Do pequeno para o grande
O mundo rege-se por modas – e os livros não fogem a elas. Durante os primeiros anos de vida editorial, lembro-me de que era muito difícil vender calhamaços em Portugal – se não se tratasse, evidentemente, de histórias ou ensaios exaustivos sobre determinado assunto, que tinham de ser grandes para serem credíveis. Mas a literatura queria-se sucinta e, sempre que se publicava um romance de 500 páginas ou mais, sabia-se de antemão que se estava a correr um risco e só se apostava quando se cria que a coisa era mesmo genial. Às vezes, paginavam-se estes livros maiores com letra pequena e parco entrelinhamento, para que o leitor não se assustasse com a grossa lombada na hora de escolher. Porém, a partir do momento em que os meninos todos do mundo se puseram a ler livros de 700 páginas (como os da saga Harry Potter) e Dan Brown produziu o bestseller internacional O Código Da Vinci, parece que os leitores se habituaram aos «tijolos» e já não querem outra coisa. Quando pagam, fazem questão de levar para casa material de leitura suficiente para muitos dias e, nas livrarias, desviam-se dos livros pequenos que não lhes oferecem senão algumas horas de prazer. Bem sei que, se calhar, o tamanho levará certas pessoas a não temerem agora a leitura de obras como Guerra e Paz, de Tolstoi, mas serão ignorados por causa disso livrinhos breves mas suculentos como O Amor Louco, de André Breton?
Demorei imenso tempo a ler o 2666 porque só o conseguia fazer sentada a uma mesa e não na cama nem nos transportes, devido ao peso e ao tamanho. Todas as noites, antes de me deitar sentava-se na cozinha e lia até o relógio me fazer cara feia a mandar-me para a cama.
ResponderEliminarA primeira leitura de Guerra e Paz foi numa edição de dois volumes, em encadernação de estante, grossa e brilhante, luzidia. Às tantas, no segundo volume, revelou-se uma leitura difícil porque queria voltar atrás para conferir qualquer coisa e a ‘qualquer coisa’ estava em casa a dormir no primeiro volume. Prefiro livros grossos a livros em volumes.
No que toca a escrita ou edição confesso o meu total desconhecimento - aliás aprender é o que me trás a este blog.
ResponderEliminarMas enquanto leitor, com mais de 50 anos no activo, já não me considero assim! (vanitas vanitatum)
No período antes-de-saber-ler, media os livros pelo volume porque livro grosso era sinónimo de gravuras ou fotografias! Fosse ele a Geografia de Portugal (Amorim Girão), os Grandes Dramas da História (Sousa Costa)... Tojos e Rosmaninhos (Alfredo Keil ), As Mulheres do Meu País (Maria Lamas) ou a História das Toiradas (Eduardo de Noronha)... com os quais passava tardes inteiras e a hora do calor em que não havia permissão de sair depois do almoço - a hora do repouso na educação à antiga! Que até teve benefícios...
Talvez por isso tanto me faz a finura de um livro de Emílio Salgari, ou de Um Caçador de leões (Olivier Rolin), o Capitão e o Inimigo (Graham Greene) ou Crónica de uma Morte Anunciada (Gabriel G. Márquez ) como o peso de No Rastro do Jaguar (Murillo de Carvalho), Vida e Morte dos Santiagos ((Mário Ventura), Sombra Assassina (Matt . Scott Hansen ), e nem mesmo me assusto com os múltiplos volumes de Lonesome Dove (Larry McMurtry ), Os Miseráveis (V. Hugo ) ou O Pacto (James Michener)!
Aprendi ao longo destes anos todos e por mera comparação, que as edições de D. Camilo e o seu Pequeno Mundo (Giovanni Guareschi ) ou D. Camilo em Moscovo, pela Bertrand em 1950 ou 1989, tenham formatos que fazem do primeiro um calhamaço de 440 páginas e outro um livreco de 220... possuo obras de ditos grandes autores editadas em colecções populares, pequenas, finas e com letra miúda, baratas... como outras de autores desconhecidos e aspecto de luxo.
Exemplo disto são A Um Deus Desconhecido (J. Steinbeck ), publicado pela Europa-América na colecção Três Abelhas...ou A história de Edgar Sautelle (David Wroblewski ), luxuosamente editado pela Bertrand... porém este vem com a chancela e aprovação inevitável de Oprah Winfrey, que pode até superar um Nobel...
Portanto e finalizando, para mim, presumido leitor-de-facto e militante, tanto leio na praia como na cama, na esplanada ou no sofá! E ao que calhe, sejam os ligeiros Wilt na Maior (Tom Sharpe ), Das Terras do Imperio Vátua às Praças da República Bóer (Diocleciano Fernades das Neves), o Capitão Alatriste (A. Pérez-Reverte), ou cartapácios como Portugal - o Sabor da Terra (J. Mattoso , S. Daveau D. Belo), Os Portugueses no Far-West Donald Warrin e G. L. Gomes), de capa dura como El sueño de Africa (J. Reverte)...
É uma questão de querer e de interesse... para mim talvez não um leitor-tipo da Nielsen, mas sem dúvida um leitor, que não leu ainda José Rodrigues dos Santos (porque não calhou...) mas leu Louis L'Amour e Cervantes. Não sou por isso um leitor-conduzido, e digo dos livros o que digo das garrafas: eu bebo vinho não bebo rótulos!
Passo por uma livraria e de facto o que se vê é um merchandising agressivo, com cores e fotos atractivas, vomitando números de publicação e garantidos por nomes mediáticos...
Faço sempre o mesmo, dou uma espreitadela à sinopse, folheio lendo cruzado umas páginas ao acaso e tento avaliar o conteúdo. Se despertou interesse ainda vou ver quem é o autor... depois é ou sim ou não! Por vezes até largo o livro e volto depois, um dia decido-me a sim ou não... só vejo o preço nessa altura!
Não sei se sou um comprador-leitor comum, mas vejo muita gente nas livrarias a fazer o mesmo.
Desculpem... desta vez alarguei-me e à grande!
Mil perdões... olhem, leiam-me em fascículos!
Um bom dia para todos.
É raro ver referências a Lonesome Dove, de Larry McMurtry. Adorei, li duas vezes ;)
EliminarMinha Cara Cristina Torrão:
Eliminar- Se me permite o atrevimento e perdoar a falta de modéstia, se gostou de Lonesome Dove, ouso prever que gostaria de ler o meu Largueza... é no género...
Desculpe o abuso e aceite o meu cumprimento.
Estes "postes" são muito, muito bons! Sugestivos e curtos! Apetece ler, pensar e escrever qualquer coisa como resposta. Uma curta resposta, também.
ResponderEliminarNo meu caso,prefiro e sempre preferi os livros "magrinhos". Há extraordinários romances de 700 páginas, isso há. Também li alguns. Contudo, falando apenas no meu gosto pessoal, os melhores livros que li até hoje foram sempre pequenos livros. Dou uns exemplos: A Raposa Azul - de Sjön, O Anão - de Pär Lagerkvist, Summer Crossing - de Truman Capote, O Velho e o Mar - de Hemingway, 0 Amante - de Duras, O Tesouro - de Selma Lagerlöfe e tantos, tantos outros!
Numa livraria, procuro em primeiro lugar os "magros" e depois enviezo os olhos para os "gordos".
Cristina Carvalho
A Cristina é então preconceituosa-literária ?
ResponderEliminar(Não me leve a mal que não é ofensa!)
É que há assuntos ou histórias, impossíveis de condensar em 200 páginas... mas percebo que se hesite perante um livralhão grosso!
Porém se é verdade que as idéias curtas são as que se apreendem melhor (é uma corrente actual), também é verdade que é uma questão de riqueza...
No fundo é como escolher cerveja ou um vinho do Porto velho... optar pela frescura que mata a sede, ou pelo enorme bouquet de aromas e sabores que nos invade e delicia o palato e pituitária...
Com certeza que num dia de calor e numa esplanada (até com caracóis...) opto pela cerveja, mas no final de uma boa refeição e após uma sobremesa rica, o Porto é insubstituível...
É tudo uma questão de escolhas e de momento.
O Velho e o Mar é uma aventura de pesca... se fosse maior perdia muito do que possui e lhe dá encanto, dentro mesmo género olhe para Ilhas na Corrente... é impossível condensá-lo! E o autor é o mesmo, o mesmo tema...
Não podemos comparar o Poema da Malta das Naus com Os Lusíadas... acho eu. Ambos são magníficos e fica-se por aí!
Cumprimentos e desculpe se fui inconveniente.
António Luís Pacheco,
ResponderEliminarEscolheu O Poema da Malta das Naus escrito por meu pai, António Gedeão para fazer uma comparação com os Lusíadas.
Escolheu bem.
E disse: são ambos magníficos!
E eu digo: pois são.
Não me pergunte qual prefiro porque não responderia.
Agora, esta sua afirmação inicial:
"A Cristina é então preconceituosa-literária ?"
Resposta (sem qualquer ressentimento porque até achei graça...)
Não! Não sou preconceituosa nem literária nem outra coisa qualquer. Tento que o preconceito viva afastado do meu estado de ser. Aprendi a repudiá-lo desde que nasci. Já tenho 61 anos de prática, ou quase!
Apenas reservo-me o direito enquanto leitora e escritora de apreciar os livros mais condensados, mais pequenos, talvez por isso mais intensos. Isto a meu ver, claramente!
Não gosto de calhamaços. Não é preconceito. É preferência.
Já agora, talvez o meu amigo que é muito mais "elástico" do que eu e não se importa com calhamaços, goste de ler as MEMÓRIAS de Rómulo de Carvalho, saído em Dezembro passado pela Gulbenkian. Olhe que é um documento impressionante e importantíssimo e, literariamente falando, uma verdadeira maravilha.
Esse eu li-o. Não por ser de meu pai (isso ajudou) mas, uma vez começado, é impossível deixar de ler.
Pois é! Preconceitos, rua!!! Isso é abominável. Para além dos preconceitos, existe o "gosto" de cada um. e isso não pode ser confundido.
De resto, VIVA A BOA LITERATURA E A MELHOR POESIA!!!
Cristina Carvalho
Hum... pois, talvez não passe de um chato a caminho de velho que ainda morre abandonado!
ResponderEliminarTalvez até seja obsoleto... porque palavroso.
Mas fundamentalmente diria - a quem queira ler - que os livros, como o vinho têm ocasiões!
É uma técnica de leitor veterano, e que talvez pudesse ajudar aos product manager das editoras, mas há livros para tudo... para a praia, para ler antes de dormir, para as férias, para o combóio.
É uma questão de os ir elegendo.
Tenho até livros-para-o-carro! Voltando ao já citado Portugal - o Sabor da Terra, é um caso... e se vamos de fim de semana ou passeio, tem de ir no banco de trás, à mão e ad hoc !!!! Porque é impensável ir a Marvão, a Segura ou
Tourém e não lermos sobre a região, in loco!
Aqui já entra o volume que deve ser ponderado e adaptado, como é óbvio e podia ser melhor aproveitado pelos merchandising managers...
Peço desculpas se estou a ser chato... mas o tema é apaixonante! E afinal podemos reduzir ou resumir a paixão "àquilo"... que só dura um instante?
Minha Querida Senhora:
ResponderEliminar- Saiba que é um privilégio saber quem é, e trocar opiniões com a filha de um dos poucos poetas que li, por quem tenho um apreço extraordinário, ao ponto de usar como máximas tantas das suas frases versejadas mas que encerram o saber profundo do filósofo e cientista.
Creia que até me comoveu! A net possibilita coisas destas, formidáveis!
Irei procurar o livro que refere, não me pode faltar essa leitura, por ser para mim, repito, um ícone. E felicito-a pelo orgulho que vejo tem e deve ter na obra do seu pai.
Com a maior consideração
Sim! A paixão só dura mesmo um instante!
ResponderEliminarAgora sendo analítica e fria, o mais fria possível - atitude que tenho de fazer um certo esforço para a conseguir - e quanto aos livros:
Um livro é um livro. É um obejto? É!
É uma paixão? Não! É uma amizade, é mais que amor!
Onde se lê? O que se lê? Isso é importante? Não!
Lê-se.
Isso é importante.
Gosta-se de ir à procura de um livro em amplas deambulações pelas "ilhas" e prateleiras das livrarias ou mesmo nos supermercados á mistura com o cheiro dos chouriços e das laranjas?
Gostamos!
Achamos impossível o objeto livro desaparecer daqui a uns tempos, passando a existir apenas qualquer coisa parecida com pos Ipad's atuais?
Eu acho que sim! Daqui a uns anos, 50, 100, 200, não sei (mas o que é isso no rolar da eternidade? Nada!? não haverá mais livros-objeto.
Deixará de ser pena pela sua não existência. Passará a ser um resíduo interessante de determinada época da humanidade.
Como tanta outra coisa já foi e se admira, atualmente, nos museus.
Olha! Um livro!!!
Letreiro: objeto de culto que serviu para estudo e recreio no primeiro milénio da era de Cristo.
Com licença.
Peço desculpa dos vários erros ortográficos que dei no "post" acima.
ResponderEliminarAcentuação ao contrário, etc.
Foi a pressa. Não é costume.
Muito obrigada
Cristina Carvalho
Eu referia-me como apaixonante a este tema sobre o qual dissertamos agora... e não os livros!
EliminarMas sim, confesso que para mim a leitura é uma paixão, e, por conseguinte os livros! Embora não os compre pela côr , tamanho ou espessura, e muito menos por estarem na moda... Gosto de ler mas também adoro ter livros!
Olhar para prateleiras e armários, e, ver as lombadas dá-me conforto, como um sofá ou a lareira... Sucede-me admirá-los apenas, tirar da estante e manuseá-los, ou conjugá-los com outras peças. E separar, classificar, arrumar por assuntos, catalogar... a uns gosto de os ver junto ao piano, outros na estante do escritório... o Dicionário Prático Ilustrado, o manual de Zootecnia ou o Samuelsson não podem estar junto do Histórias de Jazz...
Pode ser tara! Mas são coisas que nos fazem felizes e não vem daí mal ao Mundo! Isto na minha maneira de ver e de sentir, coisa pela qual sou criticado por minha mulher, que me acusa de ser materialista... mas não é essa uma das maravilhas da criação? A diversidade humana?
Mas como já disse, se lhe for buscar o Kalil Gibran ao escritório... protesta logo!
Há pouco tivémos de ir à cidade tratar de uns assuntos. Na curta viagem o tema de conversa foi justamente este blog, hoje e António Gedeão que concluímos escreveu filosofia sob a forma de poesia!
Cumprimentos a todos e me desculpem hoje estar assim... produtivo?
Olá! Caí no tema por acaso...e, tenho a dizer k resido há muito fora da Lusitânia. Gosto de livros, para os ler e, ainda, para os ver, arranjadinhos, aqui nas estantes. Ora, em Lyon, ou em Paris, e em qualquer lado, as livrarias mostram prateleiras deles, como as bancadas de legumes, nas praças. Nem sempre os bons autores, com vendedores pouco motivados. E, eu que gosto de discutir, acabo por partir até 1 livraria pequena, ou ainda, os vendedores nos cais do Ródano ou, da Seine! Considero hoje que, são os médias k propulsam os livros e, quanto maiores fôrem, melhor é...no meu blog, falei há pouco de um velho livro. Gosto de sentir os autores, sentados no tempo. E, apesar de hoje, encontrar pontos positivos na internet, esta não me dá a sensaçäo do papel, nem da impressão e, menos ainda, do tamanho do livro. Saudações de Lugdunum
ResponderEliminarMinha Cara Rosário Costa, gostei muitíssimo da sua afirmação: "Gosto de sentir os autores, sentados no tempo"... sim, é isso mesmo!
ResponderEliminarOuso partilhar desse gosto, além dos outros em que parecemos comungar.
A sua reflexão leva-nos a um outro ponto muito interessante, que é o de os empregados das livrarias muitas vezes serem apenas (sem ser por desprimor) "trabalhadores", sem formação ou gosto particular por livros!
É como ter na charcutaria alguém que apenas corte fiambre numa máquina e o pesa, ou um charcuteiro que nos aconselha sobre o presunto a adquirir conforme o destino a dar-lhe.
Confesso que é raro encontrar em Portugal esse tipo de funcionário, numa livraria... como já vai sendo raro numa charcutaria... creio que apenas nos stands de automóveis aparece quem saiba sobre o que está a vender...
Talvez tenha mais a ver com salários do que com a cultura... não sei!
Mas de resto questiono se um bom livreiro faz falta numa livraria onde se expõem livros como maçãs?
O que vende, segundo parece, é o impulso e o merchandising ou a publicidade... então impera o livre serviço.
Mas é pena que numa livraria não possa haver esse serviço e a conversa personalizada com quem saiba ou esteja informado...
Lá isso é!
Cumprimentos
É sempre bom ver, num blogue destes, o mérito reconhecido à autora da saga do Harry Potter ;)
ResponderEliminarPartilho da opinião dos demais, no que se refere a este amor pelos livros...!
ResponderEliminarA relação que estabelecemos com os nossos livros é normalmente duradoura (e vitalícia, no caso daqueles de que gostamos), e o que mais me fascina é exactamente o facto de se não processar apenas através do acto da leitura (que, sem dúvida, é algo só por si maravilhoso), mas também pelo passar dos dedos por sobre o papel de cada página e ao longo da lombada, calmamente, pois que com toda a estima que lhes dispensamos, também nos não importamos de despender mais algum tempo acarinhando os nossos livros, sorvendo o odor que deles emana, sopesando-os em nosso regaço, olhando-os em suspenso... julgo que esse "ritual" (que é diferente e único para cada um de nós, e por isso mesmo muito pessoal) é muito importante para, em contínuo, nos enlevar e transportar à leitura propriamente dita. Eu, pessoalmente, quando leio, sinto-me compelido de tempos a tempos a ir passando os dedos pela capa, sentindo-o, lendo mais devagar cada palavra, comunicando com o livro que me está acompanhando. E olhar, também, todos os seus companheiros adormecidos na prateleira - adormecidos, sim, mas de sono leve, pois que os interpelo amiúde, privo-os daquela pose plácida e modorrenta, para com eles dialogar mais um pouco - nem que por apenas um momento, ou um olhar, ou um toque.
Quanto ao tamanho dos livros, é certo que isso não deve afectar a escolha. Julgo que cada um tem os seus méritos pois, enquanto que os mais breves nos presenteiam com um hausto inebriante, muito intenso, que nos toma todos em um instante e nos revoluciona por dentro - os longos são experiência a que durante o tempo em que dura a ela nos habituamos, e para a qual temos mais disponibilidade para nos entregarmos todos, observar os pequenos detalhes com minúcia, deixar que ela se impregne lenta e progressivamente em nossas vivências.
Tomemos como exemplos dessas "lufadas breves" o "Físico Prodigioso" de Jorge de Sena, ou as novelas de Mário de Sá-Carneiro, ou as "Prosas Bárbaras" de Eça - possuem um efeito muito intenso, que me chega a "sacudir o espírito", de cada vez que as leio. Mais longas fossem, não encerrariam aquela força turbilhonante que me abala.
Mas, depois, temos obras como "Os Miseráveis", de Victor Hugo ou "Sinais de Fogo" de Sena, ou as obras de Joris-Karl Huysmans, cujo efeito deve ser considerado a longo prazo - e é justamente aí que reside todo o poder que a obra nos perpassa.
São dois tipos de experiência diferentes, mas que, a meu ver, são excelentes companheiras (normalmente aprecio até, em curtos intervalos de uma determinada leitura mais prolongada, deleitar-me com algumas narrativas mais curtas que me vão interessando).
E no fim, tudo isso que nos muda (pois a leitura não é algo que não tenha as suas consequências profundas em nossa alma) permanece cinzelado na efígie do nosso amor pelos livros, e na sua memória, e sua releitura, e na relação que com eles nunca deixamos de estabelecer.
Cumprimentos a todos, e perdoem que me haja alongado tanto!
T.B.S
Prefiro livros maneirinhos a livros de quilo e meio.
ResponderEliminarOfereceram-me no Natal de 2009 a História de Portugal do Rui Ramos -- 1,7 kg, 976 páginas.
Gosto e compro muitos ensaios sobre Portugal, os portugueses, a nossa história, mas ainda não tive coragem de ler o livro de Rui Ramos.
E não é porque não seja um prazer ler Rui Ramos -- que escreve bem, é fácil de ler e tem as ideias bem arrumadas.
O problema está naquele 1,7 kg -- que bom seria se a obra estivesse em 2 volumes.
Assim, passaram-lhe à frente livros que comprei depois. Desses livros, recomendo especialmente, "Portugal, Anos 10" (Texto Editora, Out 2010), ensaios sobre Portugal entre 1210 e 2010, coordenação de Roberto Carneiro, Artur Teodoro de Matos e João Paulo Oliveira e Costa.
Agora, sobre as livrarias, só uma achega. Fui há dias à Livraria Latina, Porto, R Santa Catarina.
Dantes, era ótimo ir à Latina -- os livros expostos por temas, novidades e não só, via-se que quem organizava a exposição gostava e sabia de livros.
Agora, que a Latina passou para as mãos da Leya , está irreconhecível. Os livros expostos à molhada, como se fosse uma venda de fruta ou de legumes.
Uma tristeza !
Caro Rui,
EliminarOra aí está: o que lhe está a fazer falta é um "tablet " e logo deixa de ter de carregar 1,7Kg .
Eu, tal como algumas das opiniões já manifestadas, também sou pelos "magrinhos" porque, muito raramente, um livro de mais de 200 págs consegue virar-me do avesso (reconheço que o problema é meu e só meu). Na maior parte dos casos, chego ao fim (quando chego) do calhamaço com aquele imenso bocejo - tanta página para dizer tão pouco - e fico irritada com o tempo perdido... Estou agora a ler o premiado Leya "O Olho de Hertzog ", parei na pág 155 à beira do bocejo, e meti de permeio "Pássaros na Boca" e "A Hora da Morte dos Pássaros" (ambos excelentes livros de contos recém-publicados) mas voltarei ao dito na esperança duvidosa de chegar ao fim das suas 442 págs... Definitivamente, os "gordos" não me arrebatam... Viva os "magros"!
C. D.
Pois caro C.D ., também não me acostumo a ler nos pc 's .
EliminarProvavelmente, também nos tablets -- não sei, ainda estou à espera da última moda (e tb da baixa de preços).
Já fiz várias vezes o download de um livro para o pc e nunca consegui concentrar-me o suficiente para ler, esquecido das horas como é habitual com os livros em papel.
A meu ver, os livros e formato virtual só terão futuro se se tratar de enciclopédias, obras técnicas, etc.
Nas obras literárias -- falta-me aquele petit rien do papel, da lombada, do querer guardar o livro na estante.
Caro Rui,
EliminarNão podia estar mais de acordo consigo!
C.D.