Uma gaffe (ou talvez não)
Já aqui disse que, apesar de Agosto em Portugal ser aquele mês em que não acontece praticamente nada, nas minhas férias tomei conhecimento de que a Porto Editora assinara um «protocolo de colaboração» (a expressão não é minha) com a Assírio e Alvim, envolvendo edição e distribuição. Embora a assimilação de editoras independentes por grandes grupos já não seja novidade para ninguém, fiquei surpreendida com a notícia, pois ainda não me esqueci de uma entrevista de Vasco Teixeira (o «patrão» da Porto Editora) ao jornal Público no ano passado em que este dizia que daqui a dez anos não se editariam livros de poesia em Portugal, pois era um género que só vendia trinta ou quarenta exemplares... É bom saber que mudou de opinião entretanto, pois a Assírio e Alvim foi sempre uma editora essencialmente de poesia e a promessa de que manterá total autonomia na escolha do programa faz-me pensar que não deixará de o ser. E, mesmo com algumas reticências, estou disposta a acreditar que este «negócio» pode ser a salvação da Assírio e Alvim (que de outro modo talvez não conseguisse sobreviver) mais do que a sua condenação. O Jornal de Letras, porém, parece não estar tão convencido disso e teve um deslize bastante engraçado ao redigir a notícia na semana passada, avançando que foi assinado entre as duas editoras «um protocolo para as áreas de edição e destruição». Oxalá seja só uma gralha, e não o subconsciente a falar...
A típica subtileza neo-neo-realista do "JL", louvados sejam Deus e São Vasconcellos! Devem estar ansiosos pela destruição da Assírio & Alviam às garras da malvada Porto Editora para terem uma causa de valores que lhes dê a esperança de aliviar o défice do Tio Balsemão ou de reforçar as prebendas do Dr. Zé Carlos.
ResponderEliminarinfelizmente penso que a "Assirio" acabará por ser engolida pelo grupo a médio prazo e deixará de ser o que sempre foi.
ResponderEliminarque nos valha o São Herminio, que lá em cima, será sempre o seu anjo da guarda.
bom, é uma gaffe genial. edição e destruição mercee ser nome de editora
ResponderEliminarO dinheiro, os lucros ou os não-lucros, hão-de sobrepor-se a tudo. O resto, são palavras de circunstância na hora de "deitar a mão" seja ao que for.
ResponderEliminarNas editoras, como nas junções de bancos, ou nos vendedores de hortaliça...
Não tenho a mania que sou moralista e muito menos serei exemplo para quem quer que seja... mas... há talvez áreas em que não devia imperar o economicismo... certo que é o dinheiro que faz girar o Mundo!
ResponderEliminarCerto que falamos de ordenados e de vidas de pessoas... mas esta área - a da edição - devia ser uma daquelas em que não deveria haver senão paixão pela actividade!
Não cesso de me espantar com o bom trabalho das editoras na vertente económica e o péssimo desempenho na vertente da cultura, aquela pela qual deveriam ser valorizadas! Se uma empresa vale pelo cash-flow que gera, uma editora devia valer pela cultura que gera!
E, nem de propósito, li recentemente um dos maiores sucessos editoriais e mais me convenci disto! Bom trabalho comercial e péssimo cultural!
Já sei que precisamos daquilo para comprar melões... e jà agora me lembro quanto gostaria de saber o resultado da edição e vendas daquele livro de um bloguista que em tempos teve a prosápia de aqui se vangloriar em ter feito um excelente trabalho na escolha do tema e que isso lhe valera ir editar num dos "grandes!".
Porque se os livros passarem a ser feitos assim, por medida e não por arte... aí sim, é o fim do nosso tempo!
Desculpem-me... estive caladinho tanto tempo que agora me vingo!
Saudações do mato!
Pior do que nas mercearias, onde os fornecedores não pagam para que as suas batatas fiquem à frente!
ResponderEliminarUma pergunta... mais de gestor mas não menos oportuna, espero:
ResponderEliminarA segmentação não seria uma via (o marketing diz que sim) a explorar?
Explico: editoras especializadas em poesia, outras em aventuras, outras em viagens, ficção científica, policiais, fantástico, drama... sei lá eu!
Creio que seria um bom trabalho ao público e à criação, uma vez que havendo editores especializados nessas áreas, não havia excesso deste ou daquele género por moda ou inclinação pessoal! Mas se calhar isso já existe... só que a gente não o percebe... como não percebemos o Sócrates que dizia já estarmos a sair da crise!
E ó eu para África, talvez porque não o percebi...
Ora aqui vai o meu comentário versejado retirado do blogue de um "amigo" que o reavivou depois de estar 16 meses sem lá publicar nada:
ResponderEliminarProto-poema contra os tubarões
Antes que a praia seque
Vou dar poemas.
Não bem dar…
Não são meus, só os posso emprestar
Ou mostrar
Ou ler
O que vou mesmo é vender poemas mais baratos.
Pode ser que,
assim,
as suas águas mantenham a praia praia
Com linguadinhos e peixes aranha
Baldes de plástico e conchinhas
Corpos esbeltos, corpos disformes,
Beatas e crude peganhento
É assim a praia.
É assim a vida!
Vou mesmo é vender mais barato
Os poemas da Assírio
Para que se espalhem
E troquem as voltas aos tubarões
Que tingem de sangue a areia
Afugentando os banhistas.
(http://anossaprainha.livejournal.com/)
Abraço
Excelente. Abraço para si, Joaquim.
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