Palavras mágicas
Há muitos anos, fui contactada por uma agência de publicidade para lá ir dizer o que esperava de uma pasta de dentes. Compareci no dia combinado e fiquei eu própria surpreendida com a quantidade de coisas que consegui verbalizar sobre uma matéria aparentemente comezinha como aquela. Não era a única pessoa presente, claro, e essa circunstância acabou por desencadear um diálogo de mais de uma hora à volta do tema «dentífricos», com intervenções memoráveis sobre cor, sabor, textura, embalagem, preço e ecologia. Mais tarde, explicaram-me que aquela reunião era parte daquilo a que se chama um «estudo de mercado» e que, quando uma agência quer lançar um produto, tem de saber o que os clientes exigem e desejam para construir a campanha em consonância. Ora, o sucesso de um livro é sempre uma incógnita e, para os livros, não há realmente estudos de mercado possíveis (por isso nos zangamos quando chamam «produtos» aos livros). E, no entanto, parecem existir palavras mágicas que conduzem quase sempre ao êxito. A melhor que conheço é «chocolate» e, se um título a inclui, é quase certo que o livro se vai vender bem. O romance Chocolate – que depois deu um filme menor com a admirável Juliette Binoche – tirou Joanne Harris do anonimato e transportou-a para um estrelato que se calhar nem merecia, e o Baunilha e Chocolate de Sveva Casati Modignani pô-la a vender de repente milhares de exemplares num país onde os escritores italianos raramente vingam...
Hmm: Chocolate Blonde?!
ResponderEliminarChocolate parece ser uma palavra mágica que vende como bem comprova. Mas não será importante a escolha do título de um livro para ajudar à sua venda e promoção.
ResponderEliminarSerá que o " Aprender a rezar na era da técnica" não foi um título importante para despertar a curiosidade deste livro do Gonçalo M. Tavares em França?
Quais os factores principais que um editor deve ter em conta na escolha de um título?
Sem dúvida: um título pode fazer a diferença. Comprei «O deus das pequenas coisas» pelo título.
EliminarE as primeiras linhas... nunca resisto a um bom início.
Por isso, continuo a gostar de ir a livrarias, embora compre sobretudo online, pelas vantagens económicas. O primeiro contacto é sempre importante. A capa, o papel, a textura, as badanas... tudo pode ser mágico.
Deserto. Esta é talvez a minha palavra mágica para comprar um livro, raramente resisto.
ResponderEliminarAcompanhei há anos a edição dum livro cujo autor não prescindiu dum título infindável que repetia três vezes a mesma palavra. Foi difícil o editor acreditar no sucesso de vendas daquela sucessão de carruagens, maior que o comboio de transporte de adubos e rações. Foi um sucesso, inesperado para mim também que nunca acreditei ser vendável fora do círculo académico interessado na matéria e acabou por ter duas edições num espaço de poucos meses.
A escolha dos títulos tanto pode ser óbvia como até chata, por sentir que andamos à volta do título perfeito para aquele livro, mas não conseguimos encontrar as palavras certas, aquelas! Por outro lado, há dois ou três anos, um autor apresentou-nos um livro cujo título nos apareceu como o primeiro número do El Gordo. O curioso foi que ele foi avisando que era só uma sugestão, que estávamos à vontade para mudar. Para nós não havia dúvidas e o sucesso verificou-se.
Há palavras e junções de palavras que funcionam como sinetas na cabeça das pessoas.
"para os livros, não há realmente estudos de mercado possíveis"??
ResponderEliminarHá livros que surpreendem, são a excepção que confirma a regra. De resto, uma editora sabe, de antemão, quanto venderá um livro que se prepara para publicar.
"o sucesso de um livro é sempre uma incógnita"? Será, em 10% dos casos (ou menos)...
O livro não é um "produto"? Para si, talvez não. Para a grande maioria dos editores, é, sim senhora!
E há tendências de mercado. E há marketing. E há nomes sonantes, que garantem dezenas de milhares de exemplares vendidos, independentemente do conteúdo. E etc., etc.
A menina não sabe da história nem a metade... mas uma coisa lhe garanto, ficaria surpreendida por exemplo com edições inteiras de nomes sonantes a ser retiradas do mercado, capas a serem substituídas por outras onde se diz: 2ª edição! Supostamente porque a primeira esgotou...
EliminarE se excluirmos as excepções, que as há como em tudo na vida, garanto-lhe também que o sucesso dum livro é uma incógnita! As variáveis são imensas, suspeitas e insuspeitas, e não as vou aqui elencar, por não ser hora nem lugar e por não valer a pena...
Sim, tenho consciência de que não sei a metade da história. Embora já tenha publicado, praticamente não tenho contactos com o mundo editorial português (tive a sorte de encontrar uma editora que se interessa muito por temas históricos). O facto de viver no estrangeiro também contribui para que a maior parte dos acontecimentos me passe ao lado.
EliminarNo entanto, já deu para que me apercebesse de certas coisas...
Qualquer dia, escrevo um livro sobre as minhas aventuras e desventuras neste "interessante" mundo...
Hum... e o que é que vale a pena?
ResponderEliminarIsto, se a alma não for pequena!
Pois...
António... (é outra coisa que não anónimo...)
Também já comprei livros por causa do título.
ResponderEliminarAgora há outra com nome de chocolate vi ontem a noite numa livraria da rua da Junqueira na Póvoa de Varzim. E comentei com quem me acompanhava, não vou comprar.
ResponderEliminarGostei de chocolate apaixonei-me pela Joana Harris nesse livro tentei ainda mais 3 dela, sou estupidamente fiel, e desisti. Não gosto de Joana Harris e chocolate só escrito por Garcia Marquez.
Oi mt obrigadao. gostei ler este artigo está fashion, agora já sou fa nato deste blogue.. abraços
ResponderEliminar