Saudades

Um dia destes estava a arrumar livros – tarefa inglória quando já não sabemos onde os pôr – e dei por mim a reler os poemas de José Agostinho Baptista em vários livrinhos pequenos que a Assírio & Alvim publicou há muito tempo (e que estão reunidos numa espécie de obra completa – 1976-2000 – a que ele inteligentemente chamou Biografia). Tive saudades da poesia do José Agostinho Baptista, que me fez um dia uma dedicatória original que começava com uma frase do tipo: «Para esta parva, que...» A razão para a desfaçatez – se chegava a tanto – prendia-se com a circunstância de eu lhe ter dito que gostara muito das suas traduções de William Carlos Williams, mas não tanto das de Yeats... E ele mostrou a sua não concordância nessa dedicatória que me fez. Ache-se ou não bem, isso agora é irrelevante, o que importa é que se trata de um grande poeta que, talvez pela sua natureza – disseram-me que é um misantropo –, tem passado a muitos despercebido (digo isto, porque o vejo muito pouco citado em blogues de poesia). O último livro que lhe conheço tem um dos títulos mais bonitos de sempre – O Pai, a Mãe e o Silêncio dos Irmãos –, está escrito em prosa e já foi publicado há algum tempo. Espero que saia outro em verso para eu matar saudades.

Comentários

  1. Obrigada por me ter lembrado a poesia de José Agostinho Baptista que estava desarrumada na minha memória.

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  2. O título desse último livro é de facto interessante. Fica anotado, obrigada.

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  3. José Agostinho Baptista6 de dezembro de 2010 às 15:21

    Maria do Rosário,
    espero que não interprete mal essa dedicatória, que alguns anos já tem. Foi uma dedicatória que fiz de bom-humor embora possa ser infeliz. Nunca iria chamar parva a uma pessoa a quem fizesse uma dedicatória. Quando as faço, tenho a maior simpatia por quem as faço, e sinto-me sempre grato por as fazer. Da mesma maneira que agora lhe agradeço sinceramente o facto de se ter lembrado de mim.

    Obrigado e um abraço de alguém que se calhar às vezes é parvo.
    J.A.B.

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    Respostas
    1. Não fique preocupado, eu achei graça na altura. E obrigada por passar por aqui.

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  4. Parvo (a) quer dizer pequeno (a).
    No corpo temos a safena parva (safena pequena) então apenas quis dizer "pequena" e agora tb se chamou pequeno. Deixe lá, todos somos "pequenos", às vezes.

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