O preço do autógrafo

Quando Portugal foi o país convidado da Feira Internacional do Livro de Frankfurt, em 1997, nos últimos dois dias de feira puseram-se no chão do stand pilhas de revistas, catálogos e outros materiais para que os levasse quem por ali passasse e quisesse, pois mais caro ficaria trazê-los de volta ao País. Todavia, a agente alemã que trabalhava connosco na iniciativa alertou para o facto de os alemães desconfiarem do que é oferecido. Ignoro se isto é verdade e se outros povos pensarão da mesma maneira, mas li recentemente um artigo que me fez pensar que, se as sessões com escritores fossem pagas, talvez a intrínseca promessa de qualidade levasse mais gente a assistir. Preocupados com as espantosas vendas de livros electrónicos, os livreiros norte-americanos lembraram-se de que os e-books têm o handicap de não trazer autógrafo e que, mesmo que o venham a trazer, não passará nunca de uma assinatura digital. Vai daí estão a pensar (com muitos adeptos a favor) cobrar bilhete ao público (cerca de 15 Euros) nas sessões com autores, bilhete que pode ser trocado ou descontado no preço do livro que o escritor assinará in loco, ou simplesmente funcionar como garantia de qualidade da sua prestação. A ser verdade o que dizia a agente alemã, os seus conterrâneos ficarão mais confiantes a partir de agora.

Comentários

  1. Espero que não ponham o processo em prática por cá. Além de não acreditar que resultasse, iria arruinar o meu orçamento para compra de livros.
    Aproveito para deixar um comentário a um post anterior.
    Não cabem pássaros no meu peito. Não faz mal, porque este é um livro que durante muito tempo transportarei no meu peito. Tenho livros assim. Poucos. Outros são para ler e voltar para a prateleira, onde farão companhia aos que lhe permanecem ao lado. Onde, talvez contem uns aos outros as suas histórias, as suas memórias.
    Este, é um que durante muito tempo transportarei no meu peito, pela sua beleza própria e pelas evocações que faz de Saramago, de Ricardo Reis, de Fernando Pessoa, de Borges, da escrita do Deus, das ruinas circulares e de Kafka (confesso que este nunca foi dos meus favoritos).
    Bem sei que isto não é uma crítica literária, mas este foi talvez o mais belo livro que li nos últimos anos. E logo de um autor português.
    Pela possibilidade de editar um livro assim, até valerá a pena aturar comentadeiros críticos de copy and paste e anónimos em terapia. Ou não?
    Parabéns.
    Para quando o próximo?

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    1. Obrigada, João. Tomara que muitos dos leitores deste blogue leiam o livro e gostem tanto como nós!

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  2. Sessões pagas de escritores em livrarias? Vulgaríssimo lá fora, embora o pagamento seja na forma da compra do livro. Ou seja, se quer ver o escritor, tem de comprar o livro!

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  3. Paguei 20 dólares para ver/ouvir Harold Bloom na Biblioteca de Nova Iorque.

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  4. ANtónio Luiz Pacheco30 de junho de 2011 às 07:08

    Boa tarde:
    Os pássaros cabem-me no peito, sim e como!
    Até na barriga... ainda ontem comi um soberbo escabeche de perdiz, feito pelo meu confrade e amigo Ducota...
    Espero é que me caibam na bagagem! Vamos a ver, selecionei para levar comigo na minha próxima estadia em Angola:
    "Clube de patifes", Dan Simmons, (não estejam já a ver conotações maliciosas... é fruto do acaso e um livro ao meu gosto!)
    "Jerusalém", Gonçalo M. Tavares (por sugestão da patroa deste blog).
    "Não cabem pássaros no meu peito", por puro seguidismo a alguns bloguistas cuja opinião muito prezo. porque já me habituaram a isso!
    Mais uns quantos, técnicos, de que irei precisar!

    Quanto aos autógrafos pagos... é coisa que a mim pouco rala, sei lá quando é que o meu vai valer alguma coisa e aqueles que faço questão de ter, são de amigos que eventualmente publicam, por isso o fazem por amizade...

    E sim, rezo para que os livros nunca deixem de se publicar na versão papel... com ou sem assinaturas! Ando a ler um livro-em-ficheiro para ajudar uma amiga a caçar gralhas, e é simplesmente horrível ter de ler no ecrã!
    Jamais me habituarei a tal coisa... só não fui à Staples imprimir as 260 páginas, porque dada a finalidade é prático assinalar o texto e enviar por mail para que sejam corrigidos!
    Nem sequer os jornais! As edições edições on-line jamais servirão para forrar a mesa e limpar a gaiola do periquito ou amanhar os carapaus, para embrulhar vidros, forrar o ninho do cão ou pôr debaixo do WC do gato...
    Não! O papel tem muitas utilidades, e ainda é insubstituível! Definitivamente...

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  5. Ao humilde comentário, defendo ao não mais do que divina ser a criação, e, está para raiar o dia em que outrem patentear a natureza humana, que de racional segundo o Jesuíta António Vieira, caiba aos anjos.
    Quanto aos escritores, estes, que tecem por ofício o verbo pensante de dimensões humana, espiritual e intelectual, pertencem então à Deus ou não, e por talvez ao que não seja, não ser de Deus ao que deste tem por fina flor, letras de paraíso, então, se saiba pertencer ao mundo. Escrever sobre o mundo e ao que do mundo for pertences, porém se cobrardes do mundo propriamente, então, também o mundo vos cobrará. E, como tem de fato, cobrado aos que dão vozes há indevido ocaso, sem precaver dividendos. Pois, se há pássaros que caibam ao peito, apenas os que escolhem não serem livres.
    De mais a mais, e de par em par, justiça seria feita, se cada editor tomar por simetria a aliança com seu escritor, pois e de tantas responsabilidades, as das finanças requerem seguridade, implica serenidade, para aquele que da palavra, faz valer-se por acertos dos passos em que caminha humanidade, tanto é, que pernas por caminhar são duas.

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  6. Com este leitor não se governavam! Interessa-me a obra, nunca o autor: não peço autografos nem quero conhecer os autores, mesmo, parafraseando outro comentário acima, os dos "livros que trago no peito". Sobretudo esses.

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    1. Sem assinar e sem autor, é ser sem obra, sem honrar o proprio nome. Só um vulto é anónimo...

      HY.

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    2. HY! é o seu nome? é de vulto!

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    3. Sim é de vulto e carrega uma vergonha assim como voce.

      HY

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    4. Deus vult !

      Em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II, convocou, com um discurso dramático, seus ouvintes em Clermont (França) para a primeira cruzada. A multidão respondeu com o grito medieval de "Deus vult", mais precisamente no latim medieval "Deus lo vult" e muitos passaram a costurar uma cruz de pano nas roupas. Tornara-se específico e mobilizador.

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  7. Os alemães desconfiam do que é oferecido?!

    Em quase 20 anos de Alemanha, nunca me apercebi disso!

    Talvez um português aceitasse uma revista escrita numa língua que ele não entende, pelo simples facto de ser de borla. Aí, já um alemão reagiria de forma diferente...

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    1. António Luiz Pacheco30 de junho de 2011 às 13:52

      "Talvez um português aceitasse uma revista escrita numa língua que ele não entende, pelo simples facto de ser de borla. Aí, já um alemão reagiria de forma diferente..."

      Ahahah!

      Bem visto! Conhece tão bem uns como outros...

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    2. É realmente um privilégio.

      Aproveito para lhe desejar boa viagem!

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    3. António Luiz Pacheco1 de julho de 2011 às 03:49

      Sem dúvida! Um privilégio essa nossa maneira de estar que nos faz alemães na Alemanha, sem deixar de ser portugueses! Creio que é única... nenhum dos povos que conheci é assim!

      Ainda cá está? Obrigado pelos votos.
      Boa viagem para si também, espero que leve o corpo e a alma cheios das nossas coisas boas.

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  8. "se as sessões com escritores fossem pagas, talvez a intrínseca promessa de qualidade levasse mais gente a assistir" LOLOLOLOLOLOLOLOLOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLOLOLOLOLOLOLOLOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLOLOLOLOL (a limpar as lágrimas dos olhos) LOLOLOLOLOLOLOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLOLOLOL

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  9. Então vamos a preços: quanto ficaria um autógrafo do seu David Machado? E dois? E uma assinatura no seio de uma leitora mais espevitada? Recomendo que a Leya faça já um preçario, a afixar na vossa pracinha da Feira de Lisboa. Afinal de contas, em certos negócios, o freguês tem de ir já com dinheiro no bolso.

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  10. Ah! Fim de semana deixam-no sair. Compreende-se!

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    1. António Luiz Pacheco1 de julho de 2011 às 10:01

      Ahahaha! Ou LOL ...
      Esta foi boa! Desculpe lá caro Anónimo mas tem de concordar que foi em cheio! Sem ofensa...

      Eu já disse que Você faz falta... às vezes é um bocado chato, mas outras tem graça... tenho de lhe dizer que se conseguir chamar o melhor de cada um, ainda terá de ser considerado de interesse extraordinário!

      Bom fim de semana...

      Olhe uma a propósito:
      - Está um louco com o ouvido encostado à parede, aproxima-se o enfermeiro e pergunta-lhe o que se passa.
      O louco com ar preocupado aponta a parede e diz-lhe: Ouça!
      O enfermeiro encosta o ouvido, escuta e exclama: "Não oiço nada!"
      E o louco preocupadíssimo: "Pois não! Tem estado assim o dia inteiro!".

      Sabe... às vezes fazemos na vida ambos os papéis... o do louco e o do enfermeiro!

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    2. Ahahah Essa foi em cheio! Tem razão, Raposo, o Pacheco não se cala... Perfeito! Impagável, diria até.

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    3. Hummmm! Terá o anónimo mudado de nome ou será só um lapso de interpretação?

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