Pré-editores
Hoje fala-se muito do papel do editor como interventor no processo de edição de um texto com opiniões, críticas e sugestões que visam torná-lo, se é que isto se pode dizer, mais próximo da perfeição. E comenta-se que este editor – que o Reino Unido e os EUA sempre conheceram – é figura recente em Portugal, país onde ao longo de décadas um original ou era publicado tal como estava, ou simplesmente não o era. Não sei, na verdade, se as coisas são bem assim, pois creio que os editores sempre se sentiram com autoridade suficiente para fazer comentários e dar pistas que conduzissem a um melhor resultado final; mas, mesmo que essa não fosse a prática comum, quase todos os autores tiveram e têm os seus «editores» privados – pessoas isentas e informadas que eles consideram capazes de lhes dar um parecer consistente e de sugerir melhores caminhos para chegar aonde querem quando as vias se entortam e tudo parece ir dar a um beco. Em muitos dos livros estrangeiros que publiquei, a lista de agradecimentos era suficientemente clara para eu saber que, antes de mim ou do editor original, tinha havido efectivamente outras pessoas a ler e apreciar o texto e que o que ali me chegava já vinha limpo de impurezas. Lembro-me de que, quando abri o fantástico As Horas, me surpreendi com o número de nomes constantes dos agradecimentos, mas depois percebi que o autor, tendo escrito parte do romance numa residência para escritores, havia podido contar com ajuda privilegiada e não a desdenhara. O pior é quando estes pré-editores são os pais e os amigos do potencial escritor e acham que tudo o que ele faz é perfeito...
... problema acrescido também quando o próprio autor se tem nessa conta de perfeito...
ResponderEliminar:) Se pelo menos os pais e os amigos acharem isso já não será mau :)
ResponderEliminarA maioria dos trabalhos que edito são académicos e resultantes de dissertações de mestrado e teses de doutoramento. Escusado será dizer que na opinião dos autores são trabalhos excepcionais e a rota do eixo terrestre podia ser alterada caso não se publicassem. É um favor que nos fazem…
ResponderEliminarTenho outros que até não se têm em grande conta, dizem eles, mas o que é a sua opinião, comparada com a da família que insiste e insiste e insiste que aquela é a primeira pedra no caminho para o Nobel? E o pobre lá lhes faz a vontade e avança de manuscrito em punho para a Editora, não percebendo que é mais cego que o Camões.
Outros ainda são craques duma determinada matéria mas nunca sentaram o rabo na escola primária e não aprenderam a escrever, o que resulta numa dor de cabeça para o Editor; porém, juram a pés juntos que nada é mais claro que o aramaico que me entregam e a prova disso é o prefácio, escrito por um obscuro desconhecido numa qualquer língua morta, perante o qual me nomeiam para ganhar o prémio da ignorância. Perguntam-me como é que eu posso duvidar daquele vulto e eu ajeito os óculos mas continuo a ver só cegueira.
Qualquer pessoa séria sabe que, nesta matéria, amigos e familiares são arraçados de mentirosos compulsivos pois até a folha ainda em branco lhes inspira solidez literária do filho, namorado, neto ou qualquer outro parentesco.
Não quero deixar também de mencionar um certo amigo que, sabendo o que faço, me entregou a dissertação de mestrado para rever, já com data marcada para a apresentação. Justifiquei por A + B que devia pôr as folhas todas na máquina de triturar papel e ele assim fez, com prejuízo da sua vida profissional, mas com garante da sua honestidade. Infelizmente, é caso único.
Infelizmente, nem todos os autores têm a sorte de ter "os seus «editores» privados". E públicos (por assim dizer). As falhas notam-se no texto, sim, dúvidas que nos assolam e ninguém esclarece.
ResponderEliminarCompreendo que muitos editores desesperem com os textos que lhes mandam, depois de a família considerar o seu autor um génio. Mas também é frustrante ser autor, querer uma opinião isenta e informada (disposto a ouvir e a considerar todos os conselhos e ansiando esclarecer as suas dúvidas) e não a encontrar.
Só pagando. Mas, nesse caso, será a opinião isenta?
Boa tarde Cristina
EliminarSobre a sua questão, muito pertinente, direi o seguinte:
1. Quando quis enviar um texto para ser avaliado, procurei a pessoa que considerei mais credível no mercado, Maria do Rosário Pedreira. Não nos conhecemos, nunca a vi nem ela a mim: predominou a sua fama profissional. Respondeu-me em primeiro lugar a pedir desculpa pela demora na resposta. Em segundo, a dizer Não, obrigada, e a explicar porquê.
2. O pagamento. Será 'complicada' a questão do pagamento em si, ou a antevisão dum gasto face à possibilidade dum Não? Todos nós pagamos pelos serviços mais diversos, por que não pagar por este? É um trabalho como outro qualquer.
PS. Imagino a secretária da MRP e vejo-a com avançado, como as tendas de campismo, para poder albergar tanto original.
Os meus pontos eram mais os seguintes:
Eliminar1- Nem todas as editoras fazem bom trabalho de edição(editing). O autor vê o seu livro publicado (sem despesas). Passado uns meses (ou um ano) torna a ler o livro e deita as mãos à cabeça, ao ler certas passagens. Num bom trabalho de edição, isso não aconteceria.
2 - Não me faz impressão nenhuma pagar por um trabalho desses (contanto que haja dinheiro). A minha pergunta é: a pessoa/editor que recebe o dinheiro para avaliar o texto dará uma opinião isenta?
Cara Cristina
EliminarParece-me haver alguma confusão... de acordo com o que diz a culpa é do editor! Então o autor só passado um ano é que..., desculpe, não concordo. Além disso, estamos a falar de duas coisas diferentes: uma é alguém dizer-me que o meu texto tem qualidade!, outra é fazer posteriormente o trabalho de edição.
Sobre a segunda questão, pergunto: o médico que nunca vi e não conheço de parte alguma, mas a quem pago, será isento ao declarar que tenho uma doença qualquer? Ou apenas quer que eu volte lá de vez em quando para ir cobrando umas consultas? A empregada da loja de pronto a vestir que me diz que o vestido azul é que me fica bem, será isenta na opinião? A cabeleireira que me sugere um corte radical, terá isenção na sugestão?
Como em tudo na vida há sempre lugar a subjectividades. Mas se alguém me aconselhou aquele médico, se eu até gosto da loja e confio na cabeleireira, aceito as opiniões, sigo-as. Posso arrepender-me, é verdade, mas já alguém dizia, é sempre melhor arrependermo-nos de qualquer coisa que fizémos do que de não termos tentado sequer. :)
Feliz a pessoa, neste caso Michael Cunningham , autor do premiado romance 'As Horas', que pode ter os seus editores "privados". Fica por saber quantas obras ficam pelo caminho ou são desvirtuadas na génese, pelo opinanço de terceiros, familiares ou não, com autoridade na matéria ou nem por isso. Quanto ao tema que considero mais relevante, penso que quem partilha o que escreve, preferia-o fazer com um profissional na área, mas não tendo, nem havendo, possibilidade de o fazer, socorre-se do que tem mais à mão. Por vezes, talvez seja mais cómodo a opinião destes, parciais e imbuídas de emotividade, que não ajudando no sentido auto-critico do potencial escritor, têm o condão de manter acesa a esperança, a continuação do sonho. De resto, tem de se ir à luta, escolher e saber esperar pelas oportunidades, e acima de tudo, saber que tudo o que se escreve está inacabado e pode ser melhorado.
ResponderEliminarMinha Cara Areia:
ResponderEliminarChamo-lhe respeitosamente a atenção para os que como eu sentem vontade de escrever e acreditam que tenham algo a oferecer.
E, pode acontecer terem-no... ignoro se será o meu caso e continuarei a ignorar porque não consegui despertar a atenção de ninguém, a despeito de bater a várias portas.
A falta de resposta, o serem de fora do meio das letras (ainda o meu caso) e a ignorância pura que só emparelha por vezes com a paixão pela escrita e os livros, faz esses proto-autores cairem nas armadilhas das edições pagas.
Sem qualquer orientação e às vezes uma revisão que devia dar prisão (à editora...)
Tem muita razão no que diz... mas diga-me lá como é que uma pessoa como eu, desconhecida e desconhecedora, conseguirá alguma vez obter essa orientação de que fala?
Estaria a Senhora disposta a ler e a avaliar p.e . o pseudo-romance que me deu na gana escrever e em que investi os últimos 3 anos, após mais de 20 de amadurecimento e recolha?
Nem que seja para dizer: "Não seja ridículo!".
Coisa que seria um grande favor, acredite e me tiraria as dúvidas que são o pior da nossa existência!
Creia-me com a maior estima e consideração e não me leve a mal o atrevimento... mas pela boca norre o peixe...
Venho aqui tantas vezes e gosto de seguir a azáfama de comentários mas dizer em muitas palavras nem sempre é dizer muit, perdoem-me a aousadia.
EliminarO editor é FUNDAMENTAL se quisermos distinguir a figura que faz o seu trabalho para bem da humanidade. E fazê-lo a bem de todos é dizer que é péssimo quando o é, e que pode ser melhorado aqui ou ali quando é possível, e defendê-lo se acreditar nele e o quiser publicar.
Todos ficamos muito ofendidos quando nos rejeitam coisas, muitos pagam para não serem rejeitados (não é já isso uma rejeição do mercado?), outros há que vão melhorando e permanecem expectantes e talvez um dia uma obra posterior e mais madura seja publicada.
Vale mais esperar que errar em demasia: raros são os casos em que o primeiro livro que se escreve é publicado e é bom, raros mesmo. às vezes seria melhor guardá-lo na gaveta e escrever um melhor, e depois outro melhor... e só depois de errar tudo o que há para errar se orientassem por opiniões isentas (que não de pais e mães) e arriscassem ser lidos por um editor... E ainda bem que os há!
Caro ALP
EliminarNão fui clara: quando falei em pagar referia-me aos serviços de leitura, aconselhamento, sugestão de outras leituras, avaliação, revisão, correcção, etc., etc. Nunca a edições pagas. Nunca.
Tenho o grato prazer de estar a acompanhar um desconhecido na escrita do seu último romance. As palavras são como as cerejas e 'conhecemo-nos', imagine só, no facebook, onde ele ia colocando ideias que eu comentava! Hoje somos correspondentes e estou a ajudá-lo com um romance histórico, que não vou editar no local onde trabalho, nem sei onde será, embora o autor me garanta que tem editor e a seriedade da 'coisa' me leve a acreditar. Nada sei sobre ele, apenas sei que gosto do que leio.
Porém, na maioria das vezes, as pessoas querem mais que a opinião: desejam que essa opinião se transforme em convite para editar e isso eu não faço.
Ler, leio com certeza! Mas também lhe digo que não me sinto muito confortável em dar missa nesta 'igreja' que é da MRP, e que ela sim, pontifica na matéria. Por outro lado, também não quero que ela me acuse de contribuir para a enterrar em vida em papéis e peço desculpa se as minhas palavras de alguma forma levam a que isso aconteça.
Por outro lado ainda, já por duas vezes pedi conselho a professores de literatura, por me parecerem óbvios avaliadores da escrita. Mais uma vez, não os conhecia: sabia-lhes o nome e respeitava-lhes o trabalho; entrei em contacto com eles, expliquei ao que vinha e ambos aceitaram ler-me. Publiquei os dois documentos e ainda hoje lhes agradeço a orientação.
A vaidade inerente ao escritor faz(-nos) crer que as palavras que debitamos, naquela ordem e naquela sequência, é a melhor. É muito difícil aceitar de bom grado uma alteração, quando a nossa veia nos diz que aquilo está perfeito!
No fundo, acredito que, mais difícil do que encontrar quem nos avalie e nos ajude, é aceitarmos ser avaliados. Parece uma incongruência, mas é a realidade...
Minha Cara Areia:
Eliminar- Comungo da sua opinião e a percebo!
Mas, mesmo pagando onde está o pré-editor?
Não os há... ou havendo, como saber (nós os que vimos de fora) se não são mistificação?
Falando por mim, quando enviei o meu... bom, "projecto" de romance, a editoras, foi com o objectivo óbvio de o vir a editar... e estava preparado para que não tivesse qualidade! De facto ouve de tudo... menos "faça ou refaça assim" ou "o que escreve não tem qualidade", ou "não presta"! O que me faria repensar...
Eu sabia lá se é ou não costume este "editar a meias"... mas foi a proposta que mais tive, e foi o que fiz, mas já percebi que fui precipitado.
Como quer Você que eu aceda a quem se disponha a ler-me? Claro, tirando os meus leitores habituais de jornal e das revistas... é um pouco melhor que família e amigos... mas pouco mais adianta...
As pessoas não estão preparadas para ouvir a verdade? Concordo... mas isso é metade do problema, porque também não estão preparadas para a dizer!
Com os melhores cumprimentos e agradecendo o esclarecimento e a sua prezada atenção.
Mas, meu caro Anónimo, se escrever e guardar na gaveta, depois escrever outro melhor e por aí fora... como é que vai saber se está a melhorar?
ResponderEliminarQuererá Você explicar-me melhor essa sua idéia? Confesso que...
No mundo anglo-saxónico (sobretudo aí) os agentes literários cumprem essa função importante de aconselhar os escritores e de "filtrar" os candidatos, separando o trigo do joio. Aquilo que é apresentado às editoras tem já, digamos, uma qualidade mínima. Em Portugal, infelizmente, os editores continuam a receber textos que não passavam no antigo exame da 4ª classe. Porque há pessoas que não têm o mínimo sentido de auto-crítica. Porquê? Evidentemente por falta de leituras. Ler os grandes autores é a única maneira de "educar a mão". De resto, como dizia o outro, o talento é mais transpiração do que inspiração...
ResponderEliminarManuel Alberto Valente
O sentido de auto-crítica estará apenas dependente das leituras? Penso que muitas pessoas têm problemas em fazer auto-crítica por não conseguirem a distância adequada àquilo que escrevem; por não conseguirem serem objectivas em relação a algo escrito pela própria mão, independentemente daquilo que lêem.
EliminarA muita leitura permite, entre outras coisas, essa distanciação de que fala. Por outro lado, e perdoe o exemplo mas, o facto dos bolos que faço sairem queimados deve-se, em parte, ao facto de fazer poucos ou nenhuns. A muita leitura garante-nos, ou permite, talvez seja melhor, 'olhar' a escrita de forma diferente, mais ampla, crítica. A muita leitura dá-nos visão, mesmo que estraguemos os olhos.
EliminarExacto, e eis uma boa questão: por que é o agenciamento literário tão escasso em Portugal? Lembro-me do Ilídio Matos e... de mais ninguém (mas pode ser desconhecimento). Tenho também a ideia de que o agenciamento nos traz sobretudo livros de fora, mas os que são escritos cá negoceiam-se, basicamente, nas feiras internacionais, através das respectivas editoras ou dos próprios autores. Será realmente assim? Vários jovens autores portugueses muito bons foram recentemente publicados noutros países (ou sê-lo-ão brevemente). E os autores consagrados já o são há muito, claro. Não sei se haverá agentes literários nacionais envolvidos neste processo, mas parece-me que, a existirem, não têm nenhuma visibilidade. Lembro-me da Lúcia Riff, destacada agente brasileira (acerca da qual li há tempos um artigo e, se não me engano, na imprensa portuguesa), um exemplo da importância destas figuras no mundo literário de outros países.
EliminarCarla Nunes
Ninguém sofre do problema inverso, que se resume no facto de demasiadas leituras nos remeterem irremediavelmente para a nossa insignificância e ignorância?! Como também dizia o outro, eu só sei que nada sei ...
EliminarEstimada Carla Nunes,
EliminarEfectivamente, o Ilídio Matos é o único agente literário activo em Portugal - mas é agente de obras importadas. Os nossos autores (jovem e menos jovens) têm recorrido sempre a agentes estrangeiros, o que pode contribuir para a divulgação internacional dos seus livros, mas não resolve a questão do "editing" que estava aqui em causa.
A pequenez do nosso mercado pode explicar o facto de não aparecerem agentes literários, ao contrário do que acontece na vizinha Espanha, onde há mais agentes do que livros (é uma blague, evidentemante).
Bem, é claro que eu não acho que se deva ler pouco! Só acho que, muitas vezes, é difícil fazer uma auto-crítica isenta, temos sempre uma "relação de afectividade" com aquilo que escrevemos.
EliminarAproveito para corrigir a minha última frase: "independentemente daquilo que leiam".
Já agora, cara Areia às Ondas, chamo-lhe a atenção para o comentário abaixo do JML, principalmente, para as palavras: "É muito interessante verificar como a faculdade de editar o nosso próprio manuscrito se vai perdendo com as muitas leituras necessárias do mesmo. A nossa capacidade crítica, pela repetição do trabalho linha-a-linha, inevitavelmente esvai-se."
EliminarE, sim, em relação ao que escrevo hoje, se o deixar repousar um ano e o tornar a ler, encontro passagens que, passado esse tempo, não escreveria. É normal, acontece a qualquer escritor (só não acontecerá aos que não evoluem).
Caro Manuel Valente,
EliminarMuito obrigada pelo seu esclarecimento. Mas é uma pena. Em geral, ficam os agentes espanhóis ou brasileiros com a negociação dos direitos de livros estrangeiros para Portugal.
Ser agente literário também não é tarefa fácil e será necessária uma longa caminhada para se chegar à competência: há que conhecer como a palma da mão o mercado editorial lá fora e cá dentro. Talvez assim se justifique a inexistência de iniciativas nesta área.
Há uns tempos, discutia-se neste blogue a «portugalidade» dos nosso autores. Será dela feita a pequenez do mercado em termos de projecção internacional? Custa-me a crer. Saramago, Lobo Antunes e tantos outros são tão portugueses no estilo e na língua e, contudo, conhecem edições por todo o mundo.
É dolorosamente evidente que a maioria dos comentadores deste post são escritores frustrados; mas daqueles realmente maus, embora muito insistentes e bem-intencionados, que sempre aproveitam um tempinho de antena para se entregarem a debates anódinos sobre coisa nenhuma. Até fazem pena.
ResponderEliminarMRP deve achar alguma piada - ou se calhar não acha piada nenhuma - ao rebanho que em volta dela se junta, ávido de uma oportunidadezinha.
Caro colega de anonimato,
Eliminartambém os escritores "realmente maus, embora muito insistentes e bem-intencionados" têm direito ao seu direito de antena. E à MRP parece não incomodar que se venham aqui entregar "a debates anódinos sobre coisa nenhuma", ávidos de uma "oportunidadezinha". A sua profissão presta-se a isso. Além disso, ela parece prosseguir com gosto com este seu blogue (ainda bem). E, com certeza, gosta de apresentar posts cheios de comentários!
Afinal, somos todos humanos...
Post muito interessante.
ResponderEliminarNa minha experiência pessoal, a minha mulher demonstrou uma capacidade extraordinária no trabalho de edição do manuscrito, principalmente nas últimas 3 a 4 revisões, detectando sempre novos erros gramaticais, incongruências pontuais e repetições de palavras que a mim, muito mais preocupado com a estrutura da história, sempre me iam escapando. Por fim, quando já nem eu, nem ela detectámos qualquer erro ou lapso, entregámos o manuscrito. O livro vai ser publicado em Maio e presumo que para isso contou em muito o trabalho de pré-edição da minha mulher.
É muito interessante verificar como a faculdade de editar o nosso próprio manuscrito se vai perdendo com as muitas leituras necessárias do mesmo. A nossa capacidade crítica, pela repetição do trabalho linha-a-linha, inevitavelmente esvai-se.
É isso mesmo, JML, concordo inteiramente. E gabo-lhe a sorte de ter alguém tão próximo disposto a fazer revisões cuidadas dos seus manuscritos.
EliminarObrigado.
EliminarAcerca deste assunto, talvez tenha interesse.
http://www.theglobeandmail.com/news/arts/russell-smith/what-real-editors-really-do-and-why-writers-should-avoid-freelancers/article1900721/
Obrigada pelo link, JML. O artigo é interessante, até porque foca um aspecto que ainda não foi aqui referido: os editores também têm um gosto pessoal. E esse gosto, naturalmente, influencia as suas escolhas...
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