A saga das estrelinhas
No dia do lançamento do novo romance de valter hugo mãe, encontrei imensa gente indignada com o facto de o autor da crítica ao livro publicada no Ípsilon da véspera – outro escritor (José Riço Direitinho) – lhe ter dado apenas duas estrelas e meia. A indignação, porém, não vinha só de se dar nota quase negativa ao romance (cinco estrelas é o máximo) – até porque algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido –, mas de, nesse mesmo suplemento, terem sido classificados com quatro estrelas livros de autores de um nível literário francamente mais baixo, como José Rodrigues dos Santos ou Mónica Marques. Na verdade, se os leitores se guiarem por estas classificações para saberem que livros devem ou não ler, a situação pode ser perigosa e extremamente injusta, na medida em que qualquer das obras de um Escritor (com E), mesmo que gore de algum modo as expectativas dos seus leitores, será sempre infinitamente melhor leitura do que uma ficção menor. Parece-me, porém, que o critério do jornal pode ser classificar por tipo de livro e, se assim for, não teríamos hesitações em dar cinco estrelas a thrillers ou policiais notáveis como os de Le Carré ou Agatha Christie e de as dar também a grandes romances como os de Vargas Llosa ou Faulkner (lamento não apresentar exemplos de cinco estrelas em livros de ficção romântica, mas a verdade é que não sou leitora do género). No momento em que escrevo este post, ainda não li o romance de valter hugo mãe, embora já o tenha começado; mas aquilo que me parece desde logo discutível é a crítica do Ípsilon ter sido encomendada justamente a um seu «concorrente», uma vez que sobre os novos valores deveriam debruçar-se os mais velhos, a quem eles já não fazem sombra, sob o risco de, por mais honesta que seja a opinião de um colega da mesma geração (e com menos projecção nacional e internacional), as pessoas falarem logo de dor de cotovelo e de rivalidade. Na verdade, será que pode avaliar condignamente o romance de um autor alguém que se calhar leu menos do que ele, alguém que se calhar nem leu toda a sua obra? Não será por isto que, do júri de prémios literários de relevo, não fazem normalmente parte jovens escritores?
Maria do Rosário, espanto-me sempre com estas coisas. Concordo com o que diz, claro, mas acho lamentável que não se consiga ser imparcial ao apreciar a obra de um "concorrente". O talento alheio não apouca nem diminui o nosso. Reconhecer a qualidade do outro é uma mais-valia, quer seja para igualá-lo quer para superá-lo. Ou, simplesmente, para admirar.
ResponderEliminarEste hábito de pensar que a qualidade tem lugares que possam esgotar é muito mau.
Isto das estrelinhas vai, a um nível mais comezinho, dar no mesmo dos cânones (ou porque é que o Bloom não incluiu um Eça, por exemplo). É a pessoalidade das escolhas, dentro das quais cabem os odiozinhos ou os gostozinhos individuais.
ResponderEliminarÉ curiosa a preocupação com as "estrelinhas" e nada ser dito sobre o texto que as explicam. Se calhar não foi lido. E certamente quem se indigna muito ainda não leu o livro. É tremenda a dificuldade em aceitar o confronto. E depois, a facilidade: ".... a crítica ter sido encomendada". Quis mesmo dizer isto, ou é ligeireza de blog?
ResponderEliminarA reacção de Vasco Câmara deixou-me perplexo. Então as críticas (penso que quase sempre meras recensões, mas isso são outros quinhentos) do Ípsilon não são encomendadas? São os críticos (recenseadores) que, de sua livre e espontânea vontade, as mandam e o Ípsilon publica-as?
EliminarA palavra não tem nada de mais, parece-me. Penso que, quando um livro é entregue a um crítico, se lhe está a encomendar um trabalho. Não vejo nada de estranho nisto.
EliminarE a autora do blog é isenta ao escrever este post tão indignado? A promiscuidade do "mundo literário" só é boa quando nos serve os propósitos não é assim? Tenham vergonha.
ResponderEliminarSe leu com atenção, terá entendido que a indignação não era minha.
Eliminar"No momento em que escrevo este post, ainda não li o romance de valter hugo mãe, embora já o tenha começado; mas aquilo que me parece desde logo discutível é a crítica do Ípsilon ter sido encomendada justamente a um seu «concorrente», uma vez que sobre os novos valores deveriam debruçar-se os mais velhos, a quem eles já não fazem sombra, sob o risco de, por mais honesta que seja a opinião de um colega da mesma geração (e com menos projecção nacional e internacional), as pessoas falarem logo de dor de cotovelo e de rivalidade. Na verdade, será que pode avaliar condignamente o romance de um autor alguém que se calhar leu menos do que ele, alguém que se calhar nem leu toda a sua obra? Não será por isto que, do júri de prémios literários de relevo, não fazem normalmente parte jovens escritores?"
EliminarMantenho o que disse acima. Questonar-me não é indignar-me.
EliminarNão somos inocentes quando usamos as palavras. Você deve sabê-lo. No contexto do que escreve, a "encomenda" dá pano para mangas... Para concluir: acho mais importante que se fale no livro do autor Valter Hugo Mãe. E que se confronte o texto de José Riço Direitinho - que se LEIA o texto de JRD. Nada disto vi por aqui.
ResponderEliminarSe a crítica tivesse resultado em cinco estrelinhas, dir-se-ia o oposto, escrever-se-iam posts indignados pela proximidade etária ou geracional de crítico e autor?
ResponderEliminarA conclusão possível parece ser a seguinte: quando as críticas são muito positivas, não se discutem porque o autor é genial e só podem existir elogios; quando não agradam ao círculo privado do escritor (seja ele Valter Hugo Mãe ou qualquer outro), a explicação é o enviesamento do crítico, que sofre de invejas, que é rancoroso, que pertence a outro lóbi.
Enfim. Deixemos de ler críticas e blogues, e leiam-se os livros?
Penso que não me fiz entender. Quando sugiro um crítico mais velho, é justamente para poupar o crítico mais novo da desconfiança que paira sobre ele quando avalia um colega, não é por achar que não o sabe avaliar. Julgo que o deixei claro, mas, se não deixei, esclareço aqui.
EliminarÉ precisamente essa desconfiança que não é facilmente compreensível, cara Maria do Rosário Pedreira, porque estipula um critério estranhíssimo para a crítica de literatura em Portugal: um escritor só pode ser lido criticamente por alguém que não pertença à sua geração.
EliminarAs suspeitas que se levantam apenas porque existe uma proximidade no bilhete de identidade entre crítico e autor são, no mínimo, estranhíssimas.
Como referiu Vasco Câmara, o conteúdo da crítica de JRD não merece leitura neste seu comentário. Identificam-se as estrelas e hipotéticos enviesamentos geracionais, mas nada sobre as razões de JRD. Recordo que, na Actual, José Mário Silva também atribuiu "apenas" 3 estrelinhas ao romance de Valter Hugo Mãe - embora, nesse caso, o texto não fosse tão explícito na sua crítica ao livro.
Deve ser a tal questão de inveja geracional em acção. Tudo isto é sempre muito suspeito desde que não leiamos o que queremos.
EliminarSendo assim, existem muitos críticos que, por putativa inveja geracional, têm de deixar de escrever sobre a "nova geração", e ler/criticar apenas os novíssimos (e o que são os novíssimos?).
EliminarNão consigo perceber esta lógica. Até me parece levemente censória: se não é vinte anos mais experiente do que o autor, não pode criticar. Será o mundo literário assim tão simplista?
Concordo com o João: parece coisa de recreio de escola secundária.
Bem visto Guilherme, porque se não será a mesma coisa que a história já aqui contada do tal ministro dos tempos anteriores laranjas, que pediu a uma das assessoras, uma lista de vinte livros importantes, para poder referir nas tais perguntas culturais feitas em entrevistas de "longo curso", com um resumo de meia página de cada obra...estrelas dou-as eu (para mim, no meu caderno preto) aos livros que vou lendo, isto para (eu) mais tarde recordar.
EliminarAchei curiosa a ideia de Valter Hugo Mãe e Direitinho serem dados como ‘novos valores’. Sendo ‘novos’ com 4 e 5 romances publicados, e já quarentões, fico a pensar qual o número aceitável para se ficar nessa posição que não existe antes do ‘velho’, perdão, do ‘consagrado’.
ResponderEliminarTambém achei engraçada a ideia de serem ‘concorrentes’, o que se suspeita pode dizer muito sobre o mundo literário e os modos dos seus intervenientes. Sinceramente, ouvindo algumas histórias do meio, parece que se movem num recreio de 7º ano. O que é engraçado, porque depois são todos tão sérios.
A ideia de que valter hugo mãe ocupa um patamar qualquer em que já está acima de qualquer critica que não seja a de um jubilado é também surpreendente.
E isto tudo sem ler o livro e sem se dar acesso ao texto da critica.
como os livros são lidos por pessoas diferentes, é normal que existam diferenças nas estrelinhas, pois os gostos também são diferentes.
ResponderEliminaraté pode ter sido uma critica honesta, o que realmente o escritor/ critico pensa do livro.
não sei qual é o tipo de relação que existe entre o Direitinho e o Hugo Mãe, algo que a Rosário sabe e está em vantagem ao escrever esta "posta".
se não é boa, ele não deveria aceitar fazer a critica ao livro.
embora este jornalismo também viva também da polémica. nunca me esqueço do texto abaixo de cão escrito por Vasco Pulido Valente, sobre o livro do Miguel Sousa Tavares. toda a gente percebeu que se tratou de uma encomenda envenenada. o "Rio das Flores" é um livro banal, mas o que o Vasco escreveu ultrapassou a critica literária.
mas só as pessoas próximas como a Rosário sabem se se trata de um caso semelhante.
que é muito estranho é, normalmente os "consagrados", como o Valter, mesmo que o livro seja uma banalidade, recebem sempre pelo menos quatro estrelas...
Sinceramente não acredito que seja nada disso. O problema é justamente que se pense logo o que não é.
Eliminare ainda bem que não foi nada disso, ainda bem que o critico e escritor, Riço Direitinho, fez "horas extraordinárias", esclarecendo-nos a todos.
Eliminareu pelo menos fiquei esclarecido.
querem ver que o carequita já está na curva descendente? bem, sempre tem futuro a animar feiras no Brasil...
ResponderEliminarEu li a crítica e li o livro. Não sou uma especialista mas a minha opinião é de que a crítica, e não falo do número de estrelas mas sim do texto, é excessiva. Gostei muito da escrita, gostei dos personagens, devo admitir que não me agradou tanto este livro quanto o anterior mas repito que considero a crítica excessivamente negativa.
ResponderEliminarE alguns comentários anteriores são simplesmente típicos dos invejosos...
ResponderEliminarAo ler o que foi postado pela Maria do Rosário, duas frases me aguçaram a curiosidade: "imensa gente indignada" com as estrelinhas, e "algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido" (ao livro, presumo que ao meu texto também não, mas isso parece ser de somenos, o que é importante são as estrelinhas na constelação Valter.) Isto pode dar logo a ideia (errada) de ter acontecido um ajuntamento de acéfalos, coisa que estou certo não aconteceu.
ResponderEliminarDevo dizer que não conheço Valter Hugo Mãe, que nunca o vi. Se sou concorrente dele, não sei em que desporto, se se refere ao de publicar livros à desfilada, não será, pois não publico nenhum desde 2005...
Quanto a ser um escritor a fazer a crítica a um escritor, só na Lusitânia isso parece ser um óbice (entre muitas outras singularidades), pois qualquer jornal estrangeiro, se tiverem tempo entre a contagem das estrelas da constelação literária, olhem para o The Guardian, The Independent, New York Times, entre outros, e reparem que todas, mas todas, as recensões são escritas por autores, e não creio que os editores se preocupem com a idade, raça, orientação sexual, altura e peso.
O que é essencial e que não foi dito no post é que desta vez lá calhou um mau livro ao Valter, paciência, acontece a muitos. Talvez o próximo seja melhor e poupe a Maria do Rosário de "malhar" nos críticos. Ainda lhe falta o crítico do Expresso (também escritor e poeta), que só deu mais meia estrelinha do que eu, e um tal de António Guerreiro que cometeu um crime de "lesa majestade" na última linha de um texto na passada semana. Mas constato também, e com espanto, que a Maria do Rosário parece ter acesso à contabilidade das minhas leituras e as compara com as do Valter. Quanto a ser jurado de prémios, nunca fui (ao contrário do Valter), sou ainda demasiado novo, ainda não fiz 50 anos. E quanto a prémios, ia-me a escapar o dedo pelas teclas ... é melhor ficar por aqui.
Cumprimentos
PS Se tiverem um tempinho para ler a recensão, talvez se perceba do que aqui se fala.
Caro José: A indignação com as estrelas, como acima se pode ler, era por comparação com autores francamente menores. Discutirei certamente o livro do valter e a sua crítica quando tiver terminado a leitura. As últimas linhas do post não se referem a si em particular.
EliminarJulgo, porém, que a expressão «publicar livros à desfilada» contém desde logo um juízo de valor que pode dar lugar às tais indignações.
EliminarCara Maria do Rosário, mas eu não tenho nada a ver com as estrelas que dão, ou não dão, à Mónica Marques ou ao Rodrigues dos Santos. Juro! Sou apenas responsável pelas minhas!
EliminarMas o público que lê é o mesmo; e a questão é só essa: por muito inferior que possa ser este livro do valter, será inferior a esses livros?
Eliminaro "à desfilada" vinha na ideia do desporto ... e isso percebe-se! I hope. Não vejamos coisas onde elas não estão.
EliminarEntão, e desculpe, o seu post veio na altura errada. Devia ter dito há muito tempo antes que o livro da Mónica Marques e o do Rodrigues dos Santos não mereciam "tamanho estrelato". Ou não?
EliminarPensei dez vezes (não, vinte) antes de aqui escrever. Isto porque estou posto em sossego. Não tenho apelos a fazer. Penso que tudo o que aqui tenho lido faz parte. Assim mesmo, sem mais nada. Rasgadinho. Faz parte. Gosto da maioria dos que aqui escreveram. Melhor: aprendi a gostar, a considerar, a respeitar. Da Rosário nem se fala, mas também do Zé, do Vasco, do Francisco, etc. Há um bom sinal: o debate, o confronto. Entre pessoas sabedoras. E há um curioso sabor em ver-vos brandir. Para quem não é ninguém, nunca foi ninguém, nunca será ninguém, mas tem em si, como vocês, todos os que há no mundo. Vou aprendendo que devemos sempre aproveitar as críticas menos positivas para crescer. A crítica menos positiva é, aliás, "a" vexata quaestio dentro de nós, porque a favorável pacifica-nos, vem ao encontro do que pretendemos - e até nos pode fazer mal. A crítica menos favorável é a oportunidade de nos questionarmos. Mesmo que a motivação seja outra que não a obra criticada. É bom que nos questionemos. Quando vi num anúncio da Medeia, há uns anos, o destaque igual dado a críticas positivas e negativas, percebi que a honestidade intelectual não tem preço. A decência tem, e alto, mas não é por isso que o deixarei de pagar sempre, a tempo e horas e pelo valor consignado. Para quem vogou no intermúndio maravilhado convosco, este é apenas mais um capítulo. Continuo maravilhado convosco, não vos ignoro. Nunca vos ignorarei. E mesmo querendo, apenas e só, escrever, é fundamental cultivar o desassossego de vez em quando. Vosso, PG-M PS: 2,5 estrelas é, na legenda do Ípsilon, entre "Razoável" (2) e "Bom" (3). Portanto, bonzinho. O Proust levou na cabeça, o Kafka levou na cabeça (e deu na sua própria), portanto, estamos a cerca de uma centena de anos de uma sentença, e mesmo aí...ou seja, o que quero dizer é que essa de não darmos demasiada importância é mesmo válida. Mas sempre prezando. Cumprimentos.
EliminarCaro Pedro Guilherme- Moreira:
EliminarEscreveu no seu magnifico livro o seguinte:
"É uma desfaçatez enorme, uma desonestidade intelectual sem limites, não ter sensibilidade para poupar um livro ou um escritor....A bondade é condição de inteligência no que toca à critica do outro, seja pretensamente profissional ou simples maledicência. Os extremos são mais simples de perceber, tanto no imediato, como séculos depois.... Como se pode detectar, perante um livro que se leu num dia ou numa semana, muitas vezes na diagonal, milhares de pequenas decisões que um escritor tem de tomar, e perceber opçoes estéticas e éticas?"
Desconheço se corresponde ao que pensa, pois quem as proferiu foi apenas uma personagem do seu livro. Mas garanto-lhe que é exatamente isso que eu penso. Naõ conseguiria dizê-lo melhor, estou certa. Tanto assim é, que sublinhei essa parte no seu livro, pelo que me foi muito fácil encontrá-lo.
Ana, agradeço-lhe penhorado as suas palavras, e desconcerta-me e emociona-me a sua atenção. Tenho uma opinião muito próxima dessa personagem, sim, embora não creia que se aplique a este caso, ou seja, ao "bonzinho":). Mas a Ana veio lembrar-me de um esquecimento: em tantos anos de observação fui sempre tocado em partes iguais pelos leitores - que têm sempre de ser mais inteligentes e notáveis no que dizem para serem ouvidos - e pelos actores do meio. Mas dos leitores nunca reza a história. Acaba de me dar uma lição. Estou-lhe grato. Obrigado.
EliminarPerfeitamente de acordo.
EliminarEssa do crítico do Expresso ser "escritor e poeta" é muito boa. Publica-se uns livros e é-se logo escritor e poeta ainda por cima.
EliminarCaro José poupe-nos por favor, já bem bastou a sua crítica comezinha e o texto pateta do tal António Guerreiro...
"Na verdade, será que pode avaliar condignamente o romance de um autor alguém que se calhar leu menos do que ele, alguém que se calhar nem leu toda a sua obra?"
ResponderEliminarOu seja: para um crítico avaliar um livro, terá de verificar se já leu mais do que o autor em questão. Além disso, terá de verificar se já leu toda a sua obra anterior.
Bem, está-se sempre a aprender...
A critica aqui
ResponderEliminarhttp://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=293816
É tao rasteirinha a feira das vaidades do meio que se diz crítico português...abstenho-me de me pronunciar sobre certos argumentos aberrantes, já foi feito por outras pessoas (salvé alguma massa encefálica que reside neste rectangulo!). Só um esclarecimento: projeccao internacional nao é sinónimo de "folclore no Brasil". O Rico Direitinho tem muitos mais livros traduzidos para "estrangeiro" do que a diva injusticada com dor de cotovelo e inveja. E verdade, verdade vos digo, ele foi na verdade muito simpático com este produtor das páginas mais atrozes da Literatura portuguesa. A Maria Rosario congratular-se-á, certamente, pelos motivos que aduziu, sobre a crítica de alguém mais velho, nao-concorrente e a quem hvm nao fará, como sabe, sombra. Eu acrescentaria: "nem um deus, quanto mais um crítico concorrente, o pode salvar...http://2.bp.blogspot.com/-Jdp_73sz92Q/ToaHVUfAh-I/AAAAAAAAHGA/Sf0PuYYkkjY/s1600/nojo.jpg
ResponderEliminarhttp://2.bp.blogspot.com/-Jdp_73sz92Q/ToaHVUfAh-I/AAAAAAAAHGA/Sf0PuYYkkjY/s1600/nojo.jpg
ResponderEliminarPena o seu nome ser um código. Não há que fazer comparações. Ou se confia no crítico ou não. Ou se admite que o crítico pode ter opinião ou não. Ou se concorda com o crítico ou não. Especular sobre intenções é que não, de certeza. Para mim é claro. Ponto.
EliminarSer oficial do mesmo ofício, é uma coisa tramada...
ResponderEliminarPor muito lindo que esteja o fato de um cavalheiro, o alfaiate do lado logo lhe descobrirá defeitos. E ainda que tenha razão, nunca a terá.
O livro (que ainda não li) de VHM é banal?! Pois talvez seja, mas isso deve ser dito por mim, por exemplo, que não sou crítico de nada, muito menos escritor seja do que for. O senhor que escreveu a crítica e lhe "deu" as estrelinhas, tem todo o direito a escrever o que quiser. Competir-lhe-ia sempre a ele dizer não ao jornal, por causa da tal coisa dos oficiais do mesmo ofício.
De resto: há quem dê 7 estrelas em 5 aos livros do senhor da tv, ou do Paulo Coelho e quem não consiga ler um Saramago, ou um Lobo Antunes (o dos tempos dos Cus de Judas, não o de agora, não há pachorra). Gostos são gostos, o senhor da crítica tem todo o direito a não gostar do livro do VHM (também não me parece que seja o máximo dos máximos, o escritor, não o livro que ainda não li, já o disse) mas como foi escritor até 2005... não lhe fica bem dizê-lo, porque nós, os que não somos nada disso, vemos logo fantasmas. Somos mesquinhos?! Nah... É só a natureza humana, diria Miss Marple a quem eu, por exemplo, daria 7 estrelas em 5...
Ora aqui está uma opinião com início, meio e fim, que diz (e bem,) o que há para dizer sobre este artigo.
Eliminaros meus aplausos.
Gostei que a Maria do Rosário tivesse a coragem de publicar este post e aproveito para deixar algumas ideias.
ResponderEliminar1- Aparentemente a Rosário veio dizer em público o que muitos disseram em privado. O mais comum em Portugal é falar baixo e dizer mal às escondidas e quando alguém diz que “o rei vai nu” leva porrada por romper com o código de hipocrisia.
2- O sistema de estrelas é ridículo, está ao nível dos adolescentes que dão notas às mamas e aos rabos das colegas. Bem sei que é praticado em tudo o mundo, mas não é por isso que deixa de ser ridículo.
3- A crítica a que o post faz referência situa-se num plano mais moral ou ideológico do que literário, “…não há nelas um resto de sangue quente, um resto de vísceras (coração à parte, que esse é sempre enorme e melado), um assomo de tripas que justifiquem uma alteração do destino…” E depois? Se o Valter as quis assim só interessa saber se foi eficaz no seu intento e se o livro está bem escrito. Já para não falar de outras frases como: “(Esta personagem, Matilde, é, sem dúvida, a menos conseguida e, mesmo em ficção, estranha - para os que se preocupam com o género da escrita, é uma figura tipicamente criada por um homem, pois muito dificilmente uma autora, no contexto deste romance, criaria uma “mãe” assim, tão desnaturada)”. O que é que o Riço Direitinho está a querer criticar? Não se percebe.
4- Não é certamente o seu melhor livro nem será uma obra-prima, mas tem força e uma linguagem potente e muito bem trabalhada. Por regra os livros maus dos bons autores são melhores do que os livros bons dos maus autores. É duro, mas é assim.
Tem possibilidade de dar casos concretos sobre Por regra os livros maus dos bons autores são melhores do que os livros bons dos maus autores" ? Admiro muito as genaralizações e esta interessa-me porque me parece genial.
EliminarSe não puder, se não se lembrar, eu percebo perfeitamente, afinal estamos em Portugal e eu percebo que haja reacção de defesa sem base.
O pior livro de Saramago será sempre superior ao melhor de Rodrigues dos Santos, o pior de Vargas Llosa superior ao melhor de Dan Brown, o pior da Agustina melhor do que o melhor de Margarida Rebelo Pinto, etc etc.
EliminarAh, isso...
EliminarCurioso que levantar o véu sobre algo que incomoda tanto (porque incomoda ver no mesmo prato da balança autores que nem são da mesma natureza, medidos por estrelinhas de cinco pontas) levante ainda mais pó no já bafiento sistema (é um sistema, com laços e conhecimentos e reconhecimentos) de crítica literária em Portugal...
ResponderEliminarÉ giro ler estes comentários e escrutinar os "incomodados" e os incómodos que expressam em palavras - as mesmas, as palavras, que criticam ao vhm e a todos os outros comuns mortais que se sujeitam ao seu plumitivo sentido crítico.
Gostei desta lição, admiro a coragem, a prespicácia de falar mesmo que incomode.
S.
Mas está tudo louco? Como é que alguém que escreve páginas dignas de concorrer com o Paulo Coelho pode ser considerado o menor dos males? Só porque aquelas páginas atrozes sairam da pena de um tal de vhm que certa crítica parece ter entronizado? se o senhor aparece na televisao já é um saramago, um lobo antunes? se voltar a vomitar lágrimas ainda mais bregas no próximo livro, nao faz mal porque mesmo sendo muito mau, nao é tao mau como o mau do outro? Mas está tudo cego? nao é obvio que este rei vai nu??? Como se nao bastasse a sua prosa, ainda se pavoneia como "personagem grotesca que se oferece em espectáculo numa representacao de cabaré". Mau é mau e vhm é muito mau.
ResponderEliminarO que apoquenta a Doutora Rosarinho é que começa a ser óbvio que as "apostas" dela, estes escritores pós-adolescentes e muito trendy, são balões vazios de ar. Não passam dos 40 com nada que se recomende a não ser memórias vagas de uma vaga qualidade dos seus primeiros livros. O que apoquenta a Doutora Rosarinho é saber que as duas estrelas são também para os editores que teimam em "criar" e explorar fenómenos para-literários (vide os histrionismos do Mãe em Paraty) quando, muitas vezes, o que se oferecer no campo estritamente literário, ou seja, o livrinho, não se aguenta nas canetas criticas.
ResponderEliminarCaríssimo, eu até estava a sentir a sua falta nesta polémica... Mas não sou editora do valter há pelo menos dois livros, pelo que não enfio a sua carapuça.
EliminarNão enfia a carapuça dele, mas, pelos vistos, sofre-lhe as chagas. Deixe-o defender-se sozinho e, sobretudo, leia o livro todo antes de vir protegê-lo a público: acredite, Doutora, não lhe fica bem.
EliminarQuem não se sente não é filho de boa gente. Antes sofrer-lhe as chagas do que ficar feliz com o seu insucesso.
EliminarAh, bom, então sempre reconhece que se trata de um "insucesso". Pronto, então nem perca tempo a acabar o livro, Doutora, até porque deve ter coisas mais importantes com que perder o seu valioso tempo.
EliminarMas eu até creio que a carapuca lhe servirá...pois apesar de nao ser editora há dois livros, ainda se vê como "maezinha literária" do vhm, verdad? E mais nao digo, pois nao queremos chamar aqui outras chagas...
ResponderEliminarQue graça isto de haver por aí filhos a desejarem as mães dos outros e, como elas não têm amor por eles (pelas suas palavras e escritos), desdenham da senhora e dos filhos que partiram para outros lugares...
ResponderEliminarQue graça também misturar as duas coisas, e muitas mais, roçando a má educação, quando o fundamental era a natureza da avaliação literária.
Inveja, vejo eu aqui.
GE.
Que coisa curiosa!
ResponderEliminarHouve alguém(s) que aproveitou este post para destilar ódios, invejas e outros que tais na MRP.
Se não respeitam a opinião - porque é um blogue pessoal e de opinião -, pelo menos respeitem o bom-senso e leiam-se a vós próprios, fazem um favor a quem respeita e descarrega as frustrações em médicos especialistas e não é blogues com intencionalidade reflexiva (porque reflectir é outra coisa, senhores!).
Creio que é pelos valores fundamentais da "natureza da avaliação literária" que reclama que a gente indignada e escandalizada com a recepcao crítica do último livro de vhm ainda não o leu. Inclusive a autora do comentário. Que inclusive ainda nem tinha lido as recensoes críticas que criticava. Mas isto é só má vontade por parte de algumas almas pérfidas e mal-educadas...
ResponderEliminarAcho que os comentários já estão longe do assunto inicial. Destila-se ódio e parece um ajuste de contas por qualquer razão numa guerra de trincheiras.
ResponderEliminarO vhm que se defenda.
O José Riço Direitinho é um excelente crítico literário. E ainda bem que há correntes de opinião divergentes, mas isto já caiu para o lado da ofensa. E nenhum dos três envolvidos merece isso.
A MRP refere num comentário, relativamente às estrelas dadas, "Mas o público que lê é o mesmo".
ResponderEliminarContudo neste texto diz " alguém que se calhar leu menos do que ele" (este argumento é no mínimo infantil). E para sua defesa em resposta ao JRD afirma que "As últimas linhas do post não se referem a si em particular." E agora digo eu: mas o público que lê (este texto) é o mesmo, não? Colocou tudo no mesmo saco.
O que está aqui em causa é o exercício da actividade crítica. A prosa de um crítico (texto assinado) apenas compromete o próprio. Então agora o crítico deve estar limitado geracionalmente? E já agora, que tal juntar ao factor geracional, outros...A nacionalidade, o credo, a cor, a raça... Não me parece que o caminho proposto por Maria do Rosário Pedreira seja defensável. Não é bom crítico porque não foi simpático com um autor de que gostamos ou de quem somos amigos? Se considera a crítica injusta, é a sua opinião. Legítima, aliás. Agora, querer limitar o exercício de crítica de um profissional do ramo, isso é censura. No cinema, até costumavam mostrar num quadro comparativo as diferentes opiniões (estrelas) dos diversos críticos em relação ao mesmo filme.
ResponderEliminarHá uns anos, pedi a uma crítica que fizesse um comentário a um texto. Pediu-me que enviasse apenas e só uma página. Fi-lo, apesar de me questionar: "Como pode uma crítica de uma obra de cem páginas ser feita com base apenas numa página?" Sabe o que aconteceu? Agradeci à crítica a opinião que me deu daquela página e valorizei-a com o peso que ela tinha para mim naquela circunstância: zero gramas. E não foi certamente por isso que defendi que Maria do Rosário Pedreira não deveria fazer crítica a obras de jovens autores desconhecidos.
Se eu me fosse guiar pelas estrelas que os livros levam, estava bem amanhada, como se diz na minha terra. Simplesmente ignoro. Tanto quanto o inconsciente consente, é certo. Acho a classificação injusta, exatamente porque permite que, na mesma publicação (embora por críticos diferentes) sejam atribuídos ( etá é palavra me incomoda...) classificações tão díspares quanto as citadas. Confesso que nem sei como é possível atribuir quatro estrelas a autores como o José Rodrigues dos Santos ou a Mónica Marques. Do primeiro apenas li a Filha do Capitão e ia morrendo de tédio. A segunda nem consegui chegar a metade do livro. Trata-se apenas de uma versão um pouquinho mais estilizada que a Margarida Rebelo Pinto. Mas o mesmo vazio. Até me admiro como ela está editada pela Quetzal, editora que tem otimos escritores e belíssimos títulos Mas isso agora é irrelevante.
ResponderEliminarSou o que se chama uma leitora tipo. Nada me liga ao meio editorial a não ser o enorme prazer que os livros me dão. Nem sequer me movo nessa área. Toda a minha formação é de ciências pelo que seria uma ousadia querer esgrimir argumentos com os críticos profissionais. Apenas posso dizer do enorme prazer que me deram todos os livros do VHM . Descobri-o, aquando da publicação da Maquina de Fazer Espanhóis Fiquei arrebatada, confesso. Mal o terminei, fui comprar toda a sua obra anterior e li-a com enorme emoção Porque é disso que trata os livros do VHM , trata de emoções. Trata do amor. E fá-lo com um enorme talento e sensibilidade. coisa que nem todos os escritores conseguem. Lamento, mas não basta saber escrever, é preciso sentir o que se escreve.
Tenho pena que, no meio de tantos comentários que querem distorcer o post, este passe despercebido, parece-me essencial.
EliminarTalvez não tenha passado despercebido!
EliminarEu não disse?! É a natureza humana no seu melhor... ou no seu pior, dá para todos os gostos!
ResponderEliminarConcordo absolutamente. O mal está na cabeça das pessoas. Ou confiamos nos críticos ou não. Ou apreciamos o trabalho crítico do JRD - que há anos que anda nisto, e problema de quem não deu conta ainda - ou não. A autocensura é tão má quanto a censura; ele não tem nada que evitar nada. E até acho que foi extraordinariamente delicado. O que me parece é que toda a gente acha que pode ter opinião, menos quem a dá. O que é absurdo. E especular sobre as motivações extra-literárias do crítico, parece-me de um mau nível incrível. Assim como a unanimidade do gosto; só mesmo quem não lê é que não sabe, até, que um autor pode variar na qualidade do seu trabalho. E o receptor tem toda a legitimidade de aderir ou não. É a isto que se chama liberdade de opinião.
ResponderEliminar«E especular sobre as motivações extra-literárias», aí está algo que também foi feito à MRP aqui...
EliminarO meu comentário anterior referia-se ao de Ivone Costa. Peço desculpa, julguei que ficasse junto ao comentário dela.
ResponderEliminarTalvez por isso a Sara me cite.
É interessante verificar como a história das estrelinhas levanta problemas e que a discussão sobre a sua existência deveria ser de novo analisada.
Parece-me que as pessoas não lêem críticas, não lêem livros, não lêem nada. Vêem estrelinhas. E pronto, vai de dizer sobre os outros o que pensam de si mesmos.
O que acho, Rosário, é que tudo o que evoca só faz sentido em cabeças maldosas, mal informadas e atrevidas. E vai evitar-se isso, fugindo?
Isso que diz sobre ninguém ler nada senão as estrelas é o que, na origem, me preocupa, porque no ano passado Lobo Antunes e José Rodrigues dos Santos tiveram também o mesmo número de estrelas e está sempre a acontecer. Mas, quanto às cabeças maldosas, deixe-me dizer-lhe que ainda ontem no Facebook um crítico pôs a capa da Ler, com um elogio claro a um livro, dizendo a encabeçá-la: olhem a capa da Ler que vai irritar muita gente. Acha que uma pessoa que escreve isto pode estar acima da desconfiança das tais pessoas maldosas? Eu acho que não. Por isso, propus gente mais velha, acima de qualquer suspeita. Só por isso.
EliminarEntendo. Ainda que considere o FB um espaço de brincadeira, onde as pessoas se despem da sua profissão e esquadrinham as áreas que lhes são próximas. Mas VHM já foi capa, o JLP também, o GMT também (e destes lhe digo que GMT me interessa mais); quero com isto dizer que de certeza que não era com eles que o post se metia. Também não podemos negar o humor às pessoas que os críticos são - achemos-lhes graça ou não -, isso não faz deles mais infantis nem menos sérios. Como digo, ou se conhece o trabalho deles e se confia ou não, ou se aprecia ou não. Para mim um crítico, que trabalha para a imprensa, não é um "fazedor" de opinião, mas sim alguém que partilha com o leitor uma determinada relação com os livros, considerando uma série de critérios avaliativos, mas que têm também muito de gosto pessoal. Sabemos bem que o marketing tem um poder formal que se sobrepõe ao conteúdo, e é de contéúdos que um crítico fala e não da forma. Está em desvantagem (afirmo e pergunto). Quanto às estrelas, considero que se aproximam do universo do marketing, e por isso não faz sentido que os editores dos jornais embarquem nelas.
EliminarMaria do Rosário, não se acanhe, diga o meu nome, sim, fui eu que fiz isso. E disse que alguém se iria roer de inveja pela capa da LER (não estava a pensar em si, juro, não a sabia assim, mas pelos vistos estamos sempre a enganar-nos); aquilo era uma espécie de private joke com alguns amigos que sabem de um caso de desejo de ser capa de uma revista a todo o custo; também lhe digo que não foi no Valter que pensava. Mas só por isso, por uma capa de revista, não valia a pena a Maria do Rosário ter feito tanto arrazoado, ideias distorcidas, maus fígados, acusações de desonestidade intelectual, tentar apoucar-me de forma, desculpe que lhe diga, tonta, e sobretudo o desejo disfarçado de censurar. De si, sinceramente que não esperava.
EliminarO que dirá amanhã pelo facto de ter reparado que a Dulce Maria Cardoso será capa do Ípsilon? Parece que ela agora lhe caiu na benção, mas quando a Maria do Rosário tinha que dizer nomes de mulheres escritoras da geração dela, nunca da sua boca ouvi o nome dela, sim de muitas outras. O que mudou agora? Façamos um esforço por sermos honestos, mesmo que não o sejamos por natureza. A sua atitude actual para com capas com dulce maria cardoso tornou-se, no mínimo, risível. Deixe as capas em paz. Acredite que é com bastante mágoa que lhe escrevo nestes termos.
Já aqui fiz elogios à Dulce no blogue, pena que não os tenha lido. Ela leu-os, e ainda bem. Nunca posso ter citado imensas mulheres escritoras, até porque, na nova geração, são escassas. Se não a citei mais vezes a propósito desta geração, garanto que foi apenas porque estava convencida de que ela começara bastante antes. E amanhã vou ficar muito contente de a ver no Y, porque gosto de la e quero é que as pessoas leiam coisas boas.
EliminarLi os elogios, sim, Rosário, o que estranhei. Foi quando já se anunciava a transferência para a Tinta-da-China. Não reparou nela enquanto esteve na Leya. Coincidências! Ainda por cima depois de o Manel ter sido o editor dela durante alguns livros.
EliminarAgora não percebi mesmo. Acha que a ia elogiar para ver se ela voltava? Está a ver que também não é imune às suspeitas infundadas? Além disso, a Dulce dava-se bem com a editora dela, ela própria mo disse, a saída não teve nada que ver com isso.
EliminarE o primeiro trabalho que fiz na Leya, há quase dois anos, foi um livro de contos para oferecer com uma edição comemorativa do JL onde incluí um conto dela. Como vê, não havia porque estranhar.
EliminarSó agora li este post, e a enxurrada de comentários, e acho que foi um acto corajoso da parte da bloguer falar de algo que (pelo que se prova aqui) fere demasiadas susceptibilidades...
ResponderEliminarMas aidna bem que alguém o faz, não se cala a História só porque incomoda, porque fazê-lo com as estrelinhas? Enfim, delicioso o resultado final de tudo isto!
Já você - e uns zangados - não tem coragem de assinar com o seu nome. Há os susceptíveis e há os cobardes. Peço desculpa Rosário, mas não me contive. :-)
EliminarNão acho que se tenha que atribuir estrelas a obras artísticas...sejam elas levianas ou profundíssimas.
ResponderEliminarA essência da arte é provocar emoção. Se um livro light desperta emoções numa pessoa, isso é perfeitamente legítimo.
Agora, acho que o nível intelectual do leitor é que o leva a ler o que ele bem entender. Lembro-me de ouvir Pílar del Rio dizer, que ela e Saramago, muitas vezes trocavam policiais entre si, os quais liam antes de adormecer. Se pensarmos bem, Saramago nunca foi escritor de policiais, os seus romances são mais um misto de fantasia/alegoria pseudo-realista, se é que me entendem...
Acabou por ganhar o Nobel, entre outros tantos prémios.
O caso de valter hugo mãe é um caso sério.
Como vi na entrevista no Câmara Clara, ele escreveu o texto que emocionou a plateia de Paraty no iPhone, horas antes de estar em palco.
É legítimo que um escritor, com aparentemente verdadeiras ligações ao Brasil, um mercado enorme com milhões de leitores, exponha-se e se deixe a conhecer por aquelas pessoas e cultura que ele diz adorar. Teve ganhos de notoriedade, e como é evidente, monetários; e foi preciso ir ao outro lado do Atlântico dar-se a conhecer para finalmente explodir no seu próprio país (ou mercado, como quiserem).
Lembro que, no que toca a romances, valter hugo mãe é, desde "O Nosso Reino", uma das mais tocantes novas vozes literárias da língua portuguesa. Basta ler esse livro (e eu já o fiz) para perceber.
Quanto ao "O Filho de mil homens" não me posso pronunciar porque ainda não li, mas acredito que não seja o melhor livro de hugo mãe...
Em Portugal, é o que se sabe: um meio artístico pequeno, um meio editorial ainda mais pequeno...
É natural, que em relação aos livros e autores, haja uma inveja; a denominada "inveja natural".
No mais recente filme de Woody Allen, «Midnight in Paris» (que recomendo a todos) há uma passagem em que Ernest Hemingway, uma das personagens em confronto com o protagonista, diz algo como isto:
Protagonista: - Senhor Hemingway, poderia ler o meu romance? Estou a requisitar-lhe uma opinião!
Hemingway: - Uma opinião. A minha opinião é que odeio o seu romance...
Protagonista: - Mas se nem o leu ainda?
Hemingway: - Se for mau, odeio-o. Se for bom, invejo-o e passo a odiá-lo. Nunca peça a opinião a outro escritor.
(e depois ainda acrescenta)
Hemingway: - Os escritores são competitivos!
É um exemplo verdadeiro, porque Hemingway dizia mesmo isso, e certo.
Entre os artistas existe uma inveja, uma desgarrada, uma tentativa de chegar alto. E se agora uns estão por cima, certamente é porque merecem; mas outros virão e terão a sua oportunidade.
Concluo com o seguinte vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=INlQ5HcADQU
Esqueci-me de dizer...
ResponderEliminarEscrevo em nome de Vicente Lopes Saudade e não em nome do Anónimo
«A indignação, porém, não vinha só de se dar nota quase negativa ao romance (cinco estrelas é o máximo) – até porque algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido –, mas de, nesse mesmo suplemento, terem sido classificados com quatro estrelas livros de autores de um nível literário francamente mais baixo, como José Rodrigues dos Santos ou Mónica Marques.»
ResponderEliminarEste trecho confunde (mete no mesmo saco) obra com autor. Estranhamente, nem é preciso ler o romance do WHM para se saber à priori que é melhor do que os trabalhos recentes de JRS e MM. Isto é, uma obra vale pelo nome do autor que a assina, não pela sua qualidade intrínseca. O que significa que JRS e MM nunca escreverão um romance com qualidade, porque o rótulo do pré-conceito já estigmatizou o livro, mesmo que ainda não tenha sido lido.
Falta-me dizer que não conheço a obra de JRS e da MM. A do VHM conheço muito bem.
Barrius
A mim não me incomoda nada que o Riço Direitinho escreva sobre o Valter Hugo Mãe no Público, como nunca me incomodou que o Miguel Real escrevesse sobre colegas dele de editora no Jornal de Letras. Tenho-os a ambos em demasiada boa conta para que isso me afecte. Se não «deixarem» os escritores escrever sobre os seus colegas, então qualquer dia desaparece mesmo de vez a críitica literária. Cumprimentos,
ResponderEliminarPerante tudo o que li, lá tive de me desinquietar a sério. Apesar de tudo, respeito a coragem da intervenção. Respeito menos o conforto pardo do silêncio. Mas fico triste. A Rosário é uma grande editora e poetisa, melhor leitora ainda. O Zé um excelente crítico literário. As estrelas perfeitamente irrelevantes. O Valter um excelente escritor. Excelentes de tudo também fazem coisas de nada, não sei se agora, se antes, se depois. Todos eles, todos nós. Se não agora, um dia. Lá quem será maior do que quem que o discutam os vindouros sobre os defuntos que todos seremos. Eu só sei que há uma urgência no meio literário, porque a literatura, essa, vai bem, obrigado. Que desejemos genuinamente o bem dos outros. E quem sorri ou se compraz com o mal seja de quem for - e seja quem for - que se foda. Não é impossível desejar o bem de todos, literalmente todos os escritores, leitores, editores, revisores livreiros e críticos que dão o litro todos os dias. Deste que vos escreve só terão isso. Nem que o preço pela alto.
ResponderEliminar\"nem que o preço seja alto\"
ResponderEliminarVaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
ResponderEliminar(Eclesiastes 1:2)
Ao menos que se entenda o sobressalto que isto provocou em pessoas de bem. Quietude, inquietude, desinquietude, que é um regresso a uma paz cheia de vincos. Mas paz. Que mais de nós procurem, mais que aquietar, desinquietar, uma quietude genuína e com memória. Agora vou e não volto, que já vim sem querer.
ResponderEliminarO que me parece péssimo no meio de "inconsequências" do meio crítico é que meia dúzia de "escritores" sem escrita aproveitem para destilar a sua raiva contra a pessoa que talvez lhes tenha recusado edição. Então se há por aí muita coisa melhor que VHM, JLP, etc, porque é que não aparece?! Tenho tacto e aproveitem o tempo para escrever: quem sabe assim um dia...
ResponderEliminarAh, uma dúvida: será que quem gosta e costuma ler os livros de um escritor o deixará de fazer por uma ou duas críticas menos boas? Não me parece.
ResponderEliminarDe facto, não. Poderia, no limite, fazer com que alguns indecisos em se estrear em leitura s de certo autor decidissem não comprar. Mas no caso de VHM este número é residual. A mim parece-me que com o episódio da lágrima, com o destaque que foi dado da imprensa nacional à noticia (?), às entrevistas que se seguiram na Tv em horário nobre, e em Câmaras Claras, e às capas de revistas dominicais o VHM ficou com a vida feita para muitos e bons anos. Os livros dele, alguns deles com pouquissimas vendas aquando da sua saída, ganharam nova vida e venderam-se como pãezinhos quentes.
EliminarÉ um pouco estranho ver alguém a insurgir-se com criticos quando o que conta, realmente, é a televisão em horário nobre e os prémios. Destes VHM está bem aviado.
E ainda bem para ele. É fruto do seu trabalho e disponibilidade por fazer pela vida, mesmo que os seus livros não valham um caracol, como é a minha opinião.
João há que ser honesto, bem sabes que o valter hugo mãe tinha muito boas vendas desde que ganhou o prémio Saramago. O único com vendas fracas foi sempre o "O Nosso Reino"...
EliminarIsto vai longo, mas agora também entro eu. Não simpatizo muito com críticas literárias. A qualidade de quem escreve, começa desde cedo a perceber-se, existindo, obviamente, obras consideráveis com as quais não simpatizo, não deixando porém de lhe reconhecer a qualidade. Poderá servir ( a crítica), para nos situar na história do livro daquele autor, e nunca para julgar o que lá expõe, que pode ser perceptível ou não ao crítico, depende. Aceito-a dentro destes trâmites, mas confesso que me recuso a traduzi-la em estrelas, tal como me recuso a catalogar o que quer que seja na minha vida. Pelo menos o que não carece de todo de catalogação.
ResponderEliminara certa altura as críticas, boas ou más, já não são para os livros, para as obras, mas para quem as concebe - tamanho é o rótulo da garrafa e não a qualidade - ou falta dela - do vinho. e é assim, também por isto, que a importância se resume à relatividade.
ResponderEliminar(é que no meu mundo essas estrelas não têm importância alguma - só gosto, com ou sem brilho, das do céu) :-)
ResponderEliminarMesmo com esta publicidade toda NÃO VOU LER NENHUM ROMANCE DO SR. valter hugo mãe.
BRIGADO!
Bom dia,
ResponderEliminarAlguém aqui podia escrever uma crítica sobre o meu livro Herói no Vermelho, por favor? Pode ser o Riço Direitinho, o Hugo Mãe ou o puto que me partia a boca na primária, pode ter lido a biblioteca nacional ou a biblioteca da junta de freguesia de Arouca, ser da minha idade, recém-nascido ou até estar acamado.
Obrigado
E se puder ser, depois do Ricardo Felner, eu estou a seguir com o Alçapão. Só não quero é que seja o Rui Barbosa (o puto que me partia os dentes na primária) a fazer a critica, porque está morto por causa do cavalo e isso traria uma série de questões metafisicas não desejadas de momento. Obrigado.
EliminarÉ interessante verificar que José Riço Direitinho tem hoje um interessante destaque no blogue da revista Ler:
ResponderEliminarhttp://ler.blogs.sapo.pt/819030.html
Mais interessante é verificar que o Riço Direitinho é colaborador da LER e apostou no poeta sueco para vencedor do Prémio Nobel deste ano. Realmente há pessoas doentes que vêem fantasmas em todo o lado. Vá-se curar!
EliminarNão vejo razão para tanta violência, cara Isabel. Apenas constatei algo. Se isso lhe faz confusão, penso que quem se deve curar não sou eu.
EliminarIsto está tudo perdido, depois de escritores fazerem a crítica de livros de outros escritores, só faltava mesmo os suecos darem o nobel da literatura a um sueco.
ResponderEliminarahahahhahah
EliminarAcordo eu antes da alva e venho deparar-me com este chinfrim todo. Eu sou apenas uma leitora, que lê sem saber de estrelas, só sei das do céu, que escreve uns versos só por escrever. Devo ter uma opinião 5 estrelas porque os livros e autores que gosto e partilho com os meus amigos, são amados.
ResponderEliminarQuanto a críticas, estrelas, opiniões e polémicas desta natureza são para uma elite.
E sabem que mais? Sou professora de português e atendendo à alergia que a maior parte dos jovens têm à leitura, quero é que leiam, independentemente das estrelas porque apanhado o gosto, em princípio, irão refinando as preferências.
Muito bem, Irene!
Eliminara alergia que a maior parte dos jovens tem...
EliminarEu não li o livro, nem a crítica, nem este post. Mas estou muito indignado.
ResponderEliminarCurioso tanto desfile de vaidades!
ResponderEliminarE mais curioso quando se sabe da imensa pequenez e promiscuidade do mundo editorial português.
Por estas e por outras nem olho para qualquer crítica literária.
Só carneirada!
Para quem está de fora, parecerá mais claro que a critica literária não deverá ser feita por escritores, da mesma maneira que a critica gastronómica de um um restaurante não deverá ser feita pelo dono ou cozinheiro do restaurante ao lado. Isto é um bom princípio. Tirando isso, também digo que não conheço nenhum cozinheiro que não seja honesto. Não conheço nenhum cozinheiro, ponto. Mas não vejo nenhum problema no facto de o cozinheiro fazer uma recensão do prato do vizinho: o prato tinha duas batatas, um pedaço de bróculos e uma fatia de picanha, e foi servido às oito e meia em ponto.
ResponderEliminarOs críticos literários deveriam ser todos como o João Gaspar Simões, ou professores universitários de literatura (que soubessem escrever). Já não os há? Isso é que é uma chatice.
Ufa, isto é que foi uma catarse!
ResponderEliminarÉ... Já se parava com isto, não? Vocês parecem poetas...
ResponderEliminarA questão é simples, o Riço é um escritor de merda que precisou de virar crítico para dar vazão à frustração de não conseguir nem continuar a escrever o estrume que escrevia. Calhou ao Valter Hugo Mãe levar com a porrada, calha sempre aos melhores. Porque os piores querem sempre derrubar os melhores. Os medianos não interessam a ninguém.
ResponderEliminarVocê Pedro é que tem razão...
EliminarSim, porque o Riço Direitinho (que eu não conheço de lado nenhum: li-lhe um livro como, de resto, ao Hugo Mãe) diz sempre mal dos livros que analisa... ora por favor.
EliminarNão sei se a crítica do Riço Direitinho é justa ou injusta, mas valerá, para exemplo e proveito, lembrar o assassinato de um livro perpetrado, já não sei se no antigo mil folhas ou se já no ipsilon (eu deixei de ler esse suplemento desde que o Torcato Sepúlveda saiu de lá e o transformaram em estrumeira), pelo VHM contra um livro de alguém da mesma geração e do mesmo ofício, quando o moço valter ainda só escrevia versos com muito sangue e igual número de vísceras. Tratou-se de «a hora perdida», um livro de poesia de Jorge Gomes Miranda, publicado pela editora Campo das Letras. Não me lembro de o VHM ter feito crítica de livros antes ou depois desse assassinato. Mas, pelo tom, percebia-se ao que vinha. Via-se claramente que o ora alçado romancista tinha contas a ajustar com o dito autor, mais a mais por ter sido a sua primeira e última crítica. Penitencio-me aqui se o moço exerceu crítica nalgum lado e eu não tenha dado por isso. É preciso irmos com calma.
ResponderEliminarLocusta
Independentemente dos factos que aponta a Valter Hugo Mãe, tenho conhecimento de que ele exerceu crítica nas páginas da DIF. Sei disso porque escreveu sobre um livro que traduzi, uma colectânea de contos do autor Rhys Hughes, "A Sereia de Curitiba" crítica essa que foi publicada em finais de 2007. Mas a sua faceta de crítico nunca foi tão conhecida como a faceta de autor ou mesmo de editor.
EliminarTrês notas:
ResponderEliminar- Um leitor interessado em literatura nunca confundirá as duas estrelas e meia de Valter Hugo Mãe (VHM) com as quatro de José Rodrigues dos Santos, ainda por cima dadas por críticos diferentes. Até porque um leitor interessado em literatura nunca se contentará com a nota. O que pode acontecer é deixar de ler o livro de VHM para ler um do Vargas Llosa ou da Hélia Correia. E isso não é necessariamente mau.
- Se escritores não pudessem escrever críticas sobre obras de autores da mesma geração, ou mesmo de gerações anteriores, não teríamos textos fabulosos como (e é só um exemplo entre muitos possíveis) a crítica de David Foster Wallace a "Toward the End of Time", de John Updike (bastante negativa, diga-se). É até curioso reparar como esta crítica, incluída em "Consider the Lobster", de Foster Wallace, é hoje um texto bastante mais conhecido, e conceituado, e citado, do que o livro sobre o qual se debruça - e isto não retira mérito a Updike, que escreveu excelentes livros. No caso em apreço, José Riço Direitinho explica porque não gostou do livro de VHM. Podemos ou não discordar (sendo conveniente que antes tenhamos lido o livro - e, já agora, tentando que a decisão não esteja tomada à partida) mas é um bocadinho feio levantar sequer a hipótese de inveja, ainda que putativamente para defesa do crítico.
- O que eu estranho é não encontrar nas páginas dos jornais e revistas nacionais mais apreciações negativas a obras de autores portugueses. Suponho que devem ser todas fabulosas.
Minha senhora.
ResponderEliminarPorque é que quem compra livros e os lê é, normalmente, tratado como "analfabeto", pois só se guia pelas estrelinhas dos jornais? As estrelinhas são a opinião do autor do artigo ou da crítica que faz ao que leu, não é a opinião
"obrigatória e doutorada" de outros que possam e queiram ler os livros criticados. Já agora deve ser por isso que livros editados pelo grupo Leya me obrigam a saber bem se valem a pena.
"na medida em que qualquer das obras de um Escritor (com E), mesmo que gore de algum modo as expectativas dos seus leitores, será sempre infinitamente melhor leitura do que uma ficção menor."
ResponderEliminarSerá?
Sobre o resto não quero dizer nada - gostei muito de um livro de José Riço Direitinho, menos de outro e nunca li nada do VHM. Mas parece-me evidente que não se pode pedir aos críticos a quem são encomendadas estrelinhas que vão conferir que outras críticas estão na mesma edição e qual a classificação que obtiveram.
ResponderEliminarPor outro lado, para garantir que o jornal cubra obras com alguma diversidade e que as estrelas tenham significado e conteúdo informativo, não se podem comparar os autores nem com os outros da mesma edição, o que seria um critério extremamente arbitrário, nem com um cânone absoluto, que implicaria que os Rodrigues dos Santos desta vida tivessem sempre zero estrelas por comparação a Tolstoi, o que deixaria os seus apreciadores sem qualquer informação.
A única hipótese é comparar o autor com outros da mesma categoria ou, no caso de um autor estabelecido, com ele mesmo, com aquilo que a obra dele permite esperar de um novo livro.
No caso desta crítica, quando leio '"O Filho de Mil Homens” faz ter saudades das letras minúsculas e de “o remorso de baltazar serapião”' a informação que retiro é JRD compara o autor com o que esperava dele a partir da qualidade de obras anteriores e que portanto valoriza o autor e a sua obra, apesar de não ter gostado deste livro.
Depois de tudo o que li aqui - mais uma preciosa lição sobre o tamanho do país - parece-me que há uma pequena gralha no título do post. Devia chamar-se antes "A saga das entrelinhas".
ResponderEliminar(ana vidal, brilhante)
ResponderEliminar(portugal é um país demasiado pequeno. pequeninoninonino.
que pena.)
(maria do rosário,
1. as estrelinhas sao ridiculas; comprometem unicamente o autor que as atribuiu; uma crítica é sempre opinião pessoal; ao leitor - dela e do livro/filme/peça/exposição a que se refere -, a avaliação, pessoal também, e porventura cheia de estrelinhas. as estrelinhas não são mais do que estrelinhas. como não são as do céu, não têm qualquer importância.
2. a sua sugestão final é, com todo o respeito que me merece, tonta: pertencer a um júri, melhor dito, ser um bom jurado, não depende da idade ou do número de obras editadas ou, em última instância, do número de obras lidas. tão-somente, da competência crítica e da honestidade de quem julga.
3. a reacção às estrelinhas tem a ver, pois e somente, com as entrelinhas a que se referiu a ana vidal. outras conversas, portanto.)
De acordo, ssv: o sistema de classificação por estrelas - de uma a cinco, ainda por cima! - é de tal forma limitativo que não pode ser levado muito a sério. Admira-me como os críticos se submetem a ele, mas isso já são outros quinhentos. Esta caixa de comentários derivou da crítica literária para a crítica pessoal, num clubismo que não faz qualquer sentido. Uma crítica assinada (sem pseudónimo, bem entendido) é sempre honesta, na medida em que compromete o seu autor e o submete também a julgamento público. Serve para orientar o leitor, quando muito, mas é só uma opinião, não chega para determinar as suas escolhas. Quem gosta de ler - bons ou maus livros - vai querer fazer o seu próprio julgamento sobre eles, e quem não lê... não vai mudar de hábitos por causa de uma crítica, que aliás também não lê. Mas não me parece que fosse intenção da Maria do Rosário provocar tal entrincheiramento de hostes.
Eliminarconcordo absolutamente consigo (mais uma vez)
Eliminar(refiro-me também à conclusão da sua resposta)