Vai um fadinho?

Os leitores da minha poesia já repararam (e dizem-mo sinceramente) que ando preguiçosa para os versos. Não é só preguiça. Na verdade, sempre escrevi mais e melhor quando precisava de pôr cá fora coisas que me doíam – e, de há uns anos para cá, o Manel varreu-me a escuridão e deixou-me de céu limpo e azul. De vez em quando,  ainda aparece um verso sei lá de onde que me pede que o escreva; e das duas uma: ou sai um poema, ou – confesso – fico a mastigá-lo num sofá e acabo por esquecê-lo no dia seguinte (isso, sim, já é preguiça). Porém, se me pedem que escreva a letra de um fado, não resisto. Já o fiz para a Aldina Duarte, o Carlos do Carmo, o António Zambujo, a Mísia – e é uma delícia ver as palavras fundirem-se nos sons das guitarras e das suas vozes. Há dias, pude ouvir o master do próximo CD da Aldina, para quem fiz três letras, e fiquei maravilhada com a forma límpida como ela os canta. Até pareciam poemas...

Comentários

  1. Todos temos direito a momentos de preguiça. No seu caso a poesia e nós ficamos a perder...mas com a justificação que aqui nos deixa, com certeza que todos a perdoamos. Um céu limpo e azul é o melhor que pode acontecer na vida de uma pessoa.
    Como se vai chamar esse novo CD da Aldina Duarte que inclui poemas com céu limpo e azul?

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  2. A vontade virá. Mesmo k tudo dance com o Manel. Uma confidência, entre nós duas: também sou Maria do...e, casada com 1 Manel! E, quanto à poesia, ela saírá dos dedos, com toda esta debandada em Portugal e, no mundo!

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  3. Então quem escreve...não há história em vidas felizes?

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  4. Não sei se lamento, se fico contente... E talvez seja uma das leitoras que mais anseie um livro de poemas seu... Mas o queria dizer mesmo é que compreendo perfeitamente.

    E a prosa?

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  5. Cara Maria do Rosário Pedreira,

    Este seu post fez-me lembrar uma passagem do "Uma viagem à Índia" (livro deslumbrante desse deslumbrante escritor da vossa chancela que é o Gonçalo M. Tavares), que aqui lhe deixo:

    "Canto VII - 7

    São importantes as teorias, mas
    convém não esquecer os sentimentos.
    Não é por ter entrado no século XXI
    que a alma perdeu actualidade. Ela existe
    e surge à superfície de um corpo em momentos particulares,
    quase sempre trágicos. De facto, num homem, como em Bloom,
    a grande alegria poderá também chamar a alma,
    mas se o faz é em voz bem mais baixa."

    Espero que, ainda assim, consiga ouvir essa "voz bem mais baixa" que terá na sua alma e nos volte a presentear de vez em quando com os seus magníficos poemas.

    Muitos parabéns pelo blog.

    Cpts

    Ricardo Chaves

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  6. claro que a preguiça é tão legítima como o trabalho, mas continuo a pensar que nos deve mais um livro de poesia... vá lá, não custa nada...

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