Animais raros
Há muitos anos, a Quetzal, ainda dirigida por Maria da Piedade Ferreira, publicou um belíssimo romance de Juan Eslava Galán, que ganhara o Prémio Planeta em 1987. Intitulava-se Em busca do Unicórnio e narrava a viagem de um grupo de besteiros castelhanos por territórios de África em demanda do animal mítico cujo corno desfeito em pó curaria a impotência do rei Henrique IV (e também a história de amor e sacrifício de um deles, apaixonado que estava pela virgem que, supostamente, atrairia o unicórnio e os acompanhava naquela expedição); passavam-se vinte anos e, entretanto, Castela passava da Idade Média a uma certa modernidade, regressando os expedicionários a um país completamente distinto daquele donde tinham partido. Há pouco tempo, o unicórnio voltou a aparecer num romance muito bonito assinado por Martin Davies, A Linguagem Secreta das Mulheres (no original, The Unicorn Road), que cruza a história de uma rapariga chinesa que abandona a sua terra para se casar com um desconhecido e a de um jovem em busca de um unicórnio para um bestiário muito peculiar. Ambos os livros merecem uma leitura atenta e deixam um rasto de beleza depois de os terminarmos.
Bem, o Michael Morpurgo lá diz "I Believe in Unicorns" mas eu, sempre imbuída pelo Attenborough, sempre fui achando que eles não são mais do que rinocerontes embelezados. Enfim, nada a ver com o post mas eu não percebo nada de unicórnios e deu-me para a blondice.
ResponderEliminarLi o "Em busca do unicórnio", e sim gostei muito pois faz o meu género. Também busquei alguns unicórnios, e talvez por isso...
ResponderEliminarA uns encontrei, a outros ainda não, e tenho de os procurar mais!
Aqui há uns meses encontrei um, chamei-lhe "Largueza"... e agora não sei o que fazer com ele! Concluí que afinal a viagem, a busca é que vale, quando se encontra, afinal pode ser apenas como chegar ao fim de algo e se fica sem nada!
Não o sabia, mas sempre aprendendo... e é isso que os livros têm e para que servem - julgo eu.
Tenho sido um viajante, na vida e pelo Mundo, um coleccionador de sensações, lances e das idéias que fatalmente como ser pensante, reúno, mas fico de facto sem saber o que fazer...
Se calhar o melhor, quando se encontram os unicórnios, é não os trazer... porque de pouco nos servem. Partilhar a sua descoberta, deve ser feito apenas com os poucos que os procuram.
Uma boa semana, com ou sem unicórnios!
ResponderEliminarA tradução de que fala só pode ser a do José Rodrigues Miguéis, não havia outra e era notável.
MG
EliminarA minha intervenção veio parar aqui sem que eu desse conta. Estavam a ligar-me à fibra ótica (é assim que se escreve agora?) e terá havido qualquer disfuncionalidade!
Grato.
MG
li há muitos anos o em busca do unicórnio que é, como diz, um livro belíssimo. depois disso andei meses nas livrarias portuguesas à procura de outros livros de eslavan galan, que nunca encontrei. acabei por comprar em madrid. que eu saiba, há hoje um outro livro dele editado em PT, chamado «a mula» mas é um livro menor. estranhamente, eslavan galan foi um escritor de um (grande) livro só: o unicórnio. o resto são obras sem grande interesse narrativo ou arrojo literário. duarte bué alves
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