Carta à filha

Ana Cristina Silva tem-se destacado pela autoria de romances psicológicos em torno de personagens reais. Já escreveu sobre várias mulheres, entre as quais Florbela Espanca ou Mariana Alcoforado, tendo agora chegado a vez de se dedicar a Carolina Loff, nascida em Cabo Verde, onde na infância, pelas injustiças a que assistiu entre brancos e negros, lhe nasceu o sonho de tornar o mundo um lugar mais justo. Mandada para Lisboa com o objectivo de concluir os estudos, Carolina acabou a militar no Partido Comunista, sendo presa pouco tempo depois de se envolver com um jovem camarada e engravidar. A mãe cuidou-lhe da criança durante a clausura, mas quando foi libertada Carolina levou a menina para Moscovo, onde trabalhou para os altos quadros do Comintern. Chamada, porém, a desempenhar funções em Madrid durante a Guerra Civil, deixou-a temporariamente num colégio interno; e, por vicissitudes que o romance explicará, só voltou a vê-la vinte anos depois, já depois de ter sido banida do Partido por se ter apaixonado por um inspector da PIDE, com quem foi viver. Cartas Vermelhas é, pois, como uma longa carta a essa filha que cresceu sem mãe, na qual Carolina Loff – que conheceu Cunhal e muitas outras figuras de proa do Partido – se justifica e confessa, rememorando toda a sua vida na viagem de comboio que se sucede ao encontro entre ambas. Muitas vezes comovente, esta é uma obra de ficção que também merece ser lida como um documento de uma época e de várias circunstâncias.


 


Comentários

  1. depois de ler a Rosário, apetece ler a Cristina.

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  2. Se eu já estava de olho neste livro... Com as suas palavras então...

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  3. Boa Tarde Maria do Rosário,

    Perdoe-me o desplante audacioso de a contactar por este meio, mas, estou certo de que me desculpará a ousadia. Há muito que a desejava contactar, visto tê-la em consideração de ser a melhor editora actual de literatura no nosso país. Daí ter-me atrevido a enviar-lhe esta mensagem, que se resume a ser um pedido, um pedido à sua atenção. Gostaria de saber da sua parte, se me autorizaria o envio de um pequeno texto meu - uma novela. - que atempadamente pretendo publicar, de modo a que lhe possa fazer a sua apreciação. Compreendo que diariamente, deverá receber mensagens semelhantes às dezenas, o que provavelmente será razão suficiente para declinar o meu pedido, ainda assim não me demovo de intenções. Caso me responda, significaria o mundo para mim. Obrigado.

    Muito atentamente,
    Casimiro Teixeira

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    Respostas
    1. Deixe-me o seu endereço de e-mail e terei todo o prazer em explicar-lhe o procedimento. Cumprimentos.

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    2. Com certeza. O meu endereço de e-mail é o seguinte: Casimiroteixeiraescritor@gmail.com.
      Muito obrigado por me ter devolvido resposta, foi muito simpático da sua parte e significou imenso para mim.

      cumprimentos,
      Casimiro Teixeira

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