Sábados mais pobres
Já muito se disse por aí sobre o facto de a crítica literária ter desaparecido dos nossos meios de comunicação, substituída que foi por uma forma mais ligeira de falar dos livros – a que vulgarmente se chama recensão, mas que, frequentemente (sobretudo na imprensa regional), não passa de uma sinopse da obra junto da respectiva capa (e quantas vezes essa sinopse não é a da contracapa do livro, escrita pelo editor, mas escandalosamente assinada pelo jornalista que devia ler o livro para poder opinar, mas não esteve para isso). Mesmo assim, nós, editores e escritores, ficamos consolados quando os livros que publicamos e escrevemos são referidos num jornal ou numa revista, sabendo que, pelo simples facto de preencherem parte de uma página, a sua existência é menos solitária do que na mesa ou na prateleira da livraria. Custou-me, por isso, que o Diário de Notícias tenha acabado («descontinuado» era a palavra usada) tão abruptamente com a revista NS, que saía todos os sábados e tinha duas páginas exclusivamente dedicadas a livros. O seu conteúdo não era profundo, bem entendido, mas, para além de este desaparecimento poder originar mais um lote de desempregados, o que é grave, agora temos menos um sítio para divulgar e partilhar. E sábados, evidentemente, mais pobres.
Para amanhã, sábado precisamente, está anunciado novo suplemento cultural no DN. Salvo erro, Quociente de Inteligência é o seu nome. Aguardemos...
ResponderEliminarQuerem opiniões sobre os livros? Os livros já têm tantas páginas, que sentido faz dedicarem-se ainda mais páginas aos livros? É, obviamente, supérfluo. A MRP escandaliza-se com o facto de, por vezes, se usar a informação da contracapa. Ora, isto é economia de recursos, de tempo, de dinheiro pois, se já ali está qualquer coisita, para quê andarmos com repetições? Além disto tudo, com tanta notícia interessante que existe, por exemplo sobre futebol, ou futebol ou ainda futebol, não vejo qual o interesse em gastar tempo com leituras, com pesos mortos, e olhe que há livros bem pesados, enquanto a bola é uma coisa dinâmica, rola, rola, rola… Não somos um país de obesos? Temos que nos inspirar na bola e não em estar sentado a ler livros! Conclusão, quanto menos incentivo existir à leitura, menos obesos existirão. Isto é serviço público. Se os cérebros engordarem de estupidez por falta de actividade, ninguém nota…
ResponderEliminarQuem sabe, tem razão!!! E digo isto porque me lembrei, assim de repente, que quando acabei de ler 2666 tive de ir a sessões de fisioterapia...
Eliminar(Espero que o diabo seja surdo e cego e, mais apropriadamente: não saiba ler)
Então e não é que os críticos escreveram maravilhas desse calhamaço, tijolo "2666".........por acaso, não o li e daí não poder ter opinião, mas já levei com um de 900 e tal páginas que os críticos endeusarem (foi um sacrifício que consegui arrastar até à página 250) - "AS BENEVOLENTES", uma estopada de caixão à cova (gosto desta frase) mas à página 250 gritei basta que tenho livros à minha espera.....
EliminarDe um modo geral, o livro bom, mas (para mim, ao menos) não é para ler segunda vez - até pelo sacrifício físico que isso comporta :)
EliminarMas há uma "parte" do livro (a dos crimes, já agora) que é demasiado pesada, repetitiva...
Enfim... quando puder, não deixe de o ler, mas não vai ficar em êxtase de pois de o ler, isso não...
"2666" foi um dos livros que li recentemente e, de facto, concordo em absoluto com o que disse, a parte dos crimes é realmente aborrecida e parece a mais no livro. Qualquer das maneiras "2666" não é, de longe, o melhor livro de Bolaño, até porque já os li todos. Está muito longe da qualidade de "Os detectives selvagens" ou de "Estrela Distante", mas não deixa de ser um bom livro. Quanto ao "Benevolentes" que já li há dois anos, achei muito bom, mas o tema que o livro trata tem de nos agradar à partida.
EliminarConcordo consigo, até porque também li outros bolaños, mas não todos.
EliminarEfectivamente bastante me custou também a transformação da referida revista e disso dei conta para o jornal tendo até recebido resposta (muito simpática, por sinal) do Sr. Ferreira Fernandes. Era uma excelente revista que se transformou do dia para a noite numa péssima revista; é que para além de praticamente deixar de falar de livros tudo nela piorou. Na semana passada saíu um novo suplemento sobre o causador de todos os males da humanidade -o dinheiro-!
ResponderEliminarMas como muito bem diz o último comentador mas o pagode quer é bola, basta ver aquele concurso do Malato (e não só) para ver a tamanha ignorância deste povo (e os outros são a mesma coisa.......)
Já que fala no concurso do Malato, aproveito para dizer que esse concurso também existe na Alemanha, já há cerca de doze anos, embora seja um pouco diferente (é no formato original, que já foi aí apresentado por Carlos Cruz - ao tempo... - e Maria Elisa).
EliminarCusta-me muito escrever isto, mas, quando comparo a cultura geral de portugueses e alemães, nós ficamos decididamente atrás.
De verdade que ficamos?!
EliminarVejo sempre com alguma dificuldade as opiniões que nos "puxam" para baixo à mais pequena das oportunidades.
Não conheço os alemães senão de ouvir falar. Mas...
Bem, apenas me baseei nas minhas observações. Assisto ao "Wer wird Millionär" (assim se chama o concurso na Alemanha) desde o início, há, pelo menos, 12 anos (podem ser mais, mas são só duas vezes por semana). E, quando comparo com as sessões do Malato... (sem falar no apresentador, apenas nos concorrentes). Não há duvida que começam a fraquejar muito mais cedo e não atingem níveis tão altos. Se bem que, às vezes, quando surge algum mais esperto e a RTP corre o risco de ter de pagar uma bolada de dinheiro, me pergunto se não aproveitam para fazer daquelas perguntas às quais ninguém sabe responder...
EliminarAproveito para dizer que, quando aí estive, em Junho, houve um especial do concurso com miúdos de escola, que se saíram muito bem. Deve ter havido uma preparação prévia, mas, mesmo assim, gostei de ver.
Respeitando essa sua opinião, digo que não me parece que os actuais concursos da tv possam servir para medir seja o que for... Mas esta é a minha opinião.
EliminarQuando ando no metropolitano de Lisboa (e não ando muitas vezes, porque não vivo lá) gosto de ver jovens sentados a lerem livros. E vejo sempre, será só "sorte" minha, puro acaso?!
Talvez haja 1 boa percentagem de jovens de hoje k n xão tão burros cm parexem :)))
infelizmente ou felizmente, não é pela critica dos jornais que compramos livros.
ResponderEliminara excepção é a "ipsilon".
queria dizer, lemos.
Eliminarna blogosfera, felizmente, há bons blogues literários.
Ó Luis Eme mas qual puxar pra baixo, é a realidade;
ResponderEliminaro "analfabetismo" que grassa neste país é absolutamente aterrador e quando falo no analfabetismo não falo naquelas pessoas que não têm habilitações literárias, falo sobretudo nas licenciadas que não sabem construir uma frase.....ler um livro o que é isso, conheço-os aos montes........confrangedor, absolutamente confrangedor, e para quem gosta de de livros isto dói muito.....
Mas atenção que, apesar de não conhecer a realidade dos outros países, creio que não serão muito mais letrados que nós, basta ver os matarruanos americanos que nem sabem onde fica Portugal, endereçam sempre Lisboa-Portugal-Espanha...........
MRP tem razão no que diz. Já não há crítica, desapareceu; quase que não há jornais e nos poucos que ainda existem, pouquíssimo espaço para falar de livros.
EliminarRevistas literárias, uma ou duas.
Jornal literário: apenas um.
Tudo muito estranho!
Mas, há sempre um "mas"! As referidas recensões ou críticas - exceptuando notáveis e "antigos" profissionais - são tão más, mas tão más, feitas por gente sem conhecimentos, feitas por pessoas que se arrogam a pretensão de fazer "crítica" como profissionais, pessoas sem amadurecimento literário e sob o critério dos quais, escritores e autores estão sujeitos a ser catalogados. A maioria escreve frases que servem para todos os fins: escritores, actores, empresários, etc, etc. São receitas frásicas - neste caso para os livros - mal escritas, falhas da menor sensibilidade, usando apenas a técnica e nunca a arte.
Por isso, se é para ler coisas escritas que não servem para nada, como diz MRP, sinopses ou frases feitas ou até trabalhos mais elaborados mas desprovidos de qualidade, mais vale estar quieto.
Silva & Silva
Lembro-me duma crítica (creio que no YPSLON) a um (bom) livro do José António Saraiva (AS HERDEIRAS DE ADRIANO GENTIL) simplesmente inenarrável, diria mesmo vergonhosa.
EliminarAfinal era ao Simão Gamito que me queria dirigir e não ao luis eme
ResponderEliminarClaro que era, respondeu está respondido.
EliminarObviamente que grassa muita falta de muita coisa. Mas eu disse o que disse porque penso que os outros não são assim tão melhores. Pelo menos os outros da mesma sociedade em que vivemos.
Quanto aos erros de português... até me arrepio. A que mais me custou foi ter recebido um mail a informarem-me de uma reunião de trabalho "a manhã às 19:00 horas". Vinha de um engenheiro civil que não era propriamente um jovem. E não, não foi erro de teclado, porque eu recebi muitas "convocatórias" dessas.
E apear de eu ter respondido 2 ou 3 vezes "amanhã não sei se posso estar presente", o homem ou não via, ou não queria dar o braço a torcer, ou não percebia porque é que eu escrevia aquilo, porque sempre estive presente.
Bom sábado.
Repare-se:
ResponderEliminar- antes e ainda pouco depois do 25 de Abril, os jornais diários de expansão nacional tinham suplementos que começaram por ser "literários" e que depois se foram abrindo a outras artes (A Capital, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário Popular, República, O Seculo);
- hoje, o único suplemento do género num jornal diário de expansão nacional (mas marcado pela irrelevância do jornalismo actual e pelo apego às modas) é o dito "Ípsilon", no Público;
- fora desse domínio, o que pretende ser especializado (a erráticas Os Meus Livros, a aristocráticas Ler e o bafiento JL) está dominado pelo "amiguismo";
- está a aparecer crítica de livros (juntamente com recensões) em vários blogues, que têm leitores.
Boa esta!
ResponderEliminarEu que nem sou escritor e todas as críticas que tive dos meus, para aí, 1200 livros vendidos, e todas feitas por amigos claro... o que é batota... nunca consegui ter importância para ser alvo de uma a não ser do Correio do Ribatejo e já perdi a ilusão, confesso que há muito desconfio que se faz crítica nos jornais de referência apenas para se cumprirem compromissos comerciais ou de favor... ou para se ajustarem contas pessoais? Estarei enganado? Não se ofendam... estou apenas a perguntar, e lembro que sou de fora deste meio... um penetra, não um provocador e menos um frustrado.
CULTURA é o novo suplemento de sábado do Diário de Notícias, o nº. 1 saíu no último sábado.
ResponderEliminarGostei; embora de livros, para além da análise a alguns que se debruçavam apenas sobre SALAZAR, falavam apenas de livros de economia, o que, sinceramente, foi uma desilusão.
Também foi o que pensei sobre o final da NS.
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