Efeméride

Foi há cinquenta anos que começou a guerra colonial e foram precisos muitos anos depois do seu fim para que se começasse a escrever e publicar ensaio e literatura sobre o tema. Um dia destes estava a ler o segundo romance de Paulo Bandeira Faria ainda em fase de rascunho e lembrei-me de que o seu livro anterior, que publiquei há uns quatro anos, foi um dos primeiros que abordavam a temática da guerra colonial sem complexos de culpa e de forma descomprometida. Intitula-se As Sete Estradinhas de Catete e conta a história de Guilherme, filho de um oficial da Força Aérea, que cresce em Angola e assiste não só ao desmoronar da sua família como ao desmoronar do império e ao princípio da guerra civil, com uma mudança de comportamento gritante entre velhos «amigos» brancos e negros. Aproveitando a personagem da criança para narrar através de um olhar descomplexado as agruras do antes e do depois, este é um romance que combina uma certa candura com a violência mais inesperada. A ler, absolutamente, cinquenta anos depois dos primeiros acontecimentos que geraram uma guerra que durou anos demais.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco4 de março de 2011 às 03:02

    Concordo numa parte e noutra não!

    Considero que a guerra colonial não começou há 50 anos, e sim há 150 pelo menos! O que se iniciou 50 anos foi a última fase!

    Leia-se a obra extraordinária do investigador René Pélissier que relata todas as campanhas africanas em Angola e Moçambique!
    Vale a pena pois são memórias da nossa história e gente, assim como dos povos daqueles países
    "artificiais", feitos à medida dos interesses das potências colonizadoras, antigas ou actuais.
    Lendo-o se compreenderá muita coisa, até hoje!

    Concordo em que de facto, as ex-colónias são um manancial inesgotável para inspiração de escritores!
    Tal como concordo que se está desde há poucos anos, finalmente, a escrever (e a tratá-la em documentários) sobre o período da "guerra do ultramar", de forma descomplexada e como devia ser. É preciso deixar correr o tempo para se perderem o calor da política e da perda.

    Tenho lido quase tudo o que tem sido publicado, desde o muito mau, (mero fruto de ideologias), até ao que sinto como autêntico!

    Foi um período difícil, que durou 150 anos, de muito esforço e generosidade (de ambos lados!) que deixou marcas profundas.
    Há tanto nome de rua que se não sabe de quem ou porquê e quantas vezes cada um deles dava um romance!

    Um bom fim de semana a todos! Esperemos que o tempo não nos pregue a partida, mas já tenho uma tosquia marcada para amanhã... é sempre uma festa!

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  2. Conheço diversos ex combatentes que nunca fugiram ao inimigo mas agora fogem às recordações. Muitas vezes fogem para o fundo da garrafa.

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