Ser escritor
Não se é escritor porque se quer, mas porque se pode. E, porém, há imensos livros que se publicam de pessoas que decidem que a pele de escritor lhes serve às mil maravilhas – e até se vendem muito bem porque, infelizmente, nem toda a gente que aprende a juntar as letras sabe ler. Os verdadeiros leitores, como os verdadeiros escritores, serão sempre uma minoria – e a literatura séria está, com o tempo, condenada a ocupar uma pequena parcela das prateleiras das livrarias, onde hão-de proliferar muitos outros géneros de mais fácil assimilação. É uma pena que não se financie um escritor com provas dadas, como tantas vezes se apoia outro tipo de artista (o cinema é frequentemente subsidiado e os espectáculos e exposições quase sempre têm patrocínios). Os direitos de autor – em média 10% do preço de venda ao público do livro (sem contar com o IVA) – nunca poderão pagar as horas de escrita e reescrita de um romance. Noutros países, existem bolsas ou residências literárias que dão uma ajuda, fomentando a criatividade. Em Portugal, os autores ou têm outro emprego (o que nem é tão mau como pensam) ou vivem miseravelmente. Se escreverem um romance de duzentas páginas por ano (e já é muito) e venderem três mil exemplares (e tomáramos nós que todos os vendessem), receberão menos de quinhentos euros por mês, ou seja, o ordenado mínimo. Num país sem massa crítica como o nosso, quase poderíamos dizer que os escritores são uma espécie de empregadas domésticas intelectuais.
Não poderia estar mais de acordo com o seu raciocínio e com a sua lamentação, porém, a questão não é assim tão linear. Existem outras variáveis, algumas delas tidas como seguras, como é o caso do real e verdadeiro pagamento dos devidos direitos de autor, que por vezes não se verifica por parte de alguns editores menos escrupulosos. Além disso, após a publicação de um livro, regra geral, o autor só terá conhecimento das respectivas vendas um ano depois. Alguns editores oferecem um adiantamento sobre as vendas, mas lá está, esse mesmo dinheiro não cobre as horas de trabalho que, seguramente, são inferiores ao que as empregadas domésticas recebem por hora.
ResponderEliminarHá aqui um problema cultural, profundamente enraizado na nossa cultura. Veja-se o caso do sucedido na Alemanha do pós-Guerra, onde vários escritores ficaram "desempregados", não existiam compradores para as suas obras e as editoras não tinham dinheiro para editar. Era preciso levantar o país. Contudo, os alemães sempre apreciaram a sua literatura e os seus autores, e para que eles continuassem a trabalhar e a serem remunerados pelo seu trabalho, criaram-se programas de rádio, onde os escritores alemães liam os seus contos, os seus textos, enfim, produzindo obra e alimentando o espírito de um povo em luta para erguer o país. Lá existem residências para escritores, bolsas de criação literária, e todo um conjunto de apoios aos escritores, não aos consagrados, mas aos que estão a iniciar um caminho, um trajecto. Até aos 37 anos têm apoios, a partir daí ficam entregues ao mercado.
Esta são alguma das diferenças, outras existem seguramente, mas tal não cabe neste espaço.
Manuel Mesquita
Obrigada Rosário, pelo seu texto. Apesar de ter sete romances publicados, continua para mim a ser discutível se sou escritora ou não, mas escrevo todos os dias em que não dou oito horas de aulas ou sete horas de aulas ( para as concentrar). Por um lado, abençoo a minha liberdade de professora universitária que não me faz correr atrás das vendas. Mas para correr atrás do meu sonho, deixo quase de ter vida ou melhor com o tempo a escrita tornou-se quase a minha vida... Mais grave ainda, deixei de me perguntar se vale a pena, por isso tornei-me completamente a louca da casa. Ana Cristina Silva
ResponderEliminarSol Stein (escritor consagrado nos EUA e que, no estrangeiro, é mais conhecido pelos seus livros sobre escrita criativa) diz algo como: "Não é escritor só quem já publicou livros, mas todos aqueles que não concebem a sua vida sem escrever".
ResponderEliminarExpressões como "verdadeiro escritor", "verdadeiro leitor" e "literatura séria" são muito duvidosas e deviam ser usadas com cuidado. Sei que a MRP tem provas dadas no mundo editorial, mas, mesmo assim, todos nós temos o nosso gosto pessoal e os cânones por que nos regemos.
Não há dúvida de que existe muito lixo publicado. E não há dúvida de que são raros os escritores que se podem dar ao luxo de viver da sua escrita. E, sim, também há editoras menos sérias, que não pagam o que devem.
Talvez os dedos de uma mão cheguem para contar os escritores portugueses actuais que vivem dos livros que editam. Talvez o Gonçalo M. Tavares e o António Lobo Antunes. Para eles trabalhar é escrever. E fazem-no porque amam a profissão que escolheram, são muito bons no seu trabalho e são traduzidos em diversas línguas. Quem vende livros só em Portugal, não tem mercado suficiente para sobreviver. Em qualquer negócio a dimensão do mercado é um factor fundamental de sustentabilidade.
ResponderEliminarNão há dúvida de que o Gonçalo M. Tavares e o António Lobo Antunes são "verdadeiros escritores". Mas também o Miguel Sousa Tavares e o José Rodrigues dos Santos podem, com certeza, viver dos livros que editam. Mas será o José Rodrigues dos Santos um "verdadeiro escritor"? E o Dan Brown? Escrevem eles "literatura séria"?
EliminarEra isto que eu queria dizer com "expressões duvidosas". Quem trabalha há vários anos, com competência, no mundo editorial tem mais autoridade para decidir. Mas, mesmo no "meio", as opiniões dividem-se. Acho um pouco prepotente falar de verdadeiros escritores e leitores de uma maneira abstracta, como se de conceitos universais e/ou estanques se tratasse. Quem é o verdadeiro leitor? Não será legítimo procurar, na leitura, apenas diversão? Temos todos de ler livros difíceis, que obrigam a "puxar pela cabeça"? Haverá alturas para tudo.
A Maria do Rosário desculpe, mas este seu post não compete com a qualidade a que nos habituou.
«Quem é o verdadeiro leitor?»
EliminarRicardo Piglia é autor de um livro com o título «O Último Leitor». Embora possa parecer resposta à sua pergunta, Cristina Torrão, abre precisamente a discussão
Um outro nome para essa "prepotência" seria "gosto".
EliminarNão é um conceito com âmbito universal, claro; mas sem árbitros nem gatekeepers ninguém consegue viajar em província alguma da arte.
E do que precisamos é mesmo de discussões (talvez o post, afinal, não seja tão mau como isso)...
EliminarHavia há uns anos umas "bolsas de criação literária", do IPLB. Claro que eram alvo demasiado fácil para a malta do discurso da "subsidiodependência" e foram sujeitas a uma reformulação, a cargo de um comité presidido, salvo erro, pelo Pedro Mexia. Até hoje.
ResponderEliminarConvém não esquecer que até o Camões foi subsidiado (mesmo que mal) pela Coroa.
Está portanto a dizer que os contribuintes deviam subsidiar escritores com provas dadas, pessoas que falharam em captar com a sua arte leitores suficientes para viver só da escrita.
ResponderEliminarFiquei só com uma dúvida: quando o tempo de subsidio acabasse, o que seria desse escritor? Ou o subsidio seria ad eternum?
Este país é pequeno de mais para sustentar artistas de obra exigente e difícil. Assim, podemos desistir de deixar às gerações vindouras património que se veja - esperando que apareçam mais Pessoas, capazes de produzir mesmo enterrados em vida em empregos castrantes (talento que nem todos os génios possuem). Ou podemos repetir os procedimentos que levaram o nosso Estado a subsidiar malta improdutiva como o Gil Vicente, o Camões, a Guilhermina Suggia, etc.
ResponderEliminarAs obras acabam por surgir, esteja descansado. Sabe porquê? Porque têm de surgir. Porque a crítica e os profissionais que vivem como rémoras da arte dos outros se encarregam sempre por as eleger. É simples. Não se preocupe tanto.
EliminarSurgir, surgem. Agora se conseguirão ser ainda apreciadas daqui a uns anos... só vendo.
EliminarAté fico indisposta só de ler coisas destas. Tal como fico indisposta de cada vez que entro em livrarias e vejo livros embrulhados em saquinhos de tule e com fitinhas. O que vou dizer é anátema mas acho que somos um país de leitores medíocres, editoras medíocres e escritores medíocres (há excepções, claro, condenadas à existência medíocre da minoria). Não sei se faço sentido mas o texto faz-me absoluto sentido.
ResponderEliminarBlonde, por vezes julgo que só tu nos poderás salvar...
EliminarSe é que estou ainda a tempo, peço licença para vos transcrever parte de um texto que escrevi aos meus filhos em 1997:
ResponderEliminar« (…) Continuo a ter alguma dificuldade em comparar, por exemplo, um romancista com um escultor. Escreve-se um livro para ser reproduzido em milhares de exemplares, o autor ambiciona que ele seja traduzido para outras línguas e distribuído pelo mundo, mas o seu conteúdo é impalpável. Faz-se uma escultura para existir apenas um exemplar, único e palpável, e o escultor ambiciona que pessoas de todo o mundo se desloquem para o admirar no local onde ele é colocado.
Parecem-me lógicas diferentes. Li há tempos que uma romancista americana, autora de best-sellers, emprega uma série de redactores que, oito horas por dia, lhe organizam os enredos, lhe compõem o perfil das personagens, lhe retocam a narrativa, tudo conforme as melhores técnicas da mais avançada ciência do marketing. Trabalhando numa lógica diferente, a americana utiliza no entanto processos idênticos aos do italiano. É até muito capaz de argumentar, com razão, que cada escultura do italiano também tem um conteúdo imaterial que os metalúrgicos (N: seus empregados) não prejudicaram, tal como os seus redactores não deturparam o sentido e o conteúdo que ela quis dar aos seus livros. E no entanto, parece que não fica bem que os romances sejam feitos assim. Fazer esculturas que pesam toneladas, vá com os diabos, compreende-se que tenha que ter por trás um esquema de produção complexo. Mas escrever, valha-nos Deus, é coisa para ser feita pessoalmente.
Ainda há dias vi na televisão francesa um programa sobre um historiador que, esse sim, coitado, é que havia de arranjar uns assistentes que lhe fizessem as pesquisas nos arquivos, lhe preparassem resumos das investigações, lhe apurassem a exactidão científica dos escritos. Mas ele, admiravelmente, prefere fazer tudo sozinho e vai redigindo com caligrafia miudinha em folhas A3 uns complicadíssimos manuscritos que laboriosamente vai corrigindo e reescrevendo com canetas de cores diferentes até que, um belo dia, encontra a forma acabada, produzindo assim livros que são muito apreciados.
Adivinham-se as apreciações dos leitores da americana e do francês. No aeroporto, onde comprou o romance para ler enquanto espera o avião, o americano comenta para o amigo: “Os livros desta fulana são bestiais. Ela tem uma equipa de writers a trabalhar com ela. Faz quatro por ano. Ganha quanto quer.”
Na esplanada, domingo de manhã, o francês comenta para a mulher: “Os livros deste homem são formidáveis. Ele dedicou a vida inteira a escrever isto.”
Os pontos de vista dos leitores são induzidos pelos processos utilizados, mais do que pelos conteúdos? Pode acontecer que sim. Mas a apreciação do leitor francês é muito mais gratificante. Ou não é? »
Pensei que talvez viesse a propósito…
Cumprimenta,
Joaquim Jordão, Amarante
Na minha opinião, veio muito a propósito, Joaquim Jordão, adorei ler.
Eliminar"Os pontos de vista dos leitores são induzidos pelos processos utilizados, mais do que pelos conteúdos?" - Lembrei-me de várias opiniões que ouvi sobre o Codex (436?) do José Rodrigues dos Santos, na minha humilde opinião, um horror de romance. Mas, como dizia, ouvi muita gente dizer: ai, gostei muito, tanta pesquisa...
Lamento a descrença profunda da MRP no poder da Educação. Sou mais velho e continuo a acreditar que é possível termos, no futuro, gerações mais capazes intelectualmente, mais cultas e, por isso, mais exigentes no que toca às respectivas leituras. Todavia, há que dizer que a literatura que tem como único propósito a diversão e o entretenimento também merece respeito. Aliás, se calhar até é ela que paga o salário da MRP no grande grupo económico em que trabalha.
ResponderEliminarA velha polémica entre a literatura experimental vs. "uma boa história". Já me fartei do Bolaño, mas continuo a gostar do John Grisham. Gosto dos clássicos russos, mas nunca consegui ler o "Ulisses" do Joyce. Gostei muito do "Monte dos Vendavais" da Emily Brontë, mas detestei "Retrato de Uma Senhora" do Henry James. Adorei "Kane e Abel" do Jeffrey Archer, nas não consigo terminar "Os Detectives Selvagens"... Li quase tudo de Fiódor Dostoiévski, mas não suporto a imitação "tuga" do JRS e, no entanto, gosto de Dan Brown. Que leitor serei eu?
ResponderEliminarPois, coitados dos escritores... Sobretudo dos da Leya, que pelos vistos não pode fazer mais por eles do que pagar royalties quando a vaca tosse.
ResponderEliminarcontinuo a não saber muito bem o que é um grande escritor.
ResponderEliminarsei apenas quem são os escritores de que gosto.
ainda bem que o José Rodrigues dos Santos vende muito. não gosto do seu estilo (mais palha que literatura), mas sei que os livros dele são lidos, são dos que mais encontro nas mãos dos "leitores de transportes públicos". Lobo Antunes? são uma raridade. muitos vão directamente para as estantes. é isto que faz dele um grande escritor?
Um post que fale de religião, ou então de subsídios para quem escreve, é um post que garantidamente vai ter muitos comentários!!!
ResponderEliminarE porque não um subsídio para os poetas incompreendidos? Eles bem o mereciam... ;-)
Então e a crise? Este estado desmesurado é insustentável - e sê-lo-ia daqui a alguns anos mesmo sem a crise, devido a fraca natalidade e ao crescimento com as despesas com a saúde e com a segurança social.
ResponderEliminarA solução não é subsidiar também os escritores, mas sim deixar de subsidiar o cinema, o teatro, etc. Que vivam dos espectáculos e dos espectacdores. E os escritores dos leitores!
Creio que a culpa é repartida...metade pelos ditos escritores sérios e a outra metade pelas editoras... Perdoe-me a ironia, mas acho engraçado quando os doutos leitoes, escritores e editores entram em pânico com a falta de qualidade da escrita contemporânea ou da quota, cada vez menor, dos grandes escritores. Foram os escritores ditos sérios que levaram a que o público se afastasse. Ao invés de atrair camadas desfavorecidas ou menos esclarecidas, continuaram fechados e circunspectos, a discutir cânones e estilos literários e afastaram-se do mundo em constante evolução. O ano passado entrei em diatribe com um dito escritor sério. Apontei-lhe o facto de não se dedicar às causas, de insistir numa escrita apenas como artifício literário e estético. A estética e os valores, deveriam estar ao serviço das grandes causas...O que eu fui fazer...fui zurzido como burgesso até à quinta casa, por ele e pelos leitores amigalhaços. Depois, seguem-se as editoras...só publicam os nomes sonantes, famosos. Perdem-se numa teia de cumplicidades e distribuição de sinecuras. São sempre os mesmos a congratularem-se em lançamentos, em entrevistas na televisão. São sempre os mesmos colunáveis no Jornal de Letras, etc. etc. etc...O escritor A publica um livro, vai ao lançamento do escritor B, por sua vez, o escritor B faz o elogio do escritor A e por aí fora. à semelhança das relações incestuosas, esta consaguinidade criativa acabou por matar a literatura. Perdoe-me a franqueza, ma sà excepção do Lobo Antunes, tudo o resto é sucedâneo de lietaratura. As editoras não abriraam espaço a escritores alternativos, escritores que fizessem a ponte entre a literatura "elitista" e a prosa do quotidiano e, com isso aumentar o número de leitores conscientes. Assim, abriram caminho AAos Josés Rodrigues dos Santos e afins. E depois admiram-se que estas criaturas vendam milhares...Pois eu creio que eles só apareceram porque aproveitaram um filão de ouro: A literatura do quotidiano com narrativas que dizem algo ao leitor comum, sem pruridos ou preconceitos estéticos e literários. Creio que ambos (escritores sérios e editoras) perderam, definitivamente, o caminho para uma revolução literária ou, pelo menos, para uma recriação literária. A literatura light veio para ficar, e essa, não precisa de subsídios, palmadinhas nas costas ou a seriedade dos intelectuais de serviço, essa, vive comodamente, escorada nas edições esgotadas consecutivamente...
ResponderEliminarhá muito lixo, publica-se muito e há escritores tão sérios que ninguém consegue lê-los e não vendem, ou vendem porque são muito sérios e toda a gente gosta de ser levada a sério fingindo que lê livros sérios. eu ainda hoje não sei o que é boa ou má literatura, sei que o saramago escreve bem e é original mas prefiro o cardoso pires. gostei do jerusalem do tavares mas do aprender a rezar não passei da segunda página. e gosto dos livros da mónica marques apesar de achar que não é grande escritora e depois há tolstoi e tchecov e o resto é borbulhas e comixão.
ResponderEliminarEstou plenamente de acordo...
ResponderEliminarSer-se autor neste país tem de ser como um part-time ou como um hobby :/
Não sou escritor... e provávelmente nunca serei mas tenho pena... Confesso!
ResponderEliminarSempre gostei de escrever!
Porque adoro contar histórias? Talvez, sim...
Creio que é genético... descendo de ambos os lados de homens da retórica, de leis... que foram notáveis nos tribunais pela sua verve.
Na escola fazia redacções que nunca mais acabavam... no liceu um ponto de história ou de portugês eram sempre umas 8 páginas... era desancado por professores! Os meus relatórios, depois, nem quero falar... e os editores dos jornais e revistas em que colaboro suam para conseguir paginar... e muitos me dizem que eu devia escrever!
Adoro livros e ler... e leio tudo o que apanho e me interesse, nem que seja por ser mau! Tal e qual... acho que ajuda a perceber as coisas...
Agora li este post e a discussão com alguma expectativa... que saiu furada! Afinal sobretudo
se diz mal ou bem destes e daqueles... pouco se fala do ser de facto escritor e creio que ficou a discussão deste ponto em aberto... Disse a CT e bem que esperava mais...
Eu gostava sinceramente de ouvir mais sobre ser escritor... porque só escrevi ao longo de 25 anos em revistas e jornais, sobretudo sobre
as minhas actividades e viagens, mas tentando abranger tudo o que via, sentia, provava... e que foi bastante diga-se. Mas isso não fez de mim escritor, sei-o perfeitamente.
Classificar os escritores em sérios e não sérios, em bom e mau... é como discutir vinhos... há os fundamentalistas do Alentejo e os snobs do Douro, os clássicos do Dão e os populares do Ribatejo... os iconoclastas do verde e os modernos dos leves... os elitistas do chamapgne, há até os que só gostam de cerveja e os abstémios! E todos se esquecem da água... por isso achei algo vaziavã esta discussão.
Quem sabe a fórmula para o escritor perfeito... e ele existe? Num post antigo alguém veio aqui gabar-se do seu sucesso e de a ter encontrado... e já ia publicar um livro! Gostava de saber o seguimento deste caso...
Mas uma coisa é certa, como o dinheiro é que manda, gente como eu jamais terá a hipótese de saber se seria bom escritor... ninguém nos edita!
E se calha lograr essa façanha... ninguém nos
lê ou critica... as livrarias ignoram-nos e o público nunca chega a saber do livro...
Os que como eu têm a dita de publicar em jornais e revistas... continuaremos a ser conhecido e até aplaudidos (faz bem ao ego) pelos nossos seguidores e teremos de nos contentar com isso que já não é pouco... mas, fica-nos sempre o amargo da dúvida...
Poderia eu ser escritor?
Creio que não é o que interessa à maioria dos que vieram comentar este post... acho que para si já sabem a resposta...
Perdoem a minha ignorância.
Uma boa e profíqua semana é o que desejo a todos... a minha última foi mesmo má!
errata, ao ler o meu comentário verifiquei um erro primário, as minhas desculpas, não é comixão mas comichão, ora bem
ResponderEliminarDeixe lá... os dedos muitas vezes patinam nas teclas... se for num piano dá fífias! No computador dá erros de ortografia... nada de mais!
ResponderEliminarEscrever é para mim a parte mais fácil de ser escritor!
ResponderEliminarNunca pensei que tudo o que está para lá da escrita e que é necessário para se ser escritor fosse tão difícil de conciliar com verticalidade.
Não basta a insignificância dos direitos de autor (parece que continua tudo na mesma nesse departamento), mas o aturar pessoas a tentarem destruir em meia dúzia de linhas aquilo que seriam incapazes de escrever nem que a sua vida disso dependesse… é demais quer para o meu estômago, quer para o meu cérebro se auto-anular, quer para a minha coluna se vergar.
Nunca pensei que fosse possível ver o baixo que vi pessoas descerem para caírem em graça com vi na feira de Frankfurt de 1995.
O meu nome é Nuno Tonelo, o meu livro chama-se “Vozes fora…nada” e não “Noves fora nada” como alguém escreveu aqui por engano no dia 22.
Hoje continuo a escrever, já o fazia antes de ter sido editado, nunca o tinha tentado ser antes e nunca mais tentei ou tentarei. Os mais de vinte livros acabados devem ser destruídos (como os quadros do Santa Ritta), pois, não tenho vocação para automutilação nem para andar por ai com menos uma orelha… para eventualmente alguém ver mérito na “coisa” (livros , não orelhas ou falta das mesmas )60 anos depois de eu ter morrido á fome.
Caro Nuno Tonelo :
EliminarFui eu que escrevi mal o nome do livro e peço desculpa pelo erro, devia ter ido confirmar!
Mas se isso servir como reparação, citei-o porque gostei do livro!
Gostei da escrita desassombrada, directa, rude até, sem floreados nem preocupações de estilo e de mostrar cultura. Uma escrita que se lê como se ouve uma história bem contada em conversa entre amigos com um Jack à frente! E para mim foi um retrato de uma época e de um meio...
Uma grande pedrada no charco!
Quem sou eu para o dizer? Ora... ninguém, apenas um gajo que lê e compra livros, e que compra e lê o que quer e não deve nem tem medo de ninguém...
Sinceramente acho que devias editar... é uma opinião... resta saber quem editaria e depois quem distribuiria e faria promoção nas livrarias, mas isso já muita areia para a minha camioneta!
Um abraço e gostei de ouvir falar de ti!
PS - Uma coisa devemos ter em comum... o fígado!
Não existe problema com o nome do livro e a sua troca, pois, mais que saber ou não o nome o encontrar alguém que gostou do livro que não é da minha família e amigos mais chegados é agradável, uma vez para dizer mal a lista é grande e absolutamente convencida de que é ilustre.
EliminarQuanto a gajos que compram livros e lêem livros e o tamanho das respectivas camionetas… não te preocupes…estou farto de ver pessoas a falarem de livros que positivamente não leram! Lêem os comunicados que as editoras mandam para os media , a contar capa e a biografia do autor e muitas vezes isso é o mais próximo que estiveram do livro antes de darem a sua “especializada” opinião. Como tal dá-me pessoas que leram na realidade os livros para podermos falar deles, não esses grandes camiões TIR carregadinhos de comunicados de imprensa sobre livros.
Quanto ao editar… o problema, não é falta de editora (o Vozes Fora…Nada é o nº 1 de uma colecção que foi criada para comemorar os 50 anos da Europa-America). O problema é a vontade de aturar tudo o que está em volta da edição livreira em Portugal e respectiva pseudo especializada crítica.
Um abraço
PS. Pois…muito provavelmente os nossos dois fígados não fazem um!
Transcrevo aqui o comentário que fiz lá! Não que vá acrescentar melhor coisa à discussão, mas enfim:
ResponderEliminar"Do meu ponto de vista, a literatura atenta a um princípio comum a todas as artes: o momento.
Imagine um cidadão que trabalhou o dia todo, enfrentando situações de estresse; então ele chega em casa e o obrigamos a ler "O Pêndulo de Foucault". Não seria nada agradável, provavelmente. Imagine agora um cidadão que está radiante porque ganhou uma promoção; ele logicamente chegará em casa e colocará todos os noturnos de Chopin para tocar. Não?
: -)
Creio que há momentos em que uma literatura de entretenimento (uma biografia, um livro historiográfico, enfim) será mais bem-vinda do que uma literatura de proposta, sem que isso desqualifique o leitor, muito menos o escritor que atendeu à essa demanda.
O que me torce o nariz é tentar vender uma coisa como outra: há uma diferença entre oferecer um livro que pretende "provocar" como se ele prentendesse "consolar".
Escrevi demais? Isso me parece papo para botequim, mas enfim!
:- )"
Lindo texto! Sou brasileiro e gostaria que o mercado do meu país descobrisse aos autores portugueses (além de Pessoa e Saramago). Conheci Portugal ano passado e fiquei apaixonado por esse maravilhoso pais.
ResponderEliminarRelativamente à forma como as editoras pagam aos autores, estes terão depois de passar alguma espécie de recibo e colocar o que recebeu no seu IRS?
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