Pela boca vive o peixe

Quando João Tordo venceu o Prémio Literário José Saramago, em Outubro de 2009, muita gente veio dar-me os parabéns por ser já a terceira vez que um dos «meus» autores recebia aquele galardão. O talento era deles, claro, mas a multiplicação levou a que eu fosse chamada a dar entrevistas sobre a feliz coincidência. Numa delas, ao fantástico entrevistador Carlos Vaz Marques (que tem um dos mais interessantes programas de rádio de sempre – Pessoal e Transmissível), fui a dada altura consultada sobre se me tinha escapado algum autor; e, embora a pergunta tivesse que ver com os escritores que, por várias razões, já não publicavam comigo, entendi que se referia a jovens escritores que não tinham sido lançados por mim e respondi que, por exemplo, me tinha escapado David Machado, autor que apreciava bastante e era então editado pela Presença. Pois bem: o meu mau entendimento deu frutos, porque, em mais uma feliz coincidência, David Machado estava a ouvir a entrevista e, ao escutar o seu nome, agradeceu-me através do Facebook e veio mais tarde ter comigo para me apresentar o romance que tinha terminado havia pouco, o que me deixou verdadeiramente exultante. Em breve, falarei desta obra imperdível, de seu nome Deixem Falar as Pedras, disponível no próximo mês de Março. Hoje é só para dizer que às vezes pela boca vive o peixe.

Comentários

  1. Este espaço serve de agenda: ajuda-nos a programar o que vamos ler, abre-nos o apetite, faz-nos ter fome! E isso sabe muito, muito bem.

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  2. Impossível estar mais de acordo: "ao fantástico entrevistador Carlos Vaz Marques (que tem um dos mais interessantes programas de rádio de sempre – Pessoal e Transmissível)".

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  3. Joao Tomas Castro e Melo19 de janeiro de 2011 às 16:04

    Não sei se já ocorreu à MRP que os factos que relata poderão não constituir uma coincidência, como à primeira vista pode parecer a qualquer alma mais ou menos desatenta. Já pensou que o facto de a MRP os editar pode ser factor decisivo na escolha que este júri acaba por fazer? Muitas vezes em estatística acontece este tipo de má interpretação. No outro dia, aqui no Porto, à mesa de um jantar de aniversário, ouvia alguns casais trocando impressões sobre o estado da educação em Portugal. Diziam eles que o melhor ensino era o do colégio alemão. Bastava que víssemos onde iam parar mais tarde os alunos que por ali passavam; eram gestores, políticos, pessoas de sucesso, pelo menos material. O que se esqueceram de referir é que o estrato social que frequenta o colégio alemão, é exactamente aquele que tem um background e condições sociais necessárias para que um aluno venha a ter sucesso. E isto independentemente de andar, ou não, no colégio alemão. O que parecia ser mérito do colégio alemão, era afinal mérito de determinada classe social a que os pais pertenciam. E assim muitas vezes se distorcem os resultados para que se possa construir um discurso que nos convenha. Se calhar valia a pena pensar nisto... :-))

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    1. Dando-lhe razão em muitas coisas, queria dizer mesmo assim que acredito que são os autores que fazem a reputação de um editor, e não o contrário; e adiantar que, quando José Luís Peixoto ganhou o dito prémio, eu estava mesmo no início da minha carreira como editora de portugueses (até aí, só tinha feito estrangeiros), pelo que o meu nome não podia influenciar de modo nenhum o júri.

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  4. Desculpe a ignorância, mas estou curioso: já eram "seus"autores antes de vencerem o referido prémio, ou publicou-os como resultado desse prémio? O prémio, para autores com menos de 35 anos, resultou exclusivamente do trabalho deles, sem intervenção da MRP?

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    1. Antes, desde o primeiro romance de todos eles. Mas a minha intervenção é diminuta, acredite, como já aqui expliquei neste blogue muitas vezes. Se assim não fosse, como poderiam eles publicar com ouros editores (e dois deles já não estão comigo)?

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    2. Acredito, e longe de mim pretender questionar o talento e o mérito desses autores que, embora em graus diferentes, muito leio e aprecio (ainda não li O Bom Inverno, mas já o comprei e aguarda oportunidade). Só que, tratando-se de um meio muito pequeno, em que toda a gente se conhece, tudo acaba por constar, por se saber e pode, eventualmente, influenciar a decisão do júri. De notar que nunca concorri ao referido prémio, nem poderia, os 35 anos feitos há 21, quando não pretendia publicar nada do que escrevia por me não parecer ter qualidade. E não tinha.

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