Mudam-se os tempos
Fico sempre muito irritada quando ouço dizer que antes do 25 de Abril é que estávamos bem. Já para não falar no atraso e na miséria em que os Portugueses viviam, basta lembrar que metade da população era analfabeta. E, quanto a este último ponto, tudo mudou. Há algum tempo, o Manel e eu fomos convidados por uns amigos que têm uma quintinha no Minho, perto de Guimarães, para lá passar um fim-de-semana; como iam mais pessoas, os nossos amigos pediram a uma senhora da aldeia que fosse cozinhar para nós naqueles dias. Era uma mulher dos seus quarenta e cinco anos, robusta, de bata florida e com mãos de ter trabalhado a terra. O tempo não estava grande coisa e, numa manhã, quando o Manel se levantou e foi à cozinha tomar o pequeno-almoço, comentou a chuva com a dona Rosa. E não é que, para espanto dele, ela lhe respondeu que, realmente, era uma surpresa, porque na véspera tinha ido à Internet ver o tempo e anunciavam um dia bem melhor? Lá em minha casa, quem me ajuda na lida doméstica é outra dona Rosa, uma senhora de uns sessenta anos que trabalhou toda a vida numa fábrica. Ontem, tive de ir a casa a meio do dia e encontrei-a, surpreendentemente, a ler. O quê? O romance que eu própria escrevi nos anos 90 e do qual há uma prateleira cheia no meu escritório. E já ia a meio… Achei maravilhoso. E depois digam lá que as coisas antes eram melhores.
Comungo da sua irritação. Só comparável com a que sinto quando ouço outra frase muito em voga - "Isto só neste país!" - ou, mais recentemente, quando sou agredido pelas arremetidas do arrependido Dr. Catroga.
ResponderEliminarConcordo inteiramente consigo e comungo dessa sua irritação, meu caro Francisco Agarez !
EliminarPerdoe-me a eventual publicidade pessoal, mas por essas mesmas razões publiquei no Correio do Ribatejo, último, um artigo de opinião a que chamei "Nós os Portugueses", onde dei corpo a essa mesma recusa e irritação!
Com os melhores cumprimentos
E a sua surpresa é... porque o cliché das empregadas domésticas diz que elas não sabem ler?
ResponderEliminarA minha surpresa é porque há dez anos - ou talvez menos - as duas situações que refiro seriam impossíveis.
EliminarMeu caro Tiago:
EliminarCliché da empregada doméstica? Acho que está um bocadinho desviado da actualidade... é que há empregadas domésticas "clássicas", como a minha Ermelinda que tem 65 anos, não lê, não gosta, nunca se habituou e não tem tempo nem paciência... aliás nem vê televisão porque não "aprecia", e, a sua nora que tem 35, estudou até ao 9º ano, faz limpezas em consultórios ou casas particulares e me pede livros emprestados, o que excepcionalmente faço, porque os trata com todo o cuidado... claro que são sobretudo a velha Colecção Azul e vez ou outra inquire se tenho algum que esteja na moda e ela vê nas revistas.
Este "claro" não é pelo estereótipo que refere e sim porque conheço e tenho uma noção perfeita das pessoas... é por isso que existem escritores num espectro que vai de Marizabel Xavier Fogaça a Lobo Antunes... e se acha estranho, pois passe os dias a limpar escadas, depois ainda trate da casa e do marido e dois filhos, e, verá o que é que à noite lhe apetece ler... ou ver na TV...
Há hoje empregadas domésticas com um nível escolar ao mais alto nível... que conduzem o seu próprio carro e algumas com melhor tipo que as "patroas"! Os clichés têm por isso de ser muito alargados, e até os mais conservadores surpreendem, como foi o caso presente!
Não me leve a mal e não veja animosidade no que lhe digo, apenas uma opinião diferente, talvez por diferente contacto com a vida, mas acho que a sua reacção quanto ao cliché pode ser fruto de algum idealismo sério e louvável, mas menos realista... isto somos nós a falar e trocar pontos de vista.
Creia-me com toda a consideração.
Eu compreendo-o e tem razão efectivamente naquilo que diz. Eu próprio, depois de um dia de trabalho, não tenho "cabeça" para ler... mas não deixa de ser uma generalização, porque de facto não são todas as pessoas.
EliminarQuando referi a questão do cliché, foi uma ironia devido ao aparente tom de surpresa da Maria Rosário Pedreira...
Meu Caro Tiago
EliminarGrato pelo seu prezado esclarecimento e pelo tom cortês em que foi feito, sinal de que me percebeu claramente, coisa que nem sempre consigo alcançar.
É de facto muito agradável e instrutivo trocar estas opiniões aqui no blog com pessoas como você! Muito sinceramente
Cordialmente...
Sim, tem razão, Dra Rosarinhio, a criadagem anda muito instruída. E parece que as ninhadas deles já sabem ler antes dos 10 anos e tudo. E até já sabem usar a internet, veja bem! Quanto ao gosto de romances deles é que parece que a coisa anda pelas ramas baixas...
ResponderEliminarCom efeito, ninguém que tenha um mínimo de honestidade, sensibilidade e sobretudo de realismo pode ignorar ou negar o que era o "antes" e o que é o "depois", do 25 de Abril, em termos de desenvolvimento das pessoas!
EliminarPerderam-se coisas boas? Sem dúvida...
Ganharam-se outras... igualmente!
E, feito o balanço creio que este é francamente positivo para o lado do pós 25 de Abril! Só o facto de podermos estar aqui tranquilos e a partir de casa a opinar livremente, é motivo para o entendermos!
Como de origem rural, fui ainda criado nesse tal ambiente de iliteracia e grande atraso. Lembro-me de coisas que hoje parecem incríveis... como das criadas encostadas na umbreira da porta da sala, a ouvir o teatro Tide que minha mãe seguia no rádio, sentada de cadeirão... era algo que se lhes permitia. Eram assim as normas e não adianta hoje classificar!
Conheci muita gente que não sabia escrever e nem ler, até da minha criação... ainda há dias fui ali ao Silvestre (o bate-chapas da aldeia) e lá encontrei um antigo companheiro de brincadeiras filho de uma trabalhadora nossa, hoje pequeno constructor que se lembrou de a mãe lhe ir dar banho para ele vir brincar comigo ! Parece que estamos a falar de outro Mundo, mas foi há apenas 45 anos...
Compreendo perfeitamente o que a Drª Mª do Rosário diz e o alcance dessa sua admiração, pois assisti em primeira-mão a isso e Graças a Deus que já não é assim! Até eu estou aqui a botar faladura num blog... eu que sou uma espécie de Neandertal informático e a quem a malta mais nova com quem participo nos sites de pesca submarina, apodou de Jurássico!
Até já aprendi a ir ver sites de meteorologia para planear trabalhos ou medidas... espantoso!
Sinto-me assim tal e qual! E como me espanta e me gratifica que hoje assim seja!
Era o analfabetismo e a mortalidade infantil, dramática, entre outras coisas.
ResponderEliminarMas a cobardia, essa, mantém-se igual à daqueles tempos!
Compreendo a irritação da autora do blogue, mas esse lugar comum («antigamente é que era bom»), que se pode aplicar a qualquer lugar e a qualquer tempo, acompanha as sociedades humanas desde há muito.
ResponderEliminarPor um lado, há a memória, e a nostalgia, do tempo perdido que não voltará mais; por outro, a ideia da decadência inelutável dos tempos (apesar da coexistência com a ideia contraditória do progresso ilimitado).
Reparem nas frases abaixo:
1. A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, troça da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos seus pais e são simplesmente maus.
(Sócrates (469-399 a.C.)
2. Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, sem princípios, simplesmente horrível.
(Hesíodo, século VIII a. C.)
3. O nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.
(Sacerdote não identificado, c. 2000 a.C.)
4. Esta juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.
(Descoberta num vaso de argila nas ruínas da Babilónia, c. 4000 a.C.)
Bravo!
EliminarÉ assim mesmo que são as coisas, penso eu... e o sinal iniludível de que estaremos a envelhecer é esse sentimento de perda dos "bons tempos", a nostalgia, e por vezes sentirmos essa tentação da "busca do tempo perdido".
ResponderEliminarDiz um provérbio árabe, que um homem não deve voltar ao lugar onde foi feliz...
E, já que estamos em matéria de citações, digo esta muitas vezes aos meus júniores cá de casa:
"Os velhos desconfiam dos novos, porque já foram novos!".
Acho que resume tudo e é de um saber único como foi o seu autor.
Ou será precisamente porque se esqueceram de como eram quando eram novos?
EliminarHum... vai dar ao mesmo... cara Anabela... mas talvez entenda melhor se lhe citar uma outra frase que diz "Não há nada de novo aqui debaixo do Sol!"
Eliminar(não, não é original dos Rádio Macau...)
Mil perdões Anabela, a citação correcta de William Shakespeare é:
Eliminar"Os velhos desconfiam da juventude porque foram jovens."
Pode eventualmente fazer a diferença... e o que de facto é relevante é a sua actualidade que é eterna!
"Nihil sub sole novi" é o provérbio latino que citei e é usado no tema dos Rádio Macau, "O Anzol".
EliminarPara que não fiquem dúvidas...
Bem se vê que as rosas portuguesas estão bem adubadas.
ResponderEliminar:- )
De uma forma geral as pessoas têm memória curta. Outras não têm memória.
ResponderEliminarÉ efectivamente irritante ouvir falar do antes e depois do 25 de Abril pôr pessoas desmemoriadas ou que nem sequer assistiram ao antes.
No 25 de Abril tinha eu 19 anos, tempo suficiente para já ter vivido algo.
Nasci numa aldeia onde todos os miúdos, acabada a escola primária, seguiram com os pais para Lisboa e pouco depois estavam a trabalhar. Houve 4 excepções: um cujos pais ficaram na aldeia e os outros três, um dos quais eu, foram estudar para o liceu que ficava a 15 km. Como não havia transporte era necessário alugar um quarto, melhor dizendo, uma cama, durante a semana.
Estive dois anos no liceu, creio que na altura se chamava primeiro ciclo, e depois fui para Lisboa trabalhar, ainda com doze anos.
O primeiro bife comi-o depois de ir para Lisboa.
As ruas da aldeia eram de terra batida.
A água era das fontes e carregada em cântaros e baldes.
O WC era ao ar livre.
A maior parte das mulheres com mais 10 anos que eu só tinha a 3ª classe.
A maior parte das mulheres com a idade da minha mãe era analfabeta.
A maior parte dos homens da mesma idade tinha a 4ª classe.
A partir do 3º ano do liceu estudei sempre em externatos (porque não havia liceu nocturno) como trabalhador-estudante.
Fiz a faculdade como trabalhador-estudante.
Mestrado como trabalhador-estudante.
Comparado com os miúdos que fizeram a primária comigo, fui um privilegiado.
Sou o que sou, por tudo o que me foi sucedendo e pelo que fui capaz de fazer suceder.
A generalidade das empregadas domésticas não sabia ler? Não é uma opinião. É um facto estatístico, tal como a falta de memória.
Já agora, parabéns à MRP pelo serviço público que vem prestando aos anónimos que necessitam de se expressar. Hoje em dia é raro conseguir terapia gratuita.
Onde está pôr, por favor leiam por.
EliminarObrigado.
Se, antes do 25 de Abril metade da população era analfabeta, haverá dúvidas que actualmente acontece o mesmo? Eu não tenho!
ResponderEliminarConheço licenciados (muitos) que não sabem compor uma frase, melhor NÃO SABEM LER NEM ESCREVER, apesar da maioria estar, se calhar todos o dias, de cócoras na Internet....
Há dúvidas? eu não as tenho, basta ver o programa do MALATO...até arrepia....
Há.
EliminarAinda que não saibam ler nem escrever, sabem qual o destino do autocarro, qual a linha em que devem tomar o comboio, qual o nº do gabinete do médico, o destino indicado na placa na estrada.
Sempre é uma diferençazita.
Sobre o outro analfabetismo, o pensante, basta olhar para a Assembleia a que chamam Parlamentar. Ou um outro exemplo: o de quem toma as medidas ministeriais para a educação.
Fez a Dona Rosa. muito bem
ResponderEliminarTambém eu cá o tenho e volta e meia também o releio. (Nunca pensei é que pudesse ter uma prateleira cheia deles no escritório; pois, veja lá, pensei que tivessem sido vendidos como pastéis de belem)
Sem querer colocar em causa a generalidade do que por aqui foi dito, parece-me, particularmente nas citações de Sócrates, Hesíodo, Shakespeare e outros, haver um certo fatalismo e um demasiado relativismo moral, não no conteúdo em si mesmo das referidas citações, mas no modo como foram utilizadas nestes comentários. Estas citações parecem-me a mera constatação de factos.
ResponderEliminarOs jovens não respeitam os velhos. Poderemos assumir provisoriamente como um facto. Mas, pergunto eu, será que os velhos respeitam os jovens? Ou será a velhice por si mesma um posto merecedor de respeito, independentemente de quem seja esse "velho"?
Não será esse respeito pelos velhos um equívoco?
Por que não substituir o respeito pelos velhos pelo respeito para com a humanidade? Seja pela jovem seja pela velha?
Porque é os os adultos hão-de partir do princípio de que são desrespeitados pelos jovens se nada fazem para os educar nesse respeito? Já se tentaram colocar no lugar do jovem ou perguntar-lhe se ele se sente respeitado?
A negação da autoridade faz parte do crescimento de qualquer jovem. Se o adulto vê isso como falta de respeito, então é porque talvez ainda não tenha ultrapassado também a idade moral do adolescente. Se o adulto vir essa fase como parte do crescimento e agir em conformidade, isto é, tratando o jovem como outro igual a si mesmo, conversando com ele, reflectindo com ele, talvez haja mais proveito para ambos e ambos descubram que afinal ainda têm muito que aprender.
Talvez o problema geral de jovens e adultos ou velhos, seja o de compartimentar a realidade em pequenos lugares estanques e incomunicáveis e não verem ou não quererem ver que a realidade é algo de complexo para ser visto de "fora". Algo que só é compreensível como um todo.
Talvez o tom em que disse estas coisas possa ofender algumas pessoas. Não é essa a minha intenção e, se assim tiver sido entendido, peço desde já as minhas desculpas.
Ora até que enfim encontro alguém que partilha do meu ponto de vista quanto ao "respeito pelos mais velhos"! Sempre entendi que se deve respeitar as pessoas pelo que são e não pelos anos que viveram. Nunca compreeendi porque razão os velhos (ou idosos, como preferirem) mal se tornavam velhos se tornavam de repente boas pessoas, merecedoras do maior respeito - e quando transportavam atrás de si um passado (e presente) em que deram cabo da vida a muita gente? - eu conheci uns quantos desses! Aliás, sendo mais velhos mais tempo tiveram para fazer patifarias :)
EliminarFaz-me lembrar o caso daquele grupo de velhos que aqui há uns anos se entretinha a fazer uns assaltos e que depois de apanhados tiveram direito a uma série de entrevistas como se fossem uns heróis. Toda a hente achou um piadão. Ainda por cima tiveram a coragem de atribuir a responsabilidade dos assaltos ao único deles que tinha morrido.
A mim não me ofende mesmo nada, e até lhe dou razão!
ResponderEliminarEstamos a trocar idéias , e aliás de uma forma muito correcta e sobretudo idéias maduras, não apenas frases feitas! Se bem que possa transparecer das minhas citações que eu apenas esteja a fazer um exercício disso mesmo: - De citar, só para exibir conhecimentos colados e apreendidos pela minha memória livresca!
Creia que as citações que faço, são mesmo por verificar que se aplicam, são correctas e sempre actuais! E até deviam ser muito tidas em conta no nosso dia-a-dia!
O desrespeito, por norma é mútuo... bem o sabemos, e vem da intolerância, que para mim foi o maior flagelo do século XX e continua já neste, por culpa do excesso de informação circulante e da sua rapidez, que nem dá tempo a que as idéias amadureçam e sejam, digamos que, "filosofadas"...
Diz que: "Já se tentaram colocar no lugar do jovem ou perguntar-lhe se ele se sente respeitado?"
Claro... sucede é que eu já fui jovem e hoje sou de meia-idade, qualquer dia sou velho... E sei hoje muitíssimo mais do que sabia há 10, 20, 30 anos... e digo saber da vida, não apenas no sentido académico.
Aquele que é hoje jovem... ainda não foi nada senão jovem... Há uma certa vantagem para o "nosso" lado! Compreende?
O que não lhe tira razão naquilo que diz, de resto... e sim, a maioria do pessoal tem a memória curta, seja a política seja a da idade...
Um abraço para si!
Caro António
EliminarAntes de mais, creio que deveremos ter aproximadamente a mesma idade. Por outro lado e dado o blog onde estamos a comentar, é natural que já tenhamos algumas leituras e por vezes as frases ou citações surjam mesmo sem as chamarmos.
Não era com a intenção de criticar as citações que fiz o comentário, mas para alertar para aquilo que me parece um equívoco grave, que é a falta de respeito para com os velhos.
Olharmos as citações sem as integrarmos num todo, pode dar a ideia que todos os jovens devem respeitar todos os velhos.
Pessoalmente não estou e nunca estive de acordo com essa atitude.
Essas citações são fruto de reflexão e têm toda a validade no tempo e cultura em que foram produzidas. Mas podem e devem ser questionadas no nosso tempo. Para isso nos serve a história. A verdadeira e completa, não a que agora anda por aí muito falsificada nos manuais escolares.
Se estiver lembrado, mesmo em 73 ou 74, era óbvio que o respeito pelos mais velhos era uma obrigação. Nesse aspecto sempre fui um marginal, talvez porque comecei a trabalhar e a sustentar-me a mim mesmo ainda antes dos 13 anos. Não que desrespeitasse os mais velhos, mas porque sempre lhes exigi o mesmo respeito, mesmo com 13 anos.
Também porque ainda tenho alguma memória desses tempos, tenho procurado dialogar, muitas vezes por escrito, com a minha filha adolescente, sobre este e outros assuntos. O que afirmei no meu comentário anterior é resultado desta mais recente experiência de diálogo e da minha memória antiga.
O respeito deve começar por ser o respeito por nós mesmos e continuar no respeito por todo o ser humano.
Com isto, não pretendo estar a dar lições a ninguém (embora por vezes assim pareça), mas apenas a relembrar algumas memórias ou a juntar algumas achas para a discussão (troca de ideias).
Talvez também não seja correcto prolongar estes comentários num espaço que não é meu. Terei no entanto todo o gosto em prolongá-lo, por exemplo, através do mail que poderá encontrar "clicando" no meu nome que aparece no comentário.
Só para terminar, devo dizer que este é um dos raríssimos blogues onde vale a pena comentar, porque ainda que possa não haver acordo há pelo menos troca de ideias. E essa é uma forma quase perdida de convivencialidade.
Peço desculpa, mas afinal o link remete para o blog e não para o mail que é: joaomraposo@gmail.com
EliminarEspero que a dona do blog me desculpe pelo abuso.
Meu Caro João:
ResponderEliminarSomos precisamente da mesma fornada! Que tinha 19 anos no 25 de Abril...
Cito-o: "... devo dizer que este é um dos raríssimos blogues onde vale a pena comentar, porque ainda que possa não haver acordo há pelo menos troca de ideias. E essa é uma forma quase perdida de convivencialidade."
Sinto exactamente o mesmo! Porque adoro uma boa conversa - sobretudo quando há alguma discordância saudável e não extreme, o que é estimulante. E, não creio que estejamos a maçar ninguém... embora às vezes me aqueçam as orelhas quando me alongo.
Um abraço
É exactamente como eu fico quando me dizem isso.
ResponderEliminarQuando se deu o 25 de Abril eu tinha 6 anos e claro que não tinha noção como era viver antes, mas pelo que os meus pais contam...era terrível .
Parabéns pelo destaque.
Boa semana
Minha Cara Geriatria...
ResponderEliminar"Terrível" viver antes do 25 de Abril... não era assim tanto! Muitos de nós fomos bem felizes nessa época, como na geração do meu avô foram bem felizes no tempo da monarquia...
Pode parecer terrível, à luz da actualidade... como seria terrível viver no tempo das descobertas, na idade média e terá sido nos tempos anteriores...
Não é bem assim! Acho eu que não presumo ter razão absoluta... é apenas o que penso.
O viver em épocas anteriores pressupõe toda uma adaptação e forma de pensar ou de fazer que não pode ser analisada pelos parâmetros posteriores. Exemplo:
Eu que estudei em Évora, ia de camioneta (que mudava várias vezes, até esperando pelas seguintes) ou de comboio! Outras vezes à boleia... para poupar o dinheiro para "os copos com a malta". Na época era assim que se fazia e isso não me custava nada... nem havia outras opções! Para o meu filho, hoje, isso é terrível! Compreende?
Antes do 25 de Abril vivia-se como hoje... e, para as pessoas de então, pensar que haveria um dia uma polícia que ia fechar um restaurante por causa de ter colheres de pau e facas sem cabos de cores diferentes... seria terrível! Como seria terrível imaginar que ia haver estrangeiros a mandar na nossa economia... ou um partido pelos animais, ou despenalização das drogas ou que seria obrigatório o teste do balão! Tudo coisas que à luz de então seriam TERRÍVEIS ! Até desumanas... mas as idéias mudaram, e certamente que daqui a 30 anos alguém vai achar que foi terrível viver na época de Sócrates e do FMI, etc...
Pela minha parte vou aproveitando as coisas boas e tentando evitar as outras... como sempre se fez e fará!
Cumprimentos
Partilho totalmente a sua irritação. Não me lembro bem do 25 de Abril e não vivi o «antes». Mas sei. Sei que não me deixariam ser o que sou se nada tivesse mudado. Não teria lido o que li, ouvido o que ouvi, cantado o que cantei. E lerei, ouvirei, cantarei.
ResponderEliminarFico doida quando oiço «fazia falta o Salazar», mesmo nunca tendo experimentado o que era «ter um Salazar». A sério.
Minha Cara Maria:
ResponderEliminarSe tivesse vivido em qualquer outro tempo que não o seu ou o actual, não seria o que é hoje ou em qualquer outra altura! Seguramente!
Com ou sem Salazar ou Marquês de Pombal ou outro qualquer.