Que raça de coisa

Leio nos jornais que Peyo, o autor dos Schtroumpfs (ou Smurfs, ou Estrumpfes, como agora se chamam em português) foi, como já acontecera ao criador de Tintim, recentemente acusado de racismo e anti-semitismo. Hergé, de resto, também já tinha sido acusado de misoginia, tendo como única personagem feminina nos seus livros uma cantora de ópera completamente histérica. Este herói apaixonante merecer-me-á um dia destes um post independente por causa de uma tese em que pus os olhos há uns tempos, mas as acusações que li no jornal lembraram-me um episódio de infância tragicómico que resolvi partilhar neste blogue. Era eu miúda em pleno Estado Novo, ainda com Salazar ao leme, e ofereciam frequentemente às meninas os famosos livros da Anita, que tinham desenhos muito perfeitinhos e eram pretensamente educativos. Entre eles, havia um que supostamente fomentava as relações inter-raciais (que raça de coisa isso das raças…), colocando em cena na vida da dócil Anita uma amiga pretinha de olhos enormes que ela convidava para um piquenique no campo. Sinal dos tempos, na ilustração em que ambas se dirigiam ao local da patuscada, a Anita caminhava ligeira e saltitante por uma alameda de mãos abanar, mas a amiga seguia-a bastante atrás, carregando pesadamente os cestos com a merenda... Imagino que, se o livro ainda se publica, hoje as duas partilhem a carga…

Comentários

  1. Nos tempos de Salazar e de Marcelo (Guerra colonial - 1959-1974) muitos questionavam da capacidade dos africanos, hoje, alguns ainda vão aí... A propósito, comprei, há volta de 6 anos, mais um livro de Germano de Almeida: Memórias de Um Espírito", Ed. Caminho. Sempre que olhava para ele, na estante, parecia que sorria, colocando-se a jeito, mas só recentemente o li. Vejam o que é o tipo de humor de São Vicente (Cabo Verde). Lá muitos têm a mania de que são herdeiros do humor britânico, mas não, são diferentes, para melhor, na minha opinião. Não me venham é com a história de literatura leve, nem pesada: isso não existe! Geralmente apodam de literatura leve umas merdices de fofocas e de pesadas umas masturbações mentais de umas pessoas que têm mania... Germano de Almeida sabe daquilo...

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  2. Ortega y Gasset dizia que «o homem é ele próprio e a sua circunstância» (cito livremente de memória).
    Nós vamos construindo o nosso sistema de valores dentro de «uma circunstância» de valores dos nossos antepassados, dos nossos contemporâneos, que misturamos com outras tantas influências que vêm das mais variadas proveniências.
    No final resulta o que resultar, imprevisível, diferente em cada um de nós.
    Por isso, por vezes deparamo-nos com vários anacronismos, como, p. ex., o silenciamento dos crimes do nazismo, do comunismo e de outros ismos, apesar das evidências mais evidentes.
    E mesmo nas pessoas genuinamente bem intencionadas, por mais boas intenções que tenham, ficam restos que nos provam que nem tudo é preto ou branco, que há sempre várias «circunstâncias» a moldar-nos o nosso ser, como o exemplo da Anita bem o mostra.

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  3. Suponho que nos ismos estão também a incluir os catolicismos, os protestantismos, os calvinismos, os islamismos, etc. e outro que não é ismo, mas que não me parece que seja mais inocente: quem atomizou Hiroshima e Nagasaki? Quem promove a corrupção que gera crises como a que agora vivemos? Quem mantém os off shores? Quem promove o tráfico de humanos? Quem promove e sustenta as infinitas guerras que em África dizimam milhares e milhares? Quem lhes fornece as armas mais sofisticadas? Quem faz das ONGA um negócio? Metade para os senhores da guerra. Os restos para um pouco de água e alimento para refugiados. Não há também um ismo para aquilo a que chamam democracia?
    E cuidado com as citações da autoridade. Primeiro porque se estão a esquecer do “somos nós” e depois, porque no mesmo livrinho o Ortega também diz que a filosofia não se ensina. Quando muito ensina-se a filosofar. Isso é trabalho para o “somos nós”.
    Talvez desse um pouquinho de jeito abandonar os clichés de “salão” e filosofar um bocadito, no sentido original de procurar a sabedoria, ou mais modestamente, um bocadinho de conhecimento.
    E talvez desse mais jeito estudar a história, aprender a lição e agir neste tempo que é o nosso. Mas a chatice á que para isso não há clichés, e o nosso tempo compromete-nos na acção.
    O único perdão possível para os erros do passado, não são os pedidos de desculpas, mas as acções concretas que acabem com a dor dos refugiados, com a dor dos que nem a água que gastamos numa descarga de autoclismo têm para beber, cozinhar e usar na higiene para um dia.
    Isto aparentemente afasta-se um pouco do post original. Mas esta mania de limpar o passado em vez de aprender com ele, é apenas uma outra forma de repetir os mesmos erros, as mesmas intolerâncias, a mesma dor que agora se critica.
    E repete-se e torna-se a repetir a arrogância de direita ou de esquerda, politicamente incorrecta ou politicamente correcta, sendo que o resultado final é o mesmo: Fome, sede, sofrimento, dor, morte.

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  4. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 04:58

    Diz João Raposo:
    "Mas esta mania de limpar o passado em vez de aprender com ele, é apenas uma outra forma de repetir os mesmos erros, as mesmas intolerâncias, a mesma dor que agora se critica."
    Não podia estar mais de acordo!

    O futuro começa em cada segundo que passa... e o que me parece que tem de haver, da parte daqueles que tiveram acesso ao saber (não à verdade, atenção!) é um esforço por serem honestos e esclarecidos na abordagem a estas questões de fundo humano. Daí ser importante esse olhar para o passado e a compreensão do que se fez ou fazia, para se perceberem as injustiças e malfeitorias - por vezes até ingénuas... lembro que os cientistas da época achavam que os pigmeus eram animais!

    Mas acho que nos estamos a desviar do tema!
    O tema não visava objectivamente o racismo, creio... e sim uma outra coisa que a mim me parece igualmente prova de pouca sensatez ou alguma precipitação, que é analisar à luz da actualidade factos passados numa época em que a forma de pensar e as práticas eram muito diferentes das actuais! Caso óbvio de Hergé
    Aquilo que hoje parece ser racismo, machismo, anti-sovietismo, não tira a Tintin nada do seu carácter de herói generoso, valoroso e humano!
    Segundo a época era assim que se via o Mundo mas as qualidades que importam lá estão! Tintin socorre os fracos, os que precisam! Isso é que conta, acho eu, e não o enquadramento em que eles se acham!

    Como é que se entenderão heróis como os cavaleiros Tristão ou Galahad ? Paulo e Virgínia? Um d'Artagnan? O cavaleiro de Morvan, (d' Os bucaneiros, de Duplessis ). Um "Olho de Falcão" de Fenimore Cooper? Os pequenos heróis e heroínas da Condessa de Ségur... ou até os personagens de Enid Blyton, sem piercings, telemóveis, tv, leitores de cd, nem play station ?

    O importante na Anita não foi ela estabelecer amizade com a tal pretinha? Apesar de esta alombar com a cesta do lanche? Grande coisa... os filhos dos nossos trabalhadores tomavam banho para vir brincar comigo, quando era garoto... ainda hoje eles comentam isso e se riem quando o lembram! Eram outros tempos... e não nos ficou nenhum trauma nem tiques por causa disso...
    Estão a ver um sindicato qualquer a criticar a relação patronal com Passepartout ou Scapino?
    E a considerar Verne ou Moliére fascistas?

    Acho uma profunda estupidez essa análise que a a drª Mª do Rosário refere ter sido feita e partilho essa reflexão.

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    1. Mas se procurarmos há milhares de exemplos.

      Vejam só um outro “pequeno”exemplo da intolerância “bem pensante” que proíbe em bibliotecas escolares americanas, livros como o Capuchinho Vermelho (por incitamento à violência) ou Huckleberry Finn e Tom Sawyer, por conterem termos racistas. Penso que relativamente a este último, há já uma versão onde foram abolidos vários termos correntes na época e aplicados aos negros.
      Há algum tempo vi num documentário do Canal Travel, a “visita” a um museu de história americano, bem no meio da zona da escravatura de negros. Referências à escravatura dentro do museu? Não. A escravatura não existiu.
      Como alguém dizia, há pelo menos duas coisas em que acredito: Na infinitude do Universo e da estupidez humana.

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  5. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 05:35

    Hum... então vamos ver banidas, ou pelo menos proibidas às crianças, as fábulas de Esopo? Por causa da escravatura?
    E os contos das mil e uma noites???
    Ora...

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  6. Reflexão da leitura - Foco
    O mundo desde sempre é uma relação de proporções com variáveis. Aqui temos ao passado uma levando a cesta, e cores definidas, preto e branco. Com crianças de hoje teríamos uma subdivisão da cesta e individualização dos gostos, também ocorrendo, que nem tão brancos e pretos, operando as possibilidades de asiáticos, americanos e por aí vai devido à mistura de raças. A evolução do mundo age também pela força de seu eixo, que boleia a cada volta, onde suas voltas exercem estas tramas com a disposição de muitas variáveis. Por trás de cada leitura, a equivalência define o sentido avante.

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    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 07:26

      Na minha vida pessoal e profissional, tive muitos e sempre, contactos com outras raças humanas!
      Andei por países e fiz amigos de todas as cores!

      Sempre me assumi como racista!
      Sim... eu reconheçoe e diferencio as pessoas por raça, isto é, sei que existem e que possuem idiossincrasias porque são originários de meios diferentes, e são fruto de uma adaptação bem sucedida a esses meios e a outras formas de viver. Não tendo nada a ver com a superioridade absoluta e sim apenas circunstancial
      Porque sei no que somos iguais... no medo, no amor, na esperança, no ódio... todos nos cansamos ou temos fome, sede, calor e frio... e sei que é ainda essa diversidade que compõe a tal maravilha da espécie humana que tanto me fascina. Não só a das idéias mas também a do físico!

      Para mim a pior forma de racismo é o ser anti-racista, porque se assumem atitudes erradas e vãs, de protecção, de compreensão forçada e o ser displicente... tratando as outras raças de uma forma que acho sim, insultuosa! Parece que se lhes reconhece não a igualdade que os põe ao nosso nível mas a inferioridade que ao abrigo do anti-racismos só os desculpa, vitimiza e dá um apoio que soa a falso!

      Eliminar de livros antigos, detalhes como se diz aqui, não é respeito por ninguém, pelo contrário é esconder porque se tem vergonha de assumir que há essas diferenças!
      Afinal hoje em dia, há empregados brancos de patrões pretos, chineses e indianos! É a vida nas suas voltas, e o que temos de perceber.

      Um homem superior, como Gandhi, Mandela, Kalil Gibran, não deixam de ser da sua raça, não-europeia, nem deixam de ser superiores!

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  7. é, chama-se contexto histórico. Aconteceu o mesmo com Monteiro Lobato. esse povo que analisa coisas do século 18 à luz do século 21 indigna-se com muita facilidade...

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    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 09:53

      Minha Cara Isa

      Vai concerteza desculpar a minha ignorância, mas como acho o assunto interessante, poderia ter a gentileza de me informar sobre o que se passou com Monteiro Lobato, aliás quem foi?

      Obrigado e cumprimentos

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    2. Olá António,
      O Monteiro Lobato era um escritor brasileiro que conhece com certeza porque é o autor do sítio do picapau amarelo e de outras histórias infantis (e outras...). "descobriram" recentemente que era racista por causa do papel da Tia Anastácia e houve aqui um fuzuê no Brasil para proibirem os seus livros nas escolas e bibliotecas, por isso mesmo, porque era racista...
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato
      Abraço

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    3. http://www1.folha.uol.com.br/saber/924824-conselho-de-educacao-reve-parecer-sobre-obra-de-monteiro-lobato.shtml

      ;)

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    4. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 10:59

      Olá Isa

      Grato pelo esclarecimento... confesso que não conhecia, e o sítio do pica-pau amarelo tenho idéia de ser um programa infantil mas que nunca vi nem conheço as personagens!

      Realmente é de uma estupidez imensa...
      Será que José de Alencar é considerado como anti-índio?

      Bem, agora estou-me a lembrar: os "Sobrinhos do Capitão" a esta hora já foram queimados e banidos... no mínimo como nazis!

      Cumprimentos deste lado do Atlântico!

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  8. António Luiz Pacheco22 de junho de 2011 às 11:40

    Hum... já agora, para terminar:
    Tintin censurado, o Sítio do Pica-Pau Amarelo é racista... as corridas de toiros só podem passar na RTP depois das 22...
    Tudo no interesse da criançada, ou fruto de mentalidades doentias?
    Já alguém foi ver a carga de violência, física e psicológica existente nalgumas séries de desenhos animados para crianças?
    As mesmas crianças que podem aceder com o comando e a maior das facilidades a pornografia pesada, alta violência de filmes ou à brutalidade (ainda que simulada) de desportos de combate...

    E os jogos de computador, em que se explodem coisas com pessoas e as pessoas mesmo, se dão tiros, esfaqueia e estraçalham gente e seres supostamente vivos?

    Pergunto, os garotos que depois quando forem adolescentes irão colocar em contentores de lixo as colegas, ou filmar agressões... foram por acaso educados à imagem de Tintin ?
    Não! Porque ele agride ideológicamente, não as crianças mas algumas pessoas muito bem pensantes!
    Ah... e o Pica-pau Amarelo não! É racista...
    Pois!
    Creio que são casos do foro psiquiátrico...

    Bom feriado a todos!

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    1. Como alguém já dizia há mais de 30 anos, andamos a formar débeis mentais que irão formar outros débeis mentais.

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    2. Mentalidades doentias, sem dúvida!

      Nem mais :)

      e erro maior, acreditar que impedir leituras, impedir as pessoas de contactar com outras realidades as protege. antes pelo contrário, só cria mais e mais abismos. enfim...

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  9. Provavelmente quem acusou o Peyo de racismo não deve ter muito que fazer e tem tempo para inventar "situações" onde elas não existem. está visto que as pessoas gostam de complicar. Julgar outros que trabalharam em tempos e espaços culturais diferentes dos nossos será sempre o caminho mais fácil, mas não se deve ir por aí.

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  10. Caro Antonio Luiz Pacheco, sendo muito interessantes os seus comentários, de boa fé e de grande amizade entre os homens, têm nele um problema sério mas que já foi resolvido há muito tempo: as raças biologicamente não existem na espécie humana. A diferença no aspecto exterior de que fala nao tem correspondência que chegue no ADN para que sejamos de raças diferentes. É que é a partir dessa concepção (errada) que se inicia primeiro o paternalismo (onde já incorre) e depois o pejorativo racismo com brancos e pretos e depois hutus e tutsis a matarem-se. É simples: há mais diversidade dentro daquilo que chama \"raça\" do que entre o que diz serem \"raças\". A biologia, nos seus estudos genéticos, já provou isso.
    Quanto à Anita: como editor da serie vou segunda ver de que livro fala a Rosário, mas apenas como curiosidade. O Herge foi racista no seu Timtim no Congo? O Marcel Marlier terá sido nesse livro da Anita? Com toda a certeza. Isso nao impede que cada uma das series continuem a ser editadas como nessa altura. E ainda bem que assim é, que a História esta escrita. Cabe aos pais contextualizar a questão quando lerem esse Timtim ou mostrarem os maravilhosos desenhos da Anita. Para mim isto é muito claro. Como das armas - ou problema nao sao as armas mas o uso que se faz delas. Um livro nunca deve ser censurado. Contextualizado conforme os tempos que vivemos, sim. E isso vale, quanto a mim, ate para o Mein Kampf.

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    1. António Luiz Pacheco26 de junho de 2011 às 09:49

      Caro Jorge Reis Sá

      O conceito de "raça", creio que pode ser entendido no sentido antropológico, tanto físico como cultural... isto apesar de eu estar um bocado esquecido e certamente desactualizado de uma cadeira de antropologia da faculdade de ciências de Lisboa em 1976.
      A minha formação de base é a zootecnia, onde se lida bastante com o conceito de raça, quando se tentam fixar caracteristicas nos animais, através de cruzamentos e portanto da genética.
      Todavia, creio que a genética ao contrário do que diz, confirma que há raças humanas sim, e veja-se o que são os mulatos?
      Isto para mim não tem nada de ofensivo ou de redutor... um caucasiano tem a mesma genética de um banto? Claro que não... por isso um tem naturalmente carapinha ou orelhas sem lóbulos, é dolicocéfalo, o outro não! Além da pigmentação ser diferente...
      Há estudos muito interessantes, feitos por exemplo ali na Mitrena (península do Sado) onde ainda se verifica a ocorrência de características de povos africanos ex-escravos de que ali houve uma comunidade fixada - creio que se julgava que resistiam às febres. Essa comunidade acabou por se miscigenar com outras em volta e desapareceu o tipo puro, mas ficaram algumas características que ainda ocorrem de vez em quando... creio que conhece aquilo de que estou a falar?
      Porque a "raça", no conceito zootécnico ou genético, de facto existe como variações ou adaptações dentro do mesmo género... ainda que se lhe chame diversidade, ou tipo, ou o que quiserem porque temem que esse conceito sirva para fins de supremacia, e não ficará bem o homem como o cão ou cavalo ou boi... ter uma "raça" biológicamente falando.

      No resto não podia estar mais de acordo com o que diz, em particular quando compara um livro a uma arma... são ambos perigosos nas mãos erradas e dependendo da finalidade... há livros que são verdadeiras bombas atómicas!!!!

      É um prazer e um privilégio conversar consigo, creia!

      Um abraço

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  11. Caro Antonio Luiz Pacheco
    A questão está apenas nisto: há mais diversidade dentro de uma chamada raça do que entre as raças. E isso, sendo então zootécnico, permitirá que aceite que o conceito tipológico de raça nao faz sentido.
    Obrigado pelas suas palavras amigas.
    Um abraço
    Jorge

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  12. António Luiz Pacheco27 de junho de 2011 às 16:37

    Meu Caro Jorge

    - Hoje em dia a questão da "raça" humana é meramente filosófica, e, a sua negação tem carácter político e não científico! É uma das teorias... não a verdade!
    Claro que há teorias que dizem que sim e as que dizem que não, como em tudo... que em nada ajudam à sua compreensão, salvo para quem o queira entender, que saiba que há um genoma humano, diversificado e que faz que um san seja diferente de um sueco... como um charolais é diferente de um mertolengo! Nem vale a pena irmos pelo fenotipo ou o que quer que determine que haja cabelos lisos ou frisados e os localiza com muita precisão (e razão!)
    A sua compreensão... ou negação, são políticas!
    Numa perspectiva da genética existe a raça, como variação dentro do género, só que hoje a antropologia a substituiu por "etnia"... no fundo é o costumeiro jogos de palavras e o medo da tal espantosa realidade das coisas... os cientistas quando querem ser políticamente correctos são capazes de confundir S. Pedro!!!!

    Mas a despeito do interesse e certamente que teríamos uma apaixonante discussão, na verdade não é isso que interessa, e ambos o sabemos!

    Como se diz, tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calarei! Eheheh!

    Olhe... tenho 19 armas de fogo e cerca de 5 000 livros (fora as colecções de banda desenhada que só medidas...) o que é que me fará mais perigoso?

    Um grande abraço, foi um prazer repito!

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