Mudança de perfil

Estou sempre a ser avisada no Facebook quando os meus amigos fazem alterações ao seu perfil. Regra geral, não vou investigar, até porque a muitos destes «amigos», é bom que se diga, não conheço pessoalmente e, portanto, nem sequer tenho uma ideia muito concreta sobre qual era o seu perfil quando os adicionei, embora nessa altura tenha ido lá espreitar para ver se o que publico poderia interessar-lhes minimamente. Todavia, não são só as pessoas que vão mudando de perfil e, um destes dias – novamente em arrumações de livros –, apercebi-me de como mudaram enormemente os perfis de duas editoras que conheci bem. A primeira é a Gradiva, na qual trabalhei nove anos, que passou de editora de divulgação científica (Carl Sagan, Hubert Reeves, Richard Feynmann, Stephen Jay Gould) para editora que, além do fenómeno de vendas que é José Rodrigues dos Santos, publica sobretudo literatura estrangeira (McEwan, Ishiguro, agora Eco…) e ensaio de autores portugueses (quase sempre polémicos, como Nuno Crato). A segunda é a Presença, que nos meus tempos de estudante era, entre outras coisas, uma referência para universitários e hoje se tornou uma das mais cotadas chancelas de ficção comercial, tendo Nicholas Sparks como seu expoente máximo. O mercado desenha novos rostos e não há perfis que não estejam sujeitos à mudança.

Comentários

  1. em relação às editoras e a muitas outras mudanças de perfis, é uma questão de sobrevivência, Rosário.

    acredito que ´hoje há muito quem trabalhe em funções que não tinha pensado há meia-dúzia de anos, também por uma questão de sobrevivência...

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  2. Da Gradiva lembro-me sempre do David Attenborough em tradução portuguesa e dos meus catorze ou quinze anos...

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  3. Nicholas Sparks nunca li nem quero ler. Não sabia que era da presença acabou de destruir uma editora.

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    Respostas
    1. cara @henedina,
      desculpe a resposta directa, mas muitas vezes as editoras têm de equilibrar os seus catálogos entre coisas mais vendáveis e livros literários... também há contas a pagar, a arte é bonita mas não alimenta sozinha uma estrutura editorial (pelo menos em Portugal). Nenhuma editora deve perder crédito por ter certas obras/autores no seu catálogo, desdde que nunca engane o leitor (com capas/informações, etc.). A Presença, pelo que conheço, tem alguns livros de autores de referência, literários, e muito bons, pelo que não devemos extremar posições assim de ânimo leve...

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