Candidatos a autores
Um dia destes aconteceu-me uma coisa que mostra bem como a literatura foi dessacralizada. Dantes, quem queria publicar um livro vinha de mansinho com humildade e cheio de dúvidas, querendo saber se o que escrevera tinha qualidade para ser publicado. Agora, recebo mensagens de e-mail anunciando obras-primas de qualquer um, às quais se anexam muitas vezes «romances» de vinte páginas e textos mais longos, mas desconexos, banais e até descuidados. Na semana passada, li, por exemplo, umas trinta páginas de um livro que, embora bem-intencionado, padecia de uma estrutura tão complexa que exigiria do seu autor grande experiência de escrita para lidar com ela e, por se tratar de um principiante, não funcionava. E, além disso, estava o texto pejado de erros de ortografia – coisa que dificilmente se perdoa a quem quer ser considerado escritor. Na minha resposta-comentário, fui (creio) demasiado branda para o que é costume, não deixando, mesmo assim, de referir ao autor de tais páginas a quantidade de erros e a necessidade de ler mais para os corrigir em próximas aventuras literárias. Já estou habituada a reacções secas, indispostas e até visivelmente irritadas – e, ainda que não viva bem com isso, talvez pela quantidade de vezes que acontece construí uma espécie de escudo protector; mas, desta feita, a resposta foi completamente inesperada: o potencial escritor agradecia os comentários críticos, mas explicava que eu estava a ser demasiado exigente, pois não se podia pedir a um autor que estivesse ao mesmo tempo atento ao desenvolvimento da história e a coisas tão comezinhas como a ortografia... E esta, hã?
Tanto me repugna o entrar de mansinho como o sair batendo com a porta. Recuso-me a entrar de mansinho porque tenho consciência do quanto trabalhei e do mérito daquilo que faço; não bato com a porta, primeiro por educação, depois porque sei que qualquer avaliação é subjectiva. Quanto aos erros (uma vergonha), que tal aconselhar os candidatos a recorrerem ao corrector ortográfico e, até, sintáctico? O Flip faz um bom trabalho.
ResponderEliminarÉ bem verdade que um autor deve ter atenção a todos os pormenores do que escreve, não só a uma coisa, nem só a outra. É o Tudo que faz a obra. E de facto é pena que recebam as críticas de forma tão... mal agradecida, por vezes. É com as críticas que se aprende.
Eliminar(Espero que as pessoas não pensem o mesmo de mim, quando envio o meu manuscrito para as editoras...)
Pois é... creio que a carapuça serve a todos...
ResponderEliminarO proto-autor é um maçador, como qualquer outro vendedor... mas faz parte...
O sonho que move cada um, e que deveras faz pular e avançar o Mundo (até o editorial livreiro)
tem limites... nem sempre se gosta do que se vê ao espelho, como é difícil despertar...
É polémico, mas de facto a escola dos toiros é uma grande escola, pois ensina a ser derrotado por uma força superior e a ir lá uma e outra vez.
E olhar um toiro de frente, nos olhos reduz cada um à sua verdadeira insignificância.
No fundo é a humildade, e a aceitação daquilo
que somos, protoescritores? Há terapias para essa "doença"... a imprensa regional, especializada... os sites, estes blogs...
Muito obrigado minha Senhora pela lição de humildade e chamada à Terra.
Bolas...
ResponderEliminarDesculpem as faltas de pontuação!
Vou passar a ler antes de publicar... já aprendi algo e vou corrigir-me...
A escrita é, em grande parte, linguagem. Se aqueles que querem ser escritores nâo têm cuidado com aquilo que criam, porque deverá o editor preocupar-se e perder tempo com isso? Realmente se sobra tanto tempo de espera depois de enviar o original para as editoras, porque não o reler e corrigir antes? Aposto que o editor estaria mais atento a um original mais cuidado (ao nível da correcção linguística, pelo menos) e, mesmo que isso não baste, já é caminho trilhado para a construção de um livro. Não se deve esperar, deslixadamente, que o editor e o revisor façam o trabalho todo, estar-se-á a desrespeitar o seu próprio trabalho autoral. Críticas que incentivem sim, que digam o que está mal e descuidado também, aceitá-las é difícil mas fundamental...
ResponderEliminaruma palavra: palmatória.
ResponderEliminarEste post fez-me sorrir… A MRP já leu um trabalho meu que considerou exclamativo e reticente demais (daí as reticências, rsrsrsrsr ). Mas foi a PRIMEIRA e ÚNICA vez que alguém me respondeu de forma frontal. Tenho algumas cartas de editoras que me despacham à velocidade da luz e uma delas anuncia que a programação editorial da casa em questão está preenchida para os próximos seis anos. Ora, uma das minhas actividades é numa editora, e se há coisa que não posso fazer é decidir com meia dúzia de anos de antecedência o que vou publicar, mas entendi a mensagem que se pode resumir na frase: não nos contactes novamente!
ResponderEliminarDeixei de mostrar o que escrevo aos amigos que são uns queridos mentirosos e tendem a ver o nosso desgosto na sua crítica, sendo incapazes de ser sinceros pois, se o fossem, diminuiria o número de manuscritos enviados às editoras.
Por outro lado, dos anos em que participei na organização do Prémio Literário Cidade de Almada, retenho as palavras do António Manuel Venda, que ganhou o prémio em meados dos anos 90, e disse que tinha enviado aquele trabalho a não sei quantas editoras e tinha sido sempre recusado. O livro – Os abençoados fiéis do Senhor S. Romão – é uma delícia, abençoado autor que não desistiu.
Conheço o caso dum outro autor que apresentou um trabalho cujo enredo era bom e original mas a escrita deixava a desejar; a editora propôs-lhe trabalhar com um dos seus editores e o resultado final foi uma coisa completamente diferente do original, que foi editado mas que o autor não considerava seu. Sem comentários.
Com isto quero dizer que as recusas podem ser das mais variadas origens e poucas são francas e verdadeiras, mas se os autores souberem dar ouvidos a quem sabe, conseguirem discernir entre o trigo e o joio de quem avalia, pois também entre os avaliadores há pobres de espírito e, partindo do princípio que fazem uma introspecção verdadeira, acreditarem em si próprios, devem continuar a insistir.
Por último, se a ortografia é uma coisa comezinha, os que concordam não precisam de procurar editoras, escrevam romances em sms’s ou no twitter.
Ter cuidado na ortografia deve ser uma preocupação que ninguém deve descurar, seja ao enviar-lhe textos, seja na vida profissional. Basta ver a ortografia da generalidade das pessoas que terminam os seus cursos universitários.
ResponderEliminarTodos nós temos de saber receber as críticas que são feitas de um modo construtivo, como estou certo, são as suas, seja de quem for o texto em causa.
A vida é feita de dar e receber, sendo certo que todos aprendemos com quem sabe mais do que nós, se quisermos aprender.
Talvez um dia lhe envie algum texto, não esperando que a sua eventual critica me agrade ou desagrade, mas sim que me ajude a reconhecer os meus erros e a melhorar.
Ui! E eu que já tinha aqui uma coisinha preparada e pejada de erros para lhe enviar. Pensava eu que era uma inovação literária...mais um sonho destruído à machadada!
ResponderEliminarNem sei de que mais gosto, se do post, se dos comentários ;)
ResponderEliminarUma última palavra. A Maria do Rosário diz: "Já estou habituada a reacções secas, indispostas e até visivelmente irritadas (...) construí uma espécie de escudo protector". Não sei que espessura terá esse escudo. Só sei que o dos candidatos a escritores, que recebem recusas atrás de recusas, tem que ser bem forte...
As duas coisas são distintas mas imprescindíveis. Nos romances, a estrutura deve ser sólida e a ortografia cuidada. Lembrem-se que o editor não deve ter trabalho em ler e esforçar-se por perceber a história. Deve ter prazer. O editor é, muitas vezes, o primeiro olhar, o primeiro leitor sobre as nossas obras enviadas. É por isso fundamental fazer o trabalho de casa antes de enviar o manuscrito. Escreve-se o romance e que mais? Faz-se uma revisão. Nada deve ser esquecido e o que está a mais deve sair. Cortar é essencial, acrescentar não.
ResponderEliminarJá o envio e o contacto com o editor deve ser cordial, informal e educado. Humilde, mas sem exagero. Aproveita-se para expor algumas dúvidas quanto à estrutura ou ao estilo. Mas nada que faça com que a resposta altere o ego do escritor.
Se o editor ficar interessado vai responder e vai querer saber mais e um novo contacto se estabelecerá.
Hum... excelente post, este...
ResponderEliminarObrigado!
nosso autor aí está precisando com urgância de tratamento com psicoanalista!
ResponderEliminarOlá Maria do Rosário,
ResponderEliminarTambém gostava de lhe mandar alguma coisa para que pudesse opinar, mas nao tenho o seu mail... Se quiser diga-me qual é para eu lhe enviar uns pensamentos. obrigado
Eu compreendo o seu "desabafo"...tudo é perene e ligeiro nos nossos dias, rápido, cruel e impaciente.Aqueles que saboreiam a vida (em todas as suas vertentes) no tempo e ritmo adequados dificilmente compreendem certas atitudes dos "tempos modernos". às vezes também me custa, mas tento compeendê-las...É o caso..simplesmente porque também tenho corrido o calvário da hipotética publicação...Sabe, às vezes é difícil perceber como, tendo um blog mais de 30 mil vissitas, mais de 300 seguidores, uma edição de autor no Brasil que vendeu metade da edição apenas por internet, como é que, posteriormente, as editoras se limitam apenas a...não dar resposta! Depois, claro...o desalent, a ira e a frustração lema a reacções...menos pensadas....Vou contar-lhe uma história: ENviei o meu manuscrito para todas as editoras....todas se escusaram à resposta..apenas duas o fizeram..e, coisa engraçada, a primeira deu-me a resposta da praxe:"Não se coaduna com o nosso catálogo".....Lindo! Maravilhoso! Na semana sguinte chamaram-me para uma reunião: "reanalisámos o projecto e tem pernas para andar...mas terá que ser o autor a pagar os custos da edição"..E já tinham um contrato pronto..EM que ficamos? Presta ou não presta? Vende ou não vende? As editoras não querem saber se presta ou vende desde que o autor suporte os custos? Dúvidas existenciais que deixaram de me apoquentar...A resposta vai longa e enfadonha, porventura, entediante. Por mim vou continuar a publicar no blog e no Face...tenho leitores, críticas e elogios, aconchegos de alma e afagos no ego...Acredite que copreendo o seu ponto de vista e, certamente, estarei a ser injusto com este meu desabafo, mas, normalmente, vejo os dois "lados do copo"...o cheio e o vazio..e , quase sempre, ele está.... assim, assim...
ResponderEliminarP.S: Um dia destes mando-lhe um texto meu. Curto, simples...suficiente para uma crítica..Creia-me que servirá apenas para apontar os defeitos e incorrecções e corrigir o necessário para terminar a "obra-prima"
P.S: A ironia é uma marca indelével no meu carácter, a humildade também, o protesto...tem dias...
P.S. 2...O texto está cheio de gralhas, tal o frenesim com que alinhavei a resposta...
EliminarObviamente não posso subscrever respostas mal educadas, insultuosas ou irónicas, o que pretendi dizer foi apenas que compreendia certas reacções "no calor do momento".
Uma última questão: E as sinecuras? Os apelidos brazonados na pia baptismal? E os meninos da Tv que dizem meia dúzia de graçolas ou alinhavam meia dúzia de lugares comuns e são logo publicados e vendem como pãezinhos quentes? Como explicar o fenómeno? Sei... o mundo é pqueno, ligeiro e global e está em mudança...o problema não é ele mudar...é mudar-nos!
A pior resposta que um editor pode dar a quem envia um manuscrito original é o de que não se adequa ao catálogo. Porque se percebe imediatamente que na maior parte dos casos é copy-paste de outras respostas e ainda por cima é falso. Os editores não existem para serem simpáticos. Existem para dar respostas concretas e directas e decidirem o que se publica e o que não se publica, servindo como primeiro filtro. Não presta, não presta. Ponto final. Para virem com paninhos quentes existe a família e os amigos. O editor, tendo também uma responsabilidade bem determinada e definida na evolução da literatura, devia perceber que a tal resposta referida em cima não ajuda em nada a essa evolução.
ResponderEliminarOra bem! Um autor tem que publicar pelo talento, pelo esforço e pelo brio. Sim, aceito a sua resposta, claro! Para além de publicar, a editora tem a missão de filtrar, de perceber de que modo o projecto poderá vingar ou fazer escola. A ausência de resposta ou a resposta "copy/paste" é sinónimo de desinteresse.
EliminarJames...pensando bem...ocorreu-me agora que posso vir a ter resposta e ser confrontado com a ausência de talento...melhor ficar-me pelos afagos do ego na modorra da internet...
Valeu pelo desabafo... Como "dizia um gajo que andava aí pela net com a mania que sabia escrever" despeço-me com estas singelas palavra...e agora vou-me e não volto que já abusei da hospitalidade das Horas extraordinárias...
"A memória era um fio condutor despojado de vontades, em corrente contínua, onde, pelo meio, sobrevinham as mágoas. Tinha muitas, mais que pedras no caminho e nem castelo ou muralha ou verso do Pessoa lhe apagava o sorriso, para além de que gostava de linhas escorreitas, palavras doces e chocolate amargo. Escrever não era mais que ler parágrafos alinhavados pelo tempo e, se este não era mais que uma sucessão vertiginosa de coisas por fazer que lhe desarrumava a vida, formatada para aceitar o infortúnio com naturalidade, às vezes era na doçura da palavra e no travo amargo do chocolate, arrastados pela memória, que fazia um intervalo, percebendo então que assim, o mundo andava bem mais devagar…"
Não deve ser arriscado dizer que a Maria do Rosário Pedreira deve ser caso único em Portugal.
ResponderEliminarSalvo erro, a imensa maioria das editoras despacha tudo o que lhe chega com as respostas mais idiotas, inverosímeis e gastas... e quando responde. E há quem responda, a dizer que não, quando o original já foi aceite e publicado por outra editora.
A Maria do Rosário Pedreira lê e responde. E quando tem qualidade, publica, ou propõe a publicação.
Depois quando responde... encontra de tudo. Talvez deva criar uma espécie de "prova geral de acesso"... que exclua malcriados, gente que não sabe/não consegue escrever e idiotas de calibre grosso!
É só preciso ter lata, cara amiga, então mas é preciso saber escrever (e ainda por cima sem erros de ortografia) para escrever um livro? não seja tão exigente......
ResponderEliminarA atitude desse senhor foi em determinado ponto incorrecta, quer dizer, à partida quando se envia um manuscrito para alguém o ler é com o intento de receber criticas construtivas. Existe aquela pontinha de esperança de uma possível porta aberta para a sua publicação mas isso não é o mais importante. E há que aceitá-las - as críticas - mesmo que não nos agrade e não correspondam ao nosso ponto de vista, uma vez que provém de alguém com mais experiência nesse campo.
ResponderEliminar"(...) não se podia pedir a um autor que estivesse ao mesmo tempo atento ao desenvolvimento da história e a coisas tão comezinhas como a ortografia... " Pessoalmente quando escrevo tento prestar a tenção a tudo o que envolve a escrita, o desenvolvimento é importante mas ter uma escrita impecável e sem erros torna mais agradável a leitura. Se calhar sou eu que sou demasiado exigente mas não gosto de ler textos abreviados e cheios de erros. Sou muito verde no que diz respeito a este assunto, mas não acho que a resposta da pessoa foi sensata. Enfim.
Apesar de já muito ter sido dito sobre este assunto (não aqui, em todo o lado, desde sempre), de não ser suposto haver grandes surpresas de parte a parte, a verdade é que elas acontecem sempre. Quer parecer-me que, apesar disso, nem sempre o lado de lá compreende o lado de cá. E vice-versa, claro.
ResponderEliminarGostava de enviar um original meu para si, mas não sei o endereço de e-mail. Onde posso encontrá-lo?
ResponderEliminarA discussão a que assisti por aqui tem sido muito interessante e merece um bom debate, que pode chegar a outros campos como o ensino do Português.
ResponderEliminarSaber escrever correctamente acho que deve ser um cuidado que qualquer candidato a escritor deve ter acima de tudo. Não acredito que um bom escritor não tenha cuidado em enviar os seus textos para publicação sem os corrigir. Compreendo que possa existir um ou outro erro, mas mesmo assim não deixa de ser preocupante. Não posso considerar um bom escritor aquele que com os seus erros desprestigia a língua portuguesa.
Saber escrever uma boa história não está ao alcance de qualquer um e nem consigo imaginar a quantidade de trabalhos que uma editora recebe para analisar e número de trabalhos que são rejeitados. É necessário ter uma "boa mão" para a escrita. Sou sincero, também gostaria de saber escrever e de ver os meus trabalhos publicados, mas sou consciente que estou a anos-luz daquilo que se considera como uma escrita que se preze , apesar de publicar textos desde os meus treze anos na imprensa regional e nacional e agora vaguear pelo mundo dos blogues. Os blogues são um bom remédio para aqueles que não encontram outra alternativa e que desejam tanto escrever, o que não significa que tenham sucesso. Eu fui autor de um blogue no JN e posso-o considerar um sucesso com 4500 leitores por mês, mas não é tudo. O mais importante e o que me preocupa mais é saber escrever e escrever algo que provoque as pessoas a debater, comentar e a pensar. Se conseguir fazer isso já sinto que valeu cada palavra que escrevi. A quantidade não é tudo, mas a qualidade dos leitores é muito importante, pois são eles que fazem qualquer escritor crescer.
Uma última palavra, em relação à qualidade de escrita em Portugal. Eu, com 28 anos, fico triste com o que se escreve e como se escreve em blogues e notícias pelo público. Nota-se a falta de cultura de escrita e pensamento. Fico chocado com os comentários e discussões jocosas que se fazem. Escreve-se muito mal em Portugal, muito mesmo. Posso partilhar convosco, sou formador numa empresa de telecomunicações e fico abismado com a dificuldade de muitos jovens recém-licenciados escreverem uma carta, um e-mail interno, em que muitas vezes tenho de ser eu a ditar o que devem escrever exactamente. Para terem a noção, a empresa para quem trabalho inclui no seu programa de formação horas para ensino de escrita em português com as regras mais elementares de escrita e gramática. Alguns consideram ridículo, mas eu considero muito necessário.
Eu fico todo «encavacado» quando me dizem que tenho um erro ortográfico, sinto vergonha quando os dou e por lapso ou pressão do tempo os deixo passar.
Foi a primeira vez que vim a este blogue e gostei. Debater a escrita é algo muito interessante.
Alguns trabalhos publicados em http://jn.sapo.pt/blogs/linhadagua/default.aspx e recentemente a preparar o novo blogue em inonline.blogs.sapo.pt
Abraço, Manuel de Sousa