Uma visita do passado

Um dia destes, na coluna dedicada à literatura infanto-juvenil que Rita Pimenta assina aos sábados no Público, recebi uma grata visita do passado. Tratava-se da reedição de um livro que saiu originalmente em 1966 e foi, por essa época, oferecido à minha irmã e experimentado por ela e por mim ao longo de muitos meses na cozinha lá de casa. Chama-se A Colher de Pau e tem como subtítulo O Meu Primeiro Livro de Cozinha; e, apesar de ser uma obra traduzida, foi adaptada ao contexto português por Maria de Lourdes Modesto, que, logo a abrir, limitava a sua leitura às meninas, pois a cozinha não era então coisa de rapazes. A Verbo teve uma excelente ideia ao tirar este simpático compêndio de culinária juvenil do esquecimento e, tal como quando eu era miúda, em oferecer a quem o compra uma colher de pau (não sabemos é se a ASAE vai achar muita graça). A capa, ao contrário do que costuma acontecer com as reedições de livros esquecidos, é exactamente a mesma que me habituei a ver na estante da minha irmã e só espero que hoje as miúdas achem ainda piada a preparar refeições – da sopa à sobremesa – com a ajuda deste livro útil e bem-humorado e, claro está, da sua colher.

Comentários

  1. E nesta reedição, os rapazes ainda são discriminados? Há muito na cultura e na educação que contribui para perpetuar certos preconceitos. E se há meninos/rapazes que não gostam de cozinha, outros há que adoram. Muitos chefs são homens (eu tenho um enteado cozinheiro). E cada vez mais precisamos de ter divisão de tarefas em casa, certo?

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    Respostas
    1. Era isso mesmo que eu ia perguntar, Anabela

      Na Alemanha, há aulas de culinária nas escolas (não sei se em todas) em que se cozinha mesmo. Começa logo na Primária. E é claro que os rapazes estão incluídos.

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  2. Lembro-me tão bem desse livro... Não sei se por me ter sido oferecido em criança se por o ter herdado da minha mãe, que tem apenas 19 anos de diferença de mim... A verdade é que não tirei os olhos dele quando agora o vi nas livrarias, igualzinho por fora e por dentro.

    Se tivesse pertencido à minha mãe, foi eficaz de certeza, dado o jeito que tem para cozinhar. Se era meu, já não tanto...

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