A velha educação

Um dia destes estávamos a conversar à mesa sobre tudo aquilo que o Manel, a minha sogra e eu aprendemos na instrução primária (para quem não sabe, eram os primeiros quatro anos da Escola Básica) e a comparar toda essa informação com o pouco que hoje a escola ensina às crianças no mesmo período. Falámos das estações de comboio que era preciso decorar nas principais linhas do País e do número exagerado de reis, cognomes, distritos, concelhos, serras e rios que tinham de estar na ponta da língua de qualquer aluno que se prezasse. Foi então que me lembrei de que, na quarta classe, fui chamada ao quadro para debitar junto de um mapa as produções agrícolas de Goa, Damão e Diu (territórios sobre os quais já nem imperávamos) – e, juro-vos, eu sabia aquilo tudo de cor, mais os rios de Angola e Moçambique e seus afluentes, se alguém na altura mo perguntasse (e ainda sei alguns). Embora seja adepta de muitas das técnicas de aprendizagem tradicionais (como, por exemplo, a memorização), a verdade é que, enquanto recordava essa cena, me apercebi de que era realmente um pouco excessivo para uma criança de nove anos conhecer em detalhe tanta coisa de que, provavelmente, nem ia fazer uso; mas, quando o estava a verbalizar, o Manel disse-me que ainda mais ridículo era as crianças de Angola e Moçambique terem de saber de cor as estações do caminho-de-ferro em Portugal, uma vez que estudavam pelos mesmos manuais escolares que as portuguesas. Enfim, a velha educação tinha destas coisas...

Comentários

  1. Ex.ª Senhora

    Apesar de diariamente aprender com as entradas desde blogue, quer-me parecer que o discurso de que, nas nossas escolas do 1.º ciclo, nada se aprende nos dias que correm, tem muito que se lhe diga.

    Diria que que me parece que faz falta a memorização, mas também que a educação para a cidadania tem ido muito mais longe do que a educação para o temor reverencial, dos que tinham acesso à escola...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo. Tenho uma filha que frequenta o primeiro ano e constato que o ensino é bastante abrangente e coerente, articulando bem a importância da aprendizagem com a vivência no mundo de hoje. Não descurando a sólida aquisição da escrita, da leitura, da matemática, e estimulando uma cultura de reflexão e trabalho, alia os conteúdos da escola a valores importantes, como sejam o relacionamento com a envolvente social, o prazer da leitura e da fruição de espectáculos, a consciencialização face a todas as questões actuais mais prementes, formando, assim se espera, cidadãos mais empenhados do que os de hoje.

      Concordo que o sistema de ensino português necessita de muitos ajustes e mudanças. Também é verdade que tivemos muita, muita sorte com o professor. Mas creio que a escola, se bem complementada pelos pais e demais educadores com outras aprendizagens e novos horizontes, com a valorização do conhecimento, do trabalho e do esforço, ainda cumpre (refiro-me a este nível de escolaridade) a sua função.

      Carla Nunes

      Eliminar
    2. Na verdade, expliquei-me mal. «O pouco que se ensina» referia-se a informações do mesmo tipo das que mencionei, uma enumeração exaustiva de rios, serras, reis, cognomes, etc. Noutras matérias, já se sabe, hoje aprende-se muito mais, até porque naquele tempo havia muita coisa que ninguém queria que soubéssemos.

      Eliminar
    3. Bem...vocês digam-me onde é esse oásis de escola...ou andaram a fumar cigarrinhos para rir ou eu falhei o episódio da série que vocês andam a ver...Faz vinte anos que troquei uma bela carreira de professor no ensino secundário por um ofício na banca...quer como professor, quer como amigo de gente com filhos em idade escolar , quer como voluntário num projecto de ensino, posso assegurar-vos que há turmas no 3º ano que não sabem a tabuada dos 7...não sabem sequer o nome do rio que banha Lisboa e ainda dão muitos erros entre Maiúsculas e minúsculas...Somos muito tolerantes hoje em dia..os professores não ensinam...ajudam a descobrir...e vê-se o resultado...estamos a formar miúdos moles, sem cultura nem carácter...Por isso chegam candidatos ao meu emprego que, ao fim de 3 dias se demitem porque dizem que: "não aguentam"...vamos lá ser coerentes...a educação daquele tempo era um exagero, mas hojeem diaé muito foruxa...

      Eliminar
    4. Caro Bento,

      Creio que uma forma de colmatar o que conta, e que é, de facto, uma realidade, é não dispensar de todo o papel dos pais e outros educadores nas aprendizagens. Quer na exigência relativamente ao trabalho dos professores, quer na exigência para consigo próprios, porque ter pequenos a cargo é uma enorme responsabilidade, dá trabalho e exige muita, mas muita atenção e acompanhamento. A escola tem de melhorar, e muito, os professores têm de chegar à escola mais bem preparados e mais apaixonados, têm de saber bater-se pelo que é realmente decisivo no futuro do ensino, mas o que dizer de quem vive com os que estudam e não acompanha, e não exige, e não verifica? Não saber o nome do Tejo também é ignorância, falta de conversa e de estímulos. Não é só culpa da escola. E não sou professora, que fique bem claro. A sociedade mudou e penso que falta ainda encontrar aquele bom equilíbrio para que todos saibam desempenhar o seu papel.

      Eliminar
    5. Desculpe, que não me identifiquei.
      Carla Nunes

      Eliminar
  2. Sim, talvez... mas, diz um velho ditado que o saber não ocupa lugar...
    Recordo o Prof. Rodrigues Martins (regente da cadeira de Física na Univ . de Évora) que nos dizia "Vão sair daqui a saber nada sobre muita coisa". Porém, as muitas coisas inúteis que aprendi, me valeram afinal e valem quase todos os dias...

    - Na Universidade de Cornell , confesso que foi chocante constatar a falta de cultura (sobre o próprio país para não referir aquela sobre o resto do Mundo) que os quadros superiores de grandes empresas que comigo partilhavam uma pós-graduação... todavia fiz um figurão pois além de falar 4 línguas, sabia coisas até sobre a América que os outros ignoravam... lembro por exemplo que não sabiam que o vizinho lago Cayuga era o nome de uma tribo de índios e menos a sua história... por incrível que parece J. F. Cooper não havia sido lido senão transversalmente na escola primária e já estava esquecido... autores só Samuelsson ou O'Shaugnnessy (gurus da economia)...

    - Nas minhas andanças por Angola e Moçambique já na década de 90 e em 2000, tem-me sido extremamente útil esse conhecimento que me foi obrigado adquirir , e, permite saber localizar rios cidades e culturas ou aptidões agrícolas, clima... sei onde a cana de açúcar era feita, o café, o algodão, o chá e as bananas, os minérios... coisa que me tem feito bater aos pontos os técnicos e consultores estrangeiros e sempre impressiona os naturais que já nada sabem do seu próprio país!

    - Quando se assiste ao noticiário, os meus mais novos ignoram coisas que me são familiares e imediatas e aprendi até ao 5º ano... e que tantas vezes explicam situações de geopolítica (como agora se diz) pelo simples facto de saber se são países antes colonizados e por quem, se foram feitos por tratados pós-guerra ou já existiam...

    Afinal quase tudo devido a um ensino, enfim, abrangente e completo até ao II ciclo liceal, o 5º ano... e o que se aprendeu então, bom, ficou-se a saber!
    Talvez seja um saber inútil... sim... pode ser.
    Mas pessoalmente não o sinto assim, pois há que ter a noção sobre o Mundo onde vivemos, e de onde vimos... e talvez por isso não se saiba hoje, nem onde estamos nem para onde vamos!

    A minha gente vai aos festivais de Verão e nada sabem sobre os locais... muitas vezes onde ficam ou como lá se chega... nada lhes dizem os nomes das terras e ignoram a geografia, os usos e costumes... sobretudo a história.

    Pela minha parte, acho triste e redutor... mas se querem que lhes diga, acho que faz parte de um plano já antigo e bem delineado de apagar memórias e identidade, para reunir mais fácilmente toda a gente em grandes aglomerados como em redis, de onde saem apenas para trabalhar e produzir; ao fim de semana premiados com uma ida ao centro comercial ou futebol, fáceis de dirigir, vigiar e até de ordenhar!

    Enfim... é o que eu sinto, mas claro posso estar errado...

    Um bom fim de semana a todos.

    ResponderEliminar
  3. O saber não ocupa lugar porque é dele o mais importante, o principal. Porém, há que atender um outro provérbio popular de grande sapiência: Tudo o que é demais não presta.
    A minha memória já pouco se banha em rios e afluentes e quase nada transpira saltando de serra em serra, lengalengueando nomes; guardo apenas os que me dizem qualquer coisa. Mas tenho um outro carrego que me desespera através do meu filho quando lhe pedem que escreva ‘uma frase subordinada substantiva relativa sem antecedente’ ou uma ‘frase subordinada substantiva relativa com antecedente explicativa e outra restritiva’.
    Se os desígnios divinos quiserem criar um linguista são travados pelas Frases Coordenadas Assindéticas, Copulativas, Adversativas, Disjuntivas, Conclusivas que são encaradas como medicamento, aquele xarope muito mal saboroso que se toma para afastar a gripe e do qual nunca mais se quer ouvir falar! Vale-me o facto de ele escrever que se desunha porque gosta.
    Discutimos sobre a utilidade prática das matérias a estudar e quando damos de caras com a dissecação de plantas e folhas e caules aéreos ou subterrâneos, rastejantes, erectos, trepadores, e mais que sejam, que conduzem a decoranço obrigatório, assim que se faz o teste, faz-se também o sinal da cruz, agradecendo por já se ter passado mais aquela provação! Morreu qualquer interesse pela matéria por via do mergulho forçado a que foram obrigados.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma das riquezas da condição humana, para mim, é a diversidade! Em particular a dos pensamentos, pois quanto maior mais ricos somos e mais realizações se conseguem.

      Há aqui opiniões tão distintas quanto por certo válidas, porque de origens diversas.

      Não concordo com a estimada Areia... porque foi exactamente por esse saber que classifica de vão (e nunca o é...) que pude desenvolver tantos interesses profissionais ou pessoais que sinto me preenchem. No meu caso específico, muito do que aprendi e seria para esquecer como crê, porque imposto... quando é preciso está cá! Vou ao sótão das memórias e lá no mais recôndito acho aquilo que se aplica faz falta ou, já ouvi falar! Nem queira saber o quão útil me tem sido!
      E dou graças por isso... porque outras coisas de que precisei fui aprendendo, em formações e na vida ou em pós-graduações... mas aquilo de que falo é ir daqui a pouco para Mirandela e recordar que está na Terra Quente, coisa que aprendi e sei o que é! Onde se cultiva vinha e pastavam rebanhos segundo a prática da "vezada", da importância da castanha... como sei que fica na margem do rio Tua, afluente do Douro, e me lembro essa linha de caminho de ferro e o importante que foi... ou de que até meados do século XIX se fazia criação de bichos da seda em escala industrial... que foi uma importante actividade económica! Como D. Dinis se preocupou com o desenvolvimento agrícola das zonas férteis, e a importância do vizinho reino de Leão...
      Coisa que talvez não lhe digam nada a si ou até ache que é desinteressante... basta ir a um site ou adquirir um livro e ficar a saber sto na hora!
      E eu aceito, porque sei e compreendo que as nossas vivências por muito diferentes nos orientarão para interesses diversos e ainda bem, repito que nisso reside a riqueza do pensamento humano e mau seria que assim não fosse... mas lhe direi que vai ser o tema de conversa na longa viagem com os meus companheiros e nos preencherá. E vai ser interessante ir buscar essas
      coisas que a gente sabe e aprendeu... é um exercício puro de inteligência, porque o nosso saber só é util quando precisamos dele e o buscamos e até sabemos o que fazer ali no momento em que faz falta, sem ter de ir a correr ao pc ou ao ipad à procuar do saber que a máquina guarda para nós... eu ainda penso assim... me perdoem ser obsoleto.

      Diz-se aqui que antes não interessava que se soubessem certas coisas... talvez... aliás como sempre e em qualquer regime, mas pergunto:
      - Hoje no ensino não se manipula e até mente? Não mentem diáriamente os comentadores e os professores e os locutores e os políticos?
      Sinceramente nunca me senti assim tão limitado ou impedido de saber coisas... porque uma coisa é de facto querer saber e ir à procura... os livros existiam e existem... outra é usar como desculpa esse refrão de que não interessava que se soubesse... aliás como ainda hoje!

      Renovo os meus votos de um fim de semana, que para mim vai ser bastante cultural... e entre a minha gente, que nem por isso vai ao teatro ou a concertos, mas ainda lêem... aliás vou exactamente e por convite fazer a apresentação do meu romance Largueza.

      Até Segunda-feira!

      Eliminar
  4. Não me fez mal nenhum aprender os nomes dos rios, das serras e das linhas férreas., e escrever 20 vezes cada palavra quando dava um erro, ou 10 vezes cada tabuada.
    Hoje em dia aprendem-se outras coisas e ainda bem, seria contudo importante manter o enfoque em coisas tão fundamentais como a escrita e a língua ou a tabuada. Infelizmente basta ver uma carta ou um texto feito por muitos licenciados que estão no mercado de trabalho para se ter uma opinião muito concreta sobre o facilitismo actual nas nossas escolas sobre estas matérias fundamentais.

    ResponderEliminar
  5. Sim, isso de colocar à pressão na cabeça das crianças toda a propaganda do fascismo (os rios e territórios do grande Portugal, os reis e feitos), para exaltar o amor à pátria e controlar o povo era um instrumento memorável.

    ResponderEliminar
  6. Será que @s miud@s que terminam o 3º ciclo sabem... os nomes dos rios de Potugal?

    Não defendo, de todo, a Escola do antigamente. Mas, por muito que me custe, a Escola do presente asselha-se a uma farsa.

    ResponderEliminar
  7. apesar de tudo o que se vai dizendo por aí, penso que a escola está muito melhor que há trinta, vinte e dez anos.

    o ensino é mais equilibrado e os professores são mais competentes de uma forma geral.

    falo com a experiência de aluno, de professor (curto tempo...) e de pai, de duas crianças de 6 e 12 anos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro Luís M, diz você, e cito:
      "apesar de tudo o que se vai dizendo por aí, penso que a escola está muito melhor que há trinta, vinte e dez anos."
      E lhe pergunto se andou na escola há 30/20 anos? E com que idade? Falo de idade de ter entendimento ou seja aí pelo menos 16 anos?
      Porque antes dessa idade, creio que não teria tido muita consciência.

      Diz que: "o ensino é mais equilibrado e os professores são mais competentes de uma forma geral."
      E foi você professor e diz isso? Eu fui também, entre 1978 e 1984, e dizer que fui competente faria rir se não fosse para chorar... era um universitário sem qualquer tipo de preparação pedagógica que concorria e era colocado... e foi assim por muitos anos e até há pouco... mas a qualidade do ensino que eu propiciei, sei qual foi... e tenho essa consciência por comparação ao professores que tive! Digo-lhe que havia como hoje uns melhores e outros piores, mas fazer uma afirmação como faz, meu caro... é de um grande risco... para não dizer atrevimento!

      "Falo com a experiência de aluno, de professor (curto tempo...) e de pai, de duas crianças de 6 e 12 anos. "

      Falo também com experiência de aluno de antes e do pós 25 de Abril, de professor também de curta duração (6 anos) e de pai ou tio de gente dos 4 aos 34 .... desde o jardim escola actual aos já formados...
      É claro que o ensino "antes do 25/4" não era uma maravilha nem excepcional, mas era bom!
      E o actual é bem fraquinho... pergunte aos professores... eu sou casado com uma (54 anos) e padrasto de outra (32 anos)....

      Se há coisas que hoje se "dão" o que não significa que sejam aprendidas... há muita coisa que se ignora e logo a começar pela educação e até civismo... e francamente ignorar tudo ou quase tudo sobre o próprio país... acho que nunca pode ser um bom princípio!

      Cumprimentos e uma boa semana de trabalho

      Eliminar
    2. Òh Luís Eme vê-se logo que fala a ignorância, tá tudo dito, não é preciso dizer mais nada. Quantos livros já leste este ano? Zero, menos que Zero, amigo.

      Eliminar
    3. Sabes o que é isso? São complexos? complexos de que a criança fique traumatizada, é uma tristeza a actual educação, se como professor não sabem ler nem escrever como poderão ensinar........

      Eliminar
  8. Cara Maria do Rosário:

    Nada como a educação a que se submetem as crianças no "meu lado do Mundo": um mínimo de 1006 Kanji (sinogramas) para decorar em 4 anos, e não apenas conhecer-lhes os significados, mas ainda as respectivas Kun-yomi e On-yomi — i.e. respectivamente as leituras 'próprias' da Língua Japonesa, ou leitura 'nacional' de cada caracter, e as leituras associadas aos fonemas 'importados' da China — e ainda o máximo de combinações possíveis destes caracteres, decorando não apenas os respectivos significados, mas ainda a leitura correcta de cada combinação (no mais das vezes recorrendo às On-yomi que podem variar muito, muito mesmo, não havendo quaisquer regras de semântica para orientação do estudioso! Decora-se e aplica-se. Ponto final.)

    E isto só em matéria de aprendizagem da língua e no que se refere ao Japão! — na China e em Taiwan nem faço ideia de quantos sinogramas e respectivas leituras as crianças se vêem forçadas a aprender na instrução primária, presumindo que são bem mais dos que os ensinados no Japão, uma vez que no Japão pelo menos ainda há o recurso ao Hiragana e Katakana, escritas mono-silábicas que facilitam muito a vida às pessoas, enquanto que na China e em Taiwan só sinogramas e nada mais!
    Lembremos ainda que além da língua, há várias outras matérias a estudar, e — no caso do Japão —, as actividades extra-curriculares, de inscrição obrigatória, e ao fim de cada dia, aos alunos, cabe ainda! a tarefa de limpar a escola: não apenas a sala de aula, mas o edifício todo de uma ponta à outra...
    Ah pois é... E ainda há quem se queixe, no nosso país, de que as crianças estão muito sobrecarregadas de actividades...

    Eles não sabem, nem sonham...


    Um Abraço do Pacífico,

    Luís Filipe Afonso

    ResponderEliminar
  9. Mas se eu vejo pessoal licenciado que nem compôr uma frase é capaz.....a grande maioria, mas a grande maioria mesmo não sabe ler nem escrever, basta olhar para os rodapés da TVI-a trave mestra da educação do Povo português! Nem ler um horário quanto mais compôr uma frase, bué de ignorância, quése dezer.......

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório