Antídoto
O País anda tristemente triste e não parece haver remédio que o cure da sua doença. O futuro não brilha aos olhos de ninguém e a Alemanha há-de cansar-se de ajudar os amigos, até porque essa generosidade fará, muito provavelmente, com que a senhora Merkel perca as próximas eleições. A muitos não apetece, por todas as razões e mais alguma, ler coisas demasiado sérias e pesadas – mesmo que essas, por comparação, possam constituir um alívio momentâneo. Fico, assim, contente por ter na manga para Abril um romance que pode abrir muitos sorrisos e fará decerto soltar gargalhadas. Trata-se de O Amor É Um Lugar Comum, de Paulo Nogueira, e é uma espécie de Quatro Casamentos e Um Funeral dos nossos dias transposto para o papel. As personagens são obviamente outras, mas pelo protagonista Bernardo perpassa uma certa reminiscência do desastrado Hugh Grant, e não faltam momentos de humor que, não fosse a história passada com portugueses, até podia ser britânico. Um escritor frustrado apaixonado por quem não deve, uma neo-hippy bem-intencionada, um médico sem fronteiras católico (e com tendência para os copos) e um arquitecto engatatão que não consegue sequer um amor e uma cabana compõem um ramalhete que é seguramente um bom antídoto para a crise. Se quer ficar bem-disposto, uma excelente opção.
Bem precisamos sim... a depressão anda aí!
ResponderEliminarO humor é um remédio! Sendo os portugueses tão amigos de contar histórias e anedotas, até com muita piada, o género não tem sido assim tão cultivado no romance, porque será?
Hoje não estou nos meus dias... tive agora a notícia da morte de um antigo colaborador e amigo, filho mais novo e problemático de uma família "da alta". Fui uma espécie de irmão mais velho e ficámos amigos...
Foi infeliz toda a vida... apareceu morto aos 48 anos, sózinho.
Não são só os velhos a sofrer de solidão!
Tinha estado no lançamento do meu livro em Dezembro no Campo Pequeno e depois já em Janeiro, pelos meus anos, telefonou-me todo entusiasmado que tinha acabado o I volume e ia atirar-se ao II... nunca saberei se o acabou e gostou tanto como do I. Aliás entrava nele...
É... bem precisamos de coisas que nos animem!
Desculpem-me mas hoje estou sombrio...
Lamento, António Luiz Pacheco. E é verdade: "Não são só os velhos a sofrer de solidão!"
EliminarA sugestão de leitura da MRP parece ser interessante. E, mais uma vez, tem razão: este género não tem sido cultivado no nosso romance. Os portugueses gostam de contar piadas, sim, mas, no fundo, somos um povo muito tristonho. Eu acho que os mouros é que tiveram a "culpa"...
Hoje, tudo é tão comum nesta Europa ancestral, que mesmo Versailles e, os Jerónimos, passam indiferentes, no nosso olhar. Contudo, nós \"petitesses humaines\", devrons descendre de nossa Tour d\'ivoire, olhando para as pequenas histórias, k nos retraçam. Um abraço, de Lyon.
ResponderEliminarParabéns ao Paulo. E boa sorte. A capa é muito bonita.
ResponderEliminarO Paulo Nogueira é aquele brasileiro que vive em Portugal há muitos anos, autor de uma série de crónicas que saíram no Independente, mais tarde publicadas em livro sob o título "Penso Rápido" ?
ResponderEliminarExactamente.
EliminarPois é... Habituámo-nos muito a aparências. Felizmente que em Cabo Verde o ministro da cultura não perderá o seu estatuto se passear pela rua ou frequentar qualquer lugar público" nós tudo é bos ote " (somos apenas entes de carne e osso). Isto porque, no meu trabalho de indexar termos no Centro de Documentação, peguei num livro de crónicas (editora pequena e autor: Otilina Silva), se aparecesse para editar numa grande editora certamente seria corrida a sete pés, mas é uma delícia: bem escrito e qualquer de nós, que não seja demasiado convencido, gostará. Comparei com um outro "tijolo", de um rapaz que vende milhares e anda na guerra, armado em herói, com colete à prova de bala, protegido pelos aviões dos "Ocidentais", mimando uns rapazes que se dizem rebeldes, e senti nojo dos seu livros e das suas reportagens, comparando com o da tal Otilina ...
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