Livros que voltam
Todos somos diferentes – e não é fácil encontrar um livro que agrade a toda a gente. Claro que há clássicos que são lidos por muitas gerações com o mesmo entusiasmo, mas em cada geração há livros que saem, fazem o seu caminho e depois se esquecem de repente. Durante anos, sempre que faziam inquéritos sobre as leituras preferidas de figuras públicas, havia um título que se repetia até à exaustão. Tratava-se de O Perfume, de Patrick Suskind, que teve um sucesso estrondoso quando foi lançado e fez as delícias de muitas pessoas à roda da minha idade. O autor, depois de vender quinze milhões de livros, foi acusado de plágio (pois tinha sido editor e alguém se queixou de Suskind lhe ter roubado a história de um original enviado para publicação), mas nem assim a coisa esmoreceu; os outros livros do autor, porém, não deixaram grande rasto em Portugal (excepto um divertimento chamado A História do Senhor Sommer, recentemente reeditado, mas próximo da ficção juvenil). Já há muitos anos que não ouvia falar do livro do homem que não tinha cheiro (mas tinha um olfacto apuradíssimo), e um dia destes, em conversa com a minha sobrinha de treze anos sobre o que andava a ler, a resposta dela foi inesperada: O Perfume. Talvez os pais a tenham influenciado, não sei. Mas foi engraçado ver como certos livros voltam quando os pensávamos esquecidos.
é curioso, só li esse livro este ano, em Janeiro, porque foi uma oferta de Natal.
ResponderEliminartalvez por ter ouvido falar tanto do livro, fiquei meio desiludido.
embora a história esteja bem contada, acho-a pobre, e também me questionei: porquê tanto sucesso? pela estranheza e frieza da personagem principal? por retratar uma outra época histórica?
claro que é obra alguém escrever um romance sobre alguém que nasceu deformado, fisicamente e moralmente...
Na Alemanha, "O Perfume" teve mesmo um sucesso incrível, anos a fio. Já se falava dele, quando aqui cheguei, em 1992, e vi-o durante anos nas livrarias, sempre nas listas dos mais vendidos. Quando se fez o filme, tornou a integrá-las.
ResponderEliminarO meu marido adora o livro, eu não (até gostei mais do filme, o que é raro, costuma ser o contrário). Acho a história interessante, sobretudo, a ideia, muito original, mas não é o meu tipo de leitura e também acho que o enredo tem as suas fraquezas.
Se a história do plágio é verdadeira, pode ser uma explicação para a falta de sucesso dos outros livros do autor. Mas é só uma possibilidade, há outros casos parecidos (sem plágio).
Tá no PNL. A stora mandou ler.
ResponderEliminarHum... E recomendá-lo-ão no 8.º ano?
Eliminar"O Perfume" no PNL?!!!
EliminarJá agora, pergunto: "O Principezinho" é considerado literatura infantil? A partir de que idade?
Não vem muito a propósito, mas recordo um post onde se referia a falta de intercâmbio entre Portugal e o Brasil, creio, e sabia que tinha lido uma coisa que me deixou banzado.
ResponderEliminarDeixo-a à tua e à vossa consideração:
http://nemsemprealapis.blogspot.com/2010/04/porque-net-fornece-um-novo-dia_26.html
Li «O Perfume» há muito tempo. Num tempo em que não me preocupava em, no final, fazer uma crítica - mental ou não, partilhada ou não - do dito. Lia com a voracidade e prazer com que comia maçãs enquanto estudava. No entanto recordo que pensei como o protagonista era diferente de mim: contrariamente à criatura em questão, o meu olfato (AO, pois) é mau. Muito. Só espero que não sejamos «simétricos». Seria chato.
ResponderEliminar“Mas foi engraçado ver como certos livros voltam quando os pensávamos esquecidos.”
ResponderEliminarOs livros não se esquecem. Haverá sempre amantes de livros que eu esqueci e que sempre se lembram deles, assim como eu venero livros que outros esqueceram ou nunca leram, nem dando conta da sua existência. Essa é uma das magias dos livros, há sempre alguém que os mantém vivos. Há sempre alguém que vibra com eles. Há sempre alguém que os abraça como organismo vivo que são, intemporais, de todos e de ninguém, com existência partilhada, amada, odiada ou indiferente. Mas viva.
Se calhar, não foram os pais.
ResponderEliminarSe calhar, foi o/a professor/a de Português quem lhe aconselhou a leitura.
É que ainda há profes que gostam de ler e querem contagiar os alunos.
Ainda há dias tinha diante de mim uma sala cheia de alunos com livros diferentes na mão: Dumas, Kafka, Wilde, Sepúlveda, Torga, ...