Letras e ciências
Na geração do meu pai, as pessoas ainda faziam o liceu até ao fim com as disciplinas todas de letras e ciências, o que lhes permitia escolher qualquer curso que quisessem fazer, pois estavam habilitadas a quase todos; e foi talvez por isso que o meu pai foi para Engenharia, mas, percebendo que não tinha vocação nem jeito para desenhar, mudou no ano seguinte para Direito sem ter de fazer cadeiras suplementares. Do seu grupo de amigos dessa época, faziam parte, além do famoso poeta Alexandre O’Neill, o físico António Manuel Baptista que, apesar de ligado à ciência, também escrevia poemas e apreciava as letras. Foi, de resto, por causa deste homem de ciência que fui parar à edição, o que tem a sua graça. Ele era uma espécie de consultor da Gradiva, indicando livros de divulgação científica que achava deverem ser traduzidos em Portugal, e um dia o editor perguntou-lhe se não conhecia ninguém que pudesse ser assistente editorial. E ele recomendou o meu nome, mudando a minha vida. Tem graça que, mais tarde, também a filha mais nova, a Cristina Ovídio (hoje no Clube do Autor), seguiu a mesma área. Letras e ciências unidas.
Pois, a ciência da boa cunha
ResponderEliminarEssa agora até teve graça!
EliminarMas afinal, a ciência é ciência... seja ela das letras ou da vida! Para mim ciência significa
"saber", pura e simplesmente. E parece-me que há e deve haver transversalidade nela...
Ser-se "especializado" ou só ter saber numa área, (pode até ser todo o saber que há no Universo) acho que é limitado e limita muitíssimo ao dito especialista.
Acho que todos os especialistas que conheço são normalmente limitados... será que me fiz entender?
Um bom fim de semana! Parece que pelo menos no litoral e centro vai estar bom tempo...
Caro António
Eliminarparece-me ter toda a razão quando fala das limitações dos especialistas. Poderia relembrar a frase de Abel Salazar "um médico que só sabe medicina nem médico é."
Temos também o exemplo da sapiência dos especialistas anónimos.
E também não vejo qualquer problema em contratar alguém conhecido para efectuar um trabalho, desde que esse alguém seja manifestamente competente para a tarefa. Mas que o critério seja a competência e não o amiguismo.
Caro Anónimo:
ResponderEliminarHá cunhas e cunhas. Qual a diferença entre aconselhar a um amigo uma pessoa conhecida que se tem por competente para desempenhar uma tarefa e contratar uma agência de selecção de candidatos?
Na primeira «há compadrio» e na segunda «profissionalismo»?
Teoricamente pode ser assim, na prática não é.
Bem mais condenável é publicarem-se comentários sob anonimato, não acha?
P. S. Declaração de interesses: Nem eu conheço pessoalmente M. R. Pedreira e A. M. Baptista nem eles a mim.
Bem, os contactos e as relações pessoais acabam por ajudar (como em tudo na vida). Se a família da Maria do Rosário não tivesse esse contacto editorial, ter-se-ia perdido uma boa editora. E uma escritora também, talvez, pois era bem possível que a Maria do Rosário ainda não tivesse arranjado editora para os seus textos/poemas...
EliminarBom... e viver inserido em sociedade não é isso mesmo? Claro que uma pessoa insociável, um misantropo ou um eremita, um auto-excluído ou um ostracizado (existe o termo?) não pode ter esse tipo de actuação e nem existe nenhum inter-relacionamento ... certo?
ResponderEliminarPortanto é absolutamente lógico que quem conheça alguém que se adapte a uma necessidade determinada, o indique... é bem diferente do proteccionismo, clientelismo ou da chamada "cunha"... parece-me a mim!
Isto de que estamos aqui a falar também é uma ciência, social? Não é?
Em relação ao post sobre Mulheres Escritoras, a entrevista a Alice Vieira vem mesmo a calhar:
ResponderEliminarhttp://www.ionline.pt/conteudo/122930-durmo-tres-horas-dia-nao-e-que-nao-tenha-sono-nao-tenho-e-tempo-mais
Transcrevo um extracto:
«Ele [Mário Castrim] incentivava-a a escrever?
Muito, muito. Eu acho mesmo que ele deixou a carreira dele de escritor para trás exactamente para que eu pudesse fazer a minha, não tenho dúvidas nenhumas (...) Para eu fazer a vida que fazia, ele tinha que ficar com os miúdos, e tratar da casa. Tinha que aguentar o barco.»
E que «saudades» eu tenho desse tempo, apesar de não ter idade para as sentir...
ResponderEliminarSou um produto da «geração psico-técnicos » e muitas vezes me revolto contra esta política absurda de se ter que escolher aos 16 anos o que vamos fazer aos 23! Sim, porque no fundo é disso que se trata. A maioria dos jovens que sentem estar a trilhar um caminho demasiado «fechado» não tem liberdade para aos 20 dizer: afinal acho que me enganei, devia mesmo era ter ido para ciências! (Por mim falo, se ousasse dizer tal coisa aos meus pais, acho que lhes dava uma coisinha má....) Porque é que esta «cambada do eduquês » não percebe de uma vez por todas que «forçar» alguém que ainda nem se sabe definir a si próprio a definir o seu futuro é empurrá-lo muitas vezes na direcção dos famosos cursos superiores sem empregabilidade?!? Mas como os psico-técnicos » do eduquês mostraram 5% mais de preferência por línguas do que por geometria, o melhor é seguir para letras, encaminhe-se para letras...
Hoje, encontrei um meio-termo e sou cientista social, mas nos dias em que acordo ma--disposta e com vontade de mandar os meus informantes às urtigas ainda me lembro da liberdade que poderia sentir ao mandar as bactérias para sítios mais desagradáveis...
Viva.
ResponderEliminarSoube da existência deste esaço através da revista do JN, que se falava aqui de livros. Neste texto CIÊNCIAS E LETRAS o que mais me impressionou, foi, por um lado fazer-se no Liceu todas as dsiciplinas de ingresso na Universidade, porque no meu tempo já era por alíneas, depois foi o Pai mudar de Engenharia para Direito, áreas tão diferentes.
Agora livros, eu tenho obras publicadas mas sinto-me sozinho.
Pode ajudar-me '
Ob.
João Brito Sousa'