Novas do acordo ortográfico
Os livros escolares já seguem todos o novo acordo ortográfico, a maioria dos jornais também, na LeYa as traduções adoptam a nova ortografia, sendo os autores lusófonos ainda os únicos que podem decidir ignorá-la. Há muita coisa nesse acordo com que não concordo, é bom que se diga, mas, como profissional da área do livro, não posso deixar de o ir conhecendo, até porque – estou quase certa – alguns dos autores que publico optarão por segui-lo em breve (sobretudo, aqueles que são professores do Ensino Secundário). Para nos pormos em dia, saiu um livro de três especialistas que é de grande ajuda, pois não só ensina o que mudou, como inclui exercícios para irmos praticando. Se anda perdido, não deixe, pois, de adquirir este Saber Usar a Nova Ortografia, de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão.
Embora concordando na generalidade com a reforma ortográfica, às vezes aparecem-me algumas situações que deveriam ter sido acauteladas.
ResponderEliminarOntem, ao redigir uma Acta, fui verificar ao Priberam se deveria escrever Acta ou Ata. O Priberam informa que agora é Ata. Ora, para mim, ATA é apenas a 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo ATAR.
Não acha que é uma situação que deveria ser revista?
Cumprimentos,
Sim, acho. Na nova ortografia as palavras estão a ficar mais longe da sua raiz e palavras como «ato» e «acto» (hoje «ato») parecem ter a mesma etimologia (e não têm). E depois há coisas mesmo esquisitas como escrever-se Egito (sem p), mas egípcio (com p)...
EliminarJá agora, "ata" também é o fruto da ateira. Como é que distinguia até agora?
EliminarMRP eu estou a fazer como a avestruz.
EliminarSou contra, nada me faz vir para a rua manifestar-me mas se organizassem uma manif contra o acordo eu vinha.
Acho um absurdo. Ficarei muito contente se daqui a 10 anos ler isto e me rir, espero mesmo que me possa rir. Hoje acho um absurdo e um acto anti-democrático. O BE quer um referendo por causa da agua e por causa da lingua não pede?
Concordo inteiramente e ainda não cumpro o Acordo, mas receio que, mais cedo ou mais tarde, teremos de nos render ao "progresso". Pouco depois de ter vindo para a Alemanha (há 19 anos) também se estabeleceu aqui um novo Acordo Ortográfico (Rechtsschreibreform). Originou polémica, tal com em Portugal. Se havia casos em que se justificava, noutros, geravam-se situações absurdas, do tipo das citadas (ato, Egito). Mesmo depois de ser obrigatório nas escolas, muita imprensa foi resistindo. O caso de maior duração ter-se-á verificado numa revista sobre Idade Média, que eu assino. Resolveu, há cerca de meio ano, render-se às novas regras, depois de cerca de dez (talvez mais) a remar contra a maré.
ResponderEliminarSó no ano letivo de 2014/2015 todos os manuais seguirão o acordo ortográfico, apesar de este já ter entrado em pleno nas escolas.
ResponderEliminarOs manuais atualizados são os do
1.º e 2.º anos de escolaridade, da área curricular disciplinar de Matemática do 4.º ano de escolaridade, todas as disciplinas e anos de escolaridade do 2.º Ciclo do Ensino Básico (exceto as disciplinas de Educação Física, Educação Musical e Educação Visual e Tecnológica dos 5.º e 6.º anos de escolaridade e de Língua Portuguesa do 6.º ano de escolaridade), de Língua Portuguesa do 7.º ano de escolaridade e de Matemática do 8.º ano de escolaridade;
Calendário para a Aplicação do Acordo Ortográfico aos Manuais Escolares: http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=181
Obrigada pelo esclarecimento!
EliminarObrigada, Maria do Rosário, pela referência ao trabalho de que sou coautora .
ResponderEliminarUma achega:
Os novos casos de homonímia (ato/ato; ata/ata) causam grande alarme, talvez por serem novidade, mas existem já inúmeros casos destes na língua portuguesa: rio/rio; são/são, etc.) que nem notamos por estarmos habituados. Também nestes casos a etimologia de cada palavra é muito diferente; rivum/rideo; sanum/sunt). Atualmente parecemos muito preocupados em manter vestígios etimológicos. É uma preocupação erudita, porque o sentido da evolução natural da língua é o do afastamento do étimo. Seja como for, nestes casos, trata-se apenas de mudança ortográfica.
Numa das reformas ortográficas anteriores, foram mantidas as consoantes mudas com o argumento de que marcavam a abertura da vogal anterior; ora o i anterior ao p de «Egipto» não é suscetível da variação abertura/fechamento. A língua é primordialmente fala e, por alguma razão atinente às leis da evolução fonética (que têm muito a ver com o funcionamento dos órgãos fonadores e não com a ortografia), o falante da língua portuguesa pronuncia o p em «egípcio» e não em «Egipto».
Não era uma defensora do AO, mas tive que o começar a estudar, por motivos profissionais.
EliminarTal como dizia Pessoa, cheguei à conclusão que primeiro estranha-se e depois entranha-se. Para quem diz que este AO irá fazer muita confusão às crianças que estão a aprender a ler e a escrever, asseguro que essas têm o caminho mais facilitado de todos! Nós, "crescidos", é que dificultamos e encontramos exceções e segundos sentidos em tudo.
Acabei por descobrir que muitas das críticas que são apontadas ao AO, acabam por ter uma resposta com exemplos que já existiam pré-AO. Preocupações como as das palavras homónimas (ex: planta(vegetal) vs. planta (mapa)), a necessidade de uma consoante para abertura da vogal anterior (ex: pegada não leva acento, como sabemos que se lê "pégada"?), a preocupação com a etimologia das palavras (ex: dicção, mas dicionário) são tudo questões que já se podiam colocar anteriormente e que nunca geraram discussão, pelo menos desde o último AO que não se falava disso!
Por outro lado, parece-me que se fala muito nas alterações da pronúncia ("Então agora vamos falar brasileiro?"), quando se esquecem que o Acordo Ortográfico é.... meramente Ortográfico, ou seja, apenas rege a grafia das palavras, já que é impossível estabelecer um Acordo que reja a forma como falamos!
Tal como o Euro, daqui a uns anos (claro, não é de um dia para o outro!) já nem nos vamos lembrar como se escrevia antes!
E se as palavras fossem caminhos então não haveriam de ser labirintos as línguas. Pois quantas expressões por mais humanas que sejam deixam-nos pistas apenas por despertar.
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ResponderEliminarPode ser que esta minha indagação em nada tenha a ver com os (des)acertos ou (des)acordos ortográficos (ai que vontade tive de escrever ortopédicos ...) mas mesmo assim aqui vai, para vós que tanto entendem do assunto:
se o verbo é NEGOCIAR não seria "negociam" e não "negoceiam" (só de escrever negoceiam até me dá brotoejas, mas enfim ...)
E o tal "negoceiam" já consta até nos dicionários ...
Alguém explica?
Grata,
maria
Pelos vistos, as duas formas estão corretas:
Eliminarhttp://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=4915
(também não sabia! )
Aceito respeitosamente opiniões contrárias, mas sou a favor do Acordo basicamente por motivos políticos, porque acho que a posição portuguesa fica assim mais bem defendida face ao gigante brasileiro, que, sem ele, ficaria com todos os meios para impor a sua ortografia ao Mundo. No limite, nem me repugnaria que aderíssemos a esta, afinal mais próxima da que nós próprios tínhamos no início do século passado, antes de, em 1911, estragarmos unilateralmente a união então existente, se fosse essa a maneira de não ficarmos "orgulhosamente sós". Talvez também porque tenho da ortografia a visão dum código que deve ser seguido, mas que é hoje assim tal como amanhã pode ser assado. Dito isto, confesso que me faz espécie Egito , tal como ao meu avó terá feito farmácia, além de muitas outras situações, algumas do ponto de vista meramente estético: ótimo ficava bem mais composto com o p surdo, tal como uns brincos alegram ainda mais uma cara bonita. Fora outros entraves de ordem etimológica (e como eu gosto dela!), mas não esquecer que os conceitos que estiveram por trás deste Acordo são fonéticos e não etimológicos. Assim, vou conviver alegremente com a Mónica e com a Mônica , tendo por certo que, em dois ou três anos, nada desta discussão fará muito sentido. Além disso, nenhuma ortografia será alguma vez definitiva. Ah, pena que não tenhamos mantido os tremas!
ResponderEliminarSó andará «perdido» quem decidir adoptar esta aberração cultural - e política - que é o «acordo ortográfico».
ResponderEliminarÉ de facto espantoso como há tantos portugueses (apesar de tudo, acredito, ainda em minoria) dispostos a seguir as normas mais absurdas e anormais só porque... são impostas «de cima». Percebe-se agora ainda melhor porque é que este país aguentou quase 50 anos de ditadura.
O AO é uma «resposta» a um problema que não existe; é um atentado, uma sabotagem da nossa cultura e da nossa identidade. Não têm faltado pessoas, conhecedores e especialistas do assunto, a denunciar esta fraude. Uma delas é Fernando Venâncio, na LER:
http://ilcao.cedilha.net/?p=2676
Tenho três filhas menores. Ai de quem se atrever a penalizá-las por elas escreverem em português correCto - terá de se haver comigo. Sou de uma família que faz ponto de honra em manter as suas colunas vertebrais.
Daqui a 50 anos, havendo um novo acordo ortográfico, a sua descendência repetirá as suas mesmíssimas palavras, cantando loas ao que vigorava.
EliminarVelhos do Restelo sempre houve.
Olha, olha, que «surpresa»! Um «acordista» a mandar-me «bitaites» a coberto do anonimato! É o que dá a «força» dos «argumentos» a favor do AO… nem sequer querem revelar o nome! E, ainda por cima, armado em «oráculo», a imaginar o que a minha descendência irá fazer daqui a 50 anos! De uma coisa tenho a certeza: terá muito mais caráCter do que a sua!
EliminarE se é para aludir a’«Os Lusíadas», eu digo: antes «Velho do Restelo» do que «piloto enviado por Baco»; antes céPtico do que traidor.
Todos os objetos são mancos. O património do Egito parecia estar concentrado no P que agora desprezamos. Deixei de ser activa e sendo ativa sinto-me passiva. A eletricidade perdeu energia. Houve despedimentos de hífenes que abandonaram o fim de semana. Os meus sobrinhos já não lêem. Mantenho-me apta, mas dececionada e muito, muito confusa.
ResponderEliminarA maioria dos jornais? A sério? Com que critério?
ResponderEliminarPor mim, com ou sem acordo, o que gostava é que em geral se escrevesse correctamente... ou corretamente.
ResponderEliminarBoa notícia, e melhor seria se disponível online
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ResponderEliminarConsidero que a área da literatura deve ser aberta. Cada um deverá escrever de acordo com o que pensa. O JL continua respeitar a forma de escrever dos escritores que não seguem o novo acordo ortográfico. Espero que a arte cumpra o seu papel.
Eu não consigo escrever tecto sem "c"...
ResponderEliminarDepois de ler os comentários e de deixar assentar alguma poeira sobre eles, reconfirmo uma opinião que já tinha antes: a maioria das posições contra o Acordo parecem-me sempre demasiado... emocionais: traiçãaao ! (a quê, ou a quem?), vir para a rua gritaaar !, espinhas que nunca se veeergam !... falem-me antes do som, ou da raiz das palavras, ou até de política (da Língua), mas assim!...
ResponderEliminarLigado ao ensino primário durante mais de 3 décadas faz-me concordar com todos os Acordos Ortográficos que facilitem a escrita e a expressão oral da LP que se pretende mais universalista,menos conservadora,menos moralista,mais acessível aos novos povos que a praticam.
ResponderEliminarEscrevo a ata do dia ...nada tem a ver com atar o saco-para q queremos o raciocínio?!