A pesquisa na Internet
A Internet foi uma espantosa invenção e tornou-nos mais próximos de tudo ao alcance de uns meros cliques. Mas li algures que quem tira mais proveito dela é quem já fez pesquisa em livros antes ou depois de ela aparecer e tem maior discernimento ou cultura para desconfiar de algumas coisas e separar o trigo do joio. Numa empresa onde trabalhei, havia vários licenciados em jornalismo que nunca tinham entrado numa biblioteca e se haviam acostumado a pesquisar exclusivamente na Internet desde o primeiro ano do curso, usando a Wikipédia como fonte primária e tomando tudo o que lá estava escrito como certo. Uma vez, um dos meus patrões pediu a uma dessas jornalistas que redigisse um verbete de quinze linhas sobre João de Deus. A investigação fez-se rapidamente – talvez demasiado – e, quando ele foi ver, o texto referia-se ao apóstolo S. João. Quem é que o mandou ser o preferido de Deus?
A Wikipédia pode ser útil, mas deve-se usar com reservas. Também depende muito do tema. No que diz respeito aos Reis de Portugal e a temas históricos, por exemplo, é muito incompleta e, por vezes, incorrecta (pelo menos, a versao portuguesa). Talvez se possa aproveitar para o ensino básico...
ResponderEliminarÓ Cristina...então o que não presta para nós será bom prós outros.............assim não vamos lá não....
EliminarOra bem, para quem nao anda à procura de informacoes mais profundas, para quem quer apenas saber, por exemplo, a data de nascimento e morte dos reis portugueses, ou quando se deu esta ou aquela batalha, ou quais foram as medidas mais importantes, a Wikipédia informa.
EliminarPor isso, é que afirmei que, para o ensino básico, pode ser útil.
Quanto às informacoes incorrectas, trata-se, normalmente, de coisas dadas como certas, durante décadas, ou séculos, mas que os historiadores actuais poem em dúvida.
(Desculpem a ortografia, mas encontro-me numa situacao, digamos, insólita: passando férias em Portugal, só tenho um teclado alemao à disposicao).
É isso que ando, há anos, a tentar demonstrar aos meus alunos. A internet só aproveita a quem lá vai com critério e discernimento.
ResponderEliminarCausa-me muita estranheza que alguém com um curso de jornalismo não entre em bibliotecas..é quase como andar a estudar a religião católica e nunca ter entrado numa igreja...
ResponderEliminarCláudia Moreira
Ui, se eu dissesse o que se passa nas faculdades... xiiii...
ResponderEliminarEu também vou ficar caladinho!
EliminarHá que considerar que a internet é apenas um veículo de informação pela veículação desta, porém o conhecimento adiquiri-se através de consultas à livros. E as pessoas devem orientar-se não somente por informações, mas, o conhecimento disponibiliza o bom senso e a tomada de decisões quanto a fidelização de uma sociedade que busca desenvolvimento humano aos princípios de qualidade.
ResponderEliminarO problema maior da Internet será a ausência de espírito crítico e o facilitismo, o deixa andar.
ResponderEliminarQuestionar e procurar respostas, comparar, analisar, é algo demasiado trabalhoso. O pior é que na escola, quem deve avaliar é muitas vezes cúmplice deste facilitismo. Poderia contar-vos um ou dois casos, mas pelos comentários anteriores já todos têm exemplos suficientes.
Só que a Internet não é a única divulgadora de erros. Os livros também o são. Nem falo das "verdades" científicas ao tempo de Galileu.
Um exemplo interessante é o livro das etimologias de Santo Isidoro de Sevilha (560-636), onde a etimologia das palavras era analisada mais ou menos a "olho". Não sei se alguém conhece alguma versão (acessível) desta obra, mas tenho uma grande curiosidade em conhecê-la. Algumas das descrições parece que são quase delirantes. Mas na época era o que havia e até S. Tomás de Aquino recorreu várias vezes a ela.
Outro exemplo é a falta de rigor sobre a origem da palavra eutanásia. Se pesquisarem na Internet, a generalidade dos textos atribui a sua autoria a Francis Bacon, o que não é verdadeiro. Bacon dá-lhe o significado que hoje é corrente e que delega no médico a sua prática. No entanto, a palavra já se encontra em textos antigos, por exemplo de Suetónio e Tácito, entre outros, com o significado de "boa morte". O que entretanto se alterou foi o significado de "boa morte". Nos dicionários e outros livros sobre eutanásia, é difícil encontrar outra origem que não aponte apenas para a sua formação a partir do grego.
Mas isto é um pouco como procurar a verdade. Se não a sabemos, como poderemos reconhecê-la?
Como professora de História, este tema far-me-ia ficar aqui eternamente... como tempo é o que não tenho muito neste momento, deixo aqui um apontamento de um episódio que se passou numa turma e que envolveu uma Encarregada de Educação.
ResponderEliminarTendo em conta o corta/cola, há muitos anos que mando escrever os textos dos trabalhos na primeira pessoa, com temas como "O meu diário", Sou um marinheiro a bordo de uma nau", "Sobrevivi ao terramoto" e por aí...
Há uns anos, uma aluna elaborou um diário da Rainha Santa Isabel, com uma apresentação cuidada (no 2º ciclo isto acontece invariavelmente com a ajuda dos pais ou explicadores), mas, em cuja capa, aparecia a princesa Isabel, filha de D. João VI ( o que é um clássico - a primeira imagem que encontram com o mesmo nome é o que colocam nos trabalhos, sem se dar ao trabalho de verificar datas, trajes, o que seja). Logo ao receber o trabalho, referi o facto em tom cordato à criança, adiantando, no entanto que o aspecto do mesmo estava muito bonito. Recebi uma carta do mais desagradável possível da mãe, acusando-me, entre outros mimos, de desmotivar a infanta. Se o rosto não era o mesmo, qual o problema? E a criatividade, a imaginação da criança? Não deveriam ser valorizadas? E por aqui me fico.
Então não dizia eu aqui neste belíssimo blogue, há uns tempos atrás, que andamos a gerar uma trupe de analfabetos mas atenção daqueles verdadeiros que não sabem ler nem escrever todos licenciados (já queimaram as fitas com grandes bebedeiras..é d'homem...), principalmente estes da geração rasca e à rasca, autênticos homens da idade da pedra.
ResponderEliminarUm martelo é um excelente utensílio para espetar pregos, mas de reconhecida inutilidade no caso de se querer serrar uma tábua. Como escritor e informático, tenho a obrigação de saber o que a Wikipédia vale e não vale, e tento sempre usá-la para os fins a que ela melhor se adapta. Mesmo assim, para garantir que não me esqueço, tenho uma foto no desktop onde se lê: Be carefull . This machine has no brain . Use your own ". É sempre bom recordar.
ResponderEliminarnice + obrgado. ver isto é bastant belíssimo.. este artigo foi fantastico. agora sou guest regular 100% desse blogue. abrx
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