Ler e não ler

Há pouco tempo fui passar um fim-de-semana junto ao mar; e, embora tivesse levado comigo um livro, não consegui passar das primeiras trinta páginas, tão precisada estava de ter os olhos todos para as ondas. Sou uma mulher tipicamente urbana, mais de me fechar em casa a ler um bom livro, mas em certas ocasiões também não dispenso isso a que chamam contacto com a natureza e que me traz excelentes recordações de infância de férias ao ar livre com passeios de bicicleta, caminhadas no areal e explorações científicas em pinhais e terrenos abandonados. Hoje as crianças das cidades estão muito metidas em casa e, quando não, trocam frequentemente a rua e o jardim pelos corredores dos centros comerciais, nos quais as pessoas se atropelam aos sábados e lambem montras cheias de coisas que nunca poderão comprar. Li que algumas crianças americanas, quando lhes pedem que desenhem uma galinha, a representam depenada e embalada como a vêem no supermercado, porque nunca tiveram realmente oportunidade de ver ao vivo um simples pintainho. E, por muito que ler seja importante, nada substitui o pôr as mãos na terra e descobrir. Nenhuma ilustração do mar substitui as verdadeiras ondas.

Comentários

  1. E no dia do seu aniversário, a arte de pousar um livro contado por uma grande leitora. Parabéns, Rosário.:)

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  2. Se bem percebi, hoje é dia de festa. Parabéns:)

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  3. Por falar em livros e galinhas, no quintaaaaaaal da casa da minha avó, as galinhas andavam à solta: lembro-me de ler Walter Scott enterrada numa cadeira de lona com cacarejos em fundo...

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  4. Bom! Apenas justifico de vossa atracção recordando o Gênesis: "e o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas".

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  5. “Nenhuma ilustração do mar substitui as verdadeiras ondas”. É bem verdade! Acho que nenhuma representação artística substitui a realidade. Embora seja uma frase feita, por vezes a realidade é que supera a ficção.

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  6. Parece que vim comentar no dia certo:)

    Muitos parabéns e felicidades:)

    Beijinho

    Cláudia Moreira

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  7. Parabéns sim, pelo aniversário mas mais pelas suas palavras.
    Entendo-a perfeitamente, porque ao contrário sou um não urbano por opção, e, é isso que sinto a cada hora do dia.

    "A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias, e é-me difícil explicar o quanto isso me agrada e quanto me basta!"
    Estou a citar de memória porque foi uma das frases mais marcantes que decorei... e decorei-a pelo sentido que faz para mim.

    Um resto de dia feliz, e para todos claro!

    Saudações do mato

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  8. Ler livros de seguida na praia é uma das melhores recordações que tenho dos meus tempos de jovem. Depois aparecem as crianças (filhos, leia-se) e os baldes e pás voltam a substituir as páginas embaladas pelas ondas... Mas já não tardarei muito a ter grãos de areia a engrossar as páginas dos meus livros!

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    Respostas
    1. Por lapso o meu comentário acima (crescer a ler na praia) saiu anónimo. Fica assim esclarecida a minha «assinatura»

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  9. Olá Rosário, em primeiro lugar, muitos parabéns por ontem.

    E quanto ao tópico, falando da cultura urbana de muitos jovens de hoje, sei de casos concretos de adolescentes residentes nos subúrbios que, da cidade de Lisboa, conhecem apenas o Colombo e nunca, mas nunca foram sequer à Baixa... fico tão incomodada, julgava que isto já não fosse possível neste país...

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  10. Olhar as ondas e ler, sempre! :) Para mim a praia é indissociável da ideia de levar um livro... muitos livros da minha vida foram descobertos nas férias de Verão, numa praia do Algarve, durante a minha adolescência.

    Saudações, Moura Aveirense

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  11. Viver é muito mais que ler. Mas ler permite-nos viver de forma multiplicada.

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