Sem comentários
Nasci num tempo em que não havia liberdade de expressão e fiz, ainda adolescente, muitas perguntas que não tiveram resposta. Era perigoso falar-se de certas coisas, mais ainda a alguém sem maturidade suficiente para compreender o secretismo das matérias ou as consequências de partilhar ingenuamente assuntos controversos. Talvez por isso, quando iniciei este blogue, tenha decidido não fazer moderação de comentários (e também, não vale a pena negar, porque o meu trabalho quotidiano não me concederia tempo para escolher e publicar apenas os que tivessem realmente interesse para a discussão). Esta possibilidade que ofereci aos leitores encarei-a desde sempre como uma homenagem minha, por pequena que fosse, à liberdade de expressão – e é assim também que a vejo aberta noutros blogues, jornais online e sites de Internet. Às vezes, porém, penso que certas pessoas, quase sempre descompensadas, tomam esta abertura como, desculpem, um autêntico escarrador, no qual depositam, implacavelmente, o pus e o sangue das suas feridas por sarar. Quando foi, por exemplo, noticiada a promulgação da lei do casamento homossexual, os comentários na página de um jornal diário que consultei eram de tal forma alarves e ofensivos que dificilmente acreditei que pessoas como aquelas pudessem ler jornais. Mas também aqui no blogue, por duas vezes, a coisa desceu tão baixo que considerei a hipótese de alterar as regras, sobretudo porque os comentários não eram a nada do que escrevi, mas a pessoas que referi nos meus textos e não se podiam defender - e, o que é pior, assinados de forma impossível de identificar. Porque será que quem se sente no direito de espezinhar alguém de forma gratuita raramente tem coragem para assumir a sua identidade? Agradeço muito, pelo contrário, aos que me desafiam todos os dias, aos que estão contra mim e mo dizem, escrevendo com todas as letras quem são.
Infelizmente, a educação e civismo não são apanágio de todos.
ResponderEliminarNo meu blog não tenho moderação de comentários, mas reservo-me o direito de apagar comentários que considero ofensivos. afinal, se não aceito ofensas em minha casa, também não as aceito no blog.
Bem haja,
Nem mais. No meu blogue só modero os anónimos, precisamente por essa razão. No entanto, já tive algumas decepções mesmo com comentários identificados... ninguém está "a salvo" de ódios de estimação. Agora, que tenho andado muito quietinha, e pouco polémica, não têm havido comentários, tout court...
ResponderEliminarA educação não se compra...
O Mundo está cheio de escroques e canalha, minha Cara Maria do Rosário. É só acenar-lhes e saltam logo todos em bando dos esgotos onde vegetam. Há sempre como evitá-lo, é certo, mas são espécies que estão sempre à espreita no resguardo escuro do anonimato.
ResponderEliminarFicaria triste se um dia um blogue de referência como este cessasse de acolher a vox populi que o visita assiduamente, como já aconteceu em tantos outros casos, mas caso tal necessidade se tornasse imperiosa, compreenderia perfeitamente a opção.
Um abraço amigo do Japão,
Luís Filipe Afonso
Fico muito contente que tenha «aparecido» pois tenho pensado muito em si depois de tudo o que aconteceu no Japão e perguntado se estaria bem. Agora, fico mais descansada. Um abraço de Lisboa e a promessa de um post que refere o Japão (em livro) muito em breve.
EliminarObrigado, minha Amiga.
EliminarÉ com a maior alegria que recebo a amabilidade destas suas palavras.
Eu e os meus estamos a Sul, a cerca de 1200 km da região sinistrada de Tohoku (Nordeste), pelo que nem senti o sismo, sofrendo na pele tão-só os 'danos colaterais' da tragédia — a minha mulher é oriunda de lá, mais precisamente de Ōfunto, uma povoação que acabou completamente devastada, e, por altura do cataclismo, tememos pela vida de muitos dos nossos familiares. Graças a Deus estão todos a salvo e livres de perigo, inclusive a nossa Avó Kōchō que conta já 100 anos de idade e foi a 2ª vez na vida que passou por uma destas — a 1ª foi em 1960.
Meus mais amigáveis votos de muita felicidade,
LFA, em Kyushu
esse deve ser o maior problema da blogosfera e das redes sociais, a cobardia anónima.
ResponderEliminarnão uso a moderação, mas não aceito anónimos nas minhas caixas, por uma questão de higiene mental.
é mais um espelho deste nosso Portugal, onde
há demasiada gente que se preocupa mais com a vidinha dos outros que com a sua, alimentando as suas frustrações com doses cavalares de inveja e cinismo.
É verdade que se fica muito exposto, ao expressar as suas experiências e opiniões no mundo virtual da net. Principalmente, quem é conhecido e/ou famoso está mais sujeito a "ataques baixos". Admiro, por isso, a coragem da Maria do Rosário (ou de outros, em situação semelhante) e o facto de, algumas vezes, discordar do que diz, em nada modifica esse sentimento. Dá-nos essa oportunidade, o que é de louvar.
ResponderEliminarPessoalmente, só uso moderação em comentários a posts mais antigos, pela simples razão de que, se não o fizer, correr o risco de nem me aperceber deles. Será essa a razão para que muitos bloguistas o façam, principalmente, em blogues com vários autores. Mas admito começar a moderar todos os comentários, se surgirem alguns muito ofensivos. Espero que nunca tenha necessidade disso.
O Anonimato é ocultação de cadáver.
ResponderEliminarComento, que a Sra. Maria Rosa Pedreira, nada em contas por frustrações alheia.
Motivadas, sabe-se lá Deus, o que mais dos devaneios da carne ser tirana e fazer-se desta, soberana em duvidosos conselhos.
Prova esta, quem se quer, assumi o nome de batismo, não honra suas próprias letras, tal qual seu vocativo.
E, sê família, rola as escondidas.
E, sê emprego, quiça a incompetência.
Vai saber-se? Eis, os motivos do Anonimato.
"assinados de forma impossível de identificar"
ResponderEliminarImpossível é, neste caso, uma palavra muito forte. Difícil de identificar, eventualmente, mas não impossível :)
Boa tarde, Maria do Rosário. Acabei de a ler, o k faço desde k sei da existência, de H.E. e, conforme o posso. Não quero injuriar quem utilisa um psedónimo mas, pessoalmente, gosto de ter a cara destapada. Por isso, também sofri em certa altura dessa lama, o que me conduziu em certa altura, a moderar as entradas. Agora, neste período em que temos \"la chance\" de podermos falar abertamente, de partilhar as nossas convições de maneira activa, ainda há os que, ou por insatisfação pessoal, ou por maldade, nos tentam atingir. Porém eu, não prescindirei do nome que carrego, embora por razões profissionais em França, tivésse sido obrigada a encurtá-lo.
ResponderEliminarEsse tipo de comentários não merece que se vá contra o vital princípio da liberdade de expressão. Antes devem ser ignorados para que quem os emitiu fique com eles do seu lado. Ao permitir que permaneçam expostos, não estamos a calar o quanto nos ofende ver a agressão aos que nos são caros, nem tão pouco a compactuar com ofensas gratuitas, estamos sim a deixar exposta a escuridão de quem os emitiu. Há sempre a esperança que quando se (re)lerem apreendam quão feios (e)s(t)ão e repensem o seu modo de (não) viver.
ResponderEliminarAi que a hipótese de o menino Davidezinho Machado não ganhar o prémio Saramago (se calhar, por falta de guito do mesmo) está a por a Doutorazinha mal disposta. Não há Rennie por aí?
ResponderEliminarNo comments. :-)
ResponderEliminarMas, minha cara, é exactamente porque são incapazes de assumir o que são, que se chamam todos anónimos.
ResponderEliminarAquilo que na sua (deles) cabeça é fruto da sua sapiência ignorante é como o discurso do paranóico ou do esquizofrénico. Tem a mesma validade e infelizmente a mesma periculosidade, porque há por aí demasiados anónimos no anonimato.
Creio que o facto de a boneca insuflável da Miley Cyrus ter esgotado, pode ter a ver com alguns destes comentários...
ResponderEliminarObrigado pela sua concessão, agradeço-lhe sinceramente porque reconheço que, por vezes, sou um pouco "alarve" nos meus comentários. Só uma pequena lembrança/provocação: para quando o nome de uma rua Carlos Castro (em qualquer cidade/vila/aldeia deste país de brandos costumes)?
ResponderEliminarCara Maria do Rosário Pedreira,
ResponderEliminarHá um nome para essas pessoas, ágeis a insultar e esquivas a dar a cara: cobardes. Pela minha parte, que nunca por nunca deixo nada sem o meu nome (ainda que se trate apenas de um mísero questionário de avaliação da qualidade de um serviço, passível de ficar anónimo), não perco sequer tempo a ler o que escrevem -- é esse o tratamento que reservo aos cobardes.
Cumprimentos,
Carlos Azevedo