O fim dos jornais
No meio em que trabalho, todos os dias alguém se lembra de falar do fim do livro em papel e de um futuro risonho cheio de livros electrónicos, descarregados nas nossas máquinas a partir de um armazém virtual. Já aqui falei do que penso acerca do assunto; mas o caso dos livros não é filho único – e com o aparecimento dos jornais online e os seus milhares de seguidores, é igualmente plausível o desaparecimento destes na versão em papel. Eu cá começo o dia a folhear o Público e a ler as gordas e algumas das mais pequenas – e não consigo, assim sem mais nem menos, passar-me para o ecrã do computador; mas entendo que muitos o façam, porque, ao contrário do que antigamente acontecia, as redacções dos jornais hoje ficam às moscas pelas oito da noite e, como tal, aquilo que lemos de manhã é muitas vezes obsoleto e desactualizado. Contudo, acredito que possam sobreviver em papel publicações mais suculentas, que substituam a notícia pura e dura (legível online) por um jornalismo de investigação de que muitos diários e semanários desistiram, mas que as pessoas apreciam ler. Tenho, de resto, saudades da velha revista do Expresso, onde li saborosos artigos de investigação (como uma inesquecível história do banho e dos hábitos de higiene) e da revista LER dos primórdios, em que Francisco José Viegas fazia um levantamento exaustivo de autores de determinado país e nos dava uma panorâmica da sua literatura. Hoje, que temos muito mais leitores activos do que nesse tempo, não seria de apostar nisso mesmo?
Tenho um amigo que diz que o problema dos jornais e revistas on line " é que não dão jeito para levar para a retrete... não sei o que o futuro reserva...
ResponderEliminarAcredito que o jornal diário venha efectivamente a desaparecer, daqui por mais alguns anos e à medida que forem desaparecendo os seus consumidores, o barbeiro de bairro, o café e os reformados não internetizados ...
Porém, o jornal no formato "semanário", com os seus cadernos, artigos de opinião e de fundo, ou a imprensa temática e especializada, creio que terão o seu espaço na versão papel, desde que também saibam surfar a onda e manter quer o interesse quer a qualidade e profundidade dos temas tratados, e claro, uma certa mística!
Sei da experiência própria que as publicações temáticas podem falir porque os anunciantes pura e simplesmente vão desistindo de fazer publicidade e aqui entramos noutra vertente... essa, bem pior de gerir!
Desejo a todos um bom dia... hoje vou ter de ir a Lisboa/Sintra... brrr! Sou mesmo obrigado! Mas acho que sobreviverei!
Duvido que desapareça qualquer formato de escrita em papel. Nos primórdios do online eu ia aos congressos e andava tudo histérico que não se iam vender mais jornais, e o blábláblá apocalíptico. Agora vou aos mesmos congressos e o jornal continua lá e convive com o online ejá não se houve o fim do mundo. É um pouco como em tudo: a estranheza inicial leva, depois, a modus vivendi de compatibilizações e, certo, algumas transformações. Nada de mais.
ResponderEliminarDevo confessar que, apesar de ser um licenciado em Línguas e Literaturas não embarco neste conservadorismo saudosista que "confunde" o papel com a literatura, num exercício saudosista absolutamente inglório. Quer gostemos ou não disso, em todo o mundo existem jornais a fechar, a circulação impressa está em queda na maioria dos países e isto não é forçosamente mau. O mesmo se passa, a um nível mais embrionário, com os livros, onde o sinal mais evidente são os encerramentos de lojas das grandes cadeias. Bem sei que o meio condiciona a mensagem, mas o que está em causa não é ler no papel ou no ecrã (é obvio que, a breve trecho, a maioria das coisas será lida em ecrãs): o que importa é cuidar da propriedade intelectual tal como a conhecemos, assegurar o respeito pelo trabalho e criatividade alheias, bem como o direito de cada um explorar o produto do seu trabalho como bem entender. Em papel, no ecrã ou por sinais de fumo!
ResponderEliminarNo que toca aos jornais portugueses, é um pouco "igual ao litro". A falta de qualidade e de memória é a mesma tanto no papel impresso como no on line, louvado seja Deus!...
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