Casal-maravilha
Sou editora e casada com um editor, mas isso nunca atrapalhou a nossa relação; tenho consciência de que comecei depois e de que sei menos – e admiro o trabalho do Manel ao longo dos anos e a sua capacidade de adaptação às mudanças o suficiente para nem me atrever a concorrer com ele. Porém, pergunto-me frequentemente se um casal de escritores viverá assim tão pacificamente. Em alguns casos, acredito que sim e que a admiração (recíproca ou de uma das partes) facilite a convivência artística – calculo, por exemplo, que o poeta e dramaturgo Jaime Rocha tenha quase uma idolatria por Hélia Correia e que a generosidade de Urbano Tavares Rodrigues tenha estimulado a criatividade de Maria Judite de Carvalho. Mas noutros casos não é assim tão simples – e senti uma vez que Siri Hustvedt não apreciava por aí além que lhe mencionassem Paul Auster (o marido) durante as entrevistas, quando estava a promover um livro seu. Neste momento, dois dos mais promissores escritores norte-americanos, ambos destacados pela famosa revista Granta no ano em que se iniciaram nas lides da publicação – Nicole Krauss e Jonathan Safran Foer – são casados e claramente concorrentes (para quem não conhece, não perca Está Tudo Iluminado, do segundo, e A História do Amor, da primeira). Por vezes, pergunto-me se este casal-maravilha vai conseguir ser um casal por muito tempo.
na linha do que escreve, sempre me intrigou o casamento sartre/ beauvoir. de que falariam ao jantar? de existencialismo ou das compras do supermercado? e as teses que já sobre alguns escritores dizendo que são as mulheres que lhes escrevem os livros.
ResponderEliminarde qq modo, no caso da siri/ auster, o problema nem se devia pôr para ela. ela é muito - mas muito - melhor do que ele. não acha?
Cumpriementos, Duarte Bué Alves
Mas ele tem muito, mas muito mais sucesso na maioria dos países em que é publicado...
EliminarOlha, Rosário, tens o caso de meus pais, Rómulo de Carvalho/António Gedeão e Natália Nunes que foram casados e viveram mesmo os dois, 57 ANOS!!!
ResponderEliminarE acrescento aionda: ele tinha uma diferença de idade da minha mãe de mais 15 anos!
Ele partiu com 90 anos que é a idade que ela tem agora. E está viva e bem viva!
Cristina Carvalho
Em resposta a Duarte Bué Alves:
ResponderEliminarEu sei o que é que os meus pais conversavam ao jantar! Ao jantar e ao almoço já que as refeições eram todas em casa.
E pode acreditar, Duarte, que para uma miúda, que era eu, nesse tempo, uma miúda sózinha apenas com eles os dois, não foi fácil, não!
Aliás, esta conversa dava "pano para mangas"!
Acho até que era um assunto interessante de se averiguar do ponto de vista psicológico e emocional.
Cristina Carvalho
É uma questão interessante essa, discutir sobre se escritores de qualidade conseguem descer ao nível das crianças, conseguindo fazê-las felizes.
EliminarSei, por exemplo, que os filhos da Enid Blyton vieram, aqui há tempos, acusá-la de não ter sido boa mãe. Que se interessava mais por aquilo que escrevia do que pelos próprios filhos (pois, isto da escrita requer tempo e dedicação). Logo ela, que fez (e faz) as delícias de milhões de crianças e jovens...
Achei deliciosa, esta troca de comentários.
ResponderEliminarA começar pela M R Pedreira, que generosamente me permitiu entrar um pouco na sua vida familiar, e a acabar na filha de Rómulo de Carvalho/Natália Nunes, que me comoveu com estas referências tão pessoais.
Obrigado.
Para mim um escritor de quem gosto é alguém que considero um amigo, um familiar até...
Saudações!
se as pessoas se amarem, não haverá problemas de maior.
ResponderEliminara escrita é um processo solitário, pelo que podem aproveitar da melhor maneira os "momentos mortos"...
e é sempre bom saber separar as águas...