Ler e lei

Um dia destes estava a folhear uma revista italiana e pousei os olhos na palavra «leggere», que significa «ler», lembrando-me acto contínuo de que a palavra «lei» (legge) tem exactamente a mesma raiz. Fui espreitar ao Houaiss e descobri que «ler» vem da palavra latina que significava coisas tão distintas como «recolher», «enrolar» e «dizer em voz alta». Ora, apesar de vivermos numa democracia e podermos decidir o que é melhor para nós, de entre tantas leis que se inventam e publicam, não seria engraçado que uma estipulasse que devíamos ler?

Comentários

  1. não.

    a obrigatoriedade poucas vezes é amiga da leitura...

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  2. Apesar de 'leggere' e 'legge' terem a mesma raiz o prazer da leitura deverá decorrer de um acto de sedução, dum enamoramento e duma escolha em relação ao tipo de livros que queremos ler.
    Já basta a imposição de determinados livros nas escolas que acabam por não cumprir a tarefa pedagógica tão almejada...

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    1. António Luiz Pacheco16 de junho de 2011 às 04:18

      Ahahah ! Então quem não lesse era fora-da-lei?

      Me desculpem pela gargalhada, que não é de troça, mas porque acho que percebi o espírito de provocação, e creio que a fina ironia.

      Imaginem a PLP, Polícia Livreira Ppública, a fazer operações STOP nos passeios ou nos centros comerciais para fiscalizar o porte de livros! Ou a multar quem não saísse do comboio com um livro debaixo do braço! Autuando quem estivesse na praia ou esplanada sem uma revista sequer! A ir a casa das pessoas intimar:
      "Mostre-me a prateleira dos livros!", sendo definidos mínimos nacionais em metro de livro útil por habitação consoante o escalão de IRS... e mínimos de leitura anual, para que seria criado o Registo Nacional de Leitura Pessoal! Obrigatório manter os talões das bibliotecas públicas por 5 anos... assim como as facturas de compra ou aluguer!
      Dava um filme delirante com Mr. Bean a director geral... ou um livro do Tom Sharpe! Eheheh !
      Estou a imaginar aqueles personagens do Curral de Moinas , com as suas sobrancelhas e as franjas, as rosetas nas bochechas, fardados, a fiscalizar, superintendidos pelo Diácono Remédios, o texto da lei redigido pelas Produções Fictícias...

      Mas, se houvesse uma lei contra certos livros e autores funcionava melhor!!!! Olá!

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    2. Caríssimo Sr. António Luiz Pacheco, e com toda a graça, a provocação surge do que em novos tempos ao que outrora já, lei "tolle lege".

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    3. Alguém se lembra desse livro espantoso de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451”, a partir do qual François Truffaut fez uma excelente adaptação para cinema?

      Uma sugestão que vai de encontro à de António Luiz Pacheco. Para a leitura obrigatória, seria talvez elaborar uma lista com os livros considerados indispensáveis e proibi-los.
      Podem ter a certeza que todos iriam procurá-los.

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    4. Por que razão faz uma sugestão que vai de encontro à de António Luiz Pacheco. Move-o alguma coisa contra ele?

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    5. Pergunta estranha. Raciocínio estranho.
      Como poderá verificar noutros comentários a outros "posts", como o anterior, parece-me que o que se verifica é precisamente o contrário.

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    6. Já agora, a sugestão vai de encontro, não vai contra.

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    7. Devo então depreender que queria dizer "Uma sugestão que vai ao encontro da de António Luiz Pacheco"? É que, não sei se sabe, não é a mesma coisa, é exactamente o oposto.

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    8. Agradeço muito o seu utilissimo esclarecimento. Quando encontrar o António Luiz Pacheco, vou tentar não me esquecer para não ir contra ele ao dar-lhe um abraço. Assim irei só "ao encontro de" mas manterei as devidas distâncias.

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    9. Não tem de agradecer, até porque, pelos vistos, persiste na sua. "Ir de encontro a alguma coisa" e "ir contra alguma coisa" são rigorosamente o mesmo. Não acredita?

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    10. Tanto acredito que até fui confirmar. Mas se reparar na hora (19,15) do comentário que aparece em último lugar, ele é anterior ao meu agradecimento (19,19).
      Embora tenha ficado "chateado" com o seu comentário, fiquei ainda mais "chateado" comigo mesmo por ter cometido o erro.
      Assim, apesar de uma certa ironia presente no meu comentário do "abraço", agradeço-lhe mesmo por ter feito o reparo.
      Isto só me vai obrigar a ler duas vezes, pelo menos, os meus comentários antes de os publicar.

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    11. E de que lado está a ingenuidade, ao encontro ou contra?

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    12. Homem de pouca fé. A ingenuidade está por todos os lados quando não há maldade.

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    13. Hummm! Parece-me fé a mais.
      A minha fé é mais acreditar porque quero acreditar.

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    14. António Luiz Pacheco16 de junho de 2011 às 12:43

      Ó r'pazes ... (como se diz aqui no Bairro) tenham lá calma cum tantos encontrõeses! E na se rálin qu'esta carcaça ribatejana inda é báim capaz d' apêitar tanto os amigos cum 'ós adversáiros! Olá!

      (Escrito fora do acordo ortográfico)
      E, deixou o corrector ortográfico louco com tanto vermelho...

      Ahahah

      Um abraço aos dois!

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  3. El problema de una ley que "estipulasse que devíamos ler" es que inmediatamente le seguiría otra ley estipulando "o que devíamos ler". Un saludo.

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    1. Leitura

      Teu ar é mimo
      cativa, invade
      a ser fruta fresca
      neste pomar saudade

      Amoras e amores
      são sumos e sabores
      na cesta decorada
      se é hora, desperta

      ao crepúsculo faz colher
      em perfumes orvalhada
      ter na melodia cantante

      ser a estrada que és andante
      ao ler a suave alvorada
      de cada amanhecer.

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  4. Lembrei-me deste post ao ler agora que na Irlanda o dia de hoje é dedicado a Ulisses.
    http://www.publico.pt/Cultura/ulisses-de-james-joyce-pode-ser-lido-no-twitter_1498983?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29&utm_content=Google+Reader

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  5. De certa forma, já há leis que obrigam a ler, uma vez que os "contratos de leitura" são obrigatórios nas escolas, para todos os alunos, os que gostam e os que não gostam de ler, que não são nem mais, nem menos do que os leitores do meu tempo de adolescente. Na verdade, talvez até sejam mais.
    Muitas vezes, aqueles que não gostam de ler, gostam de ouvir ler, o que só por si é já um bom princípio.
    Em resposta a alguém que perguntou sobre o livro/filme do Ray Bradbury/Truffaut: ambos me marcaram muito. Quando li este post, não pude deixar de pensar neles.

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