Humilhação

Humilhação é o título do último livro de Philip Roth publicado em Portugal (na verdade, o seu penúltimo e trigésimo livro). Ainda não o li, mas, do que conheço da obra do autor e de tudo aquilo que li na imprensa e na Internet sobre o romance, não hesito em aconselhá-lo sem reservas. Depois de cinquenta anos a escrever e com 78 anos feitos, Roth – que confessou numa entrevista que agora prefere escrever a marchar como forma de luta – já merecia o Nobel, a par de outros grandes da literatura internacional, como Kundera, que acaba de ver a sua obra publicada na prestigiada Pléiade (e é também um feroz candidato). Repare-se, porém, que, apesar de trinta e um livros publicados, o grande senhor norte-americano não começou demasiado cedo, deixando-se amadurecer antes de se estrear, o que é um óptimo conselho contra a pressa de muitos principiantes que, ainda na Escola Secundária, já enviam livros às editoras. Só não lhes dizemos «Cresça e apareça» porque seria mesmo uma humilhação...

Comentários

  1. Aí está um dos meus autores favoritos. Curiosamente um dos seus primeiros livros "Traições", era uma coisa....O que sugere a enorme margem de evolução que certos autores podem ter. Li todos os livros dele traduzidos e do meu ponto de vista é um mestre das personagens, o que significa que capta como ninguém as incoerências e aflições da alma humana. A vida não é lógica e as personagens não tem necessariamente de o ser, essa arte demora muitos anos a desenvolver. Ana Cristina Silva

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  2. E se nos lembrarmos de que este homem de 78 anos gosta de começar a trabalhar às 8 da manhã depois de ter ido nadar e trabalha de pé por causa de um problema de coluna, melhor perceberemos que escrever puxa muito pelo corpo todo, e não só pela cabeça.

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  3. O meu autor favorito! É uma delícia. Adoro os livros todos, mas sobretudo "A mancha humana", "Casei com um comunista" e "Animal moribundo".

    Curiosamente li num artigo da NY Times (penso) que referia que o melhor livro dele é o "Nemesis", o último livro publicado.

    Uma última consideração: já merecia o Nobel.

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  4. E dizem que as mulheres não gostam de Roth...

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  5. Roth menciona o nobel em seu "Indignação", talvez um pedido, talvez um desabafo, não sei; conclui ressaltando "a forma terrível pela qual decisões banais podem conduzir a resultados desproporcionais"; de fato, mas nossas decisões capitais também não são precedidas de decisões banais? Não há aí uma mãozinha do acaso? Gostei, é um livro que nos faz refletir, ilumina como um raio, mas não lhe segue um trovão. Lerei o seu "Humilhação", mas sem outras expectativas.

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  6. Bem, essa coisa do Nobel... Sei lá eu quem merecia ou quem não deveria ter recebido: há muita subjectividade aí... Estou certo de que o nosso contemplado foi bem merecido e ficámos todos (ou muitos de nós) muito contentes. Sim, porque neste país maravilhoso, de gente fantástica, que produziu um certo tipo de mestiçagem cultural e biológica, há muita inveja e demasiadas tropelias. Já reparei que, de um modo geral, diz que não tolera Saramago quem nunca o leu e adora Eduardo Lourenço quem nunca pôs os seus olhos numa frase deste autor. Uma pessoa disse-me, há dias, que quem deveria ter sido Nobel seria Lobo Antunes; depois, verifiquei que, quem assim afirmou, nunca leu, nem Saramago, nem Antunes, nem Lourenço. Pensam que é operário, camponês, empregado de balcão, doméstico, pastor? Não! É professora de língua portuguesa numa escola secundária privada... Posteriormente, descobri que se trata de uma militante do PS, uma espécie de Sporting - Benfica, ou seja, Saramago era comunista e os outros andam na esfera do PS...

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  7. É apenas uma opinião.
    Os prémios têm um valor subjectivo. Enfim!
    Li quase tudo de Saramago (acho eu). Poucas das suas obras me tocaram. Duas para ser mais preciso.
    Mas se o António Lobo Antunes não merece o Nobel, então não sei quem... Não sei que mundo é este!

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