Uma excepção
Nunca usei este blogue como montra do que escrevo, o objectivo é falar de leituras, e não de escritas; mas uma das leitoras que o segue disse-me há pouco tempo que os meus livros de poemas já não se encontram à venda (a editora que os publicava entrou em insolvência) e pediu-me que, mesmo excepcionalmente, partilhasse qualquer coisa neste espaço. Então, excepcionalmente, para a Irene Pereira e para todos os que gostam ou não gostam da minha poesia, desenterro, no ano do décimo aniversário da morte de Manuel Hermínio Monteiro, editor da Assírio e Alvim, um pequeno poema que escrevi para ele na altura. Saudades, sempre.
Deixei de ouvir-te. E sei que sou
mais triste com o teu silêncio.
Preferia pensar que só adormeceste; mas,
se encostar ao teu pulso o meu ouvido,
não escutarei senão a minha dor.
Deus precisou de ti, bem sei. E
eu não vejo como censurá-lo
ou perdoar-lhe.
Obrigada pela partilha, Maria do Rosário. Foi muito bom lê-la aqui, ainda que nessa saudade.
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ResponderEliminarOlá, Maria do Rosário
Espero e desejo que não seja apenas uma excepção. Pela minha parte gostava muito que, sempre que o desejasse também, nos honrasse aqui com os seus poemas.
Obrigada.
Olinda
Obrigado Maria do Rosário!
ResponderEliminarSou um fã da sua poesia e tenho pena que já não se consiga encontrar nas livrarias. Consegui arranjar na Feira do Livro, há 2 anos, julgo, "A Casa e o Cheiro dos Livros" e "O Canto do Vento nos Ciprestes" que, juntamente com o resto da sua obra, mereciam uma reedição. :)
Para obviar a ausência da sua poesia dos escaparates, sugiro uma antologia, reunindo os livros e os poemas dispersos por revistas. Já é hora de fazer um balanço.
ResponderEliminarArnaldo Ribeiro
Gostei do poema, o primeiro que leio seu, uma bela escrita, limpa e transparente, puro sentimento, a mensagem entra logo dentro de nós.
ResponderEliminarTenho uma relação um pouco conturbada com a poesia, a maior parte dela deixa-me insensível, por ser tão opaca, ou estilística.
Espero igualmente que nos presenteie com mais momentos destes.
Relação conturbada com a poesia?! Acho que a teremos todos e que seja essa precisamente uma das suas atracções. É como andar a pesquisar pérolas.
EliminarA sensibilidade da poesia está na veia e pulsa! É viva e floresce o mais fresco movimento, renova, reabilitae conduz.
ResponderEliminarA Livre Poesia é Halo, é Amor.
De mais a mais, Roma locuta, causa finita.
Boa tarde,
ResponderEliminara sua poesia tem uma luminosidade única e perdoe esta metáfora talvez gasta mas é aquilo que desejava mesmo dizer ou neste caso escrever. Concordo com comentário anterior, o seu: O Canto do Vento nos Ciprestes merecia reedição.
Eu tenho contacto com a sua poesia através duma antologia da Quasi, não recordo agora se foi a organizada pelo valter hugo mãe ou pelo Jorge Reis Sá, tenho as duas e releio-as regularmente.
Somos um país de poetas, acredito que somos mesmo, e sendo assim a poesia devia (talvez não vender) mas correr mãos e estar sempre disponível em qualquer sítio.
Não se pode perder uma riqueza que existe em grande escala, ou fingir que não existe porque não é rentável. Viver ou sobreviver também não é rentável e dá prejuízo mas cá andamos.
Mero desabafo.
Tenho-a em alta estima como poeta e também como letrista de belos fados como os cantados pela voz lisboeta de gema a nossa Aldina Duarte, e precisamos da sua poesia, sabia?
Um abraço (assim virtual) deste seu leitor,
Carlos Teixeira Luis (autor do Histórias do Deserto, lembra-se?).
Caro Carlos Teixeira Luis:
EliminarQuer-me dar as coordenadas do seu "Histórias do deserto" ? Editora, e onde é que posso encontrar o livro?
Grato
alpacheco.quinta@iol.pt
Ficamos todos a perder se a MRP não partilhar os seus poemas. Tem de fazer os possíveis por fazer avançar a sugestão de editar uma antologia sua.
ResponderEliminarHá coisas na vida que com a partilha ajudam os outros a ver o mundo de uma maneira melhor. Os seus poemas pertencem a essa categoriade coisas ímpares.
Obrigada, a si e a todos os que comentaram tão favoravelmente.
EliminarMais do que re-editar, tem de voltar a publicar. Eu tenho os três, mas, se pudesse ser, gostava de ter mais. Veja lá isso, Maria do Rosário, até porque mantenho o que escrevi há uns tempos: é a melhor poetisa portuguesa contemporânea.
ResponderEliminarEstamos completamente de acordo. Os livros de poesia de MRP fazem parte do grupo restrito que guardo no peito. Só guardo os que me trazem emoções. E esses são tão poucos!
EliminarMaria do Rosário:sabe bem que eu aprecio lê-la sempre que posso, porque gosto de o fazer. Como sabe, tenho apenas um ou dois poemas seus no meu blogue. Esse, trouxe-me uma musicalidade (como diria Mallarmé), extraordinária, batendo-me no coração. Obrigada e, não pare de poetizar! Um abraço de Lyon.
ResponderEliminarmuito muito obrigado por esta partilha.
ResponderEliminaras palavras têm esse condão, são maiores que as letras que as compõem e até maiores do que nós, não é?
repito o desejo de todos: para quando uma "poesia reunida"? para quando novos livros?
obrigado.
Uma vez, Maria do Rosário Pedreira, disse-lhe, quando criei um perfil fb para lhe agradecer um poema (se partires, não me abraces, que ainda há dias publiquei no meu fb, mas pedi-lhe desculpa pelo abuso) que para mim, até então, a poesia portuguesa eram os clássicos, quase nada mais. E foi a Maria do Rosário Pedreira quem me fez ver o quão pouquinho eu sabia disso da poesia. (E ainda pouco sei, claro).
ResponderEliminarMas aprendi que, daqui a uns quantos anos, a Maria do Rosário será uma figura da poesia clássica portuguesa desses outros tempos. Levará consigo a companhia de mais um ou outro poeta de hoje, não muitos.
Gostava de lhe pedir que escrevesse mais, mas acho que não devo. Penso até que pedir a um poeta que escreva, o inibe precisamente de escrever.
E, afinal, estive a reler o que escrevi e nem sei porque comecei a escrever: talvez para lhe dizer obrigado, outra vez.
Apoio o que foi aqui dito pelos comentadores. Também gosto muito da sua poesia, pela simplicidade, clareza e força lírica, este poema mostra bem estas características.
ResponderEliminarNão devia ser excepção. Sendo, que tal uma excepção por mês? Sei bem que o poema desarma duplamente: o poeta e o leitor. Mas, caramba, e depois? É tão bom.
ResponderEliminarSimplesmente maravilhoso este seu pequeno poema.
ResponderEliminarCreio que a arte é isso mesmo, levar os outros, a sentirem com alma ou se quiserem de forma sublime (com arte portanto...) as sensações que se pretendem transmitir.
ResponderEliminarIsto pode ser óbvio para muitos de vós que são artistas ou convivem com a arte. Eu não, e, por isso torna-se-me necessário este pequeno exercício de reflexão.
A minha sensibilidade para a poesia é escassa, limitada... talvez por menos educada para ela.
Gosto de pouca poesia e rara é a que me entra na idéia ou me dá imagens, me transmite algo que eu perceba.
Por isso e sem ser por delicadeza ou simpatia, devo dizer que eu não-poeta, senti e compreendi perfeitamente a perda, mas mais do que isso me tocou a forma como a tratou. Poesia creio que é o que nos toca na alma.
Sentidamente!
Muito bem. Não conheço o seu trabalho. Encontrei-a por aqui e fui ficando desde o primeiro dia. Nunca comento. Obrigada pela partilha.
ResponderEliminarTenho que acrescentar mais um nome à minha lista de Poetas a ler. É um poema magnífico.
ResponderEliminarGostei desta excepção e muito gostaria de poder conhecer a sua poesia. Se a linha mestra deste seu blog é falar (escrever) de leituras, pois que se cumpra o seu objectivo. Porém, teria eu a sorte, tal como todos os que acompanham os seus posts diários, de vermos criado um outro blog - este sim, uma verdadeira vitrine - que nos desse a ler os seus poemas?
ResponderEliminarQue tal um Extraordinárias Leituras? (devem mesmo ser)
Deixo a sugestão e os meus cumprimentos,
maria
boa!
ResponderEliminarObrigada, Maria do Rosário, por ter partilhado aqui um poema comovedor, acerca de uma pessoa muito especial.
ResponderEliminarDesafiei a Maria do Rosário para uma corrente blogosférica no Delito de Opinião. É sobre livros...
ResponderEliminarObrigado por esse belíssimo poema!
ResponderEliminar:- )
Querida María do Rosario, confío en que esta entrada no sea una excepción. Al fin y al cabo, el subtítulo del blog se refiere a las horas que pasamos a leer (así, en plural) y lo que escribes es nuestra lectura... Anímate y sigue incluyendo tu poesía. Con carino.
ResponderEliminarTenho todos os seus livros de poesia (um deles consegui recuperá-lo na FNAC há exatamente um ano atrás - tive de fazer o pedido, é certo, mas ele chegou; digo recuperá-lo porque o tinha oferecido) e até me atrevi a pedir-lhe autografos...
ResponderEliminarVolto a eles sobretudo quando preciso de exorcizar algumas dores.
Atrevo-me a deixar aqui alguns links onde os que não conhecem podem ler poemas (e críticas) de MRP:
http://www.arlindo-correia.com/Maria_do_Rosario_Pedreira.html
http://www.arlindo-correia.com/160601.html
http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/maria_rosario_pedreira/poetas_mariarosariopedreira01.htm
http://poesiailimitada.blogspot.com/2006/01/maria-do-rosrio-pedreira.html
e já agora: http :/ www.astormentas.com /PT selecao /Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20Pedreira
EliminarNão sei porquê, mas o link anterior não funcionou. Espero que agora tudo corra bem. http://www.astormentas.com/PT/selecao/Maria%20do%20Ros%C3%A1rio%20Pedreira
EliminarMaria do Rosário,
ResponderEliminarcomo seu leitor, anseio o novo livro de poesia!!!!
ResponderEliminarBela é a perda nas suas palavras. Difícil perdoar a deus, mas possível.
Quero mais.
ResponderEliminar"Deixei de ouvir-te. E sei que sou
ResponderEliminarmais triste com o teu silêncio." Magnífico.