Equivalências

Fui convidada para proferir uma das cem lições nas comemorações do Centenário da Universidade de Lisboa. Disse que sim, mas estou obviamente aterrada. Quem me conhece sabe que não gosto de falar em público e, desta feita, a responsabilidade é muito grande. Na carta-convite, propunham-me (sem me forçarem, bem entendido) que reflectisse sobre a relação que existe entre o que aprendi nos meus tempos na Faculdade de Letras e as funções que agora desempenho; a sugestão fez-me pensar na quantidade de coisas que li durante o curso e no que hoje se lerá. Um professor contou-me uma história a este respeito que achei hilariante. As frequências aproximavam-se e deu-se conta de que um dos seus alunos não sabia patavina; decidiu ir falar com ele e insistiu em que estudasse, mas passaram duas semanas e o rapaz continuava em branco. Voltou a aconselhá-lo, mas bastou meia dúzia de perguntas uma semana mais tarde para chegar à conclusão de que ele não lhe dera ouvidos. Interpelou-o, pois, pela terceira vez – e foi então que o aluno explicou que aquele curso não lhe dizia nada, que até já tinha tomado a decisão de mudar de faculdade, e que só pretendia ir aos exames para conseguir equivalências nesse novo curso. Pediu, como quem não quer a coisa, ao professor que o passasse... Este, porém, não se deixou abater e retorquiu apenas: “Equivalências?! Que equivalências?! Pois se o que tu sabes não equivale a nada!”

Comentários

  1. Eu acho que (a julgar pelo que aqui leio) vai ser uma lição e pêras e bem gostava de assistir.

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  2. Olá, o meu nome é Ana Luísa e sou aluna do oitavo ano. No âmbito da disciplina de educação tecnológica foi-nos pedido que fizéssemos um trabalho de investigação sobre a profissão que queremos seguir que, no meu caso, é editora. Gostaria de saber se me poderia responder a algumas perguntas sobre o que é exactamente ser editora por e-mail ou de outra forma se preferir. Desde já agradecida pela atenção, Ana Costa.

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    Respostas
    1. Claro. Ligue por favor para a LeYa (21 427 22 00) e dar-lhe-ei o meu endereço de e-mail. Obrigada.

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  3. :) Assim realmente não é fácil conseguir uma equivalência...

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  4. António Luiz Pacheco24 de março de 2011 às 08:12

    Pois não!
    A não ser desplante ou atrevimento... creio que o referido aluno será um dia um engenheiro ou doutor-relativo , mas com futuro políticamente brilhante! Prevejo...

    Tive um professor, não como este mas daqueles aqui já referidos que do alto da sua arrogância e superioridade, a despeito de a cadeira que regia ser uma daquelas absolutas e absurdas nulidades a que Bolonha pôs fim, uma coisa chamada:
    Introducção à metodologia das ciências sociais

    Bom, o nosso lente, não aceitava resposta que não fosse dada EXACTAMENTE como vinha na sebenta... porque argumentava de forma irrebatível que só aceitava que se dissesse de forma diferente SE melhor! Ora como não seríamos capazes, tínhamos de dizer como ele!

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