Religião tecnológica
Escrevi os meus primeiros livros numa velha máquina de escrever que ainda nem era eléctrica e lembro-me de ter de passar tudo a limpo várias vezes (e das dores nas costas) por não gostar de entregar à editora folhas rasuradas. O computador pessoal trouxe imensas vantagens ao meu trabalho – como autora e como editora – e hoje já não viveria sem ele. Há, porém, coisas para as quais ainda o dispenso, e – sei lá porquê – não me passaria pela cabeça sentar-me a escrever um poema directamente num teclado de computador. E, contudo, li recentemente que nem as coisas mais sagradas estão livres de uma adequação tecnológica. Pois é, o Vaticano acaba de lançar uma aplicação para o iPhone com vista a receber confissões dos crentes. O programa, chamado Confession, custa pouco mais de um euro e meio e oferece aos utilizadores dicas e orientações que lhes permitem obter o perdão divino... Se Fernando Pessa ainda fosse vivo, certamente diria: «E esta, hein?»
Com certeza quis referir-se a Fernando Pessa… :)
ResponderEliminarAs freiras do Convento de Alvarães são notícia por navegarem na internet e estarem no facebook. Uma outra congregação catalã foi igualmente notícia há algum tempo por fazer ‘recrutamento’ via internet. Há promessas pagas por via electrónica. A Conferência Episcopal Portuguesa está no Facebook, no Twitter, no YouTube, tem blogs e uma página internet de fazer inveja a algumas empresas. Neste capítulo, desatenta é que a Igreja não está.
Obrigada, vou já corrigir.
EliminarEstá mais que visto, a religião não passa de um grande negócio, ou melhor, um conto do vigário.
EliminarA verdadeira espiritualidade reside dentro de cada pessoa. Não existem pecados, apenas experiências.
Isto, é apenas o que eu penso.
Também penso que encontramos a espiritualidade dentro de nós e, não, fora. Os ensinamentos de Cristo podem ajudar, mas não serão essenciais.
EliminarE pensa bem, acho eu!
EliminarSigo o seu blog com atenção e gosto dos seus posts e da forma simples como escreve. Neste caso, haverá um pequeno equívoco: não foi o Vaticano que lançou um aplicativo para o iPhone. Foi a Apple. O Vaticano limitou-se a declarar a não validade das confissões feitas através desse aplicativo do iPhone.
ResponderEliminarSe não ouvi mal, penso que o Vaticano aceita a aplicação como uma ajuda, um caminho para chegar à confissão.
Eliminar...àqueles que quiserem confessar-se a um padre, obviamente!
De qualquer modo, acho que tudo isso deve ser visto à luz do negócio e nada mais!
Julgo, pelo que li e ouvi, que o Vaticano se opôs a este tipo de "confissão" electrónica. Em todo o caso, terá razão numa coisa: o procedimento da confissão católica sempre se revestiu de um carácter pouco transparente na relaçãodo do "deve e haver" com Deus, justamente através da Igreja.
EliminarPodemos pensar na tal aplicação como um atendedor de chamadas do Divino: "O número para o qual ligou não se encontra disponível, deixe mensagem após o coro celestial..."
ResponderEliminar"Deus não joga aos dados", mas empresta pedaços de Céu no calvário da internet...
ResponderEliminarEu, hein?! Por um euro ... nem às paredes confesso :=))
ResponderEliminarÉ o que dá saber as coisas apenas por aquilo que aparece nos jornais portugueses.
ResponderEliminarSe tivesse visto a aplicação veria que não é para fazer confissões virtuais.
É um programa que ajuda a fazer o exame de consciência e tem as orações necessárias para o sacramento da reconciliação, para que não as souber de cor.