Um novelo no coração

Sou às vezes demasiado emotiva em relação aos autores que publico – particularmente àqueles de quem me torno amiga e cúmplice ao longo do tempo. Com o valter hugo mãe, sinto, por exemplo, uma espécie de parentesco, como se ele fosse um irmão mais novo que me orgulhava de levar às festas porque fazia sempre brilharetes de encher o coração pelo lado da beleza. Alguns saberão que o valter me fez uma declaração de amor (enfim, à minha poesia) num 14 de Fevereiro de há três anos, que publicou depois, creio eu, no Pnet Literatura; mas o que nos une é mais antigo do que esse texto. No dia em que ele me disse que tinha de deixar a editora em que eu estava – por razões de que não é bonito fazer alarde na blogosfera –, percebi-o e disse-lho, mas chorei uma noite inteira com as saudades que ia ter dos seus manuscritos numa viagem de comboio Madrid-Lisboa (se tivesse conseguido dormir naquelas camas estreitas, teria sido menos doloroso). E hoje, sempre que leio ou o ouço ler um dos seus textos, a verdade é que sinto um novelo no coração, como se me tivessem arrancado um bocadinho da minha família. Foi assim nas Correntes d’Escritas deste ano, quando ele nos brindou com uma hilariante descrição das confusões que se têm gerado à volta do seu nome (uma delas envolvia duas cadeiras num palco, uma para o valter hugo e outra para a mãe); e foi-o também no lançamento do livro do Eduardo Pitta, há alguns dias, no qual ele leu um texto tão bonito que me vieram as lágrimas aos olhos. Porém, longe ou perto de mim, desejo acima de tudo que continue a escrever.

Comentários

  1. ... estes novelos no coração são meadas que apetece segurar com carinho nas mãos. Como mãos de criança, cheias de ternura e expectativa no que essas meadas se podem tornar através do delicado entrançar de fios...
    É bom saber quem tenha e quem nos faça esses novelos, tão íntimos, que aquecem o coração e adoçam os olhos.

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  2. Eu tenho a felicidade de conhecer o Valter pessoalmente. E tem sido uma das pessoas que, mesmo passando pela minha vida de forma fugaz, tem marcado a vida de forma indelével e isto vai para além das coisas que escreve. O que acontece é que ele é uma pessoa tão rica e tão bonita que é impossivel não o amar:)))

    Já agora aproveito para lhe dizer a si que a admiro muitissimo. E que, desde que a descobri pelas mãos de uma amiga algarvia que nunca vi, mas que teve a amabilidade de me oferecer um dos seus livros, mais precisamente "O Canto do Vento nos Cipestres", não tenho feito outra coisa senão ver crescer essa admiração! :)

    Cláudia Moreira

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  3. Acho este texto dos mais bonitos e comoventes que aqui já li.

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  4. De quando o sangue não faz falta para sentirmos uma deliciosa sintonia... Obrigada pela maneira como nos fala dos dois!

    MLuz

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  5. António Luiz Pacheco10 de março de 2011 às 09:25

    Não me surpreende... é o ser humano no seu melhor.

    Ainda bem que assim é!

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  6. Dizem que "todos nós temos Amália na voz". Eu sinto que todos temos valter hugo mãe dentro de nós. É natural que sinta esse "novelo no coração", porque se trata de um escritor muito especial (e que mostra ser uma pessoa tão fenomenal quanto o é escritor). Que continue a escrever é o que todos esperamos.

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  7. E eu tb desejo que escreva, que o faz tão, mas tão bem...

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  8. Eu estava lá e tb chorei a rir. Ele é de Vila de Conde, costumo ir de bicicleta até Vila do Conde por isso percebi muito bem as referencias a missa nas Caxinas de ir as lágrimas tb.

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