Irritações

Há um jornalista que nunca perde uma oportunidade para me atacar directa ou indirectamente, mas fá-lo tantas vezes que acabo por pensar que me dá alguma importância. O mesmo acontece com um dos anónimos que comenta este blogue: não gosta de mim, mas, afinal, vem cá ler-me tantas vezes que, pelo menos, lhe devo essa atenção. O problema está noutro tipo de pessoas, que são muito simpáticas connosco, mas fazem um trabalho lastimável, mesmo depois de as termos tentado ajudar. Um dia destes, num artigo sobre os novos escritores para o qual dei bastantes informações por telefone, o escritor Gonçalo M. Tavares apareceu como licenciado em Matemática (que não é), o último romance de David Machado era, por acaso, um livro de contos, a apresentação de um romance que ocorre hoje realizava-se durante o fim-de-semana passado e, apesar de ali se escrever «quem não conhece o Irmão Lúcia?», referindo-se a Pedro Vieira, a fotografia na página era, na verdade, de outro Pedro Vieira, que nem sequer pertence ao mundo da literatura. No dia seguinte, mais uma: numa crítica a um livro que acabo de publicar, eram atribuídas três estrelas, mas o texto revelava bem que o seu autor não lera mais do que dois capítulos e a contracapa, que praticamente parafraseava, pois falava sempre de duas personagens (nunca chegou a descobrir a terceira) e, sendo o livro sobre escritores conhecidos (muito conhecidos), nem por um instante se deteve a falar deles. Portanto: ou não passou da página 15, ou nunca percebeu de quem se estava a falar e, nesse caso, também não deveria poder escrever sobre a literatura. Enfim, prefiro que se irritem comigo.

Comentários

  1. o que seria do mundo sem esta gente que tenta virar a corrente do mar contra nós?

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  2. E assim vamos alegremente prestando honrosos serviços à "incultura" geral deste país.

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  3. Como se costuma dizer, com amigos destes (os simpáticos) quem precisa de inimigos?
    Os outros apenas revelam que quem maldizem tem uma importância maior que a maledicência que dizem.

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  4. António Luiz Pacheco29 de junho de 2011 às 05:28

    A sua irritação é compreensível... sobretudo quando do outro lado se percebe que existe má-fé ou má-vontade .
    Mas também penso que faz parte, no meu caso não tenho sequer importância para essa preocupação! No seu caso, é porque a tem!

    Não os deve ignorar, isso nunca, acho eu! Há que os seguir e saber o que vão dizendo... e a melhor maneira de os contrariar é continuar a fazer! Sobretudo fazer... pois há os que fazem e os que comentam o que outros fazem... julgo que sempre assim foi e será!
    Temos é de ter essa noção e distinguir uns dos outros.

    O seu percurso fala por si... assim como este blog, que atrai até ignorantes provincianos como eu, ou tanta gente que óbviamente culta e creio que do Mundo da cultura.

    Da minha parte, grato pela oportunidade que nos dá de pôr a falar uns com os outros! Só tenho a agradecer e manifestar a minha estima pessoal. Quando Hollywood se interessar pelo meu "Largueza", e eu for um escritor rico e famoso, nessa altura hei-de dizer no novo programa da Oprah , que me foi apresentado este Mundo, no seu blog!
    Será então o reconhecimento, fica a promessa!
    Até lá... vá pondo as suas provocações ou coisas que lhe ocorrem e deixe-nos depois disparatar acerca delas... é muito agradável!

    Os críticos, ainda que anónimos... olhe, são bem-vindos porque assim também nós podemos ir-lhes cascando! E às vezes animam o espaço...

    Um bom dia para todos!

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  5. Não vale a pena irritarem-se consigo. Aqui está a prova que é preciso muito mais que a simpatia para fazer bons profissionais. Falta empenho, dedicação e sobretudo muita atenção ao trabalho que se está a fazer. Mas não é só nos jornalistas...é em muito lado e o pior é que isso afecta não só a produtividade, mas fundamentalmente a qualidade do trabalho.

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  6. Era bom que fosse clara em dizer quem é o jornalista que embirra consigo e quem foi o jornalista que escreveu essa crítica que tanto a arreliou.

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    Respostas
    1. Porquê, se Billy também não é o seu nome?

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    2. Não fui eu quem falou sobre o trabalho dos outros não dizendo de quem fala.
      Se a Maria do Rosário acha que isso é correcto, muito bem.

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    3. Só para esclarecer a minha posição: não acho que seja correcto falar do trabalho de alguém insinuando que o profissional em causa tem embirrações pessoais e, portanto, não está a fazer o seu trabalho bem, não dizendo de quem se trata.
      Esse é o motivo para o meu comentário, nada mais.

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    4. E se saber o meu nome muda alguma coisa, fique sabendo que me chamo Alexandre Carvalhal.

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  7. António Luiz Pacheco29 de junho de 2011 às 09:15

    Tunga!

    O meu tio Major, chamava a isto só contar com a sua esperteza, não contar com a esperteza dos outros!

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  8. M. R. P.,
    provavelmente este (ou esta) Billy será o Anónimo que costumava por cá passar às vezes e ser frequentemente bastante desagradável.
    Eu, que sou um novato no blogue, respondi-lhe a preceito duas ou três vezes.
    É que não há paciência para certa gente que não sabe valorizar a Liberdade e tem pouca consideração para com os outros.

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  9. Achei engraçado o episódio com a fotografia do escritor trocada.
    Como eu sou bastante distraída e também tenho apenas uma vaga ideia de como é o Pedro Vieira - Irmão Lúcia, às tantas nem ia reparar :)

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  10. É costume dizer-se que pior do que falarem de nós é não falarem, daí....

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  11. Para que se perceba de quem fala e, sobretudo não desencadear ondas de suposições,atingindo quem não deve, a atitude mais correta é dizer quem é o autor das "sevícias"...

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  12. "...num artigo sobre os novos escritores para o qual dei bastantes informações por telefone..."
    Terá sido aquele "brilhante" artigo que punha o Miguel Sousa Tavares e a Inês Pedrosa como exemplos dos "novos" romancistas portugueses? Quanto às estrelas, só tem a fazer o que fez que Lidinha Jorge: escrever uma cartinha ao jornal que publicou a crítica e as ditas estrelas, que eles certamente mudarão o número de estrelas para que a Dra. Rosarinho desejar...

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  13. Quer ajudar um novo escritor? Então pense no Paulo Ferreira. Desde que a crítica lhe arrasou o primeiro (e, esperemos, único...) romance, anda por aí de monco caído, agravado pela ausência da sua musa e patrono, o Sr. Viegas, que nem se lembrou dele para um tachito na Secretaria. Publique-lhe um livrelho qualquer e evite uma desgraça iminente.

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