O novo e o velho

Um dia destes, li a notícia de que fechou a última empresa que ainda fabricava máquinas de escrever. Com computadores cada vez mais sofisticados e cada vez mais baratos, o fim da espécie estava anunciado há muito e acabou por verificar-se. Faz-me pena, porque fiz parte da minha vida profissional com máquinas de escrever (e foi nelas que escrevi os meus primeiros livros) e porque estas eram um objecto icónico dos romances, sobretudo policiais, que os computadores dificilmente substituirão por não terem o mesmo charme. Mas conheço uma história belíssima sobre computadores e máquinas de escrever. Estava um avô a «teclar» numa dessas velhinhas máquinas, mecânica ainda, quando um neto de oito anos se aproximou, visivelmente curioso. Ficou a ver o avô a dactilografar durante uns segundos, mal acreditando no que os seus olhos viam. Depois, boquiaberto e entusiasmado, exclamou: «Mas o avô tem um computador que escreve e imprime ao mesmo tempo!» Enfim…

Comentários

  1. é uma bela história sim senhor.

    a única coisa que faltava às máquinas de escrever era a "borracha" dos computadores. :)

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  2. António Luiz Pacheco10 de maio de 2011 às 04:33

    Ahahah!

    Ainda tenho a minha máquina de escrever que por acaso emprestei a uma filha de amigos que ma pediu para escrever uns trabalhos, dado ter o computador avariado... a rapariga tem 34 anos e é desenrascada!

    Havia cá em casa uma máquina velhíssima e pesada, era preciso comer um bife para carregar nas teclas! Foi do escritório do meu avô, fechado em 1954 ou coisa parecida... não sei onde foi parar... mas lembro-me bem dela, onde treinei as primeiras redacções!
    Comprei a minha máquina de escrever, portátil, ali por 1982 ou 83, para fazer os textos dos pontos ou apontamentos que dava nas escolas.
    O meu primeiro artigo, sobre os Açores e que foi publicado na extinta revista Diana em 1986 foi escrito à mão e depois passado nessa máquina .

    Mais tarde, com a divulgação do fax passei a enviar para o "Notícias do Mar" e outros, os artigos via fax escritório no Pingo Doce. Foi aí que depois ensaiei os primeiros textos no computador... eu escrevia e a Anabela gravava ou imprimia, quando chegava da hora do almoço que eu aproveitava para pôr a minha escrita em dia, sem telefones nem interrupções. A máquina foi abandonada e só o meu pai a usava para escrever alguma carta...

    Enfim, creio que é a evolução, como em tudo o resto... tinha aí um trem (uma vitória) que se vendeu a um coleccionador que ainda a usa em desfiles na Golegã ou na Feira do Ribatejo, porque já há muito que não se usava! Nem a carroça ou os carros de bois, estes foram apodrecendo na abegoaria ...
    As cangas, coelheiras e arreios acabaram num pequeno museu particular de um primo nosso.
    E tantas coisas assim desapareceram!
    Ainda temos as duas Philips que funcionavam a baterias de automóvel, e onde se ouvia desde a Hora Tide aos Parodiantes , o Serão Para Trabalhadores ou O Que Quer Ouvir... mas já não existe o gira-discos (a pilhas) dos serões de Verão onde tocavam a Françoise Hardy, os Beatles ou os Gatos Negros e o Quinteto Académico... os primos e amigos que vinham passar uns dias traziam sempre os seus discos numas capas plásticas próprias. Não sei do gravador de bobines, propriedade de um amigo que é hoje um respeitável Almirante... onde gravávamos o teatros radiofónicos adaptados ou escritos por nós mesmos nas tardes de calor...
    Ainda por aí andam as banquetas e os bilros, mas as almofadas há muito que se deitaram fora pois já morreu a "tia Abeca " e nem há meninas para ensinar a fazer renda... se formos a ver são tantos bocadinhos de nós mesmos que vão passando de moda! Excepto a minha barba... parece que agora voltou a usar-se...
    Eheheh!

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  3. Ainda bem que guardei algumas máquinas de escrever para eventuais crises de energia. Só não guardei aquela em que escrevi a minha primeira tradução. Que pena. Mas ainda deve funcionar. Bem ao contrário dos diversos computadores que já matei nos últimos 20 anos ...

    Falando em computadores. A minha máquina de escrever não tem acesso à internet, e portanto não sabe que no ebay , se encontram, só no site alemão, 1.538 máquinas de escrever à venda. Há de bastar para nós todos.

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  4. Lembrei-me do papel químico...
    Quando fiz estágio, ainda não havia fotocopiadora e os planos de aula eram datilografados com várias camadas de papel químico para obter as cópias necessárias.

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  5. António Luiz Pacheco10 de maio de 2011 às 07:05

    Pois... daí aquelas teclas pesadonas e com um balanço incrível para baterem com força e assim imprimirem através das camadas de papel... que era muito fino! Ainda aí tenho umas resmas dele, amarelo e fininho que uso como papel de carta de avião...

    E o stêncil? Já era uma evolução porque sempre permitia fazer desenhos, o que no meu caso era importante. Hoje já existem os retroprojectores, tão úteis para projectar fotografias ou gravuras, até livros.

    Qualquer dia... com os cortes....

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  6. António Luiz Pacheco10 de maio de 2011 às 08:42

    Ai as pressas... O que eu queria dizer era "Hoje JÁ não existem os PROJECTORES DE OPACOS!
    Não queria referir os retroprojectores... esses já entram na classe das modernices... mas ultrapassados pelo PC e pela PEN e pelos IP-sei- lá-o-quê, mais os power points e o teleponto e tanta coisa que nem sequer se podem comer com ervilhas como dantes aos pombos!!!!

    Mas sejamos francos... em muita coisa, ainda bem! Hoje é tão fácil escrever, apagar... incluir, e coisas que de outra maneira eram penosas!
    Não é?

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  7. E a mão voltou a trabalhar. deixámos de pensar com os botões e lembrámo-nos da existência de dedos e a capacidade neuro-sensorial de pegar na pena e começar a rasurar e desenhar as palavras que sempre nos ajudam a mostrar um pouco do que somos, a quem desejamos, ou não... Tanto faz. http://daquidestalisboasaotome.blogspot.com/

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  8. há um pequenino detalhe semântico que vale a pena relembrar:
    o utensílio antigo e pesado era uma máquina "DE ESCREVER";
    os computadores são basicamente máquinas "DE APAGAR".

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  9. António Luiz Pacheco10 de maio de 2011 às 16:48

    O detalhe semântico em termos poéticos e filosóficos é deveras tocante e romântico... mas não me parece que o "apagar" tenha trazido mal à escrita... pelo contrário, porque apague-se com a borracha, com a tecla com uma lâmina, ou nunca se apague... a qualidade do que se escreveu afinal, é que perdura. Não é?

    Um pintor não apaga? Ou um compositor? Numa escultura de pedra é que a coisa se complica, digo eu...

    Boa noite.

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  10. Tenho cartas de amor escritas à máquina. Onde os erros se conseguem ver, pois mesmo depois de apagados e corrigidos fica a marca, como cicatriz que, por mais que queira apagar, fica sempre, como a marca dos momentos da vida que, por mais que se faça para esquecer, estão lá, são indeléveis.
    As máquinas de escrever remetem-me para grandes autores, pilhas de papéis, tempos passados mas que se passeiam entre nós para sempre, como fantasmas.
    Máquina de escrever, objecto de culto.

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  11. António Luiz Pacheco11 de maio de 2011 às 05:07

    Sem dúvida cara Areia... será como o caso dos veleiros... e, sim, das atrelagens de cavalos!

    Por muito que as tecnologias e a modernidade, com as suas comodidades e facilidade nos vão conquistando, fica sempre esse algo.

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