Apresentações
Os autores quase nunca abdicam de um lançamento público com convidados, em que, por regra, alguém conhecido, ou reconhecido no meio das letras, apresenta o livro em traços gerais. É sempre uma incógnita, claro, porque assistir a estas apresentações pode tornar-se extremamente útil e interessante, mas também poderosamente chato e até uma completa frustração. Recentemente, estive numa apresentação ímpar, na qual o orador segurou com inteligência e humor uma sala cheia de gente e nunca disse de mais nem de menos sobre a obra, aguçando o apetite dos presentes para a sua leitura; mas logo uns dez dias depois houve outro lançamento que me deixou de cabelos em pé, já que o apresentador gastou o tempo todo a falar de si próprio e dos seus livros em lugar de falar da obra que estava a ser lançada e brindou o público com uma série de graçolas de gosto duvidoso que, por mim, bem podia ter evitado (malgré tout, o autor achou que correu normalmente, e é isso que importa). Mesmo assim, não posso deixar de recordar uma apresentação de há muitos anos, ainda no bar Botequim, de Natália Correia, em que o professor convidado a pronunciar-se sobre a obra de um autor espanhol com mau feitio leu uma peça de crítica universitária durante uns bons quarenta minutos sem fazer pausas; quando terminou, não só o público estava a morrer de sono (era à noite) como o autor do romance logo atirou: «Céus, não tinha ideia de que o meu livro fosse assim tão chato.»
"Os autores quase nunca abdicam de um lançamento público com convidados" - dito assim, parece que são os autores os responsáveis pela realização das apresentações. Sempre pensei que fizessem parte da estratégia de marketing das editoras.
ResponderEliminarClaro que, oferecendo uma oportunidade dessas ao escritor, ele não vai recusar (ou "abdicar de").
Bem, publiquei 4 e só lancei um ( estava enfraquecido, tinha sido operado a um cancro semanas antes, deixei-me ir).
ResponderEliminarNeste último, o primeiro de ficção, também recusei por motivos que não vale a pena explicar. O ponto é este: mesmo que quisesse, não conheço ninguém "reconhecido nas letras".