Mulheres escritoras

Por causa de um artigo publicado no suplemento literário do Público sobre jovens narradores, criou-se uma polémica no Facebook quando a jornalista Raquel Ribeiro perguntou porque eram estes quase todos do sexo masculino. Muitos dos intervenientes defenderam que, na verdade, não são, mas que a comunicação social é, de algum modo, machista e só dá destaque a escritores homens; houve um escritor homem que pediu então licença para intervir no meio de tantas mulheres e disse que os editores têm muita culpa – porque, como há muito mais mulheres do que homens a ler, promovem melhor os livros de autores masculinos a pensar nos «consumidores». Todos terão alguma razão, embora eu, como editora, não faça nada disso; e a verdade é que recebo dezenas de originais todos os meses para avaliar mas, lamentavelmente, só dez por cento são escritos por mulheres. Em tempos, disse à mesma jornalista Raquel Ribeiro que achava que isso podia acontecer porque as mulheres, lendo mais, são mais exigentes com o texto e não se aventuram a escrever qualquer coisa (como muitos dos aspirantes a escritores que me mandam livros para avaliação); mas uma das leitoras dessa entrevista afiançou num blogue que, apesar de os tempos estarem decididamente a mudar, as mulheres ainda têm uma vida muito ocupada com a criação dos filhos e a organização doméstica, pelo que não lhes sobra grande tempo para se dedicarem à escrita, inclusivamente quando, como era o caso, gostariam de o fazer. É provável que, mesmo existindo ainda preconceito de género, esta seja mesmo a principal razão.

Comentários

  1. Parece-me que a Maria do Rosário Pedreira tem razão quando aponta o facto de os editores receberem muito mais originais de homens do que de mulheres. A minha experiência profissional numa editora diz-me o mesmo. Chegam-nos muito mais propostas de homens.

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  2. Eu tenho (tive) o sonho de escrever, mas a verdade é que não consigo sequer saber se tenho algum talento para a escrita por pouco que seja, porque como diz e muito bem, a vida de uma mulher é demasiado cheia. Eu por mim gosto de escrevinhar, mas não tenho tempo para escrever algo com nexo, reflectir, rever e por fim concluir. Sou divorciada e tenho dois filhos a meu cargo, trabalho para sustentar a casa sozinha e não tenho empregada em casa. Como tal, o tempo que me sobra é minimo e o sonho tem que ser sempre adiado...
    Enfim...

    Reforço a minha grande admiração por si.

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    1. Magnólia

      Escreva ao correr da pena, isto é, do teclado.
      Deixe que esse sonho se torne realidade. Verá que, com o tempo, as ideias se irão organizando. Lembro-me que numa aula de condução, perante o meu medo, o meu acanhamento e não sei que mais que me tolhiam os movimentos, o instrutor disse-me uma coisa que me curou: "Não pense demais, faça, porque sabe!"

      Portanto,'faça', nos poucos minutos que tenha para si, aproveite-os ao máximo.

      Abraço

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    2. Olá e muito obrigada pelo seu comentário! Umas palavras de incentivo são sempre benvindas:) Eu bem tento deixar fluir, mas a verdade é que o cansaço acaba sempre por me fazer olhar para o que escrevo ou quero escrever com olhos de valor negatvo... Mas vou tentar seguir o seu conselho, de verdade:)

      Abraço!

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    3. Reforço, Magnólia! Escreva, apenas, quando sentir inspiração. Sem se preocupar se está a escrever um romance, uma novela, ou um conto. A escrita requer muito treino. Vá guardando os seus textos e, um dia, talvez consiga fazer algo mais com eles.

      Escreva, treine, sobre o que quiser!

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    4. Olá Cristina Torrão,

      Eu tinha ideia de que para escrever bastava ter talento. Com os anos fui vendo que não é só isso, também é preciso muito trabalho, muito treino como diz no seu comentário. Por isso, com algum esforço pode ser que um dia, mesmo que muito mais tarde, eu consiga ser uma escritora a sério:)

      Agradeço as suas palavras de reforço de incentivo!! :)

      Abraço!

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    5. "mesmo que muito mais tarde" - aí está outra qualidade que um/a escritor/a deve ter: paciência! E persistência, também! Há quem diga que a única diferença entre um escritor que não consegue publicar e outro que consegue é que este não desiste, mesmo depois de receber uma pilha de negativas :)

      A idade não conta, eu só comecei a escrever aos 35 (e tive que esperar quase dez para publicar; e considero estar apenas no início).

      Também já li em qualquer lado que o Van Gogh começou a pintar com mais de trinta anos, antes disso, não sabia que era pintor ;)

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    6. Fui espreitar o seu blog e fiquei cheia de curiosidade em relação ao que escreve. Gosto muito de romances históricos! Vou procurar os seus livros. Pode ser que os encontre agora na Feira do Livro do Porto!

      E agradeço uma vez mais a suas palavras. O ser humano tem sempre pressa para realizar os seus sonhos, mas eu até me considero uma pessoa paciente. Por isso se um dia, não importa em que ponto do futuro, acontecer de olharem com mais atenção para as minhas palavras ficarei feliz e terá valido a pena a espera! A Van Gogh da escrita sei que nunca chegarei:)

      Votos de muito sucesso!

      Cláudia Moreira
      (magnólia)

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    7. Também vou estar na Feira do Livro do Porto, a 4 de Junho. Mais pormenores no fim-de-semana, no meu blogue

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    8. Não desista. Nunca desisti de escrever. Só agora tive tempo para fazer uma espécie de rewind , reaprender ou reinventar a escrita. O mais difícil foi ter decidido que valia mesmo a pena. Não desisti e recebi uma proposta para publicar. Aceitei.

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    9. Fico sinceramente agradecida pelas suas palavras. É muito bom receber palavras de incentivo, muito em especial de quem já publicou!! Não vou desistir a menos que alguém me diga que não tenho jeito nenhum para a escrita:)

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  3. Não soube dessa polémica no Facebook com a jornalista Raquel Ribeiro, mas tirei as mesmas conclusões ao ver um artigo a reflectir sobre uma geração de jovens escritores que não inclui quase nenhuma mulher. Isto nos EUA seria impensável, um país onde já tem havido polémicas com antologias de contos em que os leitores consideram que não houve a devida quota de representantes do sexo feminino.

    Como assistente editorial, e de acordo com as submissões que tenho recebido, penso que não posso assinalar uma muito maior predominância do sexo masculino. Talvez uns 60% (homens) - 40% (mulheres)? Talvez.

    A justificação de que as mulheres ainda se vêem forçadas a lidar com os excessos de uma vida doméstica acumulada com uma vida profissional cada vez mais exigente pode corresponder, em certa medida, à realidade, mas não me parece que justifique totalmente esta omissão flagrante do artigo do Público.

    Talvez possamos culpar os editores, embora não me pareça que os editores dêem conscientemente mais preferência a autores do que a autoras, mas há de facto uma visão predominantemente machista na imprensa cultural e literária portuguesa que sempre fez questão de glorificar qualquer coisinha feita pelos seus ilustres "gentlemen"... As mulheres, quando não pertencem a uma geração mais velha que já provou tudo o que tinha a provar, são tratadas com condescendência ou simplesmente ignoradas. E nós sabemos que elas existem.

    E penso que também é importante distinguir as mulheres que já eram figuras públicas antes de escreverem livros (e portanto receberam logo destaque da imprensa) daquelas que só se tornaram conhecidas devido à sua obra literária. E as segundas, penso eu, são muito pouco conhecidas pelo público e pouco destacadas.

    É uma questão muito importante que acho que deveria ser mais debatida mas que houve algum machismo no artigo do Público, penso que isso é, infelizmente, inegável. E, como mulher, custou-me.

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    1. Cara Safaa,
      Diz que «há de facto uma visão predominantemente machista na imprensa cultural e literária portuguesa». Não concordando consigo, não resisto a perguntar: já tentou perceber qual o sexo predominante nos jornalistas da área da cultura? Se o fizesse, talvez encontrasse uma resposta que corroborasse a sua tese...

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    2. Caro RC,

      Saber o sexo dos jornalistas da área cultural é relevante para a questão? Um jornalista homem não sabe escrever sobre autoras? Uma jornalista mulher não sabe escrever sobre autores?

      Concordo com o que a Cristina Carvalho disse. A constatação é óbvia. Raramente vemos o mesmo destaque dado a uma mulher escritora como se tem dado a um homem escritor. Porquê? Porque os jornalistas que escrevem sobre essas matérias são homens? Acho tudo isso muito estranho.

      E já agora, também sou contra quotas impostas, uma estratégia que acaba por ser pouco dignificante para a mulher e está longe de reconhecer as suas capacidades e mérito.

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    3. Concordo com a existência de um certo machismo na imprensa cultural e literária portuguesa. Os dois escritores que mais vendem em Portugal (ou dos que mais vendem), José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares, são machistas, por exemplo. Nota-se nos seus livros.

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    4. Eu não acho nada estranho, tendo em conta que a maioria dos jornalistas que, em Portugal, dedica o seu trabalho aos livros são do sexo feminino e, curiosamente, na casa dos vinte e muitos, trinta e poucos anos. E basta ler o que escrevem sobre autores como Peixoto, M. Tavares ou Tordo para perceber que vivem numa espécie de encantamento por estas figuras.
      Chamem-me Freudiano. Eu prefiro não ignorar certos factos.

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    5. Mas editoras como a Porto ou outros grupos dominantes não são também responsáveis pelo que essas (e esses) jornalistas escrevem, ao enviarem-lhes press releases dos quais elas e eles retiram o miolo dos seus textos de imprensa? E essa adulação freudiana não é também resultado de uma titilação deliberada, diria até de uma excitação constante, com a cenoura da publicação de um texto, de um convite para uma apresentação? Não foi aliás a Porto Editora que começou a a pagar a jornalistas para assistirem às apresentações dos catálogos nas rentrées, em Lisboa?

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    6. Também prefiro não ignorar certos factos e o facto permanece que foi publicado um artigo num suplemento cultural de grande tiragem, escrito por um homem, a referir uma geração de novos escritores em que as mulheres parece que não são boas suficientes para fazer parte dessa geração. Mas se as mulheres jornalistas estão babadas pelos nossos homens, como você diz, e os homens jornalistas parece que também não têm grande desejo de falar sobre mulheres, então isto prova o quê? E eu que pensava que se discutia mérito literário nos suplementos e jornais e descobrimos que afinal é tudo uma questão de hormonas? O mais irónico na sua afirmação é que dá a entender que são as mulheres que acabam por arcar com as responsabilidades de não se falar mais de mulheres...

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    7. Manuel Alberto Valente11 de maio de 2011 às 08:06

      Porque será que todos os dislates que se escrevem nos comentários vêm sempre anónimos?
      Como responsável editorial da Porto Editora, garanto-lhe que é uma completa atoarda essa ideia de se pagar a jornalistas. Onde foi descobrir tal enormidade? E com que intenções a torna pública? Freud poderia explicar o ressentimento soez daqueles a quem só resta a maledicência, por serem incapazes de fazer alguma coisa de bom.

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    8. Ah, entendo: então a culpa disto é do cio das jornalistas e do charme másculo dos autores (daí talvez a profusão de piercings e tatuagens pela manada dos ditos). Fantástico, RC, a pensar assim você está aqui está numa dessas grandes editoras, como responsável de "marquetingue"! (Ou não está já?)

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    9. Mas que raio de disparate... onde ouviu tal coisa? Quem são as suas fontes? É assim que se disseminam os piores boatos. Está aí o comentário do Manuel Alberto Valente a asseverar que nada disso é verdade.

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    10. É apenas uma hipótese que levantei, cara Ana (Lisboa). Espero que me conceda o direito de atirar para a fogueira as achas que bem entender. Fico-lhe agradecido. E espero também que não leve tão a sério tudo o que lê - ainda se queima, permita-me a brincadeira. Em todo o caso, registo com satisfação o facto de me desejar um futuro no alvo dos seus preconceitos: as "grandes editoras", que têm "manadas" de autores e departamentos de "marquetingue". Talvez por lá aprenda alguma coisa para depois poder opinar com mais propriedade.

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    11. Esteja à "bontade", Sô Couceiro. Folgo em saber que tem tempo livre para andar a atirar "achas" para a "fogueira". Pensei que lhe pagavam para outra coisa.

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    12. Creio (corrija-me se estiver errado) que aquilo para que sou pago não diz respeito ao Anónimo pensador. Por outro lado, se opto por assinar RC (e não escondo a minha identidade da autora do blogue) é precisamente porque não quero que confundam as minhas posições ou comentários pessoais com as da empresa para a qual trabalho.

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    13. Pronto, está a ver? Não custa: você é o Rui Couceiro da Porto Editora. E acha que há mais autores bem sucedidos porque há muitas jornalistas mulheres com carências afectivas, uma tese "freudiana" que lhe fica muito bem e que deve ser do agrado das suas autora na PE. Não tem de quê: bem haja e disponha.

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    14. Ó Fallorca, mas não te vão pingar traduções da Porto por causa disto, pá...

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    15. Bem, a acha que atirei se calhar incendiou-se de mais e provocou reacções que exacerbam e alteram o sentido dessa provocação que lancei. Creio que os ex-colegas de profissão perceberam a diferença entre um comentário mordaz e uma posição concreta da minha parte. Não pretendi ofender ninguém.

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    16. A "acha" (essa sua tese "freudiana") exolique-a às autoras da Porto Editora. Devem adorar saber a sua opinião sobre o que faz o sucesso de um escritor. A mim não me ofendeu porque o jogo dos responsáveis de "marquetingue" dos grandes grupos é transparente e raso. Disponha.

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  4. Também não soube dessa polémica... mas o facto é óbvio: na nova geração de consagrados portugueses só os homens são (re)conhecidos (e na antiga?), a MRP publica essencialmente novos autores homens, nos nobilizados a percentagem de homens é francamente maior, etc, etc, etc ... Porém, alguém sabe que um dos primeiros Prémios Saramago foi uma mulher? Pergunto-me então porque não tem ela no nosso país a projecção dos outros? Por ser mulher? por ser estrangeira?
    A MRP lançou este ano um excelente primeiro romance de uma nova autora (que acabei de ler ontem e recomendo vivamente): "Os pretos de Pousaflores ". Alguém ouviu falar nos jornais? Eu não. Porquê? Por ser mulher? (por acaso, também ela não é portuguesa)... Se fosse um homem, teria tido "direito" a muito mais barulho?
    Herta Muller (que confesso só ter descoberto depois do Nobel) só tem 2 ou 3 títulos traduzidos em português (enquanto, por exemplo , o Llosa tem umas largas dezenas) Porquê? Por ser mulher? Por imperativos comerciais?
    Tudo isto me custa, enquanto mulher, embora eu seja frontalmente contra as quotas impostas. Isso é fazer batota. Acredito que na literatura como em qualquer outra actividade, o esforço e a qualidade do trabalho acabará por se impor. Só temos de trabalhar em dobro ou triplo. Nada que assuste.
    Cristina Carvalho (2)

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    1. Cristina, o seu argumento relativo ao Prémio Saramago faria sentido não fosse o seguinte: alguém sabe que Paulo José Miranda também venceu o dito?

      Pois é, ninguém sabe, poucos se lembram. Foi o primeiro vencedor, logo antes do José Luís Peixoto.

      E até acho que a Adriana Lisboa (por via dos suas recentes obras) tem sido mais falada do que ele. Por outro lado, não esqueçamos que a Adriana Lisboa é brasileira e que, por isso, é natural que a sua vitória não tenha tanto impacto em Portugal.

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    2. E já agora, outra questão para reflexão: Independentemente do sexo dos jornalistas da área cultural, embora ache que isso não deveria interessar nada, os críticos literários influentes são todos homens. São esses críticos que geram o "hype", são esses críticos que dão a sua bênção aos autores que se tornam mediáticos de um dia para o outro (à mistura com algum trabalho de marketing das editoras). Será que isto também contribui para a posição mais "obscura" da mulher na imprensa literária? Ou não? Eu gostaria que fosse feita uma contagem de críticas feitas por esses críticos a autores homens e mulheres (atenção que falamos de gente mais jovem, e não de autoras consagradas como Agustina, Hélia Correia ou Lídia Jorge). Talvez aí as conclusões fossem esclarecedoras.

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    3. Caro RC,
      Sim, eu sabia - e já temia que alguém o viesse alegar. É um facto. Aparentemente, José Paulo Miranda terá ido viver para outro país e não terá publicado mais ... o que talvez justifique que ninguém se lembre dele.
      Cristina Carvalho (2)

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    4. Achar que isso não deve interessar não me parece um critério muito válido para chegar a uma conclusão.
      E só mais uma achega: acha que a crítica literária tem assim tanta influência no sucesso de um livro? Pois eu digo-lhe que um minuto na televisão vale muito mais (vendas), representa um ganho de notorieade muito maior, do que uma crítica positiva no suplemento literário de um jornal. Isto para lhe dizer que os críticos, embora importantes, não são tão importantes para a construção da imagem do autor como os jornalistas.

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    5. Cristina, se lermos, por exemplo, "Natureza Morta", do Paulo José Miranda, ou qualquer outro título dessa trilogia, ficamos com pena - muita pena - de que ele não tenha entrado num caminho que lhe conferisse um pouco mais de visibilidade.

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    6. Isso depende de quais os críticos literários que estamos aqui a falar... De qualquer modo, não vou alongar-me mais nesta discussão, uma vez que já excedi o meu tempo de visita da caixa de comentários deste blogue.

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    7. A discussão nunca é de mais, Safaa :)
      Até breve!

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    8. Estou a inclinado a concordar com a MRP: as mulheres escrevem e aparecem menos porque continuam a ter menos tempo para se dedicar à criação, com todas as responsabilidades que ainda são obrigadas a ter.
      Mas a minha questão é outra, para a Safaa Dib: insurge-se contra o facto do artigo do Público apenas falar de escritores homens. É verdade. Mas indique-me lá duas ou três escritoras recentes que tenham recebido prémios literários tão importantes como o Saramago, duas ou três escritoras que teriam merecido ser destacadas naquele artigo. Terá sido mesmo machismo? Deverá haver quotas neste tipo de coisas? Ou o talento (que costuma ser avaliado pela crítica ou pelos tais prémios literários) terá de ser sempre a única coisa a ser tida em conta?

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  5. "as mulheres ainda têm uma vida muito ocupada com a criação dos filhos e a organização doméstica, pelo que não lhes sobra grande tempo para se dedicarem à escrita" - sem dúvida, é esta a principal razão.

    A um homem escritor, pai de família, é-lhe proporcionado o tempo e o sossego de que ele precisa. Há compreensão e tolerância, por parte da mulher e dos filhos, para a sua actividade. Não me parece que o contrário aconteça: deixar a mamã desaparecer no escritório, duas ou três horas por dia, sem ninguém a "chatear"... Pois sim!

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    1. sim, concordo que as mulheres continuam a ter uma vida mais ocupada que nós, mas isso também faz com que os filhos sobrem mais para nós, Cristina.

      os filhos tanto "chateiam" as mães como os pais (pelo menos cá em casa é assim), a não ser que sejam pais ausentes.

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    2. Eu falei de uma maneira geral e sei que as coisas estão a mudar. Mas, infelizmente, uma participação mais activa em casa, nomeadamente, no que diz respeito às crianças, ainda custa a entrar na cabeça de muitos pais. Vejo que não é o seu caso e dou-lhe os parabéns.

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  6. Esta questão é antiga e difícil de responder. Não sei sequer se existe uma resposta simples.
    Já agora aproveito para dar outro exemplo de uma área onde as mulheres não abundam. Eu tirei o curso de física e dos 30 alunos que começaram o curso havia talvez 4 ou 5 mulheres.
    O mais curioso é que em áreas afins (química, matemática, biologia) as percentagens são completamente diferentes. O mesmo parece acontecer na poesia, pelo menos tenho a ideia que aí o ratio é muito mais equilibrado.

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  7. António Luiz Pacheco11 de maio de 2011 às 05:33

    Não tenho opinião, pelo simples facto de que sou de fora deste Mundo...
    Com efeito, parece-me haver muito menos mulheres escritoras... isto assim de repente.
    Também me parece que a Cristina Torrão está certa quando refere a disponibilidade e a compreensão que recolhe o pai ou a mãe de família escritor! Se calhar as mulheres ainda têm esse handicap .

    Sobre o eventual machismo... pois estou apenas a ler e a recolher os pareceres que acho muito interessante.
    Permitam-me uma reflexão: Quem leia o meu romance Largueza, poderá através dele dizer se sou machista? À partida acho que assim parece... mas as aparências iludem! Será? As minhas muitas amigas que o leram, gostaram e fazem muitos comentários e perguntas, mas não me fazem qualquer reparo nesse sentido e têm a confiança como o esclarecimento para o fazer...

    Faço uma pergunta: Quando se refere que José R. dos Santos (que ainda não li) ou Miguel S. Tavares (de quem li vários livros) são machistas, será que o deixam transparecer? Ou, será que retratando épocas e situações ou personagens que o eram, porque a época assim determinava, serão na verdade machistas?

    Fiz-me compreender na dúvida e pergunta?
    Obrigado pela atenção e esclarecimento.

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    1. Sim, meu caro António Luiz, retratando uma época machista, é claro que isso transparece.

      Mas há certos pormenores no "Equador" (o único que li de Miguel Sousa Tavares) que me faz tirar essa conclusão, porque o autor deixa transparecer demais a sua opinião sobre certas coisas (relações entre homens e mulheres, ou a caça - ele faz questão de afirmar que é a favor da caça, por exemplo, o que eu acho desajustado, na cena em questão).

      No "Codex 632" notei no JRSantos uma certa tendência para ser paternal em relação às mulheres e isso, a meu ver, é uma atitude machista.

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    2. Exceptuando, como disse e muito bem, as referências históricas, não consigo ver machismo nos livros do José Rodrigo Dos Santos. E não entendo como persistem"bater no homem", tem excelentes livros para os alunos do ensino básico e secundário lerem. Sei porque estou no 12º ano e muitas vezes no testes de história surgia-me uma ideia melhor graças ao que li nos livros dele. De resto, sempre me apaixonei mais por livros de escritoras, basta ter atenção à Inês Pedrosa, Patrícia Reis, Maria Teresa Horta e a própria autora deste blogue. Entre muitas outras. E tenho a certeza que mais virão deliciar-nos.

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    3. Onde se lê "Rodrigo", deve-se ler Rodrigues. Cabeça a minha.

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    4. Acho óptimo que os livros de José Rodrigues dos Santos já a tenham ajudado nos testes de História. É a prova de que ler, seja o que for, é sempre útil.

      Eu só li dois livros dele: "A Filha do Capitão", de que gostei, e o "Codex 632", que detestei, o que não impede que se encontrem muitas informações úteis neste último sobre Colombo. Aliás, acho que a ideia do livro é muito boa, só acho que, como romance, falha em toda a linha.

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    5. Apenas não li do escritor a Filha do Capitão e a Ilha das Trevas. Dos restantes, achei que o mais fraco foi mesmo o Codex.

      Mas A Vida Num Sopro é, na minha opinião, um romance muito bem conseguido. Experimente. :) Há-de concordar. :)

      Um beijo

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  8. Arlindo Minado (Lisboa)11 de maio de 2011 às 05:48

    Curiosamente, os Booktailors anunciaram uma experiência para breve e que poderá iluminar alguns pontos desta discussão: o Paulo Ferreira irá submeter-se a uma operação de mudança de sexo e tentar ter o sucesso, como moçoila, que lhe escapou, como mocinho, no primeiro romance, publicado pelos amig... pela editora Quetzal. A seguir com atenção redobrada.

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  9. Boa tarde! Não sou a Cristina Carvalho que já respondeu nestes comentários, mas também me chamo Cristina Carvalho.
    Só para deixar a minha experiência: sou escritora "a tempo inteiro" desde que entrei na reforma. Ou seja: em 30 anos, enquanto fui empreegada e tive 3 filhos, saíram apenas 4 livros que eu escrevi nem sei como nem com que tempo! Deixei de trabalhar há 4 anos e já saíram, em 3 anos, 4 livros e mais um que vai aparecer em Setembro. Ao todo, 5 livros. Vou entregar mais 2 manuscritos até ao final deste ano.
    Não há qualquer hipótese duma pessoa-mulher a trabalhar e com filhos, escrever livros. Escrever não é só inspiração (que nem sei bem o que isso é!). É trabalho e muito! Amanhã mesmo vou a uma escola secundária fazer uma palestra para alunos do 12º ano exatamente sobre este assunto.
    Muito obrigada e os meus cumprimentos a todas/os!

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  10. Penso que tudo faria sentido se se substituísse o adjectivo do título do post por outro qualquer, mas como é ‘escritoras’ está numa dimensão do ser ou não ser… e quem É pode não ter tempo para fazer visitas a amigos, para passar a ferro ou para aprender uma nova língua, música ou tirar um curso de marinheiro, mas tem tempo para escrever. Porque quem É sente falta de escrever, uma falta como a falta de ar, mas ao contrário, de precisar deitar o que lhe nasce em cima duma folha de papel. Seja bom, ou seja mau, seja excepcional ou execrável, e estas qualificações já caem noutras dimensões que para aqui não são chamadas.
    Se as mulheres são secundarizadas em relação aos homens, talvez, mas nem sempre e cada vez menos. Se as mulheres têm sempre mais que fazer que os homens, já tiveram, e se deixarem de pensar que são as únicas a saber ‘tomar conta da casa’ talvez fiquem agradavelmente surpreendidas.
    Mas dizer-se que a quantidade de Mulheres Escritoras é inferior à dos homens por causa das inúmeras tarefas que lhes está ‘atribuída’, é falso, enganador e, de certa forma, até um pouco ofensivo, pois as mulheres só não fazem o que não querem porque têm força para fazer tudo e mais um par de botas!

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    1. Se não é indiscrição, já agora em que material e até que n.º?

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  11. Já agora, não tenho o hábito de comentar neste blogue; confrange a leviandade das afirmações e a arruaça reles do anonimato.
    Mas já que o editor Manuel Alberto veio à liça - e bem - sugiro a leitura de dois livros por ele editados, ainda na ASA:
    «A louca da Casa», Rosa Romero - só uma mulher é capaz de escrever assim, quer sobre escritoras, quer sobre mulheres de escritores; tema já aqui abordado
    «Paisagens Originais», Olivier Rolin - "muito machista", cria a ponte entre cinco escritores - Hemingway, Nabokov, Borges, Michaux, Kawabata - nascidos no mesmo século.
    Quanto ao meu relacionamento com "botas" deixo-o entregue aos cuidados da "delegação vienense", aqui sempre tão atenta.
    Desculpa o espaço, Rosarinho, mas às vezes, lá calha...

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    1. Pois, estás habituado a finuras, requintes, enfim...

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    2. ROSA MONTERO (e não Romero), caro Fallorca.
      Um livro extraordinário, A louca da Casa.

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    3. Obrigado pela correcção, «anónimo» decente

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    4. Fallorca, olha que não te pingam traduções da Porto por andares aqui, pá... Nem da Leya...

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  12. Do que li, na discussão sobre o trabalho dos críticos/as e afins, assume-se sempre que o machismo afeta apenas os homens, enquanto que as mulheres lhe são imunes. Esquecemos que bebemos todos da mesma taça cultural (passe o exagero da generalização)? Que há mulheres machistas, tal como alguns homens o conseguem ser?

    Já agora, na minha perspetiva, não será menos machista julgar que as mulheres que fazem crítica literária o fazem de forma leviana, deixando que razões passionais (os bonitos olhos dos escritores) escrevam mais alto.

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  13. Escrever é muitas vezes encarado como uma actividade marginal daquilo a que a maior parte de nós chama vida. Há um todo de tarefas e objectivos a cumprir que vêm muito antes. No caso das mulheres, é incontornável a espera do livro que ainda está por escrever. Para depois dos filhos. Para depois da carreira. Para depois da casa. Para quando houver silêncio. Depois do ruído da rotina perde-se o espaço para as histórias que só se constroem no silêncio que de quem habita a escrita como se fosse a sua própria casa. No que me diz respeito, também espero por um depois. Nem que esse depois seja outro nome que eu dê à urgência da minha vontade.

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  14. Desde menina que senti gosto pela leitura e pela escrita.
    Comecei cedo a escrevinhar, mas só na idade adulta consegui publicar alguns textos numa coletânea e numa brasileira sempre pagando pela sua publicação.
    Aventurei-me na literatura juvenil (uma coleção de 5 volumes mas, mais uma vez, foi publicado como edição de autor e pedi um empréstimo que ainda estou a pagar. Pelas vendas só posso concluir que foi um fracasso.
    As editoras que o receberam alegaram que tinham já um plano de novas edições.
    O segundo volume da coleção está escrito e revisto.
    As mulheres querem entrar no mundo da escrita, porém parecem faltar os apoios.
    Será assim nos outros países? Não creio.

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    1. António Luiz Pacheco13 de maio de 2011 às 02:33

      Não é um clube só de mulheres... ahahah!
      Bem-vinda pois...

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  15. Uma pessoa (uma mulher) por um filho adia qualquer coisa. A cabeça continua a funcionar, tem ideias, arrisca umas "curtas". Há permanente angústia por não conseguir concretizar a maior parte do que se lhe assoma ao pensamento. Sabe, todavia, que para escrever literatura o empenho tem de ser total. Ainda há muito que aprender. Tudo, talvez. Pede ao Universo que a sua hora tarde, para conseguir, um dia, ter a disponibilidade de que o seu Amor necessita. Adiar não é desistir. É tão-só a latência que se lhe impõe por existir alguém, muito maior do que ela ou os seus desejos, que precisa que esteja a seu lado. Uma pessoa (uma mulher) não fica triste se isto acontece, porque aprende com as entranhas a renunciar ao egoísmo. Mas, não esquece. A sua exigência de escrita manifestar-se-á sempre, ainda que de forma subtil e habitar-lhe-á o peito até ao dia derradeiro.

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  16. Penso que o facto de haver menos mulheres escritoras se deve sobretudo a uma questão de opção. É obvio que não se podem fazer todas as coisas ao mesmo tempo: ter um emprego, ter família e escrever com o objectivo de ser mais do que um hobby. Ser escritor implica deixar outras coisas para trás:
    um emprego convencional que permite independência económica e que dificulta a aposta num outro modo de ganhar a vida;
    ou uma família também convencional em que se arrisca o que de melhor sonhámos para a nossa descendência.

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  17. Bom dia,

    Achei delicioso ler os posts aqui colocados. Uns mais pacíficos, outros mais alvoraçados, muito bem escritos. Foi mesmo delicioso!

    Quanto à questão das mulheres/homens, acho que se abordaram várias perspectivas e todas têm em si, um pouco de verdade.

    É verdade que as mulheres com a vida profissional, casa, filhos e maridos, acabam por ter menos tempo para se dedicarem a si mesmas. Seja a escrever, a pintar, ou qualquer outro tipo de actividade. Claro que isto não é linear, mas no geral é o que acontece.

    Também acho que as mulheres são mais cruéis/exigentes com outras mulheres e mais condescendentes com os homens (não nos podemos livrar da nossa responsabilidade nisto).

    Falo por experiencia própria e por aquilo que vejo à minha volta. Uma mulher muito facilmente critica outra, se por ex a outra não é uma boa dona de casa. Ou se a outra “abandona” o seu filho para num acto de “egoísmo” pensar em si mesma. Ou se não trata do seu marido convenientemente.

    Não se iludam, apesar das aparências ainda é assim, apesar de mais ténue. Se cada uma de nós pensar bem nisso, verá que é assim, quantas vezes já não ouvimos este tipo de comentários, das sogras, mães, amigas? Se entre os homens há o mesmo sentimento, não sei.

    Eu adoro ler e já li muitos livros, confesso que nunca tinha reparado se são mais autores homens ou mulheres, mas assim de repente, de facto acho que já li mais livros de homens que de mulheres.

    As percentagens só terão importância, se de facto as mulheres publicarem menos por descriminação, no entanto a responsabilidade é de todos.

    Mónica Leal

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  18. A qualidade e o conteúdo do que se escreve é mais importante do que o facto de ser masculino ou feminino.
    Quando se gosta e se quer escrever há que dar espaço a esse gosto para que se desenvolva e se transforme em algo com conteúdo para quem escreve e quem lê.
    Eu como homem gostaria que existissem mais mulheres escritoras - há uma curiosidade em saber como pensa alguém do sexo oposto, que sentimentos transmitem pelas palavras e que tipo de sensibilidade são capazes de passar para o leitor.
    Será que se existissem mais autoras existiriam mais leitores do sexo masculino?

    Escrever deve ser um acto de prazer, entrega, aproximação com o outro e não deve ser condicionado pelo tempo ou pela rotina - há claramente um esforço a fazer. Mas, quem corre por gosto não cansa.

    A quem deseja escrever mãos-à-obra. A Maria do Rosário quer muitos textos para ler - com qualidade (por isso é que não lhe enviei nenhum).

    Manuel de Sousa
    manuelsous@sapo.pt
    http://manueldesousa.blogs.sapo.pt/

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