Mazombos e Mascates
Acaba de sair o novo romance de Miguel Real, A Guerra dos Mascates, que – no ciclo brasileiro – se situa imediatamente antes de A Voz da Terra (galardoado com o prémio Fernando Namora e finalista do prémio da APE) e não lhe fica nada atrás. Mais romântico do que de costume, a obra recupera algumas personagens já conhecidas dos leitores fiéis deste autor (Julinho Fernandes e Violante Dias) e pretende continuar um romance homónimo de José de Alencar do século XIX, no qual se descreve uma guerra entre as cidades de Olinda e Recife no início de Setecentos, mais concretamente entre os ricos detentores dos engenhos de açúcar (os mazombos) e os comerciantes pobres a quem esses obrigam a pagar avultados impostos (muito actual, parece-me). Mas, entre os intervenientes deste confronto, para além da invenção delirante de um Lula Aparecido da Silva, há personagens absolutamente deliciosas – do mais cândido ao mais maligno – e amor e ódio em partes iguais. Vamos lá ver se é desta que arrecadamos o prémio que ficou para trás.
Vergonhosamente só descobri o Miguel Real há menos de um mês. Os seus livros, entenda-se, pois já o conhecia dos jornais.
ResponderEliminarNuma das minhas rondas pelas livrarias, tropecei no "A Ministra". Levei-o para as férias e devorei-o em 24h. Excelente romance, sem dúvida. Com uma personagem fortíssima e muito bem caracterizada . Fiquei curiosa pela sua obra e mal regressei, fui comprar os seus dois últimos romances. Vou começar a saboreá-los.
Ora bem! Boa dica!
ResponderEliminarDeste eu vou gostar de certeza!Fica apontado, e em indo a Portugal, tratarei de o comprar! Vou dar uma espreitadela por estes dias a alguma livraria em Luanda onde tive de vir... tenho curiosidade no que vou encontrar!
O nome Miguel Real é-me familiar... alguém me refresca a memória? Tenho a biblioteca um bocado fora de mão... Gosto de José de Alencar... lembro-me assim de repente de "O guarani"...
Saudações... desta vez da Maianga !
Do Miguel Real já levei um grande barrete "O ÚLTIMO NEGREIRO" -uma estopada de caixão à cova, ou melhor uma complicação (com cerca de 400 páginas) para narrar o que magistralmente descreveu Bruce Chatwin no "VICE REI DE AJUDÁ (em apenas 140 páginas)-a vida do negreiro português Francisco Félix de Sousa (o último).
ResponderEliminarÓ Maianga em indo a Portugal.........estamos sempre a aprender.......................
ResponderEliminarPermito-me:Tal como te pões bonita antes de sair de casa também deves alindar o que escreves
Caro António Severino:
EliminarSiga-me por favor:
- Levantei-me às 4 da manhã e fiz 100 km de estrada de mato para às 8 horas apanhar um autocarro para Luanda, com galinhas, doentes, miúdos cheios de ranho, velhas a cheirar a amoníaco... e outras muitas desgraças da vida real e dura que me cerca no dia-a-dia...
Resolvi ir com o Letonda , um jovem pedreiro que trabalha na fazenda e há 4 meses não ia a casa.
Sabe, eu podia ter ido de carro, mas quis experimentar aquilo porque passam milhares de pessoas diáriamente , para poder melhor entendê-los, e dirigi-las... porque lido com gente minguada de tudo, o que me faz não me ralar muito com a forma do meu discurso e sim com o ser entendido... cheguei a Luanda pelas 14.30 e resolvi ainda em vez de telefonar para me irem buscar, apanhar um "chapa" para casa do meu compadre, no trajecto mercado dos Congoleses Maianga ... ainda fui depois ao estaleiro e tudo isto sem comer nem descansar porque trazia coisas importantes a tratar!
No escritório central olham-me como um louco por ter viajado assim, mas agora sabem do que sou capaz!
À noite depois de uma sopa e com um Jameson (há um mês que não bebo senão água do poço e quissangua ) à memória de meu pai o Coronel de Artilharia António Cyrne Correia Pacheco que me ensinou que nunca devo mandar fzer nada que não faça também, resolvi descontrair um pouco, cumprindo este prazer diário e extraordinário... que o senhor estragou com o seu comentário de inegável erudição mas pouca delicadeza !
Eu talvez fale mal, como o barrão que sou, e que sempre aqui referi ser, venho a este blog porque gosto e me sinto bem, não para presumir ser culto, mas deixe-me dizer-lhe que a expressão usada (em indo a) é comum na minha terra e entre os que "falemos" popularmente, "alembra-se"? É que para quem já se revoltou contra os que achou estar a apoucar (sim é uma expressão popular) os que dão calinadas, mostrou que é afinal igual a eles, ao pretender humilhar-me...
Vou beber outro Jameson (é o que há...) à saúde dos bloguistas extraordinários e depois um só à saude da drª Maria do Rosário! Sabem isto o que falta por aí é Largueza!
Boa noite a todos e me desculpem!
Tem razão, às vezes magoamos as pessoas e não era essa a minha intenção, sinceramente e fico muito triste se lhe estraguei o dia.
EliminarEfectivamente quem sou eu para rectificar alguém, eu que, sinceramente, nem para mim sei quanto mais para ensinar os outros.
Às vezes acontece....
Resta-me recolher-me
Vá lá... vou beber também um à sua... "prontos"!
EliminarUm abraço
Vá lá... vou beber também um à sua... "prontos"!
EliminarUm abraço
Foi com lágrimas nos olhos que cheguei ao fim de leitura. Foi um acaso encontrar o que acabei de ler. Homenagem a um grande homem António Cyrne Correia Pacheco, meu comandante (na altura Tenente Coronel) no G.A. 7 Bissau em 72/74.
EliminarPena foi que tivesse terminado sua comissão e eu por lá continuado mais 8 meses! Nunca mais nos encontramos!
Ajudou-me muito, estava no sangue dos CORREIAS . Primo e muito amigo de meu pai José da Silva Correia, ferroviário, residente na altura em Lanhelas e nascido em Valença.
Paz às suas almas! Obrigado aos dois!
António Lages silva Correia
Lanhelas
ResponderEliminarSó isto: o Miguel Real é um dos grandes escritores do mundo. Os livros dele são maravilhosos. Uma linguagem de uma riqueza....personagens e histórias fascinantes.
ResponderEliminarEspero que o Miguel Real ganhe mais um prémio muito merecido.
Oi muito thanx! agradou-me ver este artigo foi enriquecedor.. agora já sou visitante frequente cempor-cento desse bloge abraço
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