Um amor japonês
Murakami é talvez o mais internacional dos escritores japoneses contemporâneos e os seus livros são um êxito de vendas em vários países europeus, entre os quais Portugal. Vai, por exemplo, em nona edição o romance Sputnik, Meu Amor, de que tomei conhecimento por uma jovem leitora que o comprara em inglês em Nova Iorque há uns dez anos, quando eu ainda estava na Temas e Debates, mas que, por qualquer razão, ainda não tinha tido ocasião de ler. Embora me tenha parecido melhor na primeira metade do que na segunda (ou seja, até ao desaparecimento da jovem Sumire numa ilha grega), é obviamente um livro muito curioso sobre as vidas sentimentais de um homem e duas mulheres, sobre o amor não correspondido, os traumas de adolescência e o que é sentir e não sentir, sobretudo fisicamente, o amor. Com um tom levemente informal, mas sem esquecer a poesia em muitas passagens, esta é uma obra também interessante pela alternância do relevo ficcional das três personagens – Sumire, Miu e o narrador – e por um certo desdobramento dos vários eus, quase roçando a literatura de mistério.
Já eu gosto muito dos episódios gregos do misterioso "sumiço" de Sumire.
ResponderEliminareu também. é o meu preferido do Murakami. Adoro o final, aquele telefonema que não sabemos se é real.
ResponderEliminarRecomendo a leitura de "Kafka à Beira Mar", do mesmo autor...
ResponderEliminarÉ um grande romance. o melhor de Murakami.
ResponderEliminarJá li o "Kafka à beira-mar" e "A rapariga que inventou um sonho". O segundo livro, sendo de contos, parece-me melhor para uma abordagem posterior, quando se conhece já as suas outras obras. No meu caso, comecei pelo do rapaz de quinze anos, de nome Kafka - e muito me maravilhei com a atmosfera, as personagens e o registo de toda a obra. Levanta questões e medita sobre temas muito pertinentes. É sem dúvida um autor que procurarei aprofundar.
ResponderEliminarCumprimentos,
Filipe C.
A recompensa da boa leitura é sempre de sorte que nos impulsiona à outra.
ResponderEliminarNunca li apesar de saber ser merecedor, mas não vai dando para tudo. O que aproveito para dizer, e agradecer à troca de informação que este lugar propicia, é que encontrei numa Fnac a tal "Lavoura Arcaica" de Raduan , fulano de que desconhecia a existência há um par de dias, que me está a fascinar: escrita visceral, se é que é apropriado dizer-se tal coisa, ainda por cima com a ortografia e o modo de dizer brasileiro tranqüilo , ingênuo , ...) que, no caso, lhe confere mais autenticidade. Bem hajam!
ResponderEliminarMurakami, como diria certo poeta, "primeiro estranha-se, depois entranha-se" ... não deixem de ler também "A crónica do pássaro de corda" e "Em busca do carneiro selvagem"!
ResponderEliminarAo contrário da Coca Cola eu primeiro estranhei e depois estranhei. Tenho que reler. Certamente é uma falha minha.
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