Writers friendly

De todas as cidades que conheci até hoje, posso afiançar que Dublin é a mais writers friendly. É certo que a Irlanda – país de algum modo periférico como o é Portugal, mas com a sorte de falar inglês – tem já quatro prémios Nobel da Literatura (o genial Yeats, Beckett, Bernard Shaw e o poeta Seamus Heaney – a ordem é arbitrária), mas vive orgulhosa de todos os seus escritores vivos e mortos, como o atesta, aliás, um museu que lhes é dedicado na capital; e tem, além disso, as livrarias abertas até à meia-noite e deliciosos percursos joyceanos oferecidos aos turistas que tenham ou não lido o Ulisses (em Lisboa, ainda ninguém se lembrou de fazer um tour pessoano, acho eu, o que é uma pena). E é justamente em Dublin que um grande escritor espanhol faz situar a acção do seu mais recente romance, a sair em Fevereiro com a chancela da Teorema. Falo de Enrique Vila-Matas e do seu Dublinesca, pelo qual ando já com água na boca. É que a obra versa precisamente sobre os destinos de um editor literário que sabe retirar-se a tempo de não ser retirado pelas novas regras da indústria editorial, mas vive amargurado pela ideia de que não encontrou aquele autor genial que daria sentido à sua vida e crê, por qualquer razão, que é em Dublin que o encontrará.  Já li meia dúzia de páginas e digo-vos que promete.

Comentários

  1. Acho que ainda há quem organize um percurso pedestre intitulado "A Lisboa de Pessoa", com arranque no São Carlos.

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  2. Há Os Passeios Literários (que nunca testei) com o tour pessoano:
    www.passeiosliterarios.com os-nossos-passeios
    e há a Lisbon Walker (já fiz dois e gostei, em português aos domingos) www.lisbonwalker.com
    com o passeio temático "Lisboa Literária" e a CML também organizava passeios literários, por ex. sobre a obra do Eça.

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  3. O que Luís Rainha refere é uma informação disponibilizada pelo Centro Nacional de Cultura, mas sem acompanhamento técnico e cujos pontos de interesse nem incluem o túmulo do autor, (da autoria do fabuloso Lagoa Henriques que também o solidificou frente à Brasileira). O percurso a que chamam ‘A Lisboa de Fernando Pessoa’ está disponível 24 horas por dia a qualquer curioso, com as gralhas típicas da falta de acompanhamento profissional sobre a matéria. E a matéria exige!
    O que Anónimo se refere é da responsabilidade dum grupo de pessoas particulares que, felizmente, fazem serviço público, embora pudessem mesclar os seus serviços com atendimento não só para curiosos. Mesmo assim, estão de Parabéns.

    Em 2003 a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro CCRC ), com o apoio de alguns municípios, criou a Rota dos Escritores, um projecto de dinamização cultural, com protagonismo para sete escritores portugueses do século passado e que instituiu os itinerários dos locais físicos onde os autores viveram e trabalharam, organizando lateralmente exposições, debates, edição de livros, etc. Os eleitos foram Afonso Lopes Vieira, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Carlos de Oliveira e Eugénio de Andrade.
    A ideia era prolongar no tempo a Rota estabelecida, aproveitando o caminho para intervir também ao nível da recuperação de património relacionado com cada um dos escolhidos. Desconheço o que foi feito. Como tantas vezes acontece há cabeças que se iluminam com boas ideias mas não há quem se mantenha agarrado à enxada para continuar a abrir os sulcos que permitirão a criação de raízes, bem como fazer a manutenção da coisa. É pena mas, se por um lado devemos assumir culpas por alguma falta de aderência do público a projectos semelhantes, por outro lado, do que me foi dado perceber, e sublinho esta frase, a dinamização do projecto ficou-se por um certo elitismo e não desceu à rua, não foi devidamente publicitada.
    Algumas agências de viagens, espertas, têm nos seus catálogos a menção à Rota dos Escritores, se bem que se fiquem pelo universo queirosiano, onde não faltam refeições com ementa de época. Parabéns. É o que se faz em tantos outros países, recorrendo aos autores e inclusivamente às suas criações, como é caso (maior?) de Sherlock Holmes , e os milhares de visitas (pagas!) ao nº 221b de Baker Street .
    Regressando a Lisboa, e a Pessoa, nosso poeta maior na minha opinião, a Casa que tem o seu nome e que nos oferece uma profusão de iniciativas, organiza visitas guiadas à Casa apenas para grupos escolares, excluindo o ‘público em geral’ e não conta no cardápio com a exploração da cidade pessoana.
    Concluindo, o que sinto é que é tudo muito disperso, muito nebuloso, no sentido em que tão depressa cai um aguaceiro como faz uma aberta.
    Pessoa dizia que para viajar basta existir e eu concordo. Apesar disso, miseravelmente, não conheço Dublin mas tenho-a na lista em lugar de destaque, ainda mais agora com esta sua referência.

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    1. A SAL, Sistemas ao Ar Livre promove o passeio Nos Passos de Pessoa no próximo dia 19 de Fevereiro. Detalhes em http://www.sal.pt/m1_agenda_passeios/pp_nos_passos_de_pessoa.shtml

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  4. Olá Maria do Rosário. Curiosamente acho Dublin uma cidade fiction friendly e pouco poetry friendly. Escrevi um poema sobre isso. É uma cidade tomada pela prosa, território de Bloom, a poesia vive um pouco mais acima, a noroeste em County Sligo.

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