Rádio-inactividade
Há uma semana, a revista «Única» do Expresso dedicava um número à ideia de «bi» (dois) com vários artigos interessantes sobre bipolaridade, gémeos, bissexualidade, etc. Um deles falava de todos os que até agora bisaram grandes prémios como o Oscar ou o Nobel – e, quanto a este último, houve vários, embora nem sempre o galardoado tenha recebido o prémio na mesma área de actividade (houve quem recebesse o da Química e, a seguir, o da Paz, por exemplo). Marie Curie, que dividiu com o marido e com Becquerel o Prémio Nobel da Física em 1903 por descobertas no campo da radioactividade, recebeu também o Nobel da Química em 1911 pelo isolamento dos elementos rádio e polónio. Ora, um dia, estava eu a ouvir a Rádio Paris Lisboa (hoje Rádio Europa, creio eu) e apanhei um programa sobre a magnífica Madame Curie que, a par de Pasteur, tinha sido um dos meus ídolos durante a infância por causa de umas biografias que me tinham oferecido e que eu lera e adorara. Mas a jornalista, quando se referiu à descoberta do rádio (elemento químico), fez certamente rir os ouvintes ao dizer que, se não fosse Marie Curie, nenhum de nós poderia estar a ouvi-la pelo rádio naquele instante. Confusão que, enfim, denota uma certa inactividade em termos de leituras...
Cara Drª Maria do Rosário:
ResponderEliminar- Será essa confusão radiológico-fónica apenas falta de leitura? Ou vai mais longe?
Pura e simplesmente de saber ou de estudo, ou sejamos francos, por falta de profissionalismo e até de ética? Porque oiço dizer à muita gente conhecida nos diferentes meios de comunicação que nem por isso a prioridade das competências nos apresentadores, locutores ou repórteres serão as que imaginamos...
Claro que a locutora não terá de saber qual a composição da tabela periódica dos elementos, que aliás poderá confundir com uma tabela de marés (caso o namorado seja surfista, como compete e é de bom tom ...) mas pelo menos era de esperar que se informasse sobre o assunto a que se referia...
Este meu fim de semana cultural e cinegético em Mirandela foi lapidar... havia uma equipa espanhola, gravando vídeo para um canal da Tv. Cabo que sabia quase tudo o que havia para saber sobre a região e me diziam do encontro venatório do NE Transmontano, qué rico!" e isto dito por quem anda por toda a parte a gravar peças! E não se referiam à alheira, ao butelo e à posta..
Em compensação fomos também curtamente entrevistados por uma "repórter" de uma TV nossa, uma jovem de cara bonita e a mascar pastilha, evidenciando um grande àvontade que era directamente proporcional à sua ignorância, quer sobre a região quer sobre as actividades que estava ali para "reportar"... não acertava uma!
Inacreditável! Mas sem surpresa nenhuma, pois não foi a primeira vez que o constatei na 1ª pessoa... mas atenção, um destes dias a jovem mascante é capaz de escrever um livro, talvez influenciada pelas as suas experiências no Portugal profundo e ser disputadíssima pelas editoras... mesmo que confunda casulas (cascas ou vagens de feijão) com casulos (de bicho da seda)... mas afinal isso não interessa nada pois não?
Desejo a todos uma boa semana de trabalho!
Eu cá, venho de alma lavada lá das serras, pelo frio e calor humano!
Confundir casulas com casulos? Dessa nunca me tinha lembrado eu!
EliminarCreio que poderá estender essa rádio-inactividade " também à televisão e aos jornais. Hoje em dia esse problema da falta de cultura geral e de preparação é ainda mais notório. A isso não será alheia a famosa prática dos últimos anos utilizada pelos jornais, de contratarem estagiários...a custo zero, para irem ganhando experiência.
ResponderEliminarJazus!
ResponderEliminarFoi há alguns anos, dos Açores para o mundo, o canal não sei qual era, o repórter também não, mas não esqueço a imagem do rapaz, novo, com os pés protegidos por botas de borracha no meio do verde, a anunciar de microfone na mão, para quem o quis ouvir, que uma das culturas mais evidentes dos Açores era a das vacas.
ResponderEliminarNa semana passada uma das locutoras duma rádio que tem, digamos, alguns ouvintes, afirmou que a população mundial era já cerca de 6 milhões de habitantes.
Não há correcções, pedidos de desculpa, nada, apenas o verbo suceder a repetir-se e a suceder-se.
A despropósito:
ResponderEliminarNo último JL (pág. 16):
[...]
«Manhã Submersa, o romance de Vergílio Ferreira que, como se sabe, é passado no semanário.»
Lindo!
EliminarOh pleeeeease...
ResponderEliminarImagine-se se a locutora se tivesse lembrado que também há um osso chamado rádio...
ResponderEliminarEra capaz de dizer que, se não fosse a Marie Curie, não podia segurar no microfone...
a madame curie representava não só a ciência, lembro-me que havia uma série de peripécias que rodearam a descoberta do rádio, ler a biografia era assim uma espécie de história fantástica. e a figura frágil, impenetrável. adorava-a, era a minha heroína mas, infelizmente não me lembro de quase nada da biografia.
ResponderEliminarAinda ontem, nas notícias, um distinto advogado da praça, dizia que era necessário aguardar pelo acórdão na integridade, ao invés de "na íntegra". A ignorância é transversal a toda a sociedade...
ResponderEliminarOs portugueses gostam muito de sufixar por sua conta e risco.
EliminarEu também li essa biografia (Livros do Brasil?) e fiquei fascinada.
ResponderEliminarMais uma pérola (as traduções dos canais de cabo estão pejadinhas delas):
Num périplo pela Grã-Bretanha, Ian Wright, um dos viajantes da série Globe Trotter (Travel C) dizia, no alto de uma montanha no País de Gales: "That's why I love Britain". Tradução: "É por isto que eu gosto de Inglaterra".
Se os galeses entendessem português, era processo certo...
EliminarJuro que foi isso que pensei.
EliminarTAMBÉM LI ESSAS BIOGRAFIAS!!!!
ResponderEliminarPara além da Madame Curie e de Pasteur (que igualmente me fascinaram), também havia a história da Florence Nightingale e do Beethoven. Cada livro de sua cor, com umas cercaduras floridas.
Olhe que agora me deram as saudades.