com mostra de imagens da sua passagem em várias colectividades almadenses), que tal como Ferreira de Castro, Branquinho da Fonseca, Irene Lisboa, Romeu Correia, Manuel da Fonseca, Maria Lamas, Zé Gomes Ferreira, etc, deram palestras e apresentaram as sua obras.

    ResponderEliminar
  5. O contacto dos alunos com os escritores nas escolas é sempre algo muito bonito de apreciar. Hoje Luísa Ducla Soares esteve na minha e foi muito agradável, pois a senhora é uma simpatia. As crianças estranharam muito que não fosse "nova", pois, como edita muito, e muitas das obras têm um humor a que eu chamaria "juvenil", eles não estavam à espera de uma avozinha. O livro referência do encontro foi uma obra biográfica sobre Eça de Queiroz com ilustrações de uma colega nossa (professora de Educação Visual na escola) - Fátima Afonso, não sei se a MRP conhece. Mas o que gostaria de deixar também aqui é uma preocupação - como levar os escritores à escola, sem o apoio das editoras? Há uns meses esteve J. Eduardo Agualusa e a escola lá conseguiu a verba pedida pela deslocação. Hoje a Luísa veio graciosamente, mas duas colegas foram de Setúbal, logo de madrugada, no seu carro buscá-la a Lisboa. Imagino que a tenham ido levar a seguir à sessão...

    ResponderEliminar
  6. Quando a sua obra nos apaixona, penso que conservam a aura de Deuses :)

    ResponderEliminar
  7. Acho sempre uma grande confusão misturar autor e obra. Por mais interferências que existam entre a pessoa que escreve e o que escreve, há um distanciamento necessário entre a obra e o mortal. Em alguns casos, o distanciamento é, inclusive, um motivador, quando não a própria essência do motivo.

    ResponderEliminar
  8. Adorei o episódio do historiador José Mattoso. Um homem admirável, que continua a fazer muito pela divulgação e pelo estudo da nossa História, acima de tudo, porque não ficou estagnado no tempo, adaptando-se a novos métodos e maneiras de ver e estudar a História. Estou a ler o seu livro mais recente, "Naquele Tempo" (Temas e Debates 2009). A minha opinião: um prodígio, uma delícia. A Idade Média portuguesa, como ela nunca nos foi apresentada.

    ResponderEliminar
  9. Vicente Lopes Saudade13 de outubro de 2011 às 13:30

    Episódio engraçado, esse do Senhor José Mattoso... Tiro-lhe o chapéu! [ao estilo de Carlos Gardel]...
    Existe um exemplo de escritor-pessoa que foi e continua a ser uma desilusão para a gente que primeiro conhece a sua obra e que depois, através de entrevistas, dá um passo atrás devido ao carácter "demasiado" frontal da pessoa. Falo de Jorge Luis Borges, amado por uns, odiado por outros; o escritor argentino era genial enquanto autor, mas conhecido por outros motivos. Era intratável enquanto ser humano (eu também sou dessa opinião)...
    Terá sido por isso que nunca ganhou o Nobel? Na verdade, não me parece.

    ResponderEliminar
  10. A proximidade do leitor ao escritor pode quebrar por vezes a tal aura de mistério de tempos passados - e a capacidade do leitor se surpreender, como no episódio relatado sobre o José Mattoso - mas pode também funcionar como estímulo para o próprio escritor dar a conhecer-se, a si e á sua obra.

    No entanto, com as redes sociais e e-mails, os leitores tornaram-se também mais «exigentes». E ponho «exigentes» entre aspas, porque por vezes excedem aquilo que é suposto o escritor dar, colocando-o em situações delicadas. Por exemplo, não sendo eu um escritor muito conhecido, recebo por vezes e-mails de leitores ou contactos via FB, todos de leitores/leitoras «deslumbrados». Ora, uma parte deles, quer respostas rápidas ou conversas, algo que nem sempre é possível, pelo que rapidamente o escritor bestial passa escritor besta. Ainda esta semana, uma leitora me «censurou» pela falta de resposta a um e-mail... que ela enviara dois dias antes...

    ResponderEliminar
  11. A vaidade que existe em cada ser humano, em maior ou menor medida, gosta na maioria das vezes de ver a sua imagem na contracapa ou nas badanas, embora a verdadeira razão de ali espreitar seja comercial. As editoras têm vantagens em colocar a cara (às vezes a carantonha) dos autores para que o público veja que é uma pessoa… normal. Para que o público se identifique, para que o público compre.
    Há sessões fotográficas de autores para estes fins que demoram mais e passam por mais filtros do que o texto em si. Porque o objectivo é vender.
    Por outro lado há leitores-fãs que são uma chaga. Mas também há autores que precisamente na vertente Pessoa deixam muito a desejar. Numa ocasião precisei falar com uma pessoa, por coincidência, um conhecido romancista português, embora o assunto fosse alheio a essa faceta. Sendo do meio televisivo, assim que atendeu o telefone reconheci-lhe a voz. Ele ouviu-me a expor a situação e, não sendo de resposta fácil, respondeu-me que ele próprio não estava… O que fiquei a pensar? Mal dele! E como nem sou fã do que escreve, acentuei ainda mais a distância. E quando me perguntam o que acho dele digo que não me agrada como escritor nem como pessoa. E quando me pedem sugestões sobre livros nunca o sugiro a ele.
    O que é que ele perde com isto? À primeira vista nada, mas foi uma atitude da pessoa, e não do escritor, que me faz não comprar um único livro seu para oferecer… e eu dou muitas prendas e são sempre livros.
    É claro que ele vende muitos livros e está a ralar-se para situações destas, mas isso caracteriza a pessoa que ele é. Má.

    ResponderEliminar
  12. Permitam-me deixar aqui uma outra opinião sobre escritores ( neste caso os "malditos") e segundo Luiz Pacheco um post que que transcrevo do meu blogue " E Luiz Pacheco fazia-se ver e notar -:)
    O que é um escritor maldito" :Para mim um escritor maldito é:
    a) O que escreve mal. Logo e com mais propriedade lhe devíamos chamar escritor malescrito . Mas escrever mal tem vários sentidos. Pode ser, por exemplo, escrever em demais, isto é, com punhos de renda, prosa muito burilada, versos esotéricos, academismos de uma figa. O principal é que ele escreva como quer e seja parecido com o que escreve. Escrita exacta, única, original, a expressão duma personalidade, o panorama duma vida. É isto tão difícil entre nós, que poucamente e a medo, envergonhado das minhas faltas de informação, de perspectiva humana (só uma vez sai a fronteira e foi por quinze dias), me declaro como escriba.Durante anos e anos não publiquei nada meu, publicando outros, que considerava e considero ainda com muito mais talento do que eu (exemplo: o Cesariny, o Manuel de Lima). Se há coisa que me encha de cagança é essa minha actividade de Editor, a qual excede de longe a de um Autor e lanço daqui um desafio: não pode haver nenhuma bibliotecazinha decente que não tenha lá um livro editado por mim - poesia ou teatro, cinema, ficção, ensaio.
    b) O escritor dos domingos. Somos os escritores ou escribas (no meu caso) profissionais em Portugal? Dois, três? Ferreira de Castro, Mário Domingues e... O conselho mais prudente é a segunda (que ideia! a primeira) profissão, a que rende. Depois, ao serão, nos fins- de- semana, com o tempo roubado ao repouso e ao sono, ir escrevinhando. O que acontece, numa sociedade em que tudo tende cada vez mais a especializar-se, tarefas concretas que exigem preparação intensa e uma informação atenta e uma actualização permanente. Piada...nunca ouvi ninguém aconselhar um médico a que se empregasse num escritório e praticasse clínica, estudasse só nas horas vagas... a mim mo têm dito de mil maneiras, com extremos de ternura ou agressivas indignações . Posso falar? os livros que há para ler, o esforço de construção literária é tão empolgante que não se pode pensar em mais nada. Ler, escrever, cair de borco na cama, arrasado. Contactar com pessoas, terras. Fazer experiências do diacho , nem todas agradáveis. Emperrar a certa altura e não saber como resolver problemas de ordem técnica. Sentir a alegria fecunda de uma ideia, de uma frase a germinar, dum título a preceito. Encontrar de súbito dúvidas resolvidas com uma leitura casual (aconteceu-me a semana passada com o Nemésio). Ter a noção de uma herarquia de valores na qual nos inscrevemos e saber admirar, dom inapreciável porque assim se aprende. Ler muito e de tudo. Como é que querem par ao escritor ou o escriba um emprego? Ou caímos naquela do Simões: Tenho tanto que escrever e não tenho tempo para ler.
    c) Os vendilhões. E estes são duas ou mais espécies: os jornalistas e os publicitários. A classe de jornalista é das mais nobres, todos o sabemos. Em Portugal se exerce também como se sabe. O que me mete horror e já por lá passei - Jesu ! Jesu Jesu !...é que o jornalista, na sua rotina, é obrigado a escrever patacoadas anónimas , a a empregar chavões, a exercitar as faculdades no que nada lhe interessa. Não que venda a consciência, mas sim (pelo menos) tempo ganhando em virtuosismo artesanal ( a muita apregoada facilidade de escrever dos jornalistas) o que perde em candura lidando com matéria difícil - as palavras, senhoras donas nossas - de que o uso imoderado corrompe a força e a frescura, a novidade. O publicitário, com a direita agitando o slogan idiota e com a canhota fazendo odes à Catarina Eufémia, deixem-me rir! E nem digo mais nada.

    Eis , em breve exemplo, o que é para mim um escritor maldito. E a eles e aos que por simpatia ou querendo sangrar-me em vida, me chamam maldito nas barbas ou nas costas, daqui grito sem ira nenhuma ou rancor, como saudação amigável:
    Raios os partam!

    in "memorando, mirabolando ", Luiz Pacheco, ed. Contrapo

    ResponderEliminar
  13. Maria do Rosário,
    gostei de ler o seu post . Pode aparentar ser apenas uma breve recordação de episódios da sua vida, mas não: deixa-nos a pensar sobre assuntos como a relação autor-obra -leitor</a> , a relação autor-obra ou, se quisermos, autor enquanto pessoa e autor enquanto criador estético, a relação autor-leitor , antes e nos dias que correm, o papel das novas tecnologias no acesso das pessoas ou na percepção que temos de quem escreve e do que escreve, na própria arte criativa que, de algum modo, advém do que poderíamos considerar a dimensão divina do Homem.
    Os homens têm sido capazes de se revelar criadores, de pequenas e grandes coisas, umas benéficas, outras infelizmente maléficas. Talvez os maiores criadores sejam os cientistas e os artistas, talvez. Ambos indiciam a presença de um saber, uma imaginação e um talento específico, ambos questionam o mundo e a humanidade, embora em áreas e com projectos diferentes. Talvez o artista, porque percepciona o mundo de uma forma mais lírica, fictícia, se distancie mais de si mesmo.
    Gosto da possibilidade de poder conhecer autores de algumas áreas, por curiosidade pessoal e às vezes porque aprendo um pouco mais com eles, mas sei que nem todas as obras são necessariamente de pendor autobiográfico e, na verdade, gosto acima de tudo, de conhecer as obras. São elas que me cativam. Sim, há autores que desiludem enquanto pessoas, mas faço as minhas escolhas. Aparte isto, será tão fundamental conhecer os autores para gostar ou não das suas criações, para as entender ou não? Perante a obra de arte, "lemos" o que nos foi escolhido dado a "ler" e, segundo Eco, até nos tornamos uma espécie de co-autores ao criarmos nós mesmos a nossa interpretação ou reacção às obras dadas, já que as nossas "leituras" divergem de pessoa para pessoa, são sempre feitas ou condicionadas pelo nosso backgroud " vivencial e circunstancial.

    Obrigada,
    Maria Manuel

    ResponderEliminar

Enviar um comentário