Autores para sempre

Nenhum editor pode esconder o prazer que sente quando um autor que lançou em primeira mão, muitas vezes ainda jovem, é reconhecido pelo público e pelos seus pares, recebe um prémio de vulto e evolui a cada livro que publica. Pela parte que me toca, assisto sempre com incontido orgulho às sessões em que participam esses escritores que ajudei a dar a conhecer e, quando eles se destacam com as suas intervenções ou a crítica abençoa os seus livros, não consigo ver apenas de fora, mesmo que eles já não sejam publicados por nenhuma das chancelas para as quais trabalho. Recentemente, valter hugo mãe esteve no Brasil na Festa Literária de Paraty – foi, na verdade, o único escritor português convidado este ano – e, segundo li no Jornal do Brasil e no Público Online, foi aplaudido de pé e deixou a audiência de lágrima ao canto do olho com um texto seu. Pois bem: ao ler a notícia, comovi-me eu também, cheia de pena de não ter estado lá para assistir à ovação que certamente mereceu. E, quiçá estupidamente, senti-me através dele realizada, com a sensação de que, quando publiquei o belíssimo o nosso reino, que é o seu primeiro romance – e que na altura em que saiu tão pouco eco teve –, fiz provavelmente uma das coisas mais importantes da minha vida profissional. Com o valter como com outros, autor uma vez, autor para sempre.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco15 de julho de 2011 às 02:10

    Ali por 1988... um jovem agricultor falido, do Oeste, chamado Horácio, veio ter comigo... desenvolvi com ele um projecto que incluía ir buscar todas as segundas feiras um cheque de 10 000 contos por conta. Em 1996 quando abandonei Pingo Doce ele vendia por ano 1.600. 000 mil contos de hortaliça... hoje também está instalado em Moçambique.
    Fora isso é um dos meus maiores amigos e já me retribuiu quer com uma amizade para sempre, quer ajudando-me em alturas difíceis!
    Aqui há semanas o sr . João Urbano, reformado fez questão de vir aí almoçar comigo e comprar (claro que lho ofereci) o meu livro... foi comigo que ele desenvolveu o seu projecto de criador de gado que o levou às páginas de Forbes e foi o maior criador de bovinos da Península, ainda hoje se emociona e me faz emocionar com a sua sincera amizade e gratidão.
    O falecido senhor Pinto, das Carnes Primor, até ao fim da sua vida se recordava de mim não só pelo grande salto que esta deu com o início do conceito da marca própria, (foi case study por mim apresentado na Univ. de Cornell) mas porque mal ele era anunciado na portaria eu vinha recebê-lo cá abaixo à entrada!

    São as nossas pequenas glórias pessoais... e quando elas envolvem o sucesso de terceiros, sabem-nos ainda melhor!
    Se bem que materialmente nada nos tenham deixado... e lá vou a caminho de Angola porque o meu país diz que sou velho e já não tem interesse no meu saber e na experiência... ah! E parece que sou "caro"...
    Cumprimento a drª Mª do Rosário e repito, Graças a Deus que ainda há quem se sinta feliz pelo o sucesso alheio!
    Pela minha parte, o sucesso profissional meço-o pela festa que a saloiada me faz quando vou ao pavilhão dos pequenos no MARL ... a ti Delfina, a Marcolina ...

    Acho que devíamos pensar nisto durante o fim de semana!

    A próxima vez que vier às horas extraordinárias estarei em Angola... e por certo que também as vou ali ter! Olá!!!
    Fiquem bem!

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    1. Precisamos de si para nos ajudar nas relações com Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e Príncipe . O politiquecos , defensores da construção Europeia, trataram mal a lusofonia e hipotecaram o futuro a troco de benesses pessoais...

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    2. António Luiz Pacheco15 de julho de 2011 às 04:14

      Meu caro Luiz Urgais

      - De "mim" concretamente não... mas de gente que olhe para a África Lusófona como ela foi e é, sem complexos de perda nem de culpas... sim!
      Acredito que é lá que está o nosso destino, futuro e bem-estar! Como acreditavam Bernardo de Sá Nogueira ou Norton de Matos... de quem curiosamente foram amigos e correligionários antepassados meus, sem dúvida é herança!
      Foi o que os políticos modernos não quiseram ou conseguiram fazer... para mim, que me considero Ribatejano, depois Ibérico, e europeu só por acaso mas se pudesse escolher era Africano... olá se era!

      Sabe... escrevi um romance de 1400 páginas, tendo como tema a aventura num contexto histórico e social realista e autêntico, no século XIX, em grande parte dedicado às nossas tradições e à diáspora, como ao estabelecimento de relações pelo Mundo e com Angola. Nele tento relatar ou explicar muita coisa que em 55 anos fui aprendendo... chama-se Largueza (e já anda também por lá!). Porque Largueza, de vistas e de sentimentos, é do que mais precisamos!

      Um abraço

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  2. E eu, e os outros leitores, só temos muito que agradecer essas suas descobertas!!

    Parabéns, portanto, também para si.:)

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  3. Com relação ao encontro de Paraty, está tornando-se mais uma porta de apresentação dos escritores ao mundo, pela oportunidade desta mesma palavra "encontro", com o povo, com as causas, com trabalhos e com o que seja necessário por conspiração de justiça.
    Os encontros são saudáveis, saudantes e saudades.

    Como é interessante este processo, e necessária a despedida! O sentimento de ausência a nós eleva a consciência das causas.

    E pelo ensejo uma boa estadia em Angola para Senhor António Luiz Pacheco na certeza de melhores dias e novos encontros.

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  4. valter hugo mãe é também, para além de tudo o mais, exímio na oralidade. Há algum tempo, ouvi-o na antena2 a contar, não sei onde porque perdi o princípio da peça, umas histórias fabulosas. Dizia ele que, estando numa qualquer sessão com um vereador da cultura da câmara onde decorria o acto, foi aquele chamado por telefonema imperioso. Era de lona a divisória que separava o local onde o autarca atendia o telefone o que permitia a toda a sala a perfeita audição do mesmo:
    -Sim, mas agora estou aqui com um escritor.
    - (...)
    - Parece que é Vítor Hugo.
    -(...)
    - Eu sei lá se ele é francês!

    Impagável.

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  5. Dizem até que whm eclipsou a bela Pola Oloixarac durante a mesa, mas é que o tema da mesa era mais para ele do que para ela, enfim. Fui à FLIP duas vezes e não fui esse ano dada a desistência de Antonio Tabucchi. Aliás, Tabucchi não pode ser considerado também um escritor português?
    :- )

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  6. E esses não lembram de seus editores na ora de gastar os tais prêmios de vulto? Ingratos!
    :- )

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  7. Vicente Lopes Saudade15 de julho de 2011 às 12:21

    Lindo momento do valter...

    http://www.youtube.com/watch?v=uNgUKFPQPAg

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  8. drama não menor, tão próprio tb de nós, portugueses, é termos pudor de mostrar que gostamos das próprias coisas que fazemos.

    somos um país que tem receio de se mostrar apaixonado

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    Respostas
    1. Caro Truk :

      Concordo consigo. Por isso mesmo, mal li a noticia no Público, tratei logo de manifestar o meu contentamento e felicita-lo pelo sucedido. Fi-lo no proprio dia de manhã para o blog da sua editora no Brasil, a Cosac Naify . E não se pense que o conheço de algum lado. Só conheço a sua obra- essa sim, conheço-a toda:)
      Como vê, nem toda a gente tem pudor de se mostrar apaixonada:)

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    2. simpática leitora,

      não tenho obra publicada impossível por isso conhecê-la.
      como apareceu meu comentário no PÚBLICO, se não o enviei para nenhum lado?

      TRUK é um anónimo leitor, que por acaso também conhece alguma escrita de Valter Hugo Mãe - com que a simpática leitora deve estar a confundir-me.

      beijinho de gratidão para si

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    3. Que grande mal-entendido! Não estou a confundi-lo com ninguém:)
      É bem certo que a lingua portuguesa é muito traiçoeira...:)
      Referia-me à obra do Valter Hugo Mãe e ao sucesso que ele fez em Paraty. Na 3f passada (dia 12/07), li no Publico, logo pela manhã, um artigo relatando a participação e o enorme sucesso dele, e da sua obra, no Brasil. De imediato, e porque não tenho pudor de mostrar que gosto das coisas que fazemos, nem receio de me mostrar apaixonada, (daí o meu comentário ter sido dirigido a si e não à Maria do Rosário Pedreira) tratei logo de enviar um comentário para a editora do VHM no Brasil, a Cosac Nafay, regozijando-me pelo seu sucesso ( dele, não seu) e felicitando a editora e, em especial, o VHM, pelo sucesso obtido.
      Se assim o entender, pode espreitar o blogue da Cosac Naify. No post da 2f, 11 de julho, intitulado " Após espanto inicial..." encontrará o comentário que fiz na altura. Constatará assim que nem todos os portugueses têm receio de mostrar os seu afetos, nem de elogiar o sucesso dos outros, nesse caso, o do VHM no estrangeiro, motivo do post colocado pela Maria do Rosário Pedreira, a quem aproveito para felicitar pelo seu excelente blogue que, há pouco tempo, descobri.
      Agradeço-lhe a sua resposta e peço desculpa por não ter sido mais clara no meu anterior comentário. De qualquer maneira, ao menos serviu para receber um beijinho seu. Outro para si, também:)

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    4. ANA,

      tudo bem

      TRUK não é Valter Hugo Mãe. Truk tem idade para ser pai de VHM.
      com dupla pena, TRUK não tem nem sua idade nem talento

      ganhámos - eu e Ana - cada um seu beijo, o que já não é nada mau

      outro

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    5. Por falar em paixões, em tempos li uma verdadeira declaração de amor de vhm à própria MRP. Foi o que me fez procurar a sua poesia.

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