A ditadura das vendas
Como editora num grande grupo, no momento da decisão sobre a publicação de uma obra, tenho sempre um tirano a ciciar-me ao ouvido que os livros têm de se vender. Sei que fui eu que o criei como uma espécie de autocensura, que me permite ter os pés bem assentes na terra e recusar o que sei de antemão vir a ser um fiasco e, por outro lado, me puxa pela imaginação para tornar mais vendável o que, à partida, não tem grande potencial comercial mas merece, inequivocamente, ser dado à estampa. Mas a ditadura não é de hoje e aquilo que se vende impera sobre o que é bom há já muitos anos. Em 1996, despedi-me da editora onde trabalhava e – desempregada que fiquei – comecei a responder a anúncios, dentro de actividades mais ou menos compatíveis com as funções que poderia desempenhar. Um deles dizia respeito à vaga para director de publicações num grupo de jornais e revistas, e fui chamada para uma entrevista pela empresa que se ocupava do recrutamento. Porém, assim que cheguei, disseram-me assim à queima-roupa que tinha sido convocada por ter o currículo que tinha, mas não ficaria com o lugar pela mesma razão... Confundida, quis saber porquê. Explicaram-me então que se tratava de contratar alguém que dirigisse quatro publicações, entre as quais figuravam as revistas Maria e Nova Gente. E que, embora as minhas habilitações e experiência editorial obrigassem a que fosse entrevistada, a verdade é que o meu perfil indicava que tentaria melhorar o conteúdo e subir o nível dessas revistas, quando o que se pretendia era mantê-los para que se continuassem a vender...
Lamento que em 1966 se tenha despedido da tal editora. E que tenha ficado desempregada. Mas congratulo-me por ter sido liminarmente recusada na entrevista a que se refere.
ResponderEliminarHá males que vêm por bem. Não estou a vê-la directora de tais publicações. T'arrenego Satanás!
Minha Cara Drª Maria do Rosário:
ResponderEliminarÉ o Mundo real... o da economia, pois de facto o dinheiro faz o Mundo girar, como reconhece.
Mas repare, por cada obra que consegue fazer publicar, está a contribuir para o bem geral.
Será essa a sua missão, porque assim ajuda a elevar a qualidade daqueles que tenham a dita de lhe chegar às mão... considere-se como que um salva-vidas numa praia! Sabe que salvará os náufragos da sua, embora nas outras muitos morrerão... e nada pode fazer por estes!
Por isso se me é permitido, lhe direi que se concentre nos seus náufragos, colha deles essa paz, e, reze pelos outros!
Um bom dia de trabalho, para si e para os leitores do blog, é o desejo deste náufrago!
Folgo em saber que sobreviveu a Lisboa/Sintra.
EliminarQuanto à pressão para as vendas, nunca esquecerei que, quando comecei a trabalhar neste meio, uma das primeiras «máximas» que ouvi foi qualquer coisa como «é preciso é saber vender - tanto faz serem livros como chouriços». E eu não sou de marketing, esclareça-se.
Apresentações do livro “Saude 24 horas” pelo autor Carlos Edgar
ResponderEliminar4 de Março, 21 horas, Sta Comba Dão; 5 de Março, 18 horas, Bertrand Dolce Vita Coimbra; 6 de Março, às 17 horas, Fnac Leiria; 12 de Março, às 17 horas, Fnac Coimbra; 19 de Março, às 16 horas, Livraria Pretexto; www.carlosedgar.com e www.saude24.net
Saude24.net em livro, livro Saude 24 horas, guia de saúde com soluções e indicações para mais de 100 problemas de saúde.
Estas histórias deixam-me deprimido... Se pensarmos bem sobre o assunto, vemos que é assustador viver num mundo assim!
ResponderEliminarNão acho mal que a Maria e a Gente fiquem com a mesma (falta de) qualidade, há quem as queira ler e tem esse direito. o que acho mal é que as EDITORAS, que têm um bocadinho mais de responsabilidade, se fiquem por isso mesmo, por publicar livros que deus me livre e só esses, lá está, pra vender. sei que os editores têm de ganhar a vida mas tb acredito que nao estao propriamente a vender sapatos, ou sei lá, roupa... a lógica cega do mercado é coisa pra me fazer muita confusão.
ResponderEliminarViva a Assirio e Alvim