Estado crítico

Desde que estou na edição – e, como sabem, já lá vão mais de vinte anos – que ouço falar em crise. Ouvi-o quando os leitores eram poucos, quando as livrarias começaram a fechar, quando a Internet apareceu e se previu que tiraria muita gente à leitura e, mais recentemente, quando rebentou a... crise, a verdadeira. E fico preocupada com o futuro de muita gente que perdeu ou perderá o emprego, com a segurança das famílias, com os mais jovens que não encontram ocupação digna (um dos meus sobrinhos mais velhos acaba de emigrar para o Brasil), mas também com os autores que publico este ano. Alguns são, realmente, muito bons (como a Aida Gomes da Silva e o David Machado, cujos livros saíram recentemente, ou outros que lançarei mais para diante, como o Pedro Guilherme-Moreira ou o Nuno Camarneiro) e sinto que o seu reconhecimento mais do que merecido está ameaçado pela desgraça que ainda nos espera. Peço, por isso, a quem goste verdadeiramente de ler que lhes dê atenção e, se apreciar a leitura, passe a palavra. Começar num ano excepcionalmente difícil como este pode custar-lhes o sonho de continuar a escrever, e isso seria terrivelmente injusto.

Comentários

  1. E que realidade essa, Maria do Rosário. Que se passe a palvra, que é uma pena tremenda que fiquem sonhos estancados em prateleiras, pela escassez com que vivemos. Chego a pensar, em períodos de introespecção, que vim ao mundo numa má altura. Focando especialmente os livros, ainda compro alguns. A poder, não duvido, compraria muitos mais...

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  2. Um apelo a que darei todo o apoio no círculo onde me movimento. O momento é de crise mas, todos juntos, havemos de lhe dar a volta.

    Abraço

    Olinda

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  3. É pena, sim. Mais ainda nunca encontrar os excelentes livros que sugere em qualquer lado. E os preços, nem sempre acessíveis. O que nunca será desculpa para não ler, verdade, ainda assim acabamos sempre por escolher um editado há mais tempo e com um preço mais acolhedor.

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  4. É muito bonito o que aqui escreveste, e também aqui é justo que te deixe a minha gratidão e reconhecimento. Está prometido que, nem que voltemos à idade da pedra, tomarei entre mãos as tintas - ou seja sangue, saliva e argila - e, com o devido respeito pelos antepassados, retomarei a tradição das gravuras. E a ti, Rosário, pedirei que buriles o que ficar gravado, e à boa gente que cuida dos que humildemente escrevem pedirei que espalhe a nova pela cavernas circunvizinhas. Mas parar, isso,

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  5. Ficou incompleto. Terminava assim:
    "Mas parar, isso, não. Agradeço profundamente a quem lê."

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