Encontro em Pousaflores
Em Fevereiro publiquei um estupendo romance de estreia, Os Pretos de Pousaflores, assinado pela angolana Aida Gomes. Nele, relata-se o regresso, na sequência da guerra civil de Angola, de um português (com três filhos mulatos pela mão) à aldeia onde nasceu e que abandonou há quase quarenta anos. Aida Gomes escolheu o nome de Pousaflores sobretudo por lhe parecer bonito (e é), mas a vida tem destas coisas e existe mesmo uma aldeia chamada Pousaflores no concelho de Ansião que – nada é por acaso – ela descobriu ser também o concelho donde o próprio pai era natural. O Presidente da Câmara pôs os olhos no livro há uns meses e contactou-a; na altura, Aida Gomes estava na Guiné, pois é funcionária nas Nações Unidas, mas prometeu uma sessão assim que lhe fosse possível voltar a Portugal. Pois bem, vai ser hoje às 21h30, no Auditório Municipal de Ansião, com apresentação da jornalista Sara Figueiredo Costa. Teremos Pousaflores no horizonte. Se estiverem por perto, apareçam!
Li esse livro com alguma expectativa, mas, infelizmente, saíram goradas: está muito aquém do que se tem publicado em Portugal no âmbito da lusofonia, sobretudo, dos tempos da guerra colonial e pós colonial. A Palimagem editou muita ficção de autores que, esses sim, narraram e fizeram história: Bichos do Mato, Deus Pátria ou Vida, Angola, Terra d´Uango , Trancosã, Do Tempo da Outra Senhora, entre outros...
ResponderEliminarJustino Fernandes, Cabo Verde
Como angolano que viveu e passou por essa fase, aquilo não é nada - Pátria, Deus ou Vida, é mesmo bom, a sério
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ResponderEliminarQuem disse que "Os Pretos de Pousa Flores" é um livro sobre colonialismo? Estavam à espera de uma abordagem militarista-colonialista? Pois bem, "Os pretos..." é um livro de afetos, memórias de diferentes perspetivas, com subjectividade em cada uma delas.
A meu ver a autora pôs de parte a perspectiva objectiva e histórica com a qual habitualmente somos confrontados.
É uma narrativa literária rica.
Maria João Pereira
"narrativa literária rica"?!
EliminarHum... O que é que isso quer dizer?
Peço desculpa, porém quem leu António Jacinto, Pepetela, Agostinho Neto, Viriato, Luandino , Borges Coelho e uma data de angolanos escritores recentes que, para mal dos nossos pecados, não são editados em Portugal... Não digo que não tenha interesse a Aida Gomes, mas, no final, ficámos com a sensação de fragilidade de argumentos: não acho que tenha traquejo de escritora, mas tudo bem, vamos lá a isso!
ResponderEliminarUm gajo tá sempre a aprender NARRATIVA LITERÁRIA, máizuma .....e depois os analfabetos é que são analfabrutos ....
ResponderEliminarRealmente, quem considere aquele livro uma grande obra de categoria literária anda é a editar para "grunhos".
EliminarE, sinceramente, acha que alguém acredita que essa senhora colocou o nome da Terra "Pousaflores" ao seu livro, sem conhecer a localidade??? O que aconteceu foi que a Terra está menos perdida no tempo do que essa senhora está...pois essa senhora revive através deste livros sentimentos do seu passado, porventura, inadaptado, assim como sentimentos de racismo completamente ultrapassados e demodé inclusive para a escrita de uma obra literária...hoje já ninguém fala sobre racismo...mas, olhe que nesta Terra há pessoas de grande cultura e qualidade, que logo perceberam que o livro soa a uma espécie de "revanche" vinda do passado, em que a autora teve de lutar contra um sentimento de inadaptação... Como a própria autora disse numa entrevista "com este livro quis confrontar os portugueses com o seu racismo". Só por isto, esta senhora fica a dever um pedido de desculpas a essa terra que tantas pessoas tem acolhido e acolheu, desde brancos a pretos e, eventualmente, de todas as cores, que vieram nessa vaga de imigração do período a que a autora se reporta, e nunca constou que tais pessoas tivessem sido mal acolhidas ou maltratadas, muitíssimo antes pelo contrário. Como tal, é uma afronta e uma ofensa e, já agora, que alguém leve este recado à autora e respectivos editores: a D. Aida Gomes que vá verter o seu ressabiamento para outro lado, mas, não ofenda o nome de Pousaflores, que tem foral de Vila desde 1514, e já existia desde antes da fundação da nacionalidade Portuguesa. Devia ter tido mais respeito e mais pudor, tanto ela como a editora. Além de que o mundo da cultura lusófona merecia bem melhor, como já aqui foi dito.