Viagens impossíveis

Há centenas de lugares aonde nunca poderemos ir. Não por causa da distância, da falta de dinheiro, dos vistos não concedidos ou mesmo do medo de andar de avião, mas simplesmente porque, embora existindo, não existem. Parece estranho? Pois não é. Já se imaginou, por exemplo, em Camelot ou Avalon, na Ilha de Próspero, no País das Maravilhas, em Liliput, Macondo, no Parque Jurássico ou mesmo na Ilha do Dia Antes criada por Umberto Eco? A verdade é que a única forma de viajar até esses lugares é lendo as obras de quem os inventou, pois o único mapa que os inclui é, de facto, a nossa amada literatura. E, mesmo assim, o fantástico Alberto Manguel e Gianni Guadalupi (um tradutor italiano de autores clássicos) reuniram-nos (e a muitos outros) num pesado volume intitulado Dicionário de Lugares Imaginários, que me ofereceram em inglês, mas existe em português numa edição brasileira da Companhia das Letras. E, por este guia para viajantes intrépidos, desfilam, por ordem alfabética, mais de mil e duzentos locais que nunca serão destinos vendidos pelas agências de viagens, mas aos quais muitos de nós não deixaremos de ir sem sairmos do sítio, mesmo fora do tempo de férias. Belíssimo e revelador.

Comentários

  1. este dicionário é uma excelente ideia.

    mas estas são viagens possíveis, Rosário, e do mais económico e seguro que existe.:)

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  2. E sendo uma edição brasileira, é fácil encontrá-la em Portugal?

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  3. Tenho em francês.

    No meu tempo de professora, achava sempre graça ao irónico costume de se organizarem visitas de estudo à casa da Joaninha ou ao Ramalhete ou, quem sabe, ao 202 dos Campos Elísios, enquanto As Viagens..., Os Maias, A Cidade e as Serras assistiam, pousados em cima da mesa em que se faziam os planos.

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    1. Ao 202 é que era bom, para pescar peixe no elevador. :)

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  4. Da viagem impossível

    Quando não sou
    O que não sendo
    Já sou
    Por que não deveria ser?

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    1. Como não posso ser o que não sou?
      Então quem me dirá o que sou
      Se este também não for
      Não estar e não ser o que não é
      Então terá que ser, sem ter sido
      Embora que não ido, já tenhamos chegado.

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  5. em relação ao romance de eco, até existem duas ilhas em que se baseou para escrever o livro:
    o par de ilhas diomedes, perto do estreito de behring, separadas por udas milhas.
    uma é russa, a outra americana - e a linha internacional de mudança de data passa exactamente no meio.
    só num local assim se poderia escrever:
    "Meia-noite de sexta-feira, aqui no navio, é meia-noite de quinta-feira na ilha. Se da América para a Ásia viajas, perdes um dia; se, no sentido contrário viajas, ganhas um dia: eis o motivo por que o [navio] Daphne percorreu o caminho da Ásia, e vós, estúpidos, o caminho da América. Tu és agora um dia mais velho do que eu! Não é engraçado?"

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  6. Já, Camelot.
    Nunca se deve repetir um sítio onde fomos felizes, não é assim?

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